É dia das bruxas! Rendo-me aos encantos dessa fêmea sedutora ou velha caquética, que resume em si todo o universo feminino, na ótica da compreensão ocidental, é claro!
Criatura romântica e também eclesiástica. Ser que coaduna com o mal, mas expurga como mártir, sua condição guerreira. Mulher independente, segura de si e incontrolável. Ambígua, descrita, ora jovem e sedutora namorada da natureza, ora com o rosto marcado pelo tempo, casada com a morte.
Quando criança, mantive um olhar desconfiado sobre essa mulherzinha vil e invejosa. Usurpadora da beleza alheia. Mas, desde então, já sucumbia á suas intrigantes contradições. Sempre achei que a velha decrépita bruxa já foi, um dia, uma linda e delicada jovem.
Ao longo dos anos, minhas suspeitas foram ganhando força. Percebi que os contos de fada eram, na verdade, tempos paralelos coabitando o mesmo imaginário.
O velho e bom enfrentamento do hoje e o ontem. Um embate corpo a corpo entre a Branca de Neve e a feiticeira má. Ambas, uma só pessoa. Separadas em existências paralelas para servir de alerta uma á outra.
A bruxa má (a Branca de Neve, ontem), testava a si mesma quando jovem (a Bruxa, amanhã), e propunha a “prova dos nove” para seu próprio caráter. Uma vez corrompida pelos prazeres (a maçã), estaria fadada a ser como ela (a bruxa) no futuro.
Leitura complicada essa, não é? Vamos simplificar: Imagine que lhe é dado a oportunidade de voltar no tempo e encontrar-se com você mesma antes que a vida tivesse varrido sua juventude e sua leveza. O que diria a você mesma?
Alguma coisa como: “Menina, faça isso, ou faça aquilo...”? OK. Mas, digamos que não fosse permitido que você interferisse no curso da história, que fornecesse dicas que pudessem modificar o caminho natural que você percorreu através de suas escolhas. Como faria, então?
Eu não sei você. Mas eu iria, com todas as armas possíveis, "tentar" o meu eu-menina a provar das experiências que eu desprezei. Colocaria todas as opções que deixei no vácuo da minha existência á frente de seus olhos e ao alcance de suas mãos. Ofereceria, não uma, mas uma dúzia de tentadoras maças.
Já imaginaram as inúmeras possibilidades? Percebam que aquele sono profundo causado pela maçã foi, na verdade, uma indireta da feiticeira. Uma mensagem implícita pra que Branca de Neve “acordasse” para o fato de que iria acabar solteirona vivendo no meio daqueles sete baixinhos que só pensavam em trabalho. Que iria acabar como ela, a feiticeira, linda, mas solitária e amarga.
Branca de neve aceitou o desafio e mordeu a maçã. Pelo efeito imediato, se me lembro bem da história, suponho que deve ter sido uma mordida e tanto, impetuosa e ávida do prazer nunca antes experimentado! Ah! Meus quinze anos!
Dormiu profundamente e, pelo menos por algum tempo, se poupou de ter que arrumar a bagunça que aqueles sete insuportáveis homenzinhos faziam. Livrou-se também de ter que ouvir aquela musiquinha chata e repetitiva: “Eu vou! Eu vou... Pra casa agora eu vou”...
A feiticeira, enfim, não foi tão má assim! Livrou-a de um “casamento” com sete, eu disse, sete homens machistas que a deixava em casa cozinhando, enquanto levavam suas vidinhas de provedores medíocres. Era um aviso! Um toque de seu "eu-amanhã" para o seu ingênuo "eu-ontem".
Mas, sendo homens, qual foi a providência que os anões tomaram? Primeiro providenciaram para que, nem “supostamente” morta, Branca de Neve, saísse de sob seus olhos. Vigilância total num caixão de vidro. Em seguida, claro, foram pedir ajuda á um amigo!
Eis que, montado em seu cavalo branco, surgiu a personificação de todos os medos da feiticeira. O príncipe! O homem perfeito, cavalheiro, romântico, destemido e bem intencionado.
“Ferrou tudo!”, pensou a feiticeira. “Esse “mauricinho” vai acabar com minha existência futura de mulher independente, linda, determinada, dona de mim e LIVRE”.
Dito e feito! Levado pelos amigos anões (homens sempre têm cúmplices), o príncipe chegou até a pobre Branca de Neve que repousava depois de uma vida toda de afazeres domésticos e a dobrou com um simples beijo!
E alguém ainda teve o cinismo de acrescentar: “Viveram felizes para sempre!”. Quem disse? Onde está o livro com a continuidade da história? Eu nunca vi, nem nunca me contaram.
Fico imaginando a coitada numa casa com oito homens deixando a tampa do vaso sanitário levantada, um amontoado de cuecas sujas, jornais espalhados na sala e um coro de oito barítonos entoando aquela cançãozinha insuportável sem parar.
Para cada dia da semana ela teria um humor diferente pra lidar: Feliz, zangado, teimoso, triste, dorminhoco, e dengoso. Se, antes, o “dia” do amorfo Dunga era livre, agora, seria preenchido pelo humor desconhecido do “bem intencionado” príncipe! Ninguém merece!
Bem que a bruxa tentou evitar. Mas, derrotada pelos desígnios de ser mulher e sonhadora, sucumbiu. O destino punitivo traçado pela escolha de seu eu-menina, será passar o resto da existência olhando no espelho em busca da vitalidade e da juventude perdida.
É, ao que parece, somos mesmo o fruto de nossas escolhas. E, nessa mesma linha de raciocínio, concluo: Deve ser por isso que a maçã tornou-se símbolo de alimento para dietas. Ao comê-la, desavisadamente, engordar, será o menor dos castigos!
Moral da história: Não espere que uma bruxa venha te oferecer escolhas. Assuma o poder de sua vida, fuja do que te oprime e seja você também, uma bruxa feliz!
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Terça-feira, Outubro 30
TÁ DIFÍCIL ENTENDER?
Ioseph
Et quid nunc, Ioseph?
Festum est finitum, lumen est exstinctum, cuncta evanuit turba, nox est frigefacta, et quid nunc, Ioseph? et quid nunc, et tu? Qui nomen non habes, qui alios derides, qui versus componis, qui amas, reclamas? et quid nunc, Ioseph?
Femina non tibi verbum neque tibi nec blanditiae tibi, bibere non vales, fumum nec spirare, nec sputare quidem, nox est frigefacta, dies tuus non venit, currus tuus non venit, risus tuus non venit, utopia non venit, omnia et sunt finita, omnia et vanuere omnia et mucuere, et quid nunc, Ioseph?
Et quid nunc, Ioseph? tuus sermo dulcis,tuae febris hora, tua gula et ieiunium, tua bibliotheca, tua auri fodina,tua vestis vitrea, tua contradictio, tuum odium — et quid nunc?
Clavi manu arrepta, vis ut pateat ianua, non est tamen ianua; vis in mari mori mare est tamen siccum; vis in Minas ire, Minas non est amplius. Ioseph, et quid nunc?
Tu si vocitares, tu si gemeres, tu si personares Vindobonae melos, tu si obdormires, tu si fessus fieres, tu si mortem obires... Sed non moreris, tu es durus, Ioseph!
Solus in caligine velut bellua in silva, sine theogonia, nudo sine muro tete cui fulcires, sine equo nigro qui quam citior fugiat, tu incedis, Ioseph! Ioseph, quonam gentium?
NÃO ENTENDEU? E, EU AQUI, GASTANDO TODO O MEU LATIM? FALA SÉRIO!
Ler é, sem dúvida, a fonte de conhecimento mais facilmente disponível para a maioria das pessoas, não somente para aprendermos palavras novas numa língua estrangeira, como também como forma de ampliarmos nosso repertório sensitivo.
Contudo, não é possível compreendermos um texto, seja em nossa língua nativa ou numa língua estrangeira, sem contextualizá-lo. A compreensão de um texto é afetada pelo conhecimento prévio (background knowledge) do leitor, relativo ao assunto de que o texto trata e a intencionalidade atribuída á ele.
