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De modo suave, você pode sacudir o mundo. Mahatma Gandhi


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Presente da Nina

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Quinta-feira, Julho 2

SE TE ENGRIPÁS....


...SALUD!!


Vamos lá: O mundo está contaminado por um vírus que encerra em si, literalmente, certo “espírito de porco”. E daí? Qual a novidade?

As autoridades nos estimulam a não confraternizarmos com os países vizinhos (leia-se: “hermanos”), sugerem que adiemos nosso conhecimento adiantando as tão esperadas férias escolares, ensinam a minimizar os riscos através do uso de máscaras e da lavagem constante das mãos. Além disso, aconselham que evitemos os agrupamentos em espetáculos teatrais e culturais.

Enfim, nada mudou aqui desse lado do planeta. Exceto que, agora, temos uma desculpa mais que bem-vinda para justificar nosso isolamento emocional e social.

Estou na Argentina faz alguns dias e por aqui os cuidados estão redobrados. Entretanto, em detrimento do pânico difundido, anseiam muito pela reversão rápida das recomendações do ministro brasileiro.

Toda a Patagônia sobrevive do turismo, sobretudo, o brasileiro. Por azar, justamente do brasileiro jovem e bem nascido, dos que andam em grupo e se dão ao luxo de fazer viagens internacionais ao fim de cada semestre.

Esses, ironicamente, são os que se enquadram no chamado “grupo de risco”. Assim, talvez a Argentina sobreviva ao vírus H1N1, mas temos duvidas se resistirão muito tempo ao isolamento turístico.

De onde venho, o uso contínuo de máscaras é prática comum. São ornamentadas por diversos apetrechos que possuem a propriedade de se adaptarem ao meio em que estão inseridas. Por vezes, se camuflam e nem se fazem notar a olho nu.

Muitos dos que conheço, na intimidade de seus lares ou de suas almas seguramente se desinfetam compulsivamente ao fim de cada contato mais profundo com outros da “mesma” espécie.

Não são seres repulsivos, acredite. Convivendo com eles, temos sempre a sensação que são assépticos e limpos. Evocam uma transparência que os coloca acima de qualquer suspeita.

A má notícia é que nem por isso são imunes. São, na realidade, hospedeiros. Sofisticadas embalagens de conteúdos virulentos e mortais.

Consola-me estar longe deles nesse momento ainda que tão próxima do perigo real da tal gripe com espírito de porco. Consola-me que pensem que estou susceptível, quando me sinto, aqui, imunizada pelo amor dos que tanto amo e admiro.

Todo esse bla bla bla sobre vírus e transmissores é pra dizer que estou feliz e protegida entre os que amo. Sentindo-me renovada a cada beijo e aperto de mão. Agrupando-me e confraternizando de tudo que tanto me faz falta no restante do ano.

A Argentina segue sendo meu lar. Minha pátria, o Brasil. Meus amigos não têm nacionalidade, idioma específico ou time rival. Reforço, com minha presença, a esperança de que todos possam ver que, o que a doença iguala o preconceito não separa.

Assim, meus amigos, não temam a gripe suína e sim o “espírito de porco” que a usa como escusa para transmitir sua peçonha particular. Temam as articulações políticas e as retaliações de quem esqueceu como se faz para sobreviver sem as máscaras que, agora, estão em alta.

O melhor é que com as máscaras se nota melhor os olhos de quem as usa.

- posted by Mara


Sexta-feira, Junho 26

IS IT SCARY...


...FOR YOU, BABY?


A maioria das pessoas com que convivo divide comigo um arsenal de lembranças comuns. Fatos que denunciam que, ainda que apartados, somos da mesma geração, ouvimos as mesmas músicas, tivemos os mesmos ídolos e rimos e choramos as mesmas aventuras e, claro, desventuras.

Salvo algumas lacunas por vezes marcadas por alguns anos a mais ou a menos, qualquer tema evocado é estímulo suficiente para “startar” uma longa e prazerosa recordação. Os refrigerantes que bebemos, as novelas que assistimos e, sobretudo, as roupas que usamos.

