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"Não conseguimos controlar as más linguas dos outros, mas uma vida decente nos capacita a desprezá-las." Cato, o Velho (234 AC - 149 AC)


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Presente da Nina

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Sexta-feira, Agosto 31

TEMPO DE SURFAR!




Sucesso! Ontem aprendi a mais contundente lição sobre o verdadeiro significado dessa palavra. Sucesso é uma palavra que não se auto define. Pode resumir tudo ou simplesmente não significar absolutamente nada.Quando desejamos sucesso á alguém, estamos, em verdade, resumindo alguns bons desejos que entendemos que seriam positivos. Até aí, tudo bem. O problema começa quando esquecemos que nossos sistemas de valores são e, é até desejável que sejam, diversificados e pessoais.

Sucesso pode significar aumento de trabalho, de expressividade, lucro, fama, satisfação pessoal. E deveríamos saber que essas condições não são necessariamente sinônimas e menos ainda, resultam da mesma coisa. Podem também não provocarem os resultados esperados. Ou seja, isoladamente cada um deles pode representar a ausência do outro. Daí que, desejar o abranjente “sucesso”, pode ser muito mais uma maledicência do que uma torcida amorosa. Como saber a diferença? Como situar-se frente á linha tênue que separa nossos desejos dos anseios dos outros e por sua vez, dos nossos próprios anseios?

A diferença pode estar em um componente fundamental e, geralmente ignorado, quando pensamos em sucesso: quem deseja á quem. Tudo que havíamos concebido sobre essa palavra, muda de significado quando identificamos os personagens por trás da ação de desejá-lo. Como quase tudo na vida, não há como ignorar o ser humano por trás de cada convicção e atitude na compreensão dessa interatividade. Nem mesmo o dicionário consegue dar apenas uma definição ás atitudes humanas. Essa enorme gama de possibilidades esconde as nuances psíquicas características dos seres humanos. Acredito que já falei disso em posts anteriores.

Ontem fiz parte de um encontro empresarial promovido para Jovens Empreendedores. Vale dizer, que o evento foi realizado também por indivíduos dessa mesma categoria. Minha expectativa era enorme. Escutar histórias de sucesso, vislumbrar a possibilidade real de que nosso mundinho esteja melhor no futuro é, de fato, uma motivação enorme pra seguir vivendo. Estava lá como jornalista e Mestre de Cerimônia contratada, mas nunca consigo me desvencilhar de meu olhar analítico quando o tema é o ser humano. A psicóloga que há em mim sente-se excluída, mas não inativa em situações como essa.

Tanto o público pagante como os palestrantes convidados não tinham, em média, ultrapassado a casa dos 35 anos. Se fosse resumir brevemente diria que estive em meio, durante todo o dia, ao mais promissor aglomerado de “bons partidos” que daria inveja á qualquer mocinha casadoira. Bonitos, elegantes e ricos. Esse era o perfil de 99,9% dos homens com os quais convivi ontem. Mas se prestar atenção verão que me omiti, entre as qualidades, de mencionar a juventude desses “genros desejáveis”. Foi proposital.

Voltei pra casa no final do evento com a pesada tarefa de redefinir com meu filho de dezesseis anos os conceitos que, voluntariamente ou não, o impregnei no exercício do papel de mãe. Jovens Empreendedores é a denominação que algumas organizações atribuem á essa moçada que muito antes do esperado, atingem sucesso em suas áreas. Minha experiência de ontem, me fez refletir sobre isso. Concluí que o equívoco começa á partir da escolha do título “Jovens Empreendedores”.

O que é ser jovem? É estar encaixado cronologicamente no período que media a infância e a velhice? Acho que não. Porque se assim o fosse, teríamos que abrir parênteses para as milhares de crianças cuja infância é tolhida antes mesmo de entrarem na casa dos cinco anos de idade. Abriríamos concessões também aos “setentões” que a sociedade já define como idosos, mas continuam a ter as mesmas participações que os de menos idade.

Ser produtivo, ter saúde e disposição não pode ser então, características que definem a juventude ou o fim dela. Qual será, então, a referência que usamos para determinar a juventude?

No meio empresarial ser jovem é, antes de tudo, ter muito menos tempo de vida do que os que ocupam o mesmo cargo e posição profissional. Há, é claro, certa tolerância contextual e cronológica. Você pode ser ou TER SIDO um jovem ao conquistar esse status. Mas, é essencial que tenha se destacado pela particularidade de ter tido êxito com pouca idade, onde a maioria levou anos para conquistar.

Empreendedor, todos sabemos ou imaginamos o que significa. Sob minha conceituação, seria alguém que soube arriscar e realizar a ponto de não se deixar abater pelas adversidades. Ou alguma coisa próxima á isso. O problema é a junção dessas duas qualidades. Os representantes dessa categoria que conheci ontem arrancaram de mim toda expectativa que tinha quanto ao futuro da humanidade.

Os “jovens” ali presentes projetavam a imagem de homens com o dobro da idade que realmente possuíam. Feições exauridas e histórias de vida, pós empreendimento, igualmente cansativas. Metidos em ternos de griffes e com os cabelos lambuzados de gel fixador, se esforçavam para demonstrar credibilidade, pautados na mais ridícula cópia de seus pais e mentores.

Segundo os relatos, a maioria já estava casada e com filhos, antes de completarem trinta anos. Tinham passado os últimos dez anos empenhados em defender o êxito alcançado dos oportunistas e descrentes. E ainda não tinham tido tempo pra desfrutar dos bens materiais que haviam adquirido nesse período. Posso entender essa coincidência de estado civil. Primeiro, porque esse meio competitivo faz concessões á quem já tem uma família constituída e segundo, porque se não tivessem se casado com a primeira namorada, talvez não tivessem outras oportunidades de namorar e conhecer novas opções de relacionamento. Entendo, mas me deprimo.

Copiam esse velho clichê de que "quanto mais formal forem, maior será a credibilidade que passarão", porque essa é a fórmula testada e comprovada de que serão aceitos apesar de muito “jovens”... E, por aí vai..

Ouvi depoimentos assim: “Vocês não imaginam como era começar um negócio tendo que economizar cada litro de combustível das aeronaves”. Ora, ora, eu poderia imaginar se algum dia em minha vida eu tivesse possuído, ainda que por segundos, um avião. Ou se tivesse um pai que me houvesse outorgado esse bem. Resumidamente, é claro que há méritos em não falir a empresa familiar quando se está à frente dela, mas eu queria mesmo ouvir alguém que tivesse sido obrigado á economizar o “passe de ônibus” e que hoje tivesse sua própria frota de transporte coletivo.

Mas nada disso seria importante, se por trás desse depoimento não estivesse um jovem que até outro dia possuía cabelos longos, sorriso aberto e leveza irresistível, totalmente inexistente atualmente. Continua bonito, jovem e rico. Mas essas são as únicas características irresistíveis que sobraram.

Esse meu “jovem exemplo”, é o símbolo de toda uma geração de filhos de famílias abastadas, herdeiros de impérios que se comportam como se fossem aleijados da própria personalidade. São mal humorados, antipáticos, arrogantes, egocêntricos e preconceituosos. Tudo isso, para supostamente compensar á inexperiência que possuem.

São homens de negócios antes de terem se tornado homens de verdade. Antes de desenvolverem o ser humano que os distinguirá de um chimpanzé macho cuja natureza os incumbiu de chefiar o bando. Ao menos, os chimpanzés nos dão a impressão de se divertirem ás vezes. Sem falar, que são divertidos também.

São os exemplos escolhidos para definir a palavra SUCESSO. Ganham, por hora, o que a maioria dos homens de cinqüenta anos no Brasil ganharia em uma vida inteira de trabalho braçal. Estudaram nos melhores colégios, cursaram as melhores universidades dentro e fora do país, mas quase sempre, atuam num mercado completamente diferente de suas carreiras acadêmicas. Como ser produtor de cinema ou músico, quando seu pai é o Rei da Cana de Açúcar?

Á meu filho deixarei um legado tão doce quanto á cana, mas mais valioso: meu amor. E quase chego a me sentir feliz por não ter acumulado alqueires de cana para deixar em testamento para ele. Espero apenas que ele possa manter esse capital e retransmiti-lo á meus netos, quando os tiver.

Não posso dizer, portanto, que esses jovens do evento de ontem, não tenham me ensinado nada. Nem que não ensinariam nada á meu filho, por exemplo. Com eles, aprendi que Sucesso pode ser uma maldição. Que ser jovem empresário é a antítese de se viver plenamente. Em síntese, desejo sinceramente que meu filho só alcance o sucesso quando ele não mais precisar ser uma exceção para merecê-lo. Ou quando tiver tempo, disponibilidade e ainda restarem alguns amigos sinceros para compartilhar com ele as vantagens dessa condição.

Espero sinceramente que meu filho possa compreender que ele mesmo e sua felicidade são o único sucesso que esperamos dele!

- posted by Mara


Quarta-feira, Agosto 29

SUA MAJESTADE: A RAINHA!


* Sugestão da amiga Bebé! ( obrigada, querida!)

De um lado lobo mau, madrastas, monstros e bruxas. De outro, garotas ingênuas que já nasceram, ou vão se tornar princesas. Nosso lar é o nosso castelo e nossos pais, reis e rainhas, em nosso mundo encantado. Nosso príncipe estará, preparado e lindo, para a qualquer momento fazer sua entrada triunfante. Os maus também terão seus minutos de celebridade. Cenário composto, personagens á postos. Começo, meio e fim devidamente programados. O que será que deu errado?

Cinderela, Yasmim, Aurora e até Fiona. Loiras, lindas, ingênuas, românticas, desprotegidas e injustiçadas. São protagonistas em nossa história. Se buscarmos dentro de nós, iremos certamente encontrar uma, ou todas elas. Rindo de nós.

Bom, senta que lá vem história. Não! Nessa altura, já tão madura da vida, me permito usar o passado como referência para, com isso, respeitar o uso pretérito do conhecido: “Era uma vez...

PÁRA! Pára tudo! Está faltando alguém!

Por onde andará a fada madrinha? Sabe aquela “senhorinha” rechonchuda de voz esganiçada e armada com uma varinha de condão? Lembra-se de tê-la visto quando você voltou de sua lua-de-mel e se deu conta que seu quarto cor-de-rosa tinha sido redecorado e virado quarto de hóspede? Onde, afinal, estava essa velha safada quando você viu no espelho fios de cabelos brancos, rugas de expressão e olheiras?

Onde estava ela quando você percebeu o andar cansado da “rainha-mãe” no velório do rei? Acaso esqueceram de enviar um convite á ela, no dia em que seu filho passou no vestibular daquela faculdade do outro lado do país? Onde, raios, ela se meteu no momento solitário, que você abafava o choro no travesseiro, assolada pela dúvida?

Onde estava ela? Será que ela esteve mesmo, algum dia, com você ou terá sido fruto de sua imaginação? Não! Você se apressará em dizer. Ela estava lá quando ganhei minha primeira boneca, recebi o diploma do colégio e dei meu primeiro beijo. Tudo isso foi obra dela. Mas isso, confesse, faz bastante tempo. Você era pouco mais que uma criança quando a viu pela última vez!

Pois é! Fadas madrinhas têm prazo de validade bem menor que os monstros e os dragões. As fadas se vão, junto com nossas espinhas. A verdade, é que não suportam as cólicas menstruais, dores do parto e a rotina das “mãetoristas”. Sapatinhos de cristal, maças encantadas e príncipes são produtos de promoção das fadas marketeiras cujos alvos são as princesas adolescentes.

Você agora, me perdoe a franqueza, tornou-se rainha. E rainhas são coadjuvantes em quase todas as histórias infantis. Mas, acalme-se. Pelo “andar da carruagem”, ainda há possibilidade de você se tornar a “Madrasta ou a Rainha Má”. Mas isso traria má publicidade e tudo que você quer é lembrar-se da princesa que você foi não é?

Desejamos tanto crescer pra calçar salto alto, voltar depois da meia-noite, transar com o namorado. E, agora, passamos o tempo todo desejando andar descalça, dormir sem ter que se preocupar em, antes, colocar a casa em ordem. E, no fim de tudo, transar também pode esperar até que você não esteja tão cansada.

Hoje, se a Fada Madrinha aparecesse o que pediríamos á ela? Um creme rejuvenescedor, um sutiã com bojo ou um removedor de pêlos indolor e definitivo? Não se iluda. Ela estaria tão velhinha que aquele vestido rodado e cheio de brilho já está fora de moda. Além disso, talvez, seu poder já tenha acabado.

Minha Rainha, me permita mais uma revelação: Envelhecer não é o mesmo que amadurecer! Amadurecer é saber rir das analogias que fiz acima. É compreender o quanto dos nossos sonhos adolescentes eram ridículos se comparados com as realizações que tivemos. Crescer é tirar proveito da ausência dos filhos, da tranqüilidade de se fazer sexo esporádico, mas desejado. É poder fazer do quarto dos filhos já emancipados, o “quarto da vovó”.

Amadurecer é parar de desejar ser princesa e assumir a realeza suprema contida em cada dobra adquirida de sua pele.

Os contos de fadas terminam no “E foram felizes para sempre...” e jamais saberemos se a Cinderela teve que cuidar da velhice de suas meio-irmãs agora, além de maldosas, velhas e ranzinzas! Se a Bela Adormecida sucumbiu de insônias terríveis e se Branca de Neve não acabou se tornando a imagem e semelhança de sua madrasta: linda, mas amarga e invejosa.

Jamais nos contarão quantas amantes seus príncipes tiveram ou se eles morreram com a cabeça tombada sobre a própria barriga avantajada, em frente á TV assistindo os melhores gols do Pelé, pela centésima vez.