Leio até rótulo de refrigerante, mas não leio em LATIM. Também não falo Latim e confesso, nunca ouvi nada, nem missa, em LATIM. Aliás, qual é a finalidade de se aprender LATIM?
Independente da motivação, quem empreender essa tarefa, obrigatoriamente terá que exercitar a própria língua. Terá que se valer muito mais de seus recursos cognitivos e intelectuais do que os meramente emocionais e mal intencionados, para solucionar os enigmas que um texto em seu próprio idioma, por exemplo, possa suscitar.
Para quem, ainda que com esforço, não domina esses recursos qualquer texto é LATIM e qualquer LATIM é mensagem subliminar.
* Contador inicial: 12.979 ao ser postado o texto atual.
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Segunda-feira, Outubro 29
O BELO E O EFÊMERO
Depois de um fim de semana mental e fisicamente exaustivo, hoje, pensar, elaborar e divulgar alguma coisa que seja minimamente útil tornou-se um desafio aquém de minhas forças. Certamente amanhã estarei recuperada.
Esse final de semana foi particularmente produtivo. Revi alguns conceitos anteriormente produtivos e tive a grata surpresa de perceber que por mais confusos ou contundentes que eles possam ter parecido, foram os mais acertados que já elaborei.
Todos os fatos que se fizeram notar em minha esfera de relacionamentos contribuíram para que se houvesse alguma dúvida sobre esse ou aquele aspecto relacionado á decisões passadas, elas foram apenas fruto de minha capacidade de rever-me a cada momento.
Esse exercício é dolorosamente digno, mas a dor que provoca é facilmente esquecida, se na conclusão constatamos que não faríamos absolutamente nada diferente se houvesse a possibilidade de fazê-lo.
As áreas do estudo de comportamento é um misto de ciência e arte. Dito assim, pode parecer tratar-se de mais uma dessas definições piegas e cheia de pompa, mas uma breve análise retrospectiva da história e concluiríamos o quanto á prática de ambos, arte e ciência, tem sido muito complicada.
Desde Freud até os dias atuais, a desconfiança sempre foi a válvula mestre, tanto para gerar questionamentos necessários á produção do que chamamos de ciência, como para a confecção quase braçal do que a configurará como postulações confiáveis.
Sem a dúvida não há ciência e sem a ciência, qualquer dúvida é pura especulação fadada ao esquecimento. No passado, falar sobre ciência era um risco de vida. Ai de quem ousasse falar em microorganismo, que a terra era redonda ou que eram os processos inconscientes era que determinavam o caráter humano e não Deus.
Inquisição neles!
Atualmente a tecnologia aliada á medicina tem proporcionado maior confiabilidade ao que antes era apenas medido pela experiência que o ser humano adquiria no exercício de qualquer profissão.
Sob meu olhar, os computadores serão cada vez mais necessários ao exercício da psicologia, mas em hipótese nenhuma alcançarão ou substituirão os resultados obtidos pelo contato humano, que é uma forma de arte forjada á partir da percepção e do afeto.
Uma hipótese diagnóstica no campo psicológico objetiva alertar e subtrair os riscos de uma possível alienação de si mesmo e nunca de outrem. Não há mensagens subliminares aos parentes de um doente esquizofrênico, por exemplo, de que ele terá esse ou aquele comportamento.
Há uma análise excludente de que esse paciente não pertence á outro grupo de sintomas que acarretariam uma diferente forma de tratamento. Mas, se a família puder através de apenas uma hipótese diagnóstica prevenir-se e preparar-se para as conseqüências colaterais que essa doença acarretará á todos, melhor!
Esse é o complexo emprego da palavra e da profissão psicologia. A abrangência que ela propõe está aquém de quem domina relacionamentos não pessoais ou, pessoais, mas por circunstância ou interesses.
O ser humano pode até ter dificuldade em assumir que a distância lhe confere maior segurança no que se refere á relacionamentos, mas está incapacitado de afirmar o mesmo para assegurar sua capacidade de avaliação sobre outros seres humanos.
Não há como medir a capacidade de amar, de dedicação ou de periculosidade sem antes, o necessário contato com essa real possibilidade. Na proteção de personalidades criadas na obscuridade, ainda que um dia reveladas, é muito fácil se fazer querido.
A satisfação profissional não se mede pelos lucros ou êxitos que dela se obtém, e sim das respostas insuspeitas de sua própria capacidade. Somos caprichosos no exercício de nossa vontade até nos depararmos com a irrevogável sentença de morte que está prescrita em tudo que existe.
A compreensão da alma humana é, sem dúvida, o maior dos fardos que alguém pode carregar. Não é necessário que os inimigos se empenhem em acrescer mais nada. O simples fato de tê-los conhecido e os reconhecido como tal, em si, já é uma punição demasiadamente grande.
Não nos opomos ao desconhecido. No máximo temos medo. A oposição nasce da revelação e do desvelamento. Nasce da constatação de que do erro pode-se extrair a possibilidade de reversão.
Somos livres. O esperado é que exerçamos essa liberdade sem as juras de aceitação que seria ideal, mas no fim das contas o que prevalecerá serão sempre as amarras da rejeição. A insegurança do porvir, das conseqüências de nossos atos e nossas associações.
É muito difícil delinear-se na vida, mas, é mais infinitamente complicado refazer-se quando atolados em deslizes passados. Aí sim, nos é imposto uma escolha: seguir em frente e maldizer o passado, ou simplesmente estacionar e reproduzir o que demoramos tanto tempo pra entender que não nos servia.
As implicações para quem, como eu, fez a primeira escolha é ter tolerância suficiente para compreender que não apenas os porcos apreciam as pérolas!
* No momento da publicação desse texto o contador apontava para 12.781 acessos!
- posted by Mara
Domingo, Outubro 28
PARECE....MAS, NÃO É!
Todo psicólogo tem, por princípio ético e cuidado terapêutico, muita preocupação no emprego da palavra “normal” para definir comportamentos. A autoridade diagnóstica que nos é conferida impede qualquer tipo de banalização do termo, com pena de sermos mal interpretados.
Mas, é comum as pessoas em geral se apropriarem de termos um dia utilizados para definir as mazelas humanas no campo da saúde, como forma de agressão verbal ou definição de caráter.
Não raro ouvimos: “fulano é um retardado!”; “Nossa! Que neurose!”; ou até mesmo: “Tal pessoa é um louco!”. Falar coisas assim confere a catarse necessária e exemplifica bem o pensamento de quem o faz. Além disso, hoje, tais adjetivos quase nem são visto como um xingamento.
Mas, sob o ponto de vista médico-estatístico, estar dentro da normalidade é ter um comportamento que, se comparado á media geral, nem é tão diferente a ponto de destacar em si características específicas e nem tão semelhante que o enquadre em alguma generalização de características de psicopatologias.
Em outras palavras, para ser considerado normal é preciso que o indivíduo não tenha comportamentos que causem um estigma e o coloque sob os critérios diagnósticos de doente mental. É a diferença entre “ser” e “ter” uma determinada característica que o defina na vida.
A banalização desses termos, inclusive, se estende á valorização que damos aos sintomas reais dessas classificações. Na aceitação de que fulano é “assim mesmo”, podemos estar ignorando uma real percepção de que alguma coisa não está realmente muito coerente no comportamento daquela pessoa.
Manifestando-se livremente e se equilibrando na linha divisória tênue entre a normalidade e a doença, os chamados Transtornos de Personalidade são mais corriqueiros do que imaginamos.
Tanto é assim que, não raro, aprendemos a conviver com eles como aprendemos a conviver com os sintomas de uma gripe. Analogamente imaginamos que, assim como a gripe, esses transtornos obedecem á um ciclo inofensivo e inevitável, cuja única coisa á ser feita, é amenizar os sintomas até que o ciclo se complete e o transtorno desapareça.
Infelizmente não é assim. Nem para a gripe, nem para os Transtornos de Personalidade. Uma desatenção á ambos (gripe e TP) podem ser a causa que justifique uma evolução para um estado crônico.