Isso foi que tornou o dia de ontem particularmente triste. Perdemos de uma só tacada, a loira mais linda e o negro mais querido e, branco, que já tivemos. Ambos, símbolos de uma geração, de um pensamento.

Cada um, à seu modo, foi vitrine para nossas aspirações ou nosso repúdio. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. Exemplos de que temos mesmo que ter muito cuidado com o que pedimos em nossas orações, para não incorrer no risco de sermos atendidos.

Quem duvida que Farrah não desejou por décadas deixar de ser lembrada como a Pantera que eternizou? E, que dizer de Michael? Que quis deixar de ser negro, adulto, ele mesmo?

Quem duvida que terem sido o que foram não foi exatamente o que trabalharam tanto pra ser? De quanto abdicaram? Quanto lhes custou? Quantas manobras fizeram, boas ou más, para, no apogeu do sucessso manterem seus sonhos intactos e imortais?

Ambos morreram no mesmo dia. Desapareceram numa clara demonstração catártica de que “não há mal que não se acabe e nem bem que não tenha fim”, seja lá o que isso signifique no caso deles.

Não sei vocês, mas eu tive minha vida suspensa para balanço ontem. Fiquei imaginando as sobras. Neverland, as máscaras cirúrgicas, as luvas brancas e as crianças alienígenas e sem identidade.

Pensei também no corte “a la pantera”, nas roupas justas e nas mulheres que aprenderam artes marciais ou manejar uma arma. Pensei, sobretudo, na tríade amiga formada pela cumplicidade feminina. Tudo acabado e esquecido num arquivo cenográfico qualquer. Farrah saiu de cena singelamente, igual ao seriado que a consagrou.

Nunca gostei de Michael. Nunca mais ouvi falar de Farrah. Até ontem. Admito que gostei da maneira como eles morreram. Discreta e dignamente. Muito diferente do que habitualmente fazem os mega star como eles.

Essas mortes ontem me fizeram pensar. Ou melhor, me fez chorar. Chorar pelos “Michaels” e “Farrahs” que minha geração produziu. Muitos deles, humanos bem menos glamorosos e famosos, morrerão um dia sem terem aprendido com a morte de seus inspiradores.

Espero que leiam esse post. E, que me desculpem os mais sensíveis. Farrah e sua exuberância loira desapareceram sucumbindo a um câncer... anal. Michael morreu branco e deformado, endividado e com sua Neverland em ruínas.

Todavia, centenas de milhares de fãs, alheios a dimensão da degradação física e emocional que vivenciaram, choram suas mortes. Gente que não os conheceu de perto, que sabem de onde vieram, o que fizeram e pra onde conduziram suas vidas, mas que jamais fizeram parte dela.

Queria que algumas das pessoas que conheço lessem esse post. Queria que se dessem conta da lição embutida na morte deles. Que reconhecessem, afinal, a razão de ambos terem surgido em nossas vidas.

Aos que lerem, queria dizer que eu chorarei por eles, porque aprendi a amá-los antes que suas batalhas contra o escurecimento de suas almas ou que suas Neverlands fossem construídas.

Que os amo antes da fama que substituiu o sucesso que almejavam. Que não precisam fingir pra mim ou usarem máscaras que escondam suas chagas porque eu as conheço bem e sei que as piores e maiores não podem ser vistas a olho nu.

Mas, sobretudo, queria que soubessem que, apesar disso, ou justamente por isso, talvez, eu os compreenda tanto e os justifique a partir do que sei o que desejam esconder.

Aos que não lerem, sigo tentando fazê-los entender.

Não se faz um ídolo por acaso. Não existe o acaso e a morte é mesmo uma abrupta maneira de dizer que as dívidas contraídas em sua humanidade, foram quitadas. Mas, precisamos deixar chegar a esse ponto?

Se você leu e entendeu, espero que aproveite para perceber que o dia de ontem foi o derradeiro espetáculo oferecido a nossa geração, a última oferta para que façamos nossa escolha:

Viver com o glamour que os identifica e morrer no ostracismo, solitário e amargo ou viver a paz de não ter que se preocupar com isso.