Nós, ao menos, não fomos condenadas a depender de príncipes que combatam os vilões de nossa existência, enquanto aguardamos trancadas em torres de pedra. Algumas de nós abriram caminho, á cotoveladas, em direção á nossa liberdade.

Nossas “madrastas” não mais nos seduzem com maças suculentas, porque aprendemos com os erros de Eva e sua visão distorcida do paraíso. O lobo-mau, esse, nós desmascaramos nos corredores da escola ainda no ensino fundamental. E se não o fizemos, sempre há tempo pra fugir com o lenhador forte e sarado que mora logo ali, no apartamento ao lado.

Revisando e reescrevendo dessa maneira a nossa história, quando finalmente envelhecermos, teremos o prazer de relatar-nos á partir do “foram felizes para sempre”. E será possível nos orgulharmos de tê-la construído, sozinhas, sem a ajuda de nenhum contador de história machista e reducionista.

Mas, e o príncipe encantado? Bom, é pra isso que nos contaram tantos “contos de fadas”. Pra sabermos usar nossa imaginação!

Princesa moderna é a Fiona que se casou-se com um ogro mas, antes, tornou-se uma!


THE END
- posted by Mara


Terça-feira, Agosto 28

PARA ENTENDER O SOL!



Hoje estou um tanto introspectiva. Logo cedo fui atropelada por sensações de estranheza que há muito não sentia. Tudo começou quando abri minha janela e me deparei com o sol mais alaranjado que me lembro ter visto. Uma enorme bola de fogo num céu azul claro e parecia tão perto que era fácil acreditar poder tocá-lo com as mãos.

Sussurrei baixinho um lamento por não estar com minha câmera ao alcance das mãos. Era uma imagem tão inédita que temia fechar os olhos e ao abrir-los ter perdido aquele instante mágico. Debrucei no parapeito da janela e, como há muito tempo não fazia, recitei alguns versos que aprendi na infância:

"Ou se tem chuva e não se tem sol,
Ou se tem sol e não se tem chuva!
É uma grande pena que não se possa
Estar ao mesmo tempo nos dois lugares!"


Acho que era assim. Ou quase assim. Não importa! Não é um poema feliz, nem traz lembranças boas. Estava guardado junto com muitas outras lembranças, no fundo falso da minha mente. Recuei e agradeci não ter fotografado aquela esnobe bola de fogo emoldurada pela minha janela. Tanto fiz e tanto desejei que, ao sair, ele já não estava mais lá.

Enquanto dirigia não conseguia esquecer aqueles momentos. Pensei na capacidade de fotografar eventos sem o auxílio da tecnologia. O sol dessa manhã é meu e de mais ninguém. Posso descrever, contar, ou escrever sobre ele, mas mesmo que deseje nunca ninguém saberá o que eu sei sobre ele.

Uma das inúmeras dúvidas profissionais que tive, casualmente foi a primeira delas. Muito jovem e meio sem saber para onde tudo aquilo me levaria, diante da porta cinza com grades de ferro do Hospital Charcot, o pânico me paralisou e pensei o que mais tarde se transformou no texto abaixo:

Janeiro/1990- Primeiro dia de estágio:
Não sou gay, deficiente, infeliz ou doente mental. Como vou entender o que me dirão essas pessoas? O que direi amanhã á aquelas mulheres do Hospital do Câncer? Já sei! Digo que não sei. Digo que estou aqui de batom e unhas feitas, porque não tive como elas, que entender a vida além dessas futilidades. Revelo meu mais profundo segredo: de que estou aqui pra aprender. Não! Elas não podem jamais suspeitar que não estou preparada para ajudá-las.
Não digo nada. Pronto! Apenas ouço. Mas se não falarem comigo? E se me acharem jovem demais? Não sei como dizer que Não SEI como elas se sentem....


Muito tempo passou desde aquele dia. Mas ali, eu sabia, eu começava a entender. Ali, era o começo de um desígnio, da maldição e da benção de quem se atreve a enveredar aonde ninguém mais quer ir. Não sei dizer o que me fez ficar, nem mesmo o que me fez entrar por aquela grade cinza que fazia fronteira com meu mundo colorido.

Lá dentro conheci Napoleão. Descobri que Getúlio Vargas havia sido assassinado e que meus professores sabiam tanto quanto eu. Aprendi sobre a solidão, o medo, o poder, negligência e saudade. Mas, sobretudo, aprendi que aprender não bastaria.

Era preciso compreender além da mente. Olhar através... e tocar! Tudo isso, antes de pensar. Era preciso querer estar ali mais do que em qualquer outro lugar. Entendi rapidamente que nunca mais os deixaria lá. Que ao partir, os levaria comigo. Seriam meu castigo por ignorá-los por tanto tempo.

Quando iniciei esse texto, pensava em escrever sobre “empatia”. Queria dar as respostas que aprendi para quem ainda não compreende a palavra. Mas, empatia não tem definição. Empatia é um estado de espírito, um espectro sem dimensões definidas.

Tanto tempo depois e ainda não tenho as respostas pro texto que escrevi quando debutei na exploração da alma humana. Agreguei, ao longo desses anos, uma legião de amigos gays, deficientes, infelizes e doentes mentais. E na convivência com eles, entendi que não precisava ser como eles e nem pertencer ao mesmo grupo de identificação. Pra dizer a verdade, hoje, nem mesmo sei dizer quem é quem ali.

Fica mais fácil ver as deficiências, a diversidade sexual, a infelicidade e o desequilíbrio mental onde elas não estão tão óbvias. Meus amigos “normais” e eu nos alternamos nessas categorias e quase ninguém percebe. E quando percebem nos justificam.

O sol alaranjado dessa manhã causou danos irreversíveis em minha passividade. Há tempos vinha percebendo certo incomodo. Como se alguma coisa em mim estivesse em desalinho com minha auto-avaliação.

Concluí que ultimamente vinha perdendo tempo demais colorindo os portões do manicômio. Plantando trepadeiras com flores brancas em suas grades de segurança. Sentindo-me protegida do lado de fora da realidade que resolvi enfrentar anos atrás.

Empatia enfim é isso. Empatia é estar dentro, mesmo que fora. É parecer estar fora, mesmo que se esteja dentro. É chorar de rir, relaxar no cansaço, adoecer com saúde e viver o “morrer” como se isso fosse perfeitamente possível!

(texto sem correção)
- posted by Mara


Segunda-feira, Agosto 27

O PODER DA MENTE!



Se você é um otimista de carteirinha , ao ler esse texto irá pensar: O que pode haver de errado no pensamento positivo?

A sabedoria popular infla o peito quando trata desse assunto. Basta uma pequena queixa e surgirão ao seu redor verdadeiros criadouros de conselhos de otimismo. Sua insatisfação é o ambiente perfeito para que esses conselhos se reproduzam numa velocidade tão surpreendente quanto inútil.

A oferta é tão diversificada e surgem de tantas direções que até já sabemos o que dizer para combatê-las: “Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia!”. Não gosto da agressividade da frase, mas sou obrigada a admitir que refletir sobre ela já é um bom começo.

Quer dizer que só tem algum valor aquilo que tem um preço? Para as ciências exatas essa é uma verdade absoluta. O preço é a valoração que damos ás coisas que estamos dispostos a adquirir ou vender. Pode ser justo, ou não, dependendo do lado que você está.

Mas, ainda que “conselho” fosse um produto, e como tal, passível de comercialização, o que determinaria seu valor de mercado? Quem estaria disposto a pagar por eles?
Esse, em geral, é o motivo de alguns processos terapêuticos falharem. Ainda há que enxergue o psicólogo como um arquivista de conselhos. Há terapeuta que se submete á esse papel. Mas, nesse caso, conselho tem preço, e nem sempre é razoável.

Pensar positivo é, antes, politicamente correto. Seria contraproducente e nada bonito, alguém aconselhar que sejamos pessimistas em alguma coisa. Mas, será possível vivermos, todo o tempo, encorajados pela possibilidade do acerto quando todas as evidências apontam para o caos?

Claro que não! Há momentos em que não enxergamos mesmo a tal luz no fim do túnel. Que não achamos nenhuma benevolência numa seqüência de insucessos. Então como um simples pensamento, pode alterar o que é, naquele momento, um fracasso incontestável?

Todos os conceitos que alicerçam as falácias humanas estão pautados na ambivalência. Não é prudente ignorar esse fato. Os pólos positivos existem a partir da existência de seu opositor. Assim, torna-se necessário que não supervalorizemos um em detrimento do outro.

Obviamente, pensar negativamente pode causar uma inércia indesejável diante de alguma atitude que mereceria um empreendimento de energia. Pode fazer, com que nem comecemos já que estaremos convictos de que não teremos êxito. Há quem diga também, que esses pensamentos além de paralisantes são como imãs energéticos.

Crenças á parte, avaliemos o outro pólo: o positivo. Ao desprezarmos as possibilidades contrárias, estaremos igualmente promovendo inércia. A diferença é que a redução de energia, nesse caso, é em função da certeza de êxito. Se for perfeitamente possível, então não precisamos desprender tanta energia. Como otimistas, seremos motivados a iniciar, mas não haverá esforço para manter, o que empreendermos.

Mas, e quanto a atração magnética, ou a popularmente conhecida “força do pensamento”? Faz parte da expectativa humana, desvendar os segredos da mente por mera especulação e sem comprovação definitiva. Ninguém, até hoje, pôde provar que é possível conseguir o que quer que seja simplesmente com a força do pensamento.

O que aumenta a possibilidade de êxito é a perseverança. Atitudes baseadas em erros e acertos, com a consciência dos pontos positivos e negativos. Assim, ao mantermos apenas os pensamentos positivos estaremos negligenciando a potencialidade da força negativa capaz de anulá-lo.

Quando uma situação parece irremediavelmente perdida, não será o bastante pensar que no fim tudo vai dar certo. É preciso avaliar a situação como uma conseqüência e sair á busca das causas para poder combatê-las com determinação. Isso exige uma movimentação bem mais ativa do que simplesmente mostrar-se otimista.

Nem muito pra lá, nem muito pra cá! Se pensarmos na vida como uma corrente de energia, é emergencial que pensemos também na bipolaridade que a compõe. Ter pensamentos negativos não vai atrair sobre você a ira de Deus, menos ainda forças maléficas. Vai, na pior das hipóteses, condená-lo à desmotivação.

Portanto, não se iluda. Pensar positivamente como único recurso terá o mesmo efeito. A diferença é que você parecerá menos chato, e mais atraente pra quem convive com você. Mas isso, de nada adiantará na resolução de seu problema.

Além disso, o esforço para manter-se afastado do “lado negro da força”, pode ser inútil ou até impossível. Pensamentos negativos são incontroláveis e cruéis porque fazem parte da nossa fantasia de vida eterna. Caminha paralelamente á todos os esforços para conter os males da existência.

A medicina, a indústria farmacêutica e alimentícia, as fábricas de cosméticos, se especializaram em combater os efeitos previsíveis do desenvolvimento físico. Igualmente, o “psicologismo” embutido nesses Manuais de Auto-Ajuda se sustenta através da difusão da crença de que podemos controlar tudo através de nossa mente.

Falta apenas, que nos ensine a não nos culparmos por isso. Quem nunca pensou, depois de ler que tristeza causa câncer, que a alegria é obrigatória? Se você já teve câncer sabe o peso que esse pensamento produziu. O que pode ser pior do que padecer de uma doença terrível, que poderia ter sido evitada, se você tivesse rido quando seu casamento acabou?

Mas, tudo bem. Já que o “pensar” é tão poderoso, você será capaz de reverter a doença sem o auxílio externo. Basta que se concentre na cura. Certo? Errado! Concentrar-se na cura irá apenas afastá-lo das medidas necessárias que podem inibir o processo. Como deixar de sentir-se culpado, por exemplo!
Em nossos pensamentos estão contidos todos nossos anseios e receios. É a fonte de onde extraímos a motivação para seguir vivendo. Não devem ser fragmentados, classificados ou coibidos. Devem seguir livres para que possamos nos atentar sobre eles.

Prestando atenção nesses pensamentos como um todo, que compreende os “bons” e os “maus”, nos damos a chance de avaliar nossa conduta e escolher, sem culpa, que direção tomar. Tudo aquilo que evitamos ou desconhecemos torna-se potencialmente nocivo.

Assim, se dê uma chance. Pense. Negativo ou positivo, mas PENSE!

- posted by Mara


Sábado, Agosto 25

HUMANOS COM OU SEM PEDIGREE?



Hoje ouvi uma frase que há muito tempo não ouvia. Apesar de muito popular, a frase dita num arroubo de raiva, provocou uma insistente reflexão em mim. Nem sei o contexto em que ela estava inserida, mas a energia que ela continha ela incontestável. “Ele é mesmo um ANIMAL!” Imediatamente depois de ouvi-la, minha mente me pregava peças com pensamentos idiotas do tipo: “Qual animal?” “Se for um gato, é um elogio mas se, ao contrário, for um porco...”. Mas aí, a pessoa acrescentou: “Cachorro! Sem vergonha!”.

Afastei meus devaneios bem humorados quando percebi que a frase expressava o mais profundo desprezo por um determinado comportamento. E de quebra, atribuía os pobres animais a autoria de gestos dessa natureza. Sinceramente não sei o que me irritou mais.
Tudo que sei, é que esse papo sobre a irracionalidade dos animais é cansativo e ultrapassado além, é claro, de não refletir completamente a verdade.