Daí, o que era uma força de expressão, um mero xingamento, pode tornar-se quase uma premonição. Mas como saber a diferença? Como discernir um comportamento vicioso e, para nós, incoerente, de outro, potencialmente patológico?
Essa é uma tarefa ingrata e requer treino e técnicas profissionais. Mas, de modo bastante superficial, é possível afirmar que uma personalidade normal é aquela que ao longo de sua maneira de existir, não nos permite destacar “essa” ou “aquela” conduta inadequada como característica que define a tal personalidade.
Não se trata, portanto, de uma “alteração” de personalidade, ou seja, algo desencadeado por algum elemento externo e de caráter transitório e sim um permanente estado alterado de personalidade.
Reconhecer esses tipos psicológicos será sempre uma maneira de preservar a si mesmo e á sociedade dos possíveis danos que possam causar. Sabendo identificar o problema, automaticamente encontramos a melhor maneira de lidar com eles.
Como esses indivíduos são tidos como normais, é quase impossível resistir á tentação de contra-atacá-los em suas investidas sobre nós. Sabê-lo doente, faz com que seja mais fácil ignorá-los.
Dentre esses comportamentos, oportunamente, destaco o Transtorno Paranóide de Personalidade, considerado o mais socialmente nocivo, já que sua principal característica é sua conseqüência na esfera social e nas relações interpessoais do indivíduo portador.
Portadores desses transtornos têm como característica essencial uma tendência global e injustificável de interpretar as ações das pessoas como deliberadamente humilhantes ou ameaçadoras.
Acredita piamente estar sendo explorado ou prejudicado pelos outros de alguma forma e, por causa disso, a lealdade e fidelidade dos que o rodeia estará sempre sendo questionadas.
São exageradamente sensíveis às contrariedades ou a tudo que possa ser interpretado como rejeição, e com isso tendem á distorcer e generalizar as experiências, interpretando-as como se fossem hostis.
Supervalorizam sua própria importância, as suas idéias são as únicas corretas e seus pontos de vistas não devem ser contestados, daí a facilidade em conquistar inimigos.
São desconfiados, teimosos, dissimuladores e obstinados, além de extremamente sarcásticos em suas críticas e, qualquer comentário neste sentido é entendido como declaração de inimizade.
São teatrais, sedutores e entusiastas. Contornam as eventuais situações constrangedoras recorrendo a artimanhas teatrais e chantagens emocionais. Pelo entusiasmo com que valorizam suas idéias, sempre as únicas corretas, podem ser vistos como fanáticos nas várias áreas do pensamento; seja religioso, político, ético ou profissional.
São hiper-vigilantes e tomam precaução contra qualquer ameaça percebida. Mas, é um processo inconsciente e um simples apontamento de que é necessário um acompanhamento psicológico pode reforçar ainda mais sua mania de perseguição.
Se você reconheceu alguém com as características acima, procure ser cauteloso quando ele o desafiar. Xingá-lo de louco ou neurótico pode levar você aos tribunais por diagnosticar, ainda que corretamente, sem capacitação técnica.
Um sujeito assim, não perderia a oportunidade de processar você por falsidade ideológica e exercício ilegal de Psiquiatria. Trate de encontrar, então, outra maneira de expressar o que pensa sobre ele.
Ser chamado de louco pode aproximá-lo demais de uma verdade difícil de ser suportada! Que loucura, não é?
- posted by Mara
Sábado, Outubro 27
SENTINDO-SE SOZINHA?
VOCÊ FOI MAL ACOSTUMADO!
Solidão. Esta aí um sentimento que não me é muito familiar. Venho de uma família numerosa e barulhenta onde, os raros momentos de solidão, soam como música clássica depois de um dia de trânsito infernal.
Gosto de estar comigo mesma e aprendi a fazer dos livros uma companhia alternativa para descansar minha mente do meu pensar compulsivo. Como disse a amiga Janaina outro dia, leio até a bula do Biotônico Fontoura.
Mas, sei que não é assim pra todo mundo. Pra maioria das pessoas, a solidão é um sentimento doloroso. Um hiato incômodo no bem estar produzido pela presença da sensação de sermos queridos.
A solidão é a mais original e inerente condição humana. Está sempre presente, queiramos ou não. Ocorre é que às vezes se torna mais aguda e nos incapacita de lidarmos, não apenas com ela, mas com o que ela ocasiona.
Solidão é um sentimento tão complexo que, vejam: já motivou filósofos, dramaturgos e poetas, mas, já foi apontada também, como causa de suicídios, assassinatos e muitas outras atitudes ilícitas.
Compreender a ambigüidade da solidão nos remete á necessidade de se compreender o ser humano que a sente. É necessário ligá-la estreitamente á consciência, a percepção existencial e espacial que temos no mundo.
Como viram pelo texto acima, a solidão também tem sido importante objeto de estudo para psicologia e psiquiatria, mas, a solidão que aqui nos interessa é a nossa solidão, e não, as dos teóricos que dela se valeram para, compreender a si mesmos.
Nossa solidão, assim como todos os sentimentos que experimentamos, é sempre a pior e mais devastadora. Sabemos disso desde o primeiro momento em que, fora do útero de nossas mães, empreendemos a vida.
Com o rompimento do cordão umbilical nos tornamos desgraçadamente sós, até o ultimo dia de nossas vidas. Seguiremos, ainda na primeira infância, criando estratégias para vencer a solidão. Mesmo alimentados, limpos e confortáveis, choraremos com toda força de nossos pulmões para atrair a companhia de alguém.
Nos anos seguintes, repetiremos compulsivamente esse comportamento desenvolvido na infância. Agregaremos alguns entraves sociais, algumas articulações próprias dos adultos e alguma estratégia, mas sempre estaremos tentando burlar a famigerada sensação de estarmos sós.
Em linhas gerais estaremos sempre implorando por alguém! “Quem é que não sentiu essa espécie de vazio alguma vez, sozinho em casa? A televisão não distrai, a música, em vez de consolar, lembra situações em que havia pessoas queridas por perto, torna-se impossível concentrar-se na leitura de um livro”.
Justamente por ser um componente da máquina humana, a solidão não escolhe cor, raça, condição social, sexo ou o que quer que seja. Um exemplo popular disso foi a polêmica que se instalou numa ocasião em que a Xuxa declarou sua solidão.
O fato é que sempre haverá o momento em que iremos dormir sozinhos, de não termos com quem partilhar as sobras (que fatalmente existirão) do jantar da noite anterior. É bom ter sempre claro que solidão é diferente de isolamento. Mas situações de isolamento social podem contribuir para tornar penosa a sensação de ser só.
Mas, isso também já virou clichê: “Estou só em meio à multidão!” E lá estarão os poetas e escritores, ávidos de matéria prima, para transformar esse sentimento em poesia. Não há beleza, glamour ou mesmo poesia no “estar” da solidão!
É necessário que aprendamos a nos fazer companhia, a nos aprimorarmos na técnica de concedermos atenção á nós mesmos. O primeiro passo é respeitar nossos limites e desejos. Aprender a dizer não. Mas, apesar de difícil, essa não é, a parte mais complicada.
A solidão que invariavelmente sentimos como dilaceradora é fruto de nossas próprias atitudes. Ao nos relacionarmos, traçamos uma espécie de perfil de personalidade das pessoas com as quais nos sentimos melhor. É como se, inconscientemente, elaborássemos uma espécie de cadastro mental do que serve e, do que não serve pra nós.
Ao fazermos isso, eliminamos uma imensa maioria de possibilidades e nem sempre acertamos em nossa escolha. Muitas vezes, traídos por nossa percepção, elegemos para estar ao nosso lado o tipo de personalidade que irá cada vez mais reforçar nossa compreensão empírica do que a solidão.
Mais do que isso. Com essas escolhas equivocadas, pautamos o que consideraremos ideal e pode ser que isso não seja exatamente igual ao que nós mesmos somos. Ou seja, ao entendermos que companhia do tipo festeiro, por exemplo (cujo significado de amizade é a badalação), é a ideal e nós mesmos não formos dessa maneira, tá feita a porcaria.