Ou ainda: viver e morrer centenas de vezes nos corações de quem teve o infortúnio de amar você! E, no democrático fim, descobrir que somos o que queremos ser, mas poucos entrarão para história. Ainda que seja a minha!



- posted by Mara


Sexta-feira, Junho 12

SER OU NÃO SER....


...EIS A QUESTÃO!


Depois de seis irmãs, quando nasci, minha mãe já mostrava em sua face e discurso os efeitos que o tempo havia imprimido. Minhas avós ainda eram vivas e a primogênita entre nós irmãs, já tinha idade pra ser ela mesma, minha mãe.

Cresci entre adultos e idosos. Isso, mais tarde, justificaria minha precoce maturidade. Mas, sobretudo, delinearia em mim um irreparável e sincero respeito pelas pessoas que sobrevivem aos próprios erros tempo suficiente para assistirem “de camarote” os erros de seus descendentes.

Mas, tive a sorte de conviver com pessoas que souberam aproveitar as vantagens do tempo e transformaram suas jornadas em exemplos a serem seguidos.

Ocorre uma coisa curiosa: Sempre que olho pra um corpinho curvado, um rosto desenhado de rugas e mãos coloridas de pintas de diversos tamanhos eu me perco no exercício involuntário de imaginá-los jovens e dinâmicos.

Tento ler nos olhinhos pequenos e nos sorrisos pregueados todas as histórias que viram e tudo que ensinaram. Divirto-me com eles e, diante deles, sempre me sinto impelida a mostrar que, se me esforçar, posso ser merecedora da atenção que me dão.

Chego a desejar que me desculpem por todas as vezes que pensei em desistir. Todas as vezes que pensei que viver não fosse tão bom ou que lamentei não ter tempo.

Admiro, respeito, reverencio e me enterneço diante dos chamados velhinhos atuais.

Mas, infelizmente, “Os canalhas também envelhecem”. E essa máxima de Antero de Quental é tão verdadeira quanto a dificuldade que temos de admiti-la sem peso na consciência.

Anos atrás, conheci um jovem adulto que minha meninice via como um deus. Tinha currículo e bons amigos. Tinha decência como um mestre deve ter, acolhedor como um sábio o é e, humildade como só quem possui as qualidades acima são capazes de ter.

Mas o tempo (sempre ele) passou e nos separou. Ficou a imagem, a lembrança e algumas lições que impregnaram inevitavelmente a mente influenciável da criança que fui.

Entretanto, alguma coisa aconteceu nesses vinte anos. Alguma coisa nefasta. Má o suficiente para preencher os sulcos entre as rugas que se formaram naquele rosto que conheci de pura arrogância e maldade.

Os cabelos branquearam ao mesmo tempo em que sua alma escurecia. Os olhos, antes, puros como os de um artista, hoje, destilam inveja e ódio. As mãos não mais acalmam ou acariciam. Dedicam-se a guiar sua mente destruída pela desilusão na elaboração escrita e falada de discursos pérfidos e rancorosos.

O que terá acontecido? Será a ausência de um êxito tão esperado no passado e nunca alcançado? Será o vislumbre do sucesso alheio comparado a mediocridade em que ele próprio trilhou?

Ou será, tão somente, a percepção desesperada e tardia de que o tempo passou e encurtou a distância entre ele e as possibilidades ansiadas?

Será que o “cara das profundezas” veio enfim cobrar desse pobre senhor, a alma caucionada no passado em troca de um contrato que inadvertidamente ele assinou?

É. O “cara” não permite desvios. Dá-lhe a sedução necessária, o poder da dissimulação, e ensina as manobras maléficas, mas, não garante o êxito de quem é incompetente até para usá-las. Fingir exige muito mais que algumas aulinhas suburbanas de cursos de teatro ou ensaiozinhos em bastidores políticos.

Mas, de que valem as elucubrações? O que fica é o semblante contorcido e desfigurado pelo desgosto de ser quem é. E os seqüentes contratos que assina sublocando a alma que, outrora, já foi entregue ao diabo.

Confesso que ao constatar isso, num primeiro momento, fiquei triste e preocupada. Mas, esse sentimento durou o tempo exato que demorou até que eu virasse o próximo alvo.