Nunca vi meu cãozinho Yorkshire se referir a um humano, dessa forma tão agressivo. Geralmente quando ele não gosta de alguém, simplesmente rosna. E em ultimo caso: morde. Simples assim.
Ocorre que meu York, em particular, nunca mordeu ninguém. Ou seja, nunca foi preciso que enviasse mais que um aviso claro e incontestável que não estava gostando do que via. Sua objetividade é sempre recompensada pelo alívio de ver que seus “oponentes” simplesmente não se aproximam.

Medida prudente, de ambas as partes, se levarmos em conta que ele tem menos de quarenta centímetros e pesa um pouco mais de um quilo, mas possui dentes afiadíssimos e geneticamente programados para dilacerar. Enfim, comparar ofensivamente determinados humanos com esses animaizinhos é definitivamente injusto com eles. Com os animais, é claro!

Mas frases assim são, em geral, força de expressão. Cunhadas a partir de um imaginário coletivo, reforçadas pelo uso contínuo. Palavras ao vento, desperdício de metalinguagem, boataria semântica.
Assim, me reservo o direito da retórica analítica dessa chamada “força de expressão”. O que seria afinal o “rosnar” do ser humano? E como ele age pra difundir que esse “rosnar” é um sinal de alerta para os que inadvertidamente se aproximam?

Em minha opinião, a característica humana que mais se aproxima desse “rosnar” é o boato. É! Boato. Aquele fato não comprovado que nunca sabemos como nem quem começou. O boato ou a fofoca é quase sempre o resultado da impressão que alguém mau e de caráter duvidoso, fez alguma coisa ou alguém, e que se espalha numa velocidade meteórica.

É a verdade ou a mentira distorcida em benefício próprio. Tem uma incrível capacidade de, ao se espalhar, absorver deformações em seu conteúdo. O boato tem sua origem nas profundezas da perversidade humana. E, como tal, está intrinsecamente ligado á paixão freudiana: raiva, vingança e inveja. Feio né? Mas são sentimentos tipicamente humanos!

O “hospedeiro” do boato deve ser sagaz e rápido. O êxito de suas intenções depende fundamentalmente dessas qualidades, porque tem que se valer de sua capacidade em identificar o momento certo pra começar a agir. A circunstância tem que ser perfeita: a ausência da vítima, o contexto e, principalmente, quem a estará ouvindo.
A aparência inocente e obscura é também uma característica a ser desenvolvida, se o “boateiro” ainda não a possui. “É na escuridão que um único inseto repugnante e letal sai de seu esconderijo e propaga o que poderá se tornar uma epidemia”.

Ninguém é bom ou mau por definição única. Mas também não é verdade que a “ocasião faz o ladrão”. “Quem sabe faz ao vivo, diria o Faustão!” Assim são os boateiros. Nem bons nem maus, os que os distingue em seu “rosnar” são as motivações que possuem.O “boateiro” é o resultado de uma mente defeituosa, que age por motivos mesquinhos, pequenos, em tamanho e resultado. Essas atitudes se propagam com facilidade porque os boateiros, via de regra, estão rodeados de iguais. É uma deficiência contagiosa.

O boato como uma obra que conta com muitos colaboradores voluntários ou não, torna-se muito complicado para a vítima identificar imediatamente o autor. A demora nessa identificação dá o tempo necessário para que o boato se espalhe cada vez mais. Geralmente o boateiro está próximo da vítima desavisada que são capazes de usarem o mesmo garfo enquanto essa última concede ao boateiro o material necessário para que ele comece a agir.

Todavia, o boato nem sempre é obra de “malvados de carteirinha”. Mais comum é que seja fruto de um desejo inconfessável e muitas vezes inconsciente. É no terreno fértil em maldades das relações que envolvem o boateiro, que se assegura a perversidade desse comportamento. Enfim, para que exista um boateiro é imperioso que ele abra caminho, ainda que á cotoveladas, para estar muito próximo de suas vítimas e seus cúmplices.

Esse “rosnar”, entretanto, pode não ser eficiente se o “ser humano boateiro” se descuidar e cair na própria armadilha. Articulações, maldades e mentiras têm pernas curtas. Mesmo que sejam pernas bem torneadas e sedutoras. A vítima pode “farejar” esse tipo de aproximação e promover uma cilada. Dar voluntariamente ao sujeitinho o que ele pensa estar tomando. E com isso, o que deveria acabar em uma bela mordida, terminará como um enorme favor.

Diante de tanta manobra para um simples “rosnar” é que proponho a seguinte reflexão sobre a comparação entre humanos e animais que delineei nas primeiras linhas desse texto: Qual deles, animais e seres humanos, parece mais eficiente ao se relacionar? Qual é mais brutal e mal intencionado? E, finalmente, qual deles pode ser mais perigoso?
Depois que responder a isso, faça como eu: adote um cachorro pra chamar de seu!

- posted by Mara


Quinta-feira, Agosto 23

PORQUE METADE DE MIM É A LEMBRANÇA DO QUE FUI...



...A OUTRA METADE, EU NÃO SEI!
(Oswaldo Montenegro)

Com toda minha admiração e respeito, peço sua permissão para transcrever as palavras que calaram as minhas...

“Quando as palavras pousam em nossa mente
E nos fazem refletir,
Podem aquecer nosso coração ou não.
Mas é muito bom quando fazem com que nos sintamos tranqüilas,
Quase nos colocando onde mais gostamos de estar: ...
Sonhando coisas boas e talvez
Deitadas em uma colcha macia de retalhos multicoloridos,
Podendo ser na praia com sol e brisa suave,... No campo,
Olhando a natureza tentando sobreviver à selva de pedra,...
Só ou acompanhada, olhando o céu estrelado
E convidativo aos sonhos mais profundos,...
Em casa com a família e/ou amigos reunidos,
E com saudades batendo à porta,...
Em momentos de felicidade ou tristeza profunda,...
Mas sempre com esperança de que dias melhores certamente virão
E que tentaremos estar aqui para recebê-los
E tornar reais os nossos sonhos.”

by: B&L


Recebi por e-mail. Mas poderia ter vindo através de uma descarga elétrica, do ricochetear da colisão de um meteoro ou simplesmente de um beijo. Provocou um nocaute emocional.

O longo convívio com a ciência me condicionou a acreditar que tudo que parece mágico é, na verdade, ilusão de óptica ou truque. Minha lógica outorga aos poetas a isenção na construção do acaso. Mas, que poder avassalador produz a liberdade de se deixar levar pela correnteza da imaginação.

B&L é um nick ou talvez um disfarce. Iniciais que remete meus pensamentos pra uma noite chuvosa no Rio de Janeiro. Na profusão de caras, sons e emoções... Lá estava ela. Proprietária de uma escandalosa timidez se destacava pelo silêncio barulhento que fazia.

Sua presença mais escondia do que revelava. Instalou-se e esperou até que os egos se multiplicassem para se dizer única. E como um baleiro cheio de confetes coloridos contido pela vitrine e preso no olhar fixo da criança na calçada, escreve coisas assim:


“Aqui existe, verdadeiramente, “LUA/SUSAN” e “SOL/MARA” que são amigas,... que se encontram (não em eclipses rsrs),... que brilham e brindam, com seu Amor e Carinho, a nós,... as AMIGAS ESTRELAS.”
LUA + SOL + ESTRELAS = AMIZADE “MUITO ALÉM DO VIRTUAL”


B&L, ou qualquer que seja seu nome, me escreveu, em plágio, palavras necessárias e descarrilou a locomotiva de pensamentos que normalmente me guia pelas linhas do meu blog. Fiquei sem saber o que escrever. O “post seguinte” se calou diante do óbvio: Porque escrevo se não me dou o trabalho de ler? Vi-me diante da minha arrogância.

Compreendi, através de seu e-mail, que eu escrevia como quem oferta caridosamente seus mais brilhantes pensamentos. Que “grandessíssima” pretensiosa eu sou! A verdade, que me ensinou seu e-mail, é que escrevo que deveria ou gostaria de ouvir e que prepotente, ignoro. Fiquei sem saber o que escrever e repleta de coisas para reler.

Só me resta admitir que você tem razão. Que se ensina melhor quando se espera aprender através disso.

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Quarta-feira, Agosto 22

O HOMEM É O ÚNICO ANIMAL QUE RI..



E ISSO MOSTRA O ANIMAL QUE É!
(Millor, parafrasendo Aristóteles)


Rir é o melhor remédio!

Nem sempre. A meu ver, o riso provocado (não espontâneo), deve ser antes, uma opção. Rir é uma expressão como qualquer outra. Reflete e qualifica uma emoção. E como tal, não pode ser explicada de maneira tão simplista.

É fato que o riso desencadeia reações fisiológicas que diminuem o estresse e ansiedade, reforçam a imunidade, relaxa a tensão muscular e diminui a dor. Mas, em toda minha experiência profissional com pacientes terminais, nunca vi ser reconhecido um caso em que uma pessoa tenha se provocado, evitado ou conseguido retardar a evolução de uma enfermidade grave, através do riso. Aliás, vi poucos risos ao longo dessa experiência.

Há gente que ri por quase tudo. Tem aqueles, cuja anatomia da boca, coloca um sorriso perpétuo no rosto. Tem riso forçado, sarcástico, tímido e até triste. Mas o riso que sinto falta não é o gesto mecânico de demonstrar concordância. Muito ao contrário, o riso que sugiro é aquele que traduz, altera e contagia. Riso que se auto-explica.

Riso e felicidade em nossa cultura tornaram-se elementos dissociados. Nem sempre nos é permitido rir quando estamos felizes ou estarmos felizes a ponto de rirmos. Haverá sempre um “senão”, uma coibição qualquer que transformará nosso riso em pecado.

Fazer rir é outra contradição. Até a profissão “palhaço” tornou-se pejorativa. Endurecemos. Fazer rir tornou-se um negócio rendoso. Fazer rir, hoje, é coisa pra especialistas.

Especializar-se nessa capacidade foi a medida encontrada para suprir-nos desse “bem útil” ao constatarmos que havíamos perdido nossa ingenuidade. Didi, Dedé se separaram. Mussum e Zacarias morreram. O indefectível Chaves-Chapolim virou símbolo de herói fracassado. Onde foi parar nosso riso?

Chico Anísio virou cronista. Jô Soares, entrevistador mal humorado. Tom Cavalcante? Convenhamos esse é mesmo um palhaço! (entendam como quiser!).

Nosso riso hoje está nas mãos de habilidosos sádicos. Gente que se agrupa e se especializa em transformar tragédia em piada de mau gosto. Químicos da comunicação capazes de transformar falhas em defeitos e piadas em falta de educação. Gente, que faz de si mesmo personagem, para travestir a própria grosseria.

Seria preciso redescobrir a fórmula do fazer rir sem tirar o riso alheio. Rir da própria incapacidade de produzir alegria. Seria perfeito, se o público atual entendesse a piada e pudesse rir também!

Quando os humoristas tiram a graça de si mesmos e miraram os outros, a piada de duplo sentido ficou sem sentido nenhum. Ou com sentido óbvio e direcionado. A vítima não deve achar gracioso.

Alguns programas da TV brasileira contradizem minha afirmação de que “rir não é o melhor remédio”. Para eles, é o ÚNICO remédio! Desperdiçam criatividade, retorno de audiência e inteligência para propagar preconceitos e estereótipos. E aí, que remédio? Só rindo!

Todo programa de humor aposta na fórmula da “gostosa” fazendo parte da trupe, ás vezes, há mais que uma. Dessas se encarregam eles próprios de consagrarem como “burras.

Tem também o “grosso”, o “mal educado” e o “inconveniente”. Em um desses programas campeões de audiência, os humoristas nem são personagens. Camuflam as próprias características com o aval de serem comediantes.

Confesso que, ás vezes, me diverte. Mas, é válido dizer que não os conheço. Não convivo com eles, não sou famosa e nem trabalho em emissora concorrente. Isso reduz significantemente a possibilidade de me tornar alvo desse humor duvidoso. A maioria do público cativo e anônimo também se sente protegido

Eu me sentiria muito mais cômoda em um mundo em que rir fosse uma emoção respeitada. Como chorar, por exemplo. Ninguém chora com o objetivo de espezinhar, ridicularizar ou ferir outros.

Ninguém explora de forma animalesca o choro genuíno. Alguns até tentam explorar o choro alheio, e provocam lágrimas conseqüentes. Mas ao fizerem isso na tentativa de humilhar, serão julgados e condenados pelo “politicamente correto” comportamento humano. E tem gente que ainda tem vergonha de chorar!

Essa tendência parece ser definitiva. Sempre haverá quem encontre maneiras de provocar o riso de multidões em detrimento de um único lamento. Justamente porque sempre haverá uma multidão para rir do lamento alheio. Pode parecer engraçado, mas rir e “fazer” rir são coisas muito sérias

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Terça-feira, Agosto 21

VAMOS ESCLARECER? NÃO ASSISTO TV!



Vamos esclarecer: Não vejo TV! Essa, é claro, é uma meia verdade. Nenhum brasileiro urbano está completamente alheio á programação televisiva. O que quero dizer, na verdade, é que nenhum programa de televisão atual tem o meu comprometimento ou me mantém cativa por mais de vinte minutos.

Não há nessa afirmação, embora possa parecer, nenhum indício do vaidoso preconceito intelectual. Sou um produto da televisão. Essa jovem senhora, em seus 57 anos, exerceu um enorme fascínio e teve papel importante em diferentes momentos da minha vida. Além de partilharmos, a TV brasileira e eu, datas marcantes.