Em nossos momentos de solidão estaremos buscando esse mesmo tipo dentro de nós, e claro, não encontraremos. O mesmo ocorre pra qualquer escolha limitada que façamos. Elas diminuem drasticamente nossas opções e nos deixam completamente distantes de nós mesmos.
Sempre desconfio das eleições que faço para compor meu rol de relacionamentos. Procuro aceitar todo e qualquer tipo de aproximação e deixar que o tempo se encarregue de varrer os não adequados e mal intencionados. Alguns acabam ficando e me servem como parâmetro.
Antes só do que mal acompanhada. Isso serve pra você mesma também. É urgente que nos transformemos na melhor companhia á nós mesmos, ainda que para isso tenhamos que incluir más escolhas em nosso universo de relações. Faça dessas más escolhas a motivação para escolher a si mesma como parceira de aventuras, quando sentir-se só.
É infalível! Se não funcionar, nem adianta recorrer á antiga caderneta de telefones. Qualquer pessoa que eleger não te proporcionará a sensação de intimidade que a solidão exige como remédio. Mas, cuidado! Ás vezes, as más escolhas são mais persuasivas do que sua capacidade de discernimento.
Nesse caso, reserve o dia ou a noite, para acariciar a si mesmo, prepare um jantar á luz de vela, tome um bom vinho, coloque uma música suave, faça amor consigo mesma. Convide-se pra um primeiro encontro e apaixone-se. Você é a melhor companhia que existe!
- posted by Mara
Sexta-feira, Outubro 26
ONDE ESTÁ A LIBERDADE?
Preciso que alguém me explique algumas coisas que minha mente se recusa a compreender. Qual a lógica filosófica ou anarquista, não me importa, que leva a população da maior cidade do Brasil a se submeter á arbitrariedades legais, a meu ver, totalmente sem razão de ser?
As leis de trânsito que imperam na Grande São Paulo são oportunistas, falso-ideológicas e nos trata como perfeitos débeis mentais. Algumas são ineficientes até mesmo para as segundas e terceiras intenções que escondem. Persistem na base do: “lei é lei”.
Acredito na justiça, acredito na ordem, mas, por favor, onde está o progresso? Desde que o sistema de rodízio de carros no chamado centro expandido foi instituído em 1997, ele já foi interrompido 94 vezes, por razões absolutamente “plausíveis”. Resta saber: Quem mais se prejudicou com essas suspensões?
Vejamos: dessas 94 interrupções, 86 “boas razões” tiraram o sistema de funcionamento. Delas, 28 vezes por greves e paralisações dos ônibus e/ou metrô; 14 em razão das enchentes e alagamentos; 02 por ataques do PCC; 01 vez por um apagão total na cidade, e pasmem: 41 vezes em razão de feriados prolongados e datas comemorativas.
A cidade de São Paulo é a única cidade do Brasil a se utilizar desse sistema de rodízio e inaugura também uma nova ordem: combater o caos tirando um dos recursos adotados justamente sob a alegação de combate ao caos. A meu ver, está sobrando caos e faltando atitudes efetivas.
Vamos á outro cálculo: Se alguém mora na região sudeste do Estado, por exemplo, e tem um vôo marcado para as 18h00min no aeroporto de Congonhas (aquele da pista escorregadia e do avião da TAM, lembra?), ele estará ferrado e não é nem pelo descaso da Embraer ou da TAM. Não só por isso, pelo menos.
O sujeito terá que entrar em São Paulo pelo menos 1h30min antes do tal horário de rodízio e estar no aeroporto uma hora antes do embarque. Isso quer dizer que ele terá que entrar pelas marginais, precisamente ás 14h00min.
Cinco minutos á mais e ele entrará em Sampa justamente no horário do famigerado, se levar em conta que o rodízio nunca diminuiu o trânsito ou os congestionamentos nas marginais.
Para tanto, ele terá que sair do interior as 10h00min da manhã, contando com os possíveis engarrafamentos que enfrentará nas rodovias que dão acesso á cidade. Ou seja, o pobre coitado levará 09 horas para percorrer a distância de 300 km que separam as duas cidades.
Tudo isso, num percurso que faria em no máximo 04 horas. Perderá um dia todo de trabalho e se tentar apressar o processo, burlando a velocidade permitida nas rodovias de acesso, corre o risco de levar alguma multa pelo caminho.
Mas, tudo bem. Porque mesmo que ele consiga estar no aeroporto no horário, o avião com certeza absoluta não estará. Pode ser até que nem esteja muito tempo depois. Mas, se um cancelamento do vôo acontecer, ele poderá voltar tranquilamente pra sua casa.
Mas, afinal, pra que raios, serve esse maldito rodízio? Se você não mora no Estado de São Paulo, pode ser que não esteja nem um pouco interessado nesse meu relato. Mas, a proibição do tráfego de automóveis nas ruas de SP tem o intuito de melhorar a situação do ar e o trânsito na cidade.
Cada dia da semana uma faixa de automóveis estão proibidos segundo sua placa. Na segunda, as placas com final 1 e 2, na terça 3 e 4, e assim por diante. Isso determina não só quando, como e onde você pode circular com se carro, como também te obriga ater dois automóveis.
Sem falar, é claro, que te impõe uma escolha rigorosa da placa de ambos. A menos que você possa comprar um para cada dia da semana. Essa determinação vale pra todos, exceto para carros oficiais (nem vale comentar!).
Mas, acredite, seja por turismo, negócios, necessidade ou curiosidade, algum dia você se aventurará pela mega capital paulistana. E, quando isso acontecer, verá que de nada adiantou sua indiferença. O sistema serve pra você também!
Você pode, é claro, alegar que nunca viu nas emissoras de TV, ouviu em uma radio, ou leu em um jornal, um anúncio explicativo do governo ou da prefeitura de São Paulo sobre o tema. Mas, quem vai te ouvir?
Pode, também, dizer que não viu placas indicativas de que o sistema de rodízio existe. Não existem mesmo. Mas quem se importa?
Mas, se nada disso funcionar, experimente dizer que nunca tinha ouvido falar em rodízio de carros. Que mora no interior do Rio Grande do Sul, por exemplo, numa cidade de 50 mil habitantes, que não tem TV á cabo, internet, rádio ou pombo-correio.
Mas, sendo assim, fique esperto. Acredite! Você não está preparado para visitar SP. Como castigo por não estar antenado com as leis municipais da grande e poderosa capital paulista, você será assaltado, seqüestrado e possivelmente morto.
A única solução e possível atenuante para os riscos é ignorar outra das leis vigentes e não parar nos semáforos vermelhos em cruzamentos totalmente sem iluminação, na madrugada.
A verdade é uma só: ser pego pelo sistema de rodízio paulistano vai te custar uma boa soma em dinheiro e 04 pontos em sua carteira de motorista.
Com uma soma equivalente talvez você consiga uma promoção de viagem da TAM e possa fazer o trecho Porto Alegre - São Paulo, por exemplo, em total segurança. (hehehe... desculpem, não resisti!).
Resumindo: A despeito do rodízio, São Paulo continua poluída, congestionada, caótica, perigosa e sem lei, exceto ás de trânsito. Embora, até mesmo essas, foram postas em xeque no incidente da Ferrari, ocorrido há algumas semanas.
O carro ficou destruído e a boca do cinegrafista que cobria o incidente também. Fico pensando no motorista da Ferrari, coitado, teve que usar o metrô pra ir trabalhar no dia seguinte. Fiquei na torcida pra não haver greves naquele dia.
O policiamento presente no local do acidente, nada viu e nada fez como mostram as imagens da emissora. Mas porque faria? Fica claro nas imagens que a placa da Ferrari vermelha (que carrão, affe!) estava fora do seu dia de rodízio. Além disso, era madrugada, e nesse horário nem rodízio tem.
Assim, se você é mesmo do interior do Rio Grande do Sul, aceite um conselho e fique por aí, além de se poupar de muitas restrições ao seu direito de ir e vir, de ser discriminado por possuir apenas um carro, terá o prazer de desfrutar do melhor e mais tradicional rodízio do Brasil. Só que de carnes! Bom apetite!