Se eu tivesse tempo (olha ele aí de novo) eu tentaria entendê-lo e justificá-lo como fiz com todos aqueles que senti que perdiam a briga com a própria vida. Mas, penso que viver a sombra, assustado e rastejante já é um aprendizado seguro e suficiente.

Mas, se mesmo agora em que os anos encurtaram suas calças e curvaram sua índole... Se mesmo agora que o ócio concedido a velhice e a capa protetora emporcalhada pela política anarquista e moralmente duvidosa tomaram conta do que resta a ser vivido, ele não aprender...

Então que Deus tenha a piedade que meu excesso de humanidade não permitiu. Porque “os canalhas envelhecem”, mas, graças a Deus (ou a qualquer outro sócio existencial)... Também morrem!

Amém!

* texto sem correção



- posted by Mara


Domingo, Junho 7

COMPREENDER A MARCHA...


...E IR TOCANDO EM FRENTE!


Conheço um lugar onde o céu é sempre azul, o sol cumpre sua função de rei e a lua é sempre a rainha, ainda que as estrelas a tentem ofuscar. Esse lugar existe e por muito tempo, acreditei ser único e meu.

Não existe equívoco quando se encontra um lugar assim. O senso crítico se perde no deslumbramento do inédito, do nunca visto e usamos nossa ancestralidade lusitana para definir nossos antolhos, já que tapa-olhos seria muito óbvio.

Lá nesse lugar, não apenas o amanhecer é lindo como cantaria o Rei Roberto (lá, destronado apesar de famoso). Todo o resto é composto de puro deleite para a alma.

Cabe alertar: todo esse esplendor só pode ser visto através dos olhos de quem vê. É preciso estar disposto e composto da mesma matéria orgânica para entrar em sintonia. É preciso abrir os ouvidos e purificar os dutos venosos que levam a identificação até nosso órgão vital.

Você deve estar pensando: ‘’- Mesmo lugares assim, têm seus dias de tempestades!” É verdade! E como são deslumbrantes essas tormentas. O céu que permanece azul, apenas mais escuro e as luzes que deixam de ser estáticas e cortam as recém formadas nuvens.

É! A beleza está onde queremos ver! Pode ser fotografada, memorizada e até reproduzida com sensibilidade pelas palavras apaixonadas de outrem, mas, jamais poderá ser contemplada além de si mesma.

É efêmera e dura a razão de um segundo doado pela atenção que dispensamos.

Ninguém sobrevive ao mundo real depois de ter estado por lá. Inútil evitar a comparação e a exigência da análise paralela. A mesma beleza que enleva é a que nos torna mais duros com os desprovidos de tamanha grandeza.

Assim, sinto-me justificada e assumo a mea-culpa. Não me sinto mais preparada para me distrair com a pequenez de supostas grandes obras. Não sou mais ingênua e nem mesmo pouco exigente.

Entretanto, basta apenas um rápido olhar pra perceber que não há senão leite talhado onde antes se prometia doçura infinita. Não a raspa na panela a se comer ao final e nenhuma promessa de que, dali se produzirá derivados aprazíveis.

Em poucos dias irei de encontro mais uma vez á essa beleza que gravei na memória e que, como qualquer outra, em sua efemeridade precisa ser recomposta e alimentada de quando em quando.

Vou buscá-la outra vez na intenção de rever minha credulidade, de restaurar minhas esperanças.

Se e acaso eu voltar, estarei diferente. Sentirei compaixão novamente. Darei novas chances e o benefício da dúvida ou me resignarei ante a impossibilidade. Pode ser até que aprenda a me divertir com as tentativas.

Preciso e sei que encontrarei a paz que mereço. Desfaço as malas pesadas, preenchidas nos últimos meses na alfândega do desafeto e da ingratidão. Parto sem nada, vazia, para preencher-me da ternura que lá me espera.

É uma viagem generosa. Convido a todos. Há sempre uma chance de se reencontrar com o que deixamos perdido em algum lugar em nós mesmos.

Quer vir comigo??





- posted by Mara




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