O ano em que nasci, por exemplo, é um marco pra televisão brasileira. Foi o ano que marcou o início do “reinado” paulista de Roberto Marinho. Enquanto isso, o fogo consumia a antiga TV Excelsior. E por aí vai..É claro que muitos dos acontecimentos desse ano e da década seguinte, eu não me recordo, mas a própria TV se incumbiu de não nos deixar o benefício do esquecimento.

Nem tudo vale a pena ver de novo, mas um povo sem memória é um povo sem cultura. Até os jornalistas, tidos como os mais arrogantes entre os intelectuais, admitem que sua formação se confunde com a da TV. Mesmo assim, não assisto TV.

Entretanto, ás vezes ela me pega desavisada. A última vez que um desses aparelhos me laçou, por exemplo, foi durante a cobertura “ao vivo” que a Telefé (TV Argentina) fazia sobre o acidente da TAM. A TV nesse dia foi a única ponte para meu, então esquecido, nacionalismo. Foi minha companheira, psicóloga e testemunha de meu desespero.

Mas se engana quem pensa que não conheço a prostituta Bebel, a Samambaia que atribuiu a Lei Áurea á princesa Diana e que tem muita gente vendo TV, “Altas Horas” da madrugada. Sei até dizer o número de edições do BBB, e sou capaz de qualificar e nominar cada um dos participantes da última edição. Aliás, me culpo por não ter olhado direito o bumbum da Iris Stefanelli quando estive com ela pessoalmente. Odeio hipóteses! Mas, não vejo TV!

Ouço ás vezes, o Jornal Nacional. Sinto falta da voz do casal, principalmente no mês de agosto, após um longo período sem ouvir meu próprio idioma. Gosto do Fantástico. Sem a Glória Maria, deve ter ficado ainda melhor. Mas espero o dia que o Zeca Camargo seja remanejado pra voltar a assistir.

Já tive meus ídolos. Joguei vôlei com a Vera Mossa. Fiz a mesma faculdade que a Giullia Gam. No teatro, trabalhei com Carlos Augusto Strazzer e Zezé Polessa. Fui vizinha do Fábio Junior. Fiz testes com Antonio Fagundes e Myrian Rios. Conheci a cantora Joanna, Carlos Casa Grande, Raul Gazzola, Irene Ravache, Luigi Barrichele, Leyla Moreno, Thierry figueira, Fabio Villaverde, etc. Alguns se tornaram amigos... mas eu era jovem demais. Conheci Pedro Bial e com ele, troquei e-mails e telefonemas.

Pedro Bial me recolocou na poltrona á frente da TV e dali para as carteiras da Universidade novamente. Ele me fez assistir ao BBB1...2...3...4...6...7... , inutilizou minhas noites de domingo e me fez engolir a Glória Maria e o Zeca Camargo. Bial me levou ao De cara pra Lua, de Susan...que me levou á Globo. Com...que me condenou aos malefícios da Internet.

Esse jornalista-apresentador-diretor-poeta-escritor-galã-produtor Bial, me ensinou que não podemos, ou não devemos, ter aversão do que não conhecemos. Não devemos reduzir nossa potencialidade e que nem tudo que parece, realmente é. Pedro Bial reinventou a palavra celebridade. É bem verdade que reinventou, também, celebridades.

Mas isso, acredito, são ossos do ofício. Vem reinventando também o jornalismo brasileiro. Em outras palavras, Pedro Bial me entregou a “Caixa de Pandora”, que por curiosidade abri. Mas ao fechá-la, como no mito, restou a esperança.

Lamentavelmente não conheci Freud, Jung, Lacan ou Aristóteles. Sei sobre eles, mas que importa? Isso jamais daria o mesmo ibope.

Pensando bem...Faço televisão! Será que ainda da tempo?
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Segunda-feira, Agosto 20

NADA DO QUE FOI SERÁ..



“Deus escreve certo por linhas tortas”.

È bem óbvio que quem disse essa frase pela primeira vez tinha o firme propósito de consolar, usando a velha fórmula da “resignação como último recurso”. Quero propor uma leitura diferente: “Deus sempre estará escrevendo certo, as linhas esguias são de nossa responsabilidade. Quase sempre ignoramos sinais visíveis dos caminhos que temos que seguir para nos aventurarmos pelo simples prazer de nos rebelarmos. Mas, como contra a força não há resistência, estou realmente decidida a oferecer um caderno de caligrafia para que Deus possa escrever, sem desalinho, os desígnios de minha jornada.

Esse blog recém nascido, já se sente recuperado do doloroso processo do parto e vem apresentando evidências de que começa finalmente a interagir com o ambiente. Esse começo de vida foi bastante tumultuado. Numa analogia aos bebês humanos, esse meu espaço nasceu acreditando-se o centro das atenções. Sentia-se seguro porque era fruto de uma união perfeita em suas disparidades. Estava inserido em uma família numerosa, barulhenta e que respeitava individualmente cada elemento. Assim, como filho mais novo e temporão, preparava-se pra ser mimado.

Esquecer-se dos irmãos mais velhos e do cansaço dos pais é um equívoco comum entre os filhos caçulas. Esse pequeno prepotente, ao nascer, vislumbra apenas três possibilidades: alterar, integrar ou se destacar na rotina consolidada muito antes de sua chegada. Se nada disso acontece, numa tendência natural, fará um espetacular barulho. Confesso, que tenho tido bastante trabalho pra conter esse meu mimado caçulinha. Principalmente depois que as visitas, apesar de numerosas, passaram a se comportar de maneira quase indiferente á seu propósito de vida. Vêm e vão sem deixar rastros.

Escrever sempre foi minha paixão. Mas minha concepção de escrever conflitua com os conceitos dos teóricos da linguagem. Aprecio a escrita que perpetua os objetivos dos homens das cavernas: representar tudo que está á seu redor de maneira inequívoca e incontestável pra quem lê. Acredito, sinceramente, que um mamute, desenhado na parede de uma caverna, é apenas um mamute. Ainda que alguns tenham pêlos e outros não. Duvido que alguém tenha exigido desses artistas do passado técnicas perfeitas que os habilitassem á desenhar publicamente.

Agora que já justifiquei e protegi meus textos das análises editoriais, não posso deixar de alertá-los que, não ter pretensões literárias ou jornalísticas, é a única expressão de humildade que eles refletem. Todo pensamento é egocêntrico, vaidoso e pouco modesto. Peço que entendam essa longa introdução, como um “Diário do Bebê”. Sabe aquele livrinho onde a mãe anota o peso, o tamanho, as primeiras visitas, etc..? O que me importa, na verdade, é dar á esse espaço uma identidade, uma origem incontestavelmente documentada.

Resolvi fazê-lo porque, meu blog e eu, estamos vivendo uma crise existencial. Descobrimos que não somos filhos legítimos de quem nos gerou. Não temos a mesma aparência e menos ainda os mesmos objetivos. Somos diferentes dos “irmãos” e vínhamos nos sentindo estranhos no ninho, desajustados e rebeldes. Assim, antes que nos tornemos um filho-problema como alguns que estão espalhados e crescendo numericamente pela NET, resolvemos fazer nossas trouxinhas e cair na estrada.

Ignorem o tom corajoso. Não existe uma só gota de coragem ou vaidade nessa decisão. Aliás, ela camufla a decepção e a tristeza de quem, pra ser honesta, sente-se cuspida pra fora da família.

Então, vamos ao que interessa: Novos tempos virão! Outro foco, outro ângulo e objetivo. Nem melhor ou pior, apenas outro. E agora que comuniquei á quem possa interessar, vou correndo anotar no “Diário do meu blog-bebê”:

MEU BEBÊ HOJE ENSAIOU SEU PRIMEIRO SORRISO..PERCEBO QUE SERÁ UM GAROTO INDEPENDENTE E DETERMINADO.
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Sexta-feira, Agosto 17

NADA SE CRIA, TUDO SE COPIA
OU VOCÊ SE ACHAVA MUITO ORIGINAL?



Pois é! Toda ação gera uma reação... Que gera outra ação, que gera... E aí todo aquele discurso de “Fi-lo” porque “Qui-lo” vira mesmo discurso de político novo-rico! São raras atitudes que não estejam pautadas em aprendizagem através de modelos bons ou ruins.

Não que sejamos uma “tábua-rasa” como acreditam alguns, mas digamos que não nascemos transbordando sabedoria. Prefiro dizer que somos como “esponjas” que irão absorver voluntariamente ou não, tudo aquilo que ficar ao alcance de nossos cinco sentidos. Às vezes, até do sexto, sétimo...

A palavra aprendizagem deriva da palavra latina "apprehendere" que significa adquirir o conhecimento através do estudo ou da experiência. A aprendizagem implica, em geral, uma mudança de comportamento através de experiências vividas. Incluem-se aí experiências pessoais ou apenas de observação.

Vou tentar ser mais específica. Podemos “apreender” de forma passiva ou de forma operante. Quantas vezes nos defendemos de algo ou de alguma coisa, sem sequer entendermos a razão? Essa é uma forma operante de agir e está baseada em todas as “rasteiras” que já levamos na vida. Mas existe quem se defenda apenas porque percebeu, pela experiência alheia, que aquilo se tornará uma armadilha.

O que nos interessa hoje é falar dessa forma “operante” de agir. Atitudes e comportamentos que não se justificam senão através da análise de nosso aprendizado, do resultado do nosso convívio social. Á isso, damos o nome de condicionamento.

Você pode não saber, ou não admitir, mas a maioria das suas ações pode estar condicionada á estímulos externos muito bem disfarçados do seu dia-a-dia. Pode ser sua mãe, seu filho, um amigo próximo e até mesmo um artista que admira.

A primeira lição aprendemos ainda bebês. Aprendemos rapidinho como descolar uma mamadeira. Choramos e pronto: lá vem a mamãe nos alimentar. Mais tarde vão querer trocar esse “reforço positivo” por alguma punição: “Se chorar vai ficar de castigo!”.. Mas aí será tarde demais. Já a teremos condicionado a aceitar nossos berros quando queremos ser atendidos. (E ela vai achar que foi ela quem nos condicionou!)

Crescemos e esse comportamento será bastante familiar. Reproduzi-lo será tão natural quanto respirar. De repente você adota um comportamento que permite evitar críticas, dissabores e destaque negativo sobre sua pessoa. E com isso aumenta a probabilidade de conseguir reforços positivos como: afagos, elogios, aplausos.. etc. Não é um bom motivo pra você se deixar condicionar sem muita resistência?

Não, não é! Mas fazemos mesmo assim. E pagamos um preço muito alto por isso. A necessidade de obter esses reforços como diretrizes, nos torna dependente e causa muitos aborrecimentos. Um dia você se dá contra que engajou em campanhas que não acredita que gosta de quem não gosta de você, e pode ser que até fale coisas que nem sabe da onde tirou.

Vivemos em sociedade. Nos relacionamos até mesmo quando bradamos que não estamos. Alguém tem que te ouvir, não é? Essa condição social nos obriga a muitos tipos diferentes de aprendizagem. Uns, mais eficientes, outros menos. Mas, é fato que para qualquer maneira utilizada para nos apresentar á vida, é preciso consciência e cautela. Senão, adivinha quem vai acabar sofrendo?

A Psicologia pode nos dar um pouco de luz á esses comportamentos, mas fique á vontade, para não querer se identificar com nenhum deles. Não é mesmo fácil admitir que não somos tão originais quanto acreditamos. É muito melhor sair em defesa dos animais de laboratório crendo-se diferentes deles.

Podemos aprender por observação. Leia-se “imitação”. Somos moldados pelo nosso pensamento, as regras sociais e por aquilo que aprendemos dos nossos modelos. Aprendemos pela experiência e a observação do comportamento dos outros. E nem é preciso nenhum tipo de recompensa direta. Sentimo-nos mais dispostos a fazer certa atividade, se a pessoa que a praticou tiver sido pela mesma, objeto de elogios

Outra razão para nos deixarmos condicionar é a facilitação social. Para conseguir uma melhor aceitação social, pode evocar uma resposta que não estava previamente inibida. Sabe aquela frase, idéia, atitude que você já viu que deu certo? É assim porque não existe aprendizagem sem memória.

Aprender é um processo que começa numa percepção, uma instrução verbal, um gesto repetido e termina na memória, que armazena a informação para uma possível utilização futura.


RECEITA DO " FIZ MESMO, E DAÍ?"

MODO DE FAZER:

Comece escolhendo alguma coisa que admire muito. Feito isso, junte uma capacidade mental (não é necessário muita) á porções generosas de observação. Misture tudo e acrescente uma pitada de senso crítico. Deixe passar algum tempo. Em seguida, guarde em um recipiente de memória fechado hermeticamente. Não tente apressar o processo e querer mostrar o resultado final antes da hora (muitos não vão apreciar).
Agora o mais importante: Compare o aspecto, a intensidade e a aceitação com outras receitas que você saiba que tiveram bons resultados. Para finalizar, coloque toda sua vontade de que aprovem sua receita.

Pronto. Temos aí um belo exemplar de comportamento de massa. Aí é só distribuir a receita!

UFFA! "CANSEI"
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Quinta-feira, Agosto 16

SIGNIFICADO DOS SONHOS
Para as amiga Vanessinha-SC e SIL, com todo meu carinho



Desde que o mundo é mundo os homens querem entender o significado dos sonhos. Isso explica, inclusive, nossa incontrolável necessidade de relatar nossos sonhos sempre que nos lembramos deles. Muitas teorias tramitam por aí nas mais diversas interpretações e crenças. Falo “crença” porque essa é a principal condição para compreender tamanha diversidade de explicações para o fenômeno “sonhar”. Isso inclui também, a valoração que atribuiremos á ele.