* Ao ser postado esse texto, o blog contava com 12.110 acessos! É o sucesso!
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Quinta-feira, Outubro 25
MEU NOME É CAFA!...
...CAFA JESTE!
Choro em casamentos, levanto menos peso que meu Personal Training, não faço a barba todas às manhãs e não desenvolvi o hábito de cuspir de lado ou ajeitar a costura da calça na altura da virilha.
Por outro lado, troco pneus e botijões de gás e adoro futebol. Não sou adepta aos afazeres domésticos e me orgulho em dizer que, dependendo do meu humor, até meu copo d’água desanda.
Feminina ou feminista? Sei lá. O que sei é que adoraria que um jovem e atlético loiro, metido em um macacão sujo de graxa marcado na cintura por um cinto de utilidades, surgisse do nada e me ajudasse a conter aquele irritante gotejar da pia da cozinha.
Com uma dose um pouco maior de tolerância, eu poderia até aceitar que um moreno de cabelos e roupas impecáveis, montado em uma BMW branca caríssima, se materializasse, vencesse a floresta de espinhos do meu jardim e, desemperrasse a janela da sala.
Na falta de ambos, faço eu mesma. Não, sem antes, reclamar, blasfemar e maldizer as loucas que andaram queimando sutiãs em praça pública solicitando igualdade de condições.
Vamos combinar? Movimento social é uma coisa e feminismo é outra. A não ser que estejamos tentando definir questões de preconceito, gênero e papéis sociais, misturadas ás questões políticas e sexistas.
A verdade, é que a polêmica em torno do tema só se sustenta pelas divergentes opiniões que encerra em si mesma e raramente fora dela. A não unanimidade em torno da definição palavra “feminista”, entre suas ativistas, é que nos faz andar na corda bamba.
Se um cientista, uma delegada de polícia ou bailarino, exerce bem minhas funções, qual a importância de ser homem ou mulher? Mas, alguém consegue imaginar a Deborah Falabella no personagem do Comandante Nascimento, no filme Tropa de Elite?
Calma. Eu também não imagino o Bruce Willis representando a vida de Nureiev no cinema. Assim, seguimos cada um no seu lugar, brigando com as adversidades para vencer naquilo que a vida (e não a cor do enxoval) nos qualificou.
Algumas mulheres levam tão á sério a luta pela igualdade sexual quanto, outras a levam, pela diferença. Já vi mulheres pleiteando e peitando de “igual pra igual” vaga num estacionamento com machos mal educados, mas, também vi a mesma mulher, rosnando porque o cara que a levou pra jantar não pagou a conta.
Andam falando por aí que a Daniela Mercury esta namorando uma mulher. Quem diria? E eu que sempre achei que a Ivete Sangalo é quem iria se revelar primeiro. nem sei porque eu achava isso. Mas achava.
Vai ver é porque á despeito das inúmeras, divulgadas e relações amorosas heterosexuais da Ivete, eu sempre a vi como a mais masculinizada das duas. Sei lá. Mulher determinada, dona do próprio nariz e bonita demais pra eu admitir a concorrência sem colocar defeitos.
Assim são os estereótipos. Nascem do conceito que fazemos dos outros, á partir de valores que só uma busca honesta em nossos próprios conceitos, pode revelar.
Acho interessante quando algumas mulheres se mostram profundamente ofendidas por terem sido atacadas em sua moral, por homens que ela elegeu, pouco antes, como a última bolacha do pacote. Ainda mais, se o pacote foi todo degustado por ela mesma.
É a lei da oferta e da procura. Para cada cafajeste no mundo, há centenas de pseudo donzelas, fazendo fila, para receber uma gota de atenção. E, ai dele, se não der. Pior ainda se lhe dispensar alguma atenção e depois decidir que não quer mais.
Nunca vi uma artista, por exemplo, ser chamada de cafajeste depois de anunciar seu décimo casamento. Aliás, nunca vi nenhuma delas queixar-se de terem recebido menos que um homem, para fazer um ensaio nu para uma revista ou mesmo participar da banheira do Gugu.
Cada um sabe bem “qual” e, em que parte, de sua anatomia, está o potencial que possui. Mas, o que complica tudo, é quando pretendemos pleitear o que, no passado, sempre pertenceu á outrem. Cargos públicos, cadeiras acadêmicas, alguns esportes e, claro, o direito de sermos cafajestes.
Falando em cafajestes (que, no dicionário, é: homem sem préstimo, de ínfima condição), ainda vai nascer um que não seja interessantíssimo. O cafajeste é, em linhas gerais, aquele que em um momento qualquer demonstrou algum atrativo e, diante de uma enorme expectativa feminina, falhou.
O incrível desse adjetivo, é que cedo ou tarde, ele será substituído. Todo cafajeste está fadado á um dia encontrar uma mulher que o reformará. Que o fará pensar em anular todo um passado de imagem solidificada na canalhice.
Que tipo de mulher será essa? Será errado afirmar que é exatamente o tipo que ele passou a vida toda evitando e, justo por isso, tornou-se um cafajeste?
Sou mãe de menino-homem, como dizem ás avós mineiras dele. Criei meu filho sob o forte exemplo de que em bolsa de mulher há muito mais que batom e pinça de sobrancelha.
Mas não soube, e talvez não tenha tentado, impedi-lo de ver o lado mais frágil da minha personalidade. Já chorei ao lado dele no cinema e o deixei apavorado com a valorização que dei á uma unha quebrada e uma meia de seda desfiada.
Mas, fiz Jiu-jítsu com ele e, temos até hoje, o mesmo Personal (aquele que levanta mais peso que eu). Sou eu quem compra a “Playboy” aqui em casa, mas, ele acompanha as novelas e eu não.
Ele, como todos os homens, minimiza minha unha quebrada com um simples: “Pára com isso, unha cresce!”. Ao que eu, ofendidíssima, respondo: “Você também”, na expectativa que a despeito das maneiras “hormonais” diferentes de vermos as coisas, ele aprenda, ao crescer, que não ser cafajeste é apenas respeitar o outro, seja homem ou mulher.
Mas, alguém consegue imaginá-lo, no futuro, ao lado de uma mulher cheia de delicadas frescuras? Eu não. Então, desculpem, mas acho que criei mais um cafajeste
- posted by Mara
Quarta-feira, Outubro 24
BIG BROTHER BRASIL
...EU NÃO DISSE?
Vai começar mais um Big Brother Brasil. É bem provável que, como nas outras edições, eu esteja fora do país e perca os primeiros “capítulos”. Não que eu lamente. A despeito do que irá acontecer, os primeiros, sempre serão os mais enfadonhos de todos os dias que se seguirão na casa vigiada.
Desde os primórdios da civilização, o ser humano tem demonstrado, de um lado, sua compulsividade em representar dramaticamente suas peripécias existenciais e, de outro, sua incrível capacidade de lucrar com ela.
Não sou uma fã legítima do programa. Assisti uma ou duas versões das sete que já aconteceram. Mas, minha relação com o tal programa nos últimos dois anos tornou-se estreita porque o Big Brother invadiu todas as esferas de meus interesses acadêmicos e, psicológica ou jornalisticamente, foi impossível ignorá-lo.
Quem me conhece sabe que nunca entrei no mérito de seus participantes, seja em conversas informais ou nos registros finais de minhas teses. O que me atraiu e ainda me atrai no programa, são as suas raízes na sociedade do espetáculo, sua incrível popularidade e, é claro, seu aspecto novelesco.
A diferença, pra mim, da nova versão, é que finalmente poderei vê-la sem nenhuma abstração acadêmica. Acompanhando-a por pura diversão, estarei livre para deixar de vê-la a qualquer momento em que essa motivação deixar de existir
As versões anteriores foram particularmente excitantes sob o ponto de vista psicológico. Mesmo aquelas em que os críticos enfatizaram o fracasso. A proposta acadêmica me impôs um distanciamento das emoções que a trama pretende despertar.
A cada dia, o desafio maior era não me deixar levar pela trilha sonora, os enquadramentos, as edições e principalmente as opiniões “especializadas” que se disseminaram em todas as esferas da sociedade.
Agora, meu desafio será proporcionalmente inverso. Assistir a próxima edição sem nenhum tipo de interesse científico. Sem análises, fundamentadas ou não. Sem ter que rever cada gesto, palavra, tom de voz, cor de roupa e suspiros do Pedro Bial.
Confesso que, á parte a obrigação, que torna qualquer tarefa mais pesada do que realmente é, vou sentir falta de me auto-proclamar uma expert em “Pedrobialogia”. Em contrapartida, minha família, amigos, professores e até o próprio Pedro Bial se sentirão aliviados pela ausência de minha obsessiva busca de dados.
Nessa altura do campeonato, deve ter ficado claro que não tenho a menor intenção de transformar esse blog em mais um dos inúmeros outros que analisam e debatem o programa e “pelo” programa.
Penso já ter, em diversos posts meus, deixado bastante explícito meu desprezo pseudo-intelectual por qualquer um que se proponha fazer parte de um programa como esse. Para mim, todos eles, sem nenhuma exceção, nunca passaram de matéria prima para a exploração e análises de comportamento.
Mesmo assim, quando iniciada minha pesquisa, esses participantes perderam espaço para fontes mais ricas em informação e conteúdo. Está justamente aí, a explicação, de Pedro Bial ter se tornado meu objeto de estudo e não o programa como um todo.
Esse “post- resposta” advém da necessidade de traçar uma linha divisória entre aquilo que me interessa profissionalmente e o que detém meu olhar por simples hábito cultural e lazer.
Essa postura, eu sei, pelo histórico que possibilitou o surgimento desse blog, pode vir á ter livres interpretações. Pode até, como diz uma amiga minha, ganhar a conotação de “cuspe no bandejão da USP” (expressão que ela inventou pra rebater as queixas de quem é obrigado a comer aquela gororoba. Segundo ela, o “bandejão” é um mal necessário e símbolo da elite que nega ser elite).
Mas, interpreta quem quer e concorda quem tem juízo. A razão desse texto é que quero reforçar minha intenção de estar sempre atenta á demanda social implícita nas duas profissões que exerço, relacionadas ou não ao BBB.
Se houver na próxima edição do programa, qualquer fato ou pessoa, participante ou não, passível de análise psicológica ou jornalística, congruentes com as intenções desse blog, então eu as farei.
Do contrário, o máximo que quero ter em comum, são minhas “comentaristas-blogueiras” que, em essência, o BBB me presenteou.
Pedro Bial é tese defendida e premiada e, ficou no passado. Restaram apenas, a minha indisfarçável admiração pelo profissional jornalista, escritor, apresentador, cineasta e poeta, além de um profundo respeito pela pessoa que compõe tudo isso.
Portanto, na contramão das minhas origens na internet, mas, muito coerente com o perfil desse blog e de suas comentaristas freqüentes, seguirei apregoando os perigos da alienação que impede o processo de pensamento crítico.
Explorarei ao máximo os aspectos mais complexos do psiquismo humano através da antítese da sedução do consumo pelo consumo, e nocauteando cientificamente a tentativa de manipulação da capacidade de julgamento individual.
O BB não é, senão, o retrato da evolução histórico-comportamental do ser humano. É a contemporaneidade das representações teatrais da morte do sujeito (eu), a fugacidade das experiências vividas, a desvalorização da história, o culto à imagem e à superficialidade.
Em outras palavras, um prato cheio pra quem, por fazer parte dessa massa, ainda se propõe a fazer estudos científicos sobre ela. Perversidades, desvios, mecanismos de defesas, atos falhos e psicopatologias e comportamentos, quando nada mais é notícia, deles, farei nossas manchetes!
Desde já, o que me dá mais prazer é saber que muita gente vai ler esse texto até esse ponto, pensando que ia poder dizer “eu não disse?” e tudo que conseguiu foi aumentar meu acesso e cometer mais um erro de julgamento.
Esse blog não será mais um blog da Net BBB. Continuará sendo um simulacro*.Mas, sintam-se a vontade para usá-lo como fonte científica para não sair por aí escrevendo bobagens sob aspectos que não lhes competem.
MARA
*simulacro é um objeto artificial que visa ser tomado por outro objeto para determinado uso – sem que, por isso, lhe seja semelhante”.
- posted by Mara
Terça-feira, Outubro 23
QUEM PLANTA O MAL...
Fui ao cinema. Fui ver Kevin Costner transformar-se no homem de sucesso, generoso, ótimo pai e marido, eleito o Homem do Ano, que tem um alter-ego homicida (William Hurt).
Adoro o Kevin e o William e foi isso que me levou ao cinema, porque ver pessoas “normais” terem crises “psicopáticas”, já se tornou fator comum.
Predileto, entre os comportamentos, pela indústria cinematográfica, a psicopatia mostrada no filme “Instinto Secreto”, traz apenas uma novidade. A referência de que devemos torcer para que esses indivíduos sejam estéreis ou avessos á idéia de maternidade. Ufa! Que alívio. Uma boa notícia á alguns conhecidos com forte potencial.
Brincadeiras á parte. A realidade dessa conduta e alguns traços dela presentes em algumas pessoas são horríveis e desafiam a ficção a superá-la. Quem poderia esquecer a estudante Suzane Louise Von Richthofen, o caso da Rua Cuba, Guilherme de Pádua, só pra citar os que me ocorrem sem muito esforço de memória?
Mas, aos poucos, essas referências foram se tornando apenas manchete de jornais. É como se nos anestesiássemos diante dessa brutalidade cometida entre os humanos enquanto nos ocupamos das violências menores do nosso dia-a-dia.
Embora psicopatia e sociopatia se confundam em sua definição, é importante ressaltar: Nem todo homicida é psicopata e, nem todo sociopata é assassino. Aliás, o termo “psicopatia” tem enfrentado muita controvérsia.
Para a escola francesa de psiquiatria, por exemplo, é um termo genérico, como o seria para qualquer outra especialidade médica. Já para hispano-germânica, não se trata sequer de uma doença.
Gosto mais da segunda. Já que na leitura diagnóstica desses indivíduos encontramos indivíduos que possuem raciocínio temático, boas atenção e memória, inteligência às vezes elevada, afetividade e poder decisório, totalmente preservados.
Em resumo, trata-se apenas de uma anomalia psíquica, ou seja, uma personalidade anormal, no sentido de ter todas as qualidades da “normal”, em quantidades proporcionalmente diferentes da média estatística.
Independente de qualquer definição, médica ou social, o fator comum em personalidades assim é a total ausência de sentimentos. Assusta-nos, justamente, porque essa característica se assemelha á muitas pessoas tidas como “normais” que conhecemos.
O psicopata, á partir do princípio da ausência de sentimento, pode destruir (ou matar) unicamente para mostrar poder. É audaz, inteligente, meticuloso e insistente. Não teme castigo de nenhuma natureza. Medo, vergonha, culpa, são sentimentos e ele não os possui, lembra?
O lamentável, quando avaliamos esse comportamento, é que nos deixamos levar por atenuantes. É claro, que para psicopatia clássica nos recusamos á sermos tolerantes. Mas e para os comportamentos sociopatas esporádicos?
Pois é. É justamente aí que entramos no papel de coadjuvantes desavisados. Quando avalizamos alguns comportamentos semelhantes através de justificativas sociais ou empáticas.
Se uma mãe de família desempregada comete um roubo à mão armada para levar comida aos filhos, ela não é necessariamente um sociopata. Ou quando alguém que se sinta lesado ou usurpado dedica-se compulsivamente á destruir quem julga responsável, apenas para retomá-lo, também nâo. Não são psicopatas, mas, são um bom exemplo de personalidade com potencial bastante elevado.
O psicopata não é o sujeito de inteligência incomum, como se imagina. O que ocorre é que isento de qualquer outra manifestação mental que o desviaria de seus intuitos, ele utiliza 100% dessa capacidade, na realização dos mesmos.