Não existe uma lógica nos sonhos. É chamado “sonho” justamente porque terá sempre uma conotação dramática e uma de suas funções é contrabalancear o excesso de racionalidade que colocamos em nossas expressões verbais. O sonho transforma tudo isso em imagens e símbolos. Ou seja, tudo aquilo que nos escapa racionalmente durante o dia, por exemplo, é retido de maneira sistemática em nosso inconsciente, de maneira que não possam interferir enquanto estamos acordados. Muitas vezes, isso acontece justamente porque não encontramos meios verbais para transmitir as sensações profundas que captamos.

Nossa vida se resume na soma do tempo em que passamos acordados e dormindo. A estrutura psiquica do resultado dessa soma se completa de maneira fundamental. Os sonhos são a ponte que interliga o estado de vigília ao adormecido. Se formos analisar um sonho, veremos que tudo nele é composto de maneira simbólica e não deve nunca ser levado ao pé da letra. Se o compreendemos dessa forma, expandiremos nossa consciência, nos libertaremos da lógica habitual e nos aventuraremos pelo fascinante mundo de imagens e sensações.

Muitos terapeutas, por exemplo, se utilizam da linguagem dos sonhos para identificar processos de doenças físicas ainda não descobertas, já que entendem essa intrínseca relação do corpo e da psique. Qualquer tentativa, portanto, de estabelecer uma relação lógica entre um sonho (bom ou ruim) com a realidade experenciada pode se transformar em uma armadilha.

Um sonho é um sonho. É a maneira que sua mente encontrou de vivenciar enquanto você dorme tudo aquilo que você rejeitou conter enquanto estava acordado. O que os torna tão assustadores e misteriosos é a não compreensão de que enquanto dormimos não possuímos mecanismos verbais lógicos iguais aos que utilizamos acordados. Com essa “deficiência”, sua mente usa e abusa de imagens simbólicas para expressar conteúdos que escaparam da percepção que temos de nossos próprios conflitos.

Assim, a menos que seu terapeuta tenha escrito um livro sobre você, de sua vida e seus conflitos através da análise de seus sonhos, ignore qualquer publicação que tenha a pretensão de generalizar e atribuir significados ao sonho alheio. Preocupe-se com as ações e acontecimentos com os quais você está relacionado em total lucidez e vigília. Seus sonhos só servirão como instrumento de acesso para seu terapeuta compreender melhor você. No mais, relaxe e sonhe a vontade!


"FILTRO DOS SONHOS"

Há muito tempo, quando o mundo era jovem, um velho líder espiritual Lakota estava em uma montanha e teve uma visão. Nela, Iktomi, um grande mestre da sabedoria, apareceu em forma de uma aranha. Conversaram em uma linguagem sagrada que só os líderes espirituais podem entender. Enquanto falavam o mestre pegou um galho de uma árvore, penas, pelos de cavalo e miçangas e com elas começou a tecer uma trama.
Ele falava com o ancião sobre o ciclo da vida, de como começamos a vida como bebês, nos tornamos crianças, seguimos até a vida adulta até nos tornarmos velhos. Lembrou-lhe que aí necessitamos de cuidados outra vez como quando éramos bebes e assim, completamos o ciclo.
Mas, disse Iktomi enquanto continuava tecendo sua rede, em cada tempo da vida há muitas forças, umas boas e outras más. Se encontrar as forças boas é porque te guiarão na direção correta. Mas, se escutas as forças más elas te machucarão e te guiarão na direção errada. E sempre, em seu caminho, haverá muitas forças e diferentes direções, que podem ajudar a interferir na harmonia da natureza.
Enquanto a aranha falava, continuava tecendo sua teia sempre de fora para ao centro. Quando Iktomi terminou de falar, entregou a rede ao ancião e falou: “È um círculo perfeito, mas ao centro há um buraco. Use essa teia para ajudar a si mesmo e a sua gente. Servirá para alcançar metas e fazer bom uso de das idéias, sonhos e visões de seu povo. Se acreditares no grande espírito, a teia agarra suas boas idéias e as más irão para o buraco do centro”.
O velho transmitiu sua visão a seu povo. Agora os índios Siux penduram a teia acima de suas camas e usam essa rede de sonhos como filtro em suas vidas. Acreditam que o “bom” de seus sonhos são capturados na teia da vida e devolvidos á eles. O “mau” dos sonhos escapam através do buraco no centro do filtro e nunca mais retornarão. Os filtros dos sonhos sustentam o destino do seu futuro.
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Quarta-feira, Agosto 15

FALAR DE MORTE? ...É O FIM!




Todos nós ao acordarmos traçamos a trajetória de possibilidades que o dia nos proporcionará. Executamos mentalmente nossas tarefas diárias, enumerando-as uma a uma exaustivamente na expectativa que tudo saia perfeito. Assim completamos a semana, o mês, o ano. Os imprevistos? Nunca os esperamos.. Justamente por isso são imprevistos, oras!

E assim, sem avisar, um dia nossa rotina é interrompida. Não temporária ou superficialmente, mas de maneira definitiva e dolorosa. Um diagnóstico, algumas linhas num papel vagabundo, uma foto preto e branco de parte de nosso corpo se apresentam como uma sentença de morte.

Ninguém está preparado pra morrer. Nem mesmo os que premeditam a própria morte. A total ignorância sobre o roteiro de nossa aventura terrena é apavorante. Como diria Pedro Bial: Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?” Tudo isso, terá que esperar: Você está muito doente!

Não Bial, morrer não é um chiste. Piada é nos gabarmos de termos descoberto o segredo da vida, e ainda sermos totalmente estúpidos em relação à morte. Ao morrermos, estaremos livres da possibilidade de sermos seqüestrados, processados, torturados. Não teremos mais que aturar aquele gerente de banco petulante, a correria do dia a dia, o excesso de trabalho e que a coelhinha da Playboy ganha mais em um mês do que eu ganhei em toda minha vida!

Mas morrer também quer dizer: Não ver seu filho crescer, não mais comer jabuticaba no pé, andar descalço na praia, torcer pro time de futebol do coração, perder o final da novela, não receber um beijo de boa noite. Morrer significa sair da montanha russa justamente quando estava começando a se acostumar com o perigo.

A primeira coisa a fazer é duvidar! É testar todas as possibilidades. Vale tudo. Outros médicos, curandeiros, técnica chinesa, Mister M. Vale tentar até o Leão Lobo, que tudo sabe e tudo vê! “Com tanta gente no mundo, porque logo eu? É claro, que houve um engano!”

Isso tudo é mesmo irritante. De que valeu as suas orações? Os inúmeros “Dia das Crianças” nos orfanatos? Ter cedido aquele lugar no ônibus para aquele velhinho? E as campanhas, os movimentos que liderou pela paz no mundo? Nada disso conta? Proteger os animais, dar esmolas, rezar antes de dormir? “Com tanta gente má no mundo, porque logo eu?”. Também, que me importa se o Iraque está em guerra? Se os aviões caem?

Aliás, talvez seja hora pra uma barganha! Deus há de concordar que você, na maioria das vezes, se comportou como manda os mandamentos. Talvez se parar de fumar? Voltar pra academia? Quem sabe, deixar de diminuir as conquistas do seu vizinho? E se fizesse as pazes com seu pai?

Não! Parece que nada disso irá resolver. No fundo, você sempre soube que iria acabar assim. Que nada, nem ninguém poderia ajudá-la quando mais precisasse. É chegada a hora de chorar pelo tempo perdido, pelos domingos de sol desperdiçados. A solidão da dor não pode ser compartilhada.

Mas, se elevar sua fé acima da suas dúvidas. Se compreender o ciclo do qual faz parte. E conseguir perdoar-se pelo não dito, pelo beijo não dado, pela saudade não admitida, você possa entender que é chegado o fim. Que ainda que não tenha feito tudo que gostaria, fez tudo que poderia fazer. Se esquecer sua onipotência verá que seguirão sem você e não te esquecerão. Morrer afinal pode ser uma libertação!


Elizabeth Kubler Ross

O texto acima é uma paródia com liberdade de interpretação em homenagem a Dra. Elisabeth Kubler Ross, cuja morte completa dois anos nesse mês de Agosto. Lembrá-la nessa data é bastante oportuno porque foi ela que, há quarenta anos, quebrou um dos maiores tabus da humanidade. A morte e o morrer.Mais que propor ações acalentadoras, Kubler Ross desvenda os caminhos da mente humana que está a caminho do fim. Pioneira, despertou a consciência da comunidade, médica e do público em geral, sobre a importância dos assuntos que cercam a morte, o processo de morrer e a luta. As etapas que compreendem o processo da morte, segundo Elizabeth, não se sucedem de forma ordenada e excludente, mas podem misturar-se.
As etapas vivenciadas diante da morte eminente, segundo ela, são:


1. A NEGAÇÃO: o paciente se recusa a aceitar que tem uma condição fatal.
2. A RAIVA: não aceita a condição de “escolhido” (Porque logo eu?)
3. NEGOCIAÇÃO: propõem mudanças, promessas á Deus e aos médicos.
4. DEPRESSÃO: sentimento de impotência frente ao fracasso da negociação
5. ACEITAÇÃO: a pessoa reconhece sua mortalidade e a proximidade do fim.
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Terça-feira, Agosto 14

DE MÉDICO E LOUCO...


Quando conselho de amigo é uma DROGA!

Alguém sugeriu que você precisa de um psicólogo e indignada você reagiu: “- Qual é? Ta pensando que sou louca? Bom! Muito Bom! É um psicólogo mesmo que você tem que procurar!

Uma das maiores habilidades dos chamados “doutores populares” é acertar a prescrição e errar a indicação. Por isso inventaram a bula. Quem nunca leu aquele “livrinho” dobrado de forma confusa, cheio de letrinhas miúdas e, ao terminar, concluiu que morreria mais rápido tomando o remédio do que da doença que ele combatia?

Bulas não foram feitas pra serem lidas pelo consumidor. Estão ali por exigência dos órgãos de saúde e demanda do mercado. Assim como elas, os “doutores populares” também devem ser ignorados ou, ao menos, questionados.

PHDs em sabedoria popular têm se tornado uma epidemia. São em geral, consumidores desenfreados de medicação. Gente que já provou de tudo. Que não perde uma inauguração de farmácia e sempre carrega consigo amostra grátis na possibilidade de ser acometido por um “mal” súbito. São generosos. Terão sempre “unzinhos” a mais, caso você precise.

Voltemos a sua “loucura”. Loucura é a palavra que se popularizou no passado para definir qualquer tipo de transgressão social. Virou sinônimo de rebeldia e de comportamento inaceitável socialmente. Daí a popular frase que, “lugar de louco é no hospício”, ou seja, fora do convívio com pessoas “normais”.

Como todo mito tem um fundo de verdade, é fato que só encontraremos loucos legítimos nesses ambientes carcerários, amarrados em quartinhos de fundo de quintal, trancados nas delegacias ou estendidos nos IMLs. E você certamente não os verá pela rua gritando: “Estão achando que sou louco, é?”.
A sua indignação ao ser chamada de louca é o principal sintoma de que esta terrível enfermidade anda bem distante de você.

Loucura é uma doença mental. É a síntese denominativa pra diversas doenças de origem orgânica, fisiológica e funcional do corpo humano. Psicólogos não possuem capacitação técnica, acadêmica e até mesmo jurídica pra lidar com esse tipo de enfermidade. Uma vez “louco”, automaticamente você está fora do alcance de êxito desses profissionais.

Também a atuação dos Psiquiatras (que por formação acadêmica são médicos), nesses casos, é paliativa. Os doutores especialistas em “doenças da alma” são meros aviadores de receitas. Controlam os sintomas, mas não eliminam a doença.

Assim, a psicologia tem seu papel pautado na sanidade. “O que importa é que PESSOA tem a doença, e não que doença tem a pessoa”. Somos profissionais da saúde. Não prescrevemos remédios, não ensinamos receitas e não internamos ninguém. Nosso objetivo é manter nossos clientes o mais próximo possível da compreensão de si mesmos, para que a partir disso, possam se amar e desejar seguir convivendo com as adversidades previstas na interação com outras pessoas.

Portanto, quem te sugeriu que procurasse um psicólogo não está de todo errado. Você é que está se pensa que isso é o mesmo que sugerir que estivesse louco. O processo terapêutico inclui também essa aceitação. De que por vezes, não sabemos mesmo como lidar com situações que para a maioria parecem tão simples e cotidianas.

Alguém que possa dirigir á você e á seu problema um olhar amoroso, imparcial e principalmente tecnicamente preparado, é sempre melhor do que o remedinho milagroso extraído daquele matinho do fundo do quintal de seu vizinho. É também menos perigoso do que drogas que foram receitadas ao amigo do seu amigo, a menos que você e ele sejam clones um do outro. Vale lembrar que os mais importantes e eficazes venenos são extraídos de plantinhas mimosas e aparentemente inofensivas.

Mais importante ainda, é dizer que seu ginecologista, dentista, cabeleireiro e qualquer outro profissional podem ser muito bons e confiáveis, mas aceitar quaisquer psicotrópicos (leia-se calmantes, antidepressivos, ansiolíticos e afins) receitados por eles, é mesmo motivo pra que comecemos a desconfiar de sua sanidade mental.

Ô louco!Sai fora dessa! : diria o Faustão!
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Segunda-feira, Agosto 13

EU TE CONHEÇO?

“Numa guerra, todos usam uniformes camuflados, mas nem todos são inimigos”

Existirão tantos mistérios assim? Estaremos fazendo parte de uma teoria conspiratória, onde tudo e todos cumprem um papel de singular importância, sem que se dêem conta? Serão os deuses astronautas? A KGB, a CIA, Matrix, a Rede Globo e a D. Cida, minha vizinha, estarão mancomunados contra mim? Elvis Presley está vivo?