Protege-se através da ausência de “catatimia” (interferência da emoção na razão). Embora ele conheça as diferenças entre o bem e o mal, saiba o que é certo e o que é errado, pois tem inteligência para isso, este fator intelectual não o impede, pois para ele nada significa absolutamente nada.
È por essa razão que não acredito na recuperação da personalidade psicopática. Na ausência da matéria prima para o estudo da psique, como empreender estudos para cura? Ora, como tratar uma neurose sem os sintomas (emoções) que a evidencia? Como tratar a culpa de quem tem angústia de senti-la?
Sua surpreendente capacidade refratária fica evidente na ausência de lamentações contínuas. O sujeito assim, não lamenta seus atos quando eventualmente fracassam. Lamentam o fato do fracasso não permitir a liberdade de repetir as mesmas ações sem antes ter que elaborá-las meticulosamente outra vez.
É! Dá trabalho ter uma mente assim e ter que brigar constantemente pela liberdade do exercício do mal, para atender sua vontade de poder. Porque, pessoa assim pode não ter sentimentos, mas bobo, não é.
Como saber se o seu amigo, o síndico do prédio, ou a vendedora de Yakult são, ou não, psicopatas? Com absoluta certeza não saberemos antes que um crime os denuncie.
Não aposte demais na bondade humana, se é que ela existe. Desconfie sempre daquele tipo “esquisitão”, ou do maluco com hábitos incompreensíveis. Em último caso, pondere seu próprio instinto de sobrevivência.
Considere aquele alguém que a simples presença te dá um mal-estar indefinido, sem que você entenda por que. Sabe aqueles que possuem a estranha propriedade de falar da sua vida íntima, privativa do seio familiar, abertamente a qualquer um que encontre por aí; aquele que entrega a mãe, irmãos, amigos, para se safar de alguma banal penalidade?
Pois é, vai por mim... desconfie e não o desafie. Pode ser que você seja justamente aquele que irá despertar naquele ser humano comum, seus instintos assassinos tão bem treinados em suas anteriores ações “normais”, que curiosamente muita gente se opunha.
Parto do pressuposto que o Mal tem substância própria e não seja apenas a ausência do Bem. Mas, atenção, uma personalidade psicopática pode não matar, mas pode induzir um pelotão de homens-bombas a meterem um avião nas torres que impeçam sua visão.
* Texto inspirado e quase plageado de: "O Cérebro do Psicopata" de Renato M.E. Sabbatini, PhD
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Segunda-feira, Outubro 22
NA ALEGRIA E NA DOENÇA...
...ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE!
Se houver uma próxima encarnação, quero nascer cachorro.. mas, só se puder escolher você como dona!
A frase acima rondou minha cabeça durante todo o final de semana. Não é a primeira vez que a escuto e, acredito, nem será a última. Meu Yorkshire tem quatro anos. Se eu acreditasse em casualidade eu diria que por um acaso ele nasceu no mesmo dia que eu.
Como não acredito, vou resumir a história. Maximillian, que então se chamava Toby, é o mais novo de dois filhotes de uma premiada York de nome Lilly e de um badalado York de nome Tommy.
Ele e o irmão nasceram em berço esplêndido. Lilly era a companhia de uma solitária milionária cuja tragédia varreu de sua vida tudo aquilo que o dinheiro não pôde comprar. Sobrou-lhe a cachorrinha.
Tommy, o pai, recebeu esse nome numa menção á famosa grife Tommy Hilfiger. O dono é um famoso estilista da minha cidade.
O que veio antes de seus progenitores nunca me interessou. Mas, com pais assim é fácil concluir o que quero dizer com “berço esplêndido”.
Eu o conheci quando voltava pra casa após os três primeiros meses em que deve ser mantido ao lado da mãe para ser amamentado. Pesava poucas gramas e comparado á seu irmão, qualquer um diria que não sobreviveria por muito tempo.
Até o momento que meus olhos viram aquela criaturinha na palma da mão da dona, eu tinha verdadeira aversão á idéia de cães de madame. Me parecia inconcebível a idéia de que alguém poderia manter relações de afeto tão exagerados com seus “lulus” a ponto de ignorarem regras de higiene e bom senso.
Já havia presenciado beijos na boca, mini poodle dividindo o mesmo carrinho com um bebê e donos alimentando seus bichinhos com a mesma mão que se alimentava, sem lavá-las. Não conseguia evitar presentear tais cenas com meu melhor e mais representativo olhar de censura.
Mas, Maxi estava ali, no elevador olhando pra mim. A primeira coisa que pensei foi: como uma coisa tão pequena e linda pode se tornar um problema? E cometi o erro de acariciá-lo.
Naquele instante mágico recebi o que viria a ser a primeira, de centenas de milhares, de razões para nunca mais querer perdê-lo de vista. Para quem acredita, deve ter sido amor á primeira vista. Para mim, foi um reencontro.
Quatro anos depois e, com muitas “coincidências” em nossa convivência, termos a mesma data de aniversário tornou-se apenas um detalhe. Se fosse obrigada a resumir eu diria que nunca realmente soube o que era ser amada, até conhecê-lo.
Maxi dorme comigo, me faz companhia, me adula, me dá bronca, ordens e eventualmente alguns dissabores. Dizer que falo com ele seria cair no senso comum. Mas, poucos têm a sorte de poderem afirmar que dialogam com seus cãezinhos. Eu o faço!
Vamos á frase do início do post. O autor da frase a formulou em comentário á meu relato de que evito viagens longas, volto pra casa correndo em dias de chuva e deixo o ar condicionado e a TV ligada quando me ausento muito tempo. Tudo por meu pequeno Maxi.
Na conversa co cara da frase acima, eu contava sobre uma matéria que fiz sobre cemitérios de animais. O foco era a denúncia que em minha cidade os animais, ao morrerem, não seriam mais recolhidos pela prefeitura gratuitamente e que isso faria com que os donos improvisassem cemitérios em jardins e terrenos baldios, contaminando o solo.
Mas, ao desenvolver a matéria, ainda na fase de apuração, a história mudou. Descobri que o Centro de Zoonoses, que antes recolhia esses animais mortos, os atirava no lixão municipal, á céu aberto e, que os mesmos eram comidos por urubus.
Na melhor versão Datena, eu e meu cinegrafista, pulamos as grades do tal lixão e a cena que registramos, a câmera e meu olhar, nunca mais sairá de minha mente. Em meio ao lixo fedorento e pássaros carniceiros, jazia animais de todo tipo.
Cavalos, gatos, porcos e cachorros de todas as raças e tamanhos. Havia um Shitzu, provavelmente recém falecido, que ainda tinha um impecável lacinho vermelho em seu pêlo visivelmente bem tratado.
Não pude continuar a partir desse ponto. Daquele montinho de pêlo branco sendo estraçalhado por um enorme pássaro negro, minha mente vagou até a imagem desse bichinho correndo entre as crianças e lambendo a mão de seus donos.
Pensei na carinha de expectativa pelo retorno de seus donos no fim do expediente, na saltitante e barulhenta festa por prever que sairiam para um passeio matinal, e no apoio silencioso que sua sempre presença deveria ter feito quando seus amigos humanos estavam doentes. Enfim, pensei em Maxi!
O que era pra ser uma reportagem denúncia tornou-se um documentário apaixonado. Viajamos quilômetros atrás de um cemitério de animais mais próximo. Registramos cada historia contada através do que vimos. Interroguei autoridades, ONGs, políticos engajados e marqueteiros e a sociedade protetora dos animais.
Pesquisei historias de animais heróis, famosos e narrei a historia de gente rica, pobre, boa e má relacionado-as com de seus animais de estimação.
No final de tudo, meu cinegrafista, comprou um cachorrinho pra sua filha mesmo contra á vontade de sua esposa. Os Pets Shops da cidade me aplaudiram e colaboraram, Maxi ficou orgulhoso de mim e... Só!
A matéria-documentário foi recusada pela direção da emissora. Ela não atendia ao caráter comercial da instituição. Além disso, não tinha apelo comercial e era claramente uma oposição aos políticos atuantes na época. A maioria deles, diga-se de passagem, meus amigos pessoais.
Comprei um jazigo em um cemitério particular em Campinas para o dia em que Deus me separar de meu amigo. Espero que seja um investimento que eu demore muito mais do que se convencionou, para desfrutar. Mas, foi tudo que pude fazer para acalmar minha impotência.
Até hoje, em minha cidade, Ribeirão Preto, que está sobre a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas aqüíferos do mundo, o Aqüífero Guarani, continua depositando o amor e o respeito pelos animais e seres humanos, no mesmo espaço físico destinado ao lixo que ela mesma produz!
Em outra encarnação, se houver, quero nascer cachorro, mas, só se puder escolher não ser cachorro do prefeito! Ou, então, vou ensinar meu cãozinho a votar!
- posted by Mara
Domingo, Outubro 21
HÁ QUEM VEJA APENAS AS FLORES...
Ah! A liberdade! O agradável exercício de ir, na consciência de que é possível voltar quando, como e, se quiser. A fala desenfreada e não reflexiva. O gesto que pode ser reparado. O sono dos justos.
Somos senhores da nossa vontade. A única crença necessária é aquela que elegemos. A que estamos prontos a defender quando se fizer urgente. Sem debates, sem argumentos intermináveis. Apenas constatação irrefutável.
Teste adolescente: “Aponte a alternativa errada:”, e assinale: “Todas as alternativas acima são incorretas".
Teste de iniciação religiosa: “Confesse todos os seus pecados”. Pronto? Agora, arrependa-se.
Teste político: “Defenda todos as necessidades humanas”....Menos as suas! Se alguem desconfiar...Negue! ou volte atrás.
Teste maternidade: “Enumere todos os defeitos de um filho”...Em seguida, avise a mãe... dele!
Auto-engano é o resultado de aprendizado contínuo que faz com que qualquer pessoa, culta ou experiente, aceite como verdadeira uma idéia tida como absurda por ele mesmo, em outras circunstâncias.
A consciencia ou não desse comportamento, hoje em dia, é apenas um detalhe. Nem merece ser avaliado como importante. O inviolável desse hábito está justamente em seu poder de convencimento.
A vítima do auto-engano, assim como os que se enganam á partir do discurso do mesmo, perde-se em suas coerentes explicações. Não raro, jamais saberemos quem está enganando quem. Pode ser até que nos questionemos se não fomos, nós mesmos, que nos equivocamos ao questionar a validade da afirmação alheia.
Complicado? Experimente apontar á alguem algo que ela não quer ver. Arrisque-se. Comece com um teste simples. Diga: Fulano não tem um ar da Regina Duarte? (ou qualquer rosto famoso ou popular). Ao que ouvirá, um taxativo: “Aonde? Tá louca?” , ou um condescendente: “É...lembra vagamente!
Há quem faça isso porque realmente não consegue direcionar o olhar para os mesmos aspectos que você. Outros, já o fazem por mera pirraça. Pior, são os que fazem apenas para te contradizer. Mas, creia, há quem faça, apenas e tão somente, porque realmente acreditam que com isso estarão defendendo sua capacidade de ter opiniões próprias.
Esse último, nem sempre é consciente. E esse processo, não raro, acabará em uma vida de isolamento e consequente infelicidade.
Pode parar! Não se apresse em retrucar a frase acima. Antes de criticá-la, procure vê-la como se ela não estivesse sendo dita á você. Viu? Ficou mais fácil concordar com ela, não é? Ou, pelo menos, não há necessidade de contra-argumentá-la com tanta rapidez, sem estudá-la.
Assim é, resumidamente, o comportamento do auto-enganador. Sua primeira reação á uma crítica é sempre, a rápida, definitiva e (quase sempre) ofendida, contestação. Sua frase mal terminou e lá vem a resposta pronta e indiscutível. Em outras palavras, sua primeira reação, é sempre UMA REAÇÃO!
Avalie: Se a resposta estava ali tão na ponta-da-língua, vale pensar que talvez a questão já estivesse rondando o sujeito antes mesmo de você mencioná-la. Então, sua interferência não foi tão absurda assim.
Mas, porque então, nos sentimos culpados por eventualmente colocarmos o dedo na ferida de quem amamos? É como se ao fazê-lo, estivéssemos deixando de ser o amigo que esperam que sejamos. É como se a propriedade de apontar o que vemos de errado, fosse dimetralmente oposta a de se ter boas intenções ou amizade.
O fato, é que é mesmo muito frustrante ver alguem dar cabeçadas no muro da vida, por circunstâncias que, para nós, parecem tão fáceis de serem evitadas. A amplitude de nossa visão externa nos dá a sensação de que estamos do outro lado do binóculo.
Além disso, sempre haverá a incerteza de que nosso olhar seria mesmo o mais correto. E o medo de aconselharmos, sermos ouvidos e estarmos errados é mais apavorante ainda. Sem falar, na hipótese de sermos mal interpretados.
Na convivência com pessoas mais próximas, essas situações são rotineiras. Quem nunca ficou pasmo diante da queixa de um endividado amigo para com a operadora de crédito do banco que lhe concedeu um limite astronomico, sem solicitação?
Aliás, essa situação é bastante esclarecedora, porque revela as duas faces destrutivas do auto-engano. A primeira: “não tive culpa”( nao me avisaram que meu saldo estourou). E, a segunda: “se não tive culpa, e aconteceu, então a culpa é do outro”! ( não pedi um limite de crédito tão alto).
Todo mundo está sujeito á fazer bobagens de grande e pequeno porte. É na reparação dessas bobagens que uns se perdem com mais facilidade que outros. Via de regra, os que não conseguem recuperar-se, são aqueles que não admitem a própria responsabilidade pelo fato.
Mais que isso, são áqueles que se especializam em evitar justamente as pessoas que os lembram dessa responsabilidade. O auto-enganador estará sempre á procura de alguém que avalize e que alise sua cabeça, isentando-o como ele mesmo o faz, da culpa de ter se auto-destuido.
Essaas personalidades são muito complexas. E, por isso, são pacientes perfeitos e desafiadores para os profissionais de psicologia. Cada atendimento é uma vitória parcial que se perde no decorrer da semana. Se após algumas sessões, ele seguir em terapia, já vira símbolo de competência profissional.
O auto-enganador é um ser humano complicado, um paciente difícil e um amigo ingrato. É importante sabermos identificá-lo. Não dar atenção á essa característica, pode colocar em risco a opção de convivência com ele.
Para conviver com alguém assim, você terá que optar entre ser tolerante e omisso ou chato e insensível. Aposto que se escolher a segunda opção, terá que deixar também de ser amigo. Ao menos, na concepção de amizade que chamamos de verdadeira.
Ninguém pode ajudar á quem não deseja ser ajudado. Espere ser solicitado, direta ou indiretamente. Saiba reconhecer a verdadeira necessidade de quem você julga precisar de ajuda.
Lembre-se: as vezes as mentiras que inventamos nos ajuda a suportar uma dor incomensurável. E simplesmente, não desejamos remover nossa única defesa. Um bem intencionado amigo que faça desse ato uma bandeira, rapidamente se transformará no responsável direto pela dor que sentimos.
Se, para uns, a melhor defesa é o ataque. Para os auto-enganados, a melhor defesa é a fuga.
Á você, resta decidir: Segure-o pela mão e o ajude a fugir. Ou empurre-o ladeira abaixo, coloque-o frente-a-frente com as verdades que ele evita ver.
Mas se decidir por isso, prepare-se para não ser compreendido, ou na melhor das hipóteses, prepare-se para ficar bastante irritado!
- posted by Mara
Sábado, Outubro 20
EXTRA! EXTRA! EXTRA!
ROUBARAM OS ÓCULOS DE DRUMOND!
Indignado, o poeta enviou aos jornais um artigo onde desafia o poder público brasileiro, á partir da incorrencia de casos como os dele,os problemas do Brasil. Fontes internas e secretas da redação do jornal