A mente humana é a oficina do diabo, diria minha mãe! E olha que ela já não é mais tão religiosa assim. Ao contrário, em seus quase oitenta anos, sua idéia de diabo se resume aos personagens do Manoel Carlos. Mas, não há como negar que a frase acima faz um sentido danado.

Deixamos a ingenuidade em alguma calçada, sentada numa cadeira de praia, proseando com os vizinhos de bairro, nas tardes de domingo. Velhos tempos! De lá pra cá muita coisa mudou. Os Mamonas Assassinas, John Lennon, Raul Seixas e Odete Roitman morreram. Com eles morreram também a fantasia, a esperança, a loucura e a ficção. Desde então, a “porta da esperança” ganhou paredes, cômodos e dezenas de para a uma câmeras vigilantes.

O Airton morreu e mudou minha vida. Não! Não foi o Senna. Airton era meu contador. Morreu coitado. Minha aparente indiferença é porque já faz algum tempo e a mente humana seleciona o como, e por quanto tempo, vamos dar importância a determinadas coisas.

Mas é fato que desde que Airton morreu de morte ridícula, que fico questionando o valor do que me rodeia. Foi muito simples conseguir outro contador. Airton era organizado. Havia resumido minha vida em dois livros de capa dura. Além do meu nome escrito com uma caprichosa caligrafia, não havia uma só letra nesses livros. Números. Toda minha vida estava ali descrita por números.

Nunca, nem que quisesse, poderia entender o que aqueles números queriam dizer. Será que Airton era integrante de uma organização secreta? Será que aqueles números escondiam uma verdade maior a meu respeito em códigos indecifráveis? Será que meu novo contador, ao decifrar esses códigos, concluiu que sou uma boa pessoa?

A morte de Airton mudou minha vida. Abriu meus olhos pra rede de intrigas que existe no universo. Hoje compreendo porque ele sempre me dizia: “Fique tranqüila, Dra. Isso eu resolvo pela internet”. A rede de computadores é o ninho desses conspiradores. É o canal de comunicação de todos eles. A descoberta desses livros de capa dura, manchou de vez meus dezessete anos de crença na psique humana.

“Você nasceu psicóloga e está se tornando gente gradualmente”, disse-me meu paraninfo e professor, na ocasião de minha formatura. Covarde. Condenou-me a deprimente tarefa de praticar o bem, sem olhar a quem. Pior, me diplomou nisso.

Talvez por isso eu tenha feito tantas outras faculdades. Está aí a resposta por eu ter me tornado também jornalista. Resolvi que tinha uma missão: Queria ser eu a dar, em primeira mão, a notícia de que não existe conspiração nenhuma. Se houvesse e fossem bons não iriam inventar a palavra. Então, apresento-lhes minha contra-teoria de conspiração:

Somos humanos e, portanto, contraditórios e maniqueístas. Pautamos as ações alheias pelas nossas. Criamos teorias absurdas pra nos defender do que nos tornamos mestres em praticar. Temos medo de conhecer alguém tão nocivo quanto nós mesmos. Tememos perseguição, desamor e competição e, ao temê-las, a praticamos. Ao praticarmos, sabemos o alcance da maldade que causamos.

Ou, se ao contrário nos decepcionamos, somos ignorados e questionamos nosso papel na vida das pessoas, é justamente porque as supervalorizamos. Damos muito mais do que pedem ou merecem. Vamos muito mais longe do que nos é permitido. Somos o resultado de nossas ações!

Não há uma "tchurminha" se juntando contra nós, porque não seria necessário mais que DOIS para termos uma contradição. Mas, enquanto perseguirmos a unanimidade, enquanto crermos que “se não concordam comigo, estão contra mim”, não exorcizaremos nossos fantasmas obsessores.

Uma vida pautada no medo e na desconfiança te cegará os olhos e afiará suas garras. Em pouco tempo estará produzindo tão ou mais medo do que você mesma sente. Comportamentos assim servirão de defesa por algum tempo. Mas te deixará sozinha em seu leito de morte. Ou, na melhor das hipóteses, atrairá multidões que virão se certificar de que está mesmo morta, apenas para sentirem-se livres.

Enganaram você. A melhor defesa não é o ataque. A melhor defesa é, através de seus atos, espelhar e ensinar seus oponentes. Aí quem sabe, poderá ter telhados de vidro para contemplar o céu sem a paranóia de ser atacada por alienígenas a qualquer momento.

Ás vezes, um amigo é apenas um amigo!


Á propósito: Há quem diga que Elvis não morreu e vive incógnita na Argentina.
(Isso, ao menos, explica a nossa rivalidade com “nuestros hermanos” sul-americanos)
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Domingo, Agosto 12

“PAI NOSSO DE CADA DIA”




Uma das coisas mais equivocadas que o ser humano já produziu, em minha opinião, foram os chamados "dias especiais": dia das mães, dos pais, dos amigos. O dia dos pais, por exemplo, é uma dessas datas que ratificam esse controverso debate.
Não conheci meu pai. Melhor falando, não me lembro dele. Ele se foi quando eu ainda era um bebê de colo. Esse “se foi” pode ser interpretado de várias maneiras já que a idéia de viver e morrer é relevante quando pensamos em ausências permanentes.

Cresci invejando minhas amigas que se gabavam da figura masculina que as levava á escola, dava o dinheiro do lanche e espantava os candidatos mais assanhadinhos. Alguns anos mais tarde, essa inveja já se atenuava quando as via reclamando que odiavam que o pai as fosse buscar na escola porque isso fazia com que parecessem menininhas mimadas. E queixavam-se de que nem sempre o pai espantava o assanhadinho certo. (hehe)

Na verdade era uma inveja infundada já que minha mãe ao menos no quesito “controle”, exercia muito bem o papel que a figura de pai havia deixado vazio em minha vida e de minhas irmãs. Mas esse era o único momento em que a víamos como “pai”. A conivência feminina sempre foi nossa forte aliada e era de onde extraíamos a vantagem de compartilharmos daquele olhar feminino amoroso que ajuda a diferenciar a “necessidade” da “vontade” de se adquirir mais um sapato.

Uma voltinha na NET e vi que a maioria dos blogs falava sobre o dia de hoje e aquela velha invejazinha veio à tona. Lembrei dos esforços de minha mãe em se tornar pai para suprir essa lacuna. Conclui que foi uma sorte ela não ter conseguido fazê-lo bem. Sempre a vi como mulher, no mais completo sentido palavra.
Por vê-la antes como mulher a palavra mãe tornou-se um objetivo em minha vida.

Um dos inúmeros exemplos que ela me deu foi que ser uma boa mãe, deveria ser apenas uma das qualidades de uma mulher. Como resultado disso, hoje, meu filho admira e se orgulha da “mulher” que sou. Consegui. Obrigada, mãe!
Assim, como diria Richard Bach, mãe e pai são apenas companheiros de jornada. E, assim como na vida, poderemos escolher em torná-los ou não, também nossos amigos.

Tive diversos “pais” na medida em que ia crescendo. Meu primeiro treinador no time de vôlei, por exemplo, foi um deles. O diretor da primeira peça de teatro profissional, um dos meus professores na faculdade de psicologia e que mais tarde transformou-se em meu terapeuta, um obstetra com quem trabalhei.... Todos eles ainda são muito presentes em minha vida.

Essas pessoinhas especiais são assim configuradas, justamente por nunca dependerem de nada para ser o que são. Minha idéia de pai, portanto, é essa. Aqueles que nos esquecemos de cumprimentar, de convidar, de despedir... Justamente porque nunca imaginamos que seria necessário fazê-lo.
São e estão porque assim deve ser. Nem nos lembramos de cumprimentar porque temos a sensação de nunca terem saído dali.. Nunca é um reencontro, é sempre um contínuo de presença. Esquecemos de convidar porque não há hipótese de que não estejam presentes. E, finalmente, às vezes não nos despedimos porque, claro, não temos intenção de partir ou de não vê-los mais.

Afortunada por nunca ter tido oficialmente um pai e, portanto, sem ter que me deixar seduzir pelo lado comercial dessa data e ao mesmo tempo, por ter tido tantos pais ao longo da vida, sinto-me avalizada para definir que:
Pai é aquele que aceita nossos erros e nos coloca a vontade para falhar onde os outros jamais aceitariam um erro porque sabem que o perdão é parte do sentimento que nutrimos...

HOJE É DIA DOS PAIS! Deixo, sem nenhuma gota de inveja ou despeito, para os que ainda buscam definir seus pais com poemas e citações extraídas de clichês, a tarefa de homenageá-los. Já que pra mim feliz mesmo é quem consegue ter, como eu, vários pais e com eles ter vivido muito mais que um almoço obrigatório de domingo, e muito mais do que um único dia especial no ano.


PS 1: Ao comprar o presente, certifique-se que ele realmente está precisando de mais um relógio, gravata ou par de meias. Ah.. E não faça vaquinha com seus irmãos.. um “eu te amo” exclusivo vale mais que uma Mont Blanc paga em prestações! Além disso, se você ainda depende dele financeiramente, certamente, ele ficará muito mais satisfeito sendo amado e sem ter que pagar o próprio presente!

PS2: Dedico ao meu marido, pai de meu filho, que é o melhor companheiro de jornada que eu poderia ter escolhido pra nós!
- posted by Mara


Sábado, Agosto 11

RESPEITÁVEL PÚBLICO




Estou de volta. De volta, no mais amplo sentido da palavra. Uma volta nunca termina, não indica a hora da chegada. Apenas indica que existe um destino e uma origem. Vim de onde fui buscar minha paz. Fui juntar minhas metades e preparar-me para seguir adiante. Mas ao chegar, como sempre, me dei conta que seria necessário muito mais tempo para juntá-las.

A criação desse blog é mais uma dessas tentativas. Como um “serial killer” que deixa indícios pra ser descoberto, ou como a criança que esconde o rosto com as mãos e se crê invisível, criei um espaço para minhas contradições. Sei que não vim pra ficar, com a mesma clareza que sei que não fui pensando em não voltar. Os seres humanos são fascinantes.Em outra época a poesia, a TV, o teatro, a literatura e até mesmo a fé, tinham a função de transportar-nos para além de nossa realidade e nos fazer crer num mundo de magia e perfeição.

Hoje, a internet chegou e trava com eles uma disputa desleal e de proporções gigantescas. Descobri que esse mundinho cibernético pode ser ainda mais desumano de que seu nome propõe. A despeito das pessoas que a manipula, a internet conseguiu humanizar-se enquanto robotizava seus condutores. É um universo enorme. Há espaço democrático para amizades e disputas, para confiança e pavor. Aqui se produz noções distorcidas da importância que temos. É onde podemos reescrever a história reinventando heróis e aniquilando inimigos reais e imaginários.

Sou nova nesse ciberespaço. Passei muito tempo em meio a realidade humana para compreender imediatamente as mudanças ocorridas em minha ausência. Olhei, ouvi, falei e toquei muitas coisas e estou impregnada do cheiro de peles e sons de sorrisos. De onde eu vim só se esconde a cara pra proteger-se do frio e se estende as mãos para buscar o calor de outras. Sensações suficientemente fortes para sobreviverem até que eu possa voltar. Queria poder dizer o mesmo daqui. Queria conservar o post anterior como o “tudo a dizer” sobre minha ida e vinda. Mas, não posso negar que ele (o post) ficou bem menor do que eu esperava.

O jornalista Pedro Bial, em uma entrevista que me concedeu, em resposta a minha pergunta sobre as amizades que inspiram, respondeu utilizando um trecho do conhecidíssimo texto que interpretou mencionando particularmente o trecho que diz: “Lembre-se que amigos vêm e vão, mas nunca abra mão de poucos e bons”. Num gesto reflexo, pautado na segurança de ter pesquisado por dois anos a vida dele, rebati imediatamente com outro trecho do mesmo texto: “Não seja leviano com o coração dos outros e não ature gente de coração leviano”.

Minha complementação provocou nele aquele risinho de canto de boca que ficou tão familiar para nós nos últimos anos e a seguinte frase: “É, mas não seja muito seletiva, ou acabará sozinha”. Tá falado mestre! Épor essas e outras que saí das profundezas da minha arrogância acadêmica e me deixei seduzir por esse, não menos arrogante, intelectual da cultura de massa.

Eu não sabia, mas começava ali a trilha que se tornaria asfalto, que se tornaria uma longa rodovia e que me traria até aqui. Antes de Pedro Bial, internet para mim era banco de dados, referência bibliográfica e câmbio acadêmico. Hoje, é a ponte até minhas emoções. Através dela rompi barreiras geográficas, ignorei fronteiras intelectuais e visitei mundos que nunca imaginei fazer parte.

Me deparei com o lamentável fato de que nesse mundo, é preciso muito mais que saber enxergar além do olhar. Que é preciso, e rápido, aprender a ver através do que a tecnologia consegue camuflar. Me senti incapaz. Ou, por estar capacitada demais, me senti impotente. Alternei em sentimentos de grandeza e de vulnerabilidade. Nenhuma das armas que acumulei em toda minha vida parecia ser útil diante de veteranos tão poderosos.

Talvez você não compreenda. Talvez compreenda e não se sinta ameaçado. Mas, se está lendo esse texto, ainda resta uma chance de que nunca mais tenhamos que compartilhar dessa armadilha sedutora. Talvez possamos nos safar ilesos...ou nos rendemos de uma vez. Não sei vocês, mas eu me sinto exausta de tantas defesas, de tantas batalhas e articulações de guerra. Vim buscar um mundo mais lúdico e encontrei um gira-gira de emoções negativas.

É certo que nesse “circo” também tive meus momentos de mulher-gorila. Também abusei da proteção do chicote achando que me protegia das feras. Mas eu só queria diversão...só queria rir com os palhaços, me distrair com os malabaristas. Sonhei em ser a bailarina de sombrinha..linda...glamourosa...leve.. com suas sapatilhas de ponta, equilibrada sobre cabo de aço. Acabei com a cabeça metida dentro da boca do leão.

Ignorei os sermões de alerta. Os sinais de perigo e a cerca que separava o público do picadeiro. Invadi a arena e me meti em apuros. Mas, não foi preciso que me salvassem que parassem o espetáculo para tirar-me dali. Meu instinto de sobrevivência, meio atrasado, chegou. E com a mesma rapidez que entrei saí. Na porta, rasguei meu ingresso e prometi a mim mesma nunca mais voltar.

Mas, o circo tem lantejoulas e jogo de luzes. Enquanto olhamos pro palco, não vemos o chão de serragem vagabunda. Os artistas de meia de seda rasgada e roupas remendadas continuarão parecendo rica magia. As feras famintas estarão hipoteticamente domadas e os palhaços seguirão rindo com uma lágrima contraditória desenhada na cara. O espetáculo não pode parar. Quando o último expectador não mais voltar...partirão em caravana com destino a outras ingênuas platéias. Sempre haverá outro disposto, como eu, a ser colhido das arquibancadas e que voluntariamente fará parte do espetáculo. Mais um a ser esquecido entre no próximo show, chorando as mágoas por ter pensado ser um deles.

Mas, resta um consolo. Ao partir, além das marcas da lona e da sujeira deixada, o circo deixa também a platéia que livre da hipnose provocada pelas cores da lona, retoma suas vidas e compreende que foi também responsável. Que sem ela, não teria havido espetáculo. Passado o tempo verão, também, que com empenho poderão ajudar a fazer com que a grama volte a crescer no chão que a serragem sufocou.

Pode ser que eu reveja minha promessa, que cole o ingresso rasgado na hora da indignação e volte. Mas me sentarei na última fila da arquibancada, e mesmo que me envolva na hipnose coletiva, nunca mais permitirei que o circo e seus artistas se sustentem da minha magia pra continuar existindo. Há muitos lugares vazios na ultima fileira, se quiser pode sentar-se ao meu lado!

- posted by Mara


Sexta-feira, Agosto 10

CADA VOLTA É UM RECOMEÇO!


..." Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou..."


Á vocês pessoas especiais que se preocuparam em estar aqui em meu espaço, sempre deixando recadinhos amorosos, participando de bate-papos. Deixando claro que a distância não diminuiu o respeito mútuo que nutrimos: Obrigada do fundo do meu coração: ELLAINY,VANESSINHA-SC, D.DÉIA, HATS-pe,THAIS, CINDERELA,NINA, DELINHA, BAMBA, CHIVAS, ALESSANDRA, CISSA, MALU MARICOTA, FELIZ, MALU TRIGUEIRA, CISSA, SILVIA PATRICIA E SIL! SEJAM SEMPRE BENVINDAS! E aos que tiveram e não deixaram recadinhos.

EIS AS MANIFESTAÇÕES DE CARINHO....VOLUNTÁRIAS. SEM DEZENAS DE E-MAILS COM LETRAS GARRAFAIS COBRANDO...(HEHE):

COM O ANÚNCIO DA MINHA VOLTA:

• OI SOLLLLL
AGORA CHEGA !!!! VOLTA ...JA FICOU DEMAIS DA CONTA !!!!!
bjs bjs bjs bjs .
ELAINNY

• "Bons amigos são como ESTRELAS . Você nem sempre vê eles, mas você sabe que eles estão SEMPRE LÁ." (Autor desconhecido)
DANIELA1

• ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa madinha tá voltando, beijosssssssssssssssss
DANIBEL

• EITCHA MAS QUE NOTÍCIA HIPER BACANA.........................VC FAZ FALTA MENINA !!! VOLTE COM MUITOS RAIOS P/ ILUMINAR À TODAS AS TUAS AMIGAS........ABRAÇÃO MARISOL !!!
CLAUDIA DAMM

• Marisol,
lindésima...
Precisamos contratar a Banda de Música e colocar o tapete vermelho! Vc merece tudo isso e muito mais.
Estamos cheias de saudades!
Que os bons ventos e os raios de sol lhe tragam bem rapidinho!
IRACILDA

• BORA FAZER LOGO UMA FEIJOADA ORAS!!!!! BENVINDAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!
BEIJOS
MAR

• Uhuhu
O bonde está c/ saudades
beijos
Boa viagem de retorno
SONIA AVE SIRI

• Nossa!!! Que ótimo Marisol...
Seja bem vinda!!!!
Bejim
THAIS UAI

• ÔBA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
vai ter encontro em BH????????????????
Bjs
MAMIS

• Beijinhos,
PS: Volta logo, mulher! Estamos com saudades
SUSAN

40 DIAS ATRÁS:

• Marisol, boa noite!
Espero que vc tenha uma boa viagem Boa sorte no seu trabalho, que é lindo e divino. Breve regresso. Sentiremos sua falta. Vc tem um lugar muito, muito especial no coração de todas as Decaretes. Ficamos aguardando notícias e o próximo encontro.
Um grande beijo. Felicidades. Deus te acompanhe sempre.
IRACILDA(Eu fui!!!)

• Marisol, desejo tudo de bom pra você, que imunde de sol estas almas iluminadas que você encontrará na Argentina, a gente vai ficar sentindo frio por aqui, mas, não podemos ser egoístas!
Vai com Deus e volte logo!
Sempre que puder, deixarei um oi para você no seu blog.
Beijos
Mamis

• Boa viagem pra vc querida, aproveite bastante e mate as saudades, voltará renovada, mande sempre notícias, não esqueça de nós!!!!Bjos
ALÊ

• Minha querida Marisol
Vai com Deus minha linda que vc leve seu sol até quem precisa muito e tenho certeza que vc vai aquecer muitos corações como aqueceu o meu. Bjs carinhosos da amiga com quem pode sempre contar
DELINHA

• No sábado, quando embarcar para Argentina, vamos todos rezar pela sua felicidade junto aos seus, sabendo que seu coração está sendo repartido também conosco!
VAI. BOA VIAGEM, SUCESSO EM SEU PROJETO ,... MAS VOLTE!
SAUDADES! BJOS.
(B&L)

• Espero que, apesar das precárias condições das
telecomunicações no local, você consiga dar seu
'jeitinho' e faça contato. Vou ficar aguardando
ótimas notícias e, já de cara, torcendo por seu
retorno.
Felicidades, saúde, sorte e ...grana!
Abraço, querida!
MIRIAM GM

• Hj é o dia de sua viagem e mesmo sabendo que talvez vc não leia este e-mail antes de viajar eu gostaria de te desejar uma ótima viagem e que tudo dê certo pra vc. Tenha certeza, que não só eu mas todas nós sentiremos muitas saudades desse seu solzinho...
Beijos e boa viagem!!!
DDEIA-RJ

• Aproveita amiga, cada minutinho, ce ta fazendo mta falta ja mas to feliz pq sei que vais estar bem e mto feliz tb.
fica com Deus, bjs no Vic tb.
Te adoro fofis...
bjs nas suas meninas tb, apesar de nao conhecer :-)
MY

• Mari!!!!
Que legal vc lembrar de nós, mesmo estando em viagem tão especial!!!
Curta muuuuito e recarregue as baterias!!!
Bjos!
JANAYNA

• Querida,
Senti muito sua falta quando o astro rei não apareceu por aqui ontem.
Sei que se lembra sempre da gente e imagino a saudade que sente, porém em outros horizontes estão também pessoas queridas e amadas, então fico feliz pq sua presença é marcante e seu sorriso fica guardado em nossos corações e neste momento está também entre amigos.
Beijos, beijos e mais beijos
ANNA-SP

PELO CELULAR:
• Mara querida tenha uma excelente viagem e dias maravilhosos na Argentina. Adorei te conhecer!! Beijos, cheio de sol,


• Boa viagem querida! Vou ficar com saudades.
Bjs.
NINA

Marisol,
Amiga para todas as horas,
Respeitosa com todos e,
Iluminada pelos anjos!
Suas palavras são,
Oportunas em todos os momentos,
Libertam a gente dos maus pensamentos...,!
beijos!!!!!!
Vanessinha SC.

• Desejo a vocês uma ótima viagem de volta. Deus os trará em paz. Estarei te esperando na sua chegada. Fique bem, baby. Pensa nas melhores coisas que tens na vida. Pensa que parte disso voce tá vindo reencontrar, daí você fica feliz e menos tensa. Beijos chuchu.
MY

BEIJOCAS DE SOL PARA TODAS VOCÊS!!

MY, GUARDIÃ DO MEU CANTINHO..QUE DEUS ME DÊ A CHANCE DE COM MINHA AMIZADE FAZÊ-LA ENTENDER MINHA ETERNA GRATIDÃO!
- posted by Mara


Terça-feira, Agosto 7

QUERIDO VISITANTE,

AO MEIO DIA DE HOJE AO PUBLICAR MEU ULTIMO POST, O CONTADOR DE ACESSOS ZEROU APÓS ALCANÇAR A CASA DOS 3.000 VISITANTES. RESIGNADA, SEGUI SABENDO QUE O ACESSO Nº 01 DO BLOG SERIA MEU NOVAMENTE ( A EXEMPLO DE QUANDO CRIEI O BLOG). CINCO HORAS DEPOIS, PERCEBO QUE O NÚMERO SUBIU PARA 59. ANTES DE MAIS NADA: OBRIGADA POR SUA VISITA.É UMA HONRA PARA MIM! MAS JÁ QUE ESTEVE AQUI, PORQUE NÃO ME DEIXOU UM RECADINHO? IA ADORAR SABER QUEM VOCÊ É! ABAIXO DE CADA POST HÁ UM ESPAÇO SÓ SEU: "QUER ME DIZER ALGUMA COISA?"...AQUI É O LUGAR E AGORA É O MOMENTO
- posted by Mara


Segunda-feira, Agosto 6

FILHOS DE NINGUÉM


No Brasil existem milhares de crianças abandonadas, vivendo em condições de risco ou aguardando processo de adoção.
Para iniciar um texto com a frase acima, eu teria que me valer de estimativas e dados estatísticos. Mas, num Brasil pós acidente da TAM, falar de estatísticas é quase como nivelar por baixo o valor da vida humana.
Além disso, não acredito em sensos, sejam eles de qualquer modalidade ou responsabilidade. Dessa forma, resta confiar em minhas impressões, em meu olhar cidadão. Então, começarei meu texto assim:
O mundo é um país de centenas de milhares de crianças sem pais, sem direitos e sem pátria. Do caminho da minha casa até meu consultório dezenas delas tocam com dedos sujos o vidro do meu carro. Quase sempre têm olhos marejados, pés descalços, cabelos emaranhados e trajam camisetas de propaganda política.
Um contraste ultrajante é o sinal de positivo e dentes brancos da foto dos políticos, silkadas acima de uma legenda eleitoral, com a boca semi-aberta repleta de dentes podres dessas crianças. Não é uma cena agradável.
Confesso que algumas vezes me amedrontam e aciono o controle elétrico de meu carro para separar-me delas. Já me apoiei em discursos inflamados de juízes da infância, de diretoras de Ong de proteção infantil que pregam o “não dê esmola”. Justifico minha covardia atrás de uma máscara de preocupação que não dura nem dois quarteirões depois do semáforo ou ponte onde elas vivem. São crianças de rua.
Não! São crianças NA rua.
Em sua maioria não são loiras, não têm olhos claros e já alcançaram uma idade em que nem seus pais conseguem se livrar delas abandonando-as em caçambas de lixo e nem a sociedade deseja adotá-las. Uma alta porcentagem delas nunca crescerá o suficiente, e também sua estatura mental estará para sempre comprometida.
Quem haveria de querê-las?
As que estão na rua, em geral, têm mãe e pai. Um dos dois estará por perto vigilante das moedas arrecadado por eles. As que os pais se livraram ainda bebês, nunca saberemos quem são. Das primeiras, “conhecemos” a carga genética herdada de um pai presidiário e de uma mãe oportunista. As outras, nem isso.
Quem iria adotá-las?
* “LA MAGIA DE SER ADOPTADA” é um livro escrito há cerca de dez anos por uma garota argentina de, na época, 23 anos. É um relato da experiência de ter escapado de fazer parte da estatística que citei acima. É a negação de tudo aquilo que ouvimos sobre os problemas causados pelo abandono, quando amparados pela desburocratização da adoção. A autora hoje com 30 e poucos anos é a mãe amorosa de minhas duas “afilhadas” argentinas. É a amiga valiosa que citei há dois posts atrás. É a filha agradecida dos, como ela mesma chama de “heróes en la tierra de los sueños”.
A mesma mão que conduziu a caneta para escrever esse testemunho de gratidão, poderia ter sido aquela que sujaria os vidros dos carros nos semáforos argentinos. Há dez anos, essas mãos procuram alguma editora que se interesse por sua história. Há dez anos o “livro” é uma caprichosa xérox em espiral aguardando que alguém abra os vidros da alma e a deixe se aproximar de seu coração.

CARTA A LOS PAPAS Y MAMAS COM HIJOS ADOPTADOS

...“Sepan que usteds como nosotros, hijos adoptados, luchamos contra la crueldad de la gente que, todavia no comprendió el significado del amor. Crueldad de aquellos que no pronuncian la palabra “ADOPCION” por considerarlo sinônimo de verguenza. Heróes para aquellos que como yo, pudieron quedarse sin suemos...Heróes que se atrevieron a romper el silencio com el llanto de hijos traídos al mundo.”
“YO, HIJA ADOPTADA, SÉ QUE POR ALGO TUVIMOS QUE NACER Y POR ALGO NOS ENCONTRAMOS JUNTOS”


Por: Gabriela Suarez em “La magia de ser adoptada”

*O livro nunca foi editado ou recebeu atenção de nenhuma editora importante, ou não, da Argentina. O tema é inédito. Nunca houve antes um livro autobiográfico sobre o tema. Se houver interesse, respondo pelos direitos do mesmo no Brasil.

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Madonna enfrenta revés em adoção de menino do Maláui



JOHANESBURGO (Reuters) - Os esforços da popstar Madonna para adotar um menino do Maláui esbarraram em um obstáculo quando um funcionário indicado por um tribunal para estudar o caso teve negada sua autorização de embarcar para o Reino Unido.Um dos semanários mais lidos do Maláui informou no domingo que a ministra das Mulheres e do Desenvolvimento Infantil, Kate Kainja, negou autorização a Penstone Kilembe para viajar. Ele iria avaliar até que ponto Madonna e seu marido, o cineasta Guy Ritchie, têm condições de adotar a criança. Não foi possível contatar a ministra imediatamente para ouvir suas declarações, mas Kilembe confirmou que a ministra o impediu de fazer a viagem. Madonna levou David Banda em outubro passado, quando ele tinha 13 meses de idade, depois de seu pai, Yohane Banda, o ter deixado num orfanato em decorrência da morte de sua mulher. A Suprema Corte do Maláui indicou Kilembe para fazer duas viagens ao Reino Unido e se basearia no depoimento dele para decidir, em audiência a ser realizada em 2008, se Madonna pode ou não adotar o menino definitivamente. Dzonzi moveu a ação argumentando que as leis do Maláui proíbem adoções internacionais e que, portanto, o governo infringiu suas próprias leis ao conceder a Madonna a autorização de adoção interina.

Fonte: http://celebridades.uol.com.br/ultnot/reuters/2007/08/06/madonna. jhtm
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ANIVERSÁRIO DO MÊS




Há 62 anos, nos dias 06 e 09 de agosto, os EUA fizeram explodir duas bombas nucleares sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, causando a morte instantânea de 150.000 pessoas e outras 400.000 morreriam nos dias, semanas e anos seguintes em conseqüência.
De hoje até o dia 09 próximo, essa velha senhora será lembrada nos quatro cantos do planeta. Nada, nada do que aconteceu ou acontecerá nesses dias, no Brasil ou no mundo, deveria ter maior destaque que essa lembrança triste das façanhas humanas. Mas se essa realidade parecer distante, longínqua... Se existir alguém que considere a data velha demais para aprender com ela, que aguarde porque em 11 de setembro tem mais!


ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE!

(Aliás, Hoje comemora-se também o Dia do Veterinário!)

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Domingo, Agosto 5

O CALOR DA NEVE




Uma das coisas que sempre valorizei às vezes, de forma até exagerada, é a amizade. Essas pessoas que agregamos as nossas vidas, incorporando seus hábitos, desenvolvendo um delicioso vício de sentir-se plural. Muitos imaginam que distâncias geográficas podem realmente determinar a amplitude de uma amizade. Pior ainda, há quem pense que distâncias intelectuais e até sociais são fatores de relevância. Num depoimento legítimo, eu nego veementemente essa teoria. Meu entendimento de amor fraterno rompe qualquer fronteira, de qualquer natureza. Meus melhores e mais valiosos amigos vivem há centenas de quilômetros. Falam um idioma diferente, têm clima, hábitos e expressões de afeto diferentes. Me sinto em casa em um lugar que poderia ser considerado o mais contrário sentido da palavra. Dessas pessoas derivaram muitas outras de igual importância e valor em minha vida. Delas, não recebo senão carinho, hospitalidade, respeito e completa confiança. Delas eu recebo aprendizado, energia, força. Quando me sinto sugada e frágil é pra junto deles que vou. E ao voltar, posso rever todas as idéias confusas acumuladas por excesso de conhecidos em minha esfera social. Nunca me surpreendo. Mas espero nunca deixar de considerar anormal qualquer demonstração de proximidade, sob o disfarce de “amizade” que seja diferente desse modelo “estrangeiro” que tive a dádiva de conhecer. Dos que deixo ao iniciar essa jornada espero apenas a compreensão e aceitação de que essa não é apenas uma viagem de amor.. é, antes, uma viagem de aprendizado. Uma viagem que me fará vê-lo através do que realmente eles representam em minha vida. Um amor, cujo calor sovbrevive as baixas temperaturas.
- posted by Mara


Sábado, Agosto 4

SI. NOSOTROS TENEMOS TAMBIÉN!




A DIVA DA TELEVISÃO ARGENTINA


Hebe aqui é Susana Giménez. Linda e loira, ou melhor, loiríssima, tem o raro privilégio de ser chamada de ‘diva’ na imprensa. Todos querem saber dos amores e desamores de Susana. Ela já não é jovem, mas não perde o gosto de exibir as (belas) pernas e decotes. por: Silvana Arantes no Observatório de Imprensa

Qualquer semelhança não é mera coincidência. A propósito: Susana tem hoje 62 anos!

SUSANA FUE, ES Y SERÁ LA DIVA ETERNA DEL ESPECTÁCULO ARGENTINO.

LAS RAZONES:

1- Es rica por mérito propio. Laburante de aquellas no necesita ser mantenida por nadie.
2- Tiene glamour y está al tanto de la moda que se viene.
3- No necesita del escándalos para sobresalir o figurar.
4- Porque lo que hace o deja de hacer es noticia.
5- Porque su frescura y espontaneidad hacen que el público la admire y la quiera.
6- Porque tiene trayectoria en cine, teatro y televisión.
7- Porque se ha convertido en referente de la mujer.
8- Porque su popularidad trasciende la frontera del país.
9- Porque desde muchos años su programa es estelar y siempre tuvo altos niveles de audiencia.
10- Porque es respetuosa y profesional.

(Fonte: anônimo no portal do Jornal Clarin respondendo a enquete: Quem é a Diva da TV Argentina?)
- posted by Mara


Sexta-feira, Agosto 3

"DONS JUANS" MODERNOS


PIRATAS OU IRRESISTÍVEIS?

(ou os dois, e por isso tão incompreendidos?)


Eu sabia que ao iniciar um blog eu iria inevitavelmente acabar escrevendo sobre temas que eu realmente domino. Temas para os quais me preparei academicamente e onde desenvolvi uma natural facilidade de compreensão. ADORO OS SERES HUMANOS. Sejam como companheiros de jornada ou como objetos de estudo. Amanheci hoje inclinada a escrever coisas sobre a Argentina. Coisas que estão entaladas entre minha faringe e meu coração desde que descobri que o azul e branco de nossas bandeiras não é a única coisa que temos em comum. Mas esse texto terá que esperar. Ainda não sou capaz de reduzi-lo a ponto de não torná-lo maçante. O tema que escolhi em substituição tem um pouco a ver com a Argentina também. Tratarei de um personagem que fala espanhol e determinou parte da compreensão latina sobre o comportamento masculino, deixou marcas em nossa capacidade de julgamento e propôs a polêmica sobre a possibilidade dos homens amarem mais de uma mulher de uma só vez. Vamos começar por aí: A chamada “Síndrome de Don Juan” não é um comportamento exclusivo aos homens. Assim como a Histeria, como é difundida popularmente, não é exclusivamente feminina. Aliás, Síndrome de Don Juan é uma expressão cunhada a partir de uma das formas apresentadas pela patologia genericamente conhecida como HISTERIA. Assim, a histeria e o “donjuanismo” são a mesma coisa, divididas em suas particularidades.
Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem, que veio à tona, há algum tempo, depois do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. A escolha do ator Johnny Depp para esse papel, aliás, talvez explique minha simpatia e condescendência por esse personagem.
O “donjuanismo” é descrito pela filosofia e pela psicologia como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se apaixona da pessoa difícil, mas, uma vez conquistada, a abandona. Pessoas assim não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. Tornam válidos quaisquer meios para conquistar, sem levar em conta os sentimentos de quem está envolvido. Quebram, portanto, dois importantes princípios da sociedade cristã: o da aliança e o da fidelidade. Para ele só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação civil proibida ou se rejeita a conquista. São eminentemente sedutores e essa conquista compulsiva serve-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, entretanto, uma vez possuídos o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos começa a se desestimular com a conquista, quando percebe que a mulher conquistada já está apaixonada por ele, ou ainda, pode nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a mulher aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a mulher é indiferente ou não cede à sua sedução, o Don Juan se torna mais obstinado ainda. A contínua sedução advém da habilidade em oferecer sempre às mulheres tudo àquilo que elas mais estão querendo. São sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade do Don Juan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.). Mas será que são tão maus assim?

A “VÍTIMA” DO DON JUAN

Evidentemente o Don Juan só existe e atua como tal em decorrência da existência da vítima, ou seja, o Don Juan só tem sucesso passando-se por príncipe encantado enquanto houver mocinhas em busca de príncipes encantados. Se ele é o “príncipe encantado” concluo que exista uma princesa sonhadora e ingênua que o busca por metade de sua existência, para depois de encontrá-lo, seguir reclamando dele pela outra metade. Seria, então, tão vítima assim a mulher que se deixa seduzir por esse espécime? Ou sua participação nesse contexto não é exatamente o mesmo, só que com comportamentos contrários? O Don Juan nunca é uma pessoa absolutamente normal, trabalhadora e submetida às angústias do cotidiano como qualquer um, nunca é uma pessoa que sofre as limitações costumeiras da falta de dinheiro, do tédio da monotonia da vida e coisas assim. Sua “princesa ou princesas” sempre se darão conta disso logo no primeiro contato, entretanto seguem também no recorrente erro de tentar mudá-los, moldá-los e depois tomá-los para si. Uma espécie de canibalismo sentimental cujo propósito é totalmente egoísta e presunçoso. Normalmente o papel do Don Juan é excêntrico e exótico, ele é de fato o que sonham suas vítimas que por sua vez, quase sempre assumem o papel da pessoa humilde, com ideais simples e aspirações igualmente modestas. Mas, entre as suas “modestas” aspirações, está seu desejo incontrolável conseguir transformar o Don Juan em um instrumento realizador de seus desejos e dar a si mesma ao destaque egocêntrico de ter sido a única, entre tantas, a conquistar ao invés de apenas ser conquistada. ALGUEM AINDA PENSA QUE ESTAMOS FALANDO DE VILÕES E MOCINHAS? NÃO SERÁ, TALVEZ, MELHOR DEFINIDO SE OS ENQUADRARMOS COMO PARCEIROS OU CÚMPLICES NO EXERCÍCIO DO NARCISISMO, EGOÍSMO E OPORTUNISMO?


- posted by Mara


Quinta-feira, Agosto 2

QUEM VOCÊ PENSA QUE É?



"A diferença entre a verdade e a ficção é que a ficção faz mais sentido" Mark Twain

Hoje acordei com essa frase dita por alguém em algum programa, em uma emissora qualquer, numa TV esquecida ligada quando o sono me pegou sem aviso.
Adoro frases de efeito. Poupa-nos de pensarmos, de gastarmos nossos neurônios também nessa incansável busca que fazemos para definir com precisão o que estamos sentindo. E quem acredita em sinal, aviso, sopros ou até mesmo premonição, sabe que não é prudente ignorarmos fatos como esse. Não é sempre que acordamos com afirmações filosóficas. Mais comum, é acordarmos com ameaças: -“É a ultima vez que te chamo!”. Ou perguntas do gênero: -“ Está perdendo hora, não vai levantar?”. Até o som do despertador costuma ser ameaçador!
O fato é que resolvi não ignorar Mark Twain em sua visita matinal. Mas isso não significa que eu tenha alguma coisa a acrescentar em uma frase tão definitiva. Quase completamente vazia de idéias, resolvi começar escolhendo que foto acompanharia esse texto. E a primeira que abri, era a que estão vendo. Outro sinal?Depois do televisivo, agora um cibernético?
Tenho pensado muito sobre o valor do ensino acadêmico. Quando adolescente eu era dotada precocemente do tipo físico da verdadeira mulher brasileira. E, enquanto as minhas amigas tinham espinhas, eu tinha a “cor do pecado”. Enquanto pensavam em alisar seus cabelos, eu agradecia minha ascendência índia. Eu compartilhava a luta delas em manter o peso enquanto, é claro, devorava pratadas de macarronada. Porque então me sentia infeliz? Mais tarde descobri que era por que queria andar pela rua sem atrair olhares gulosos e tarados. Resolvi estudar. Resolvi que seria a única gostosa inteligente entre minhas amigas. Nem preciso dizer que fiquei bem no meio do ódio de ambas as classes de amigas que tinha. De um lado, as gostosas me odiavam de outro as inteligentes desejavam meu desaparecimento.
Hoje, nem tão gostosa e com muitas léguas de ensino acadêmico, ainda me pergunto: Em que momento entre as duas “tchurmas” eu perdi minha personalidade, minha dignidade, meu verdadeiro eu. Será que é muito tarde pra resgatar a menina inteligente das garras da competição feminina? Ou devo seguir chorando pelo leite derramado por não ter sido inteligente o suficiente para capitalizar meus atributos? A pele viçosa, os músculos definidos, os cabelos lisos e sedosos o tempo se encarregará de fazer desaparecer o que restou. Mas e meus diplomas, será que ainda dá tempo de vendê-los?
- posted by Mara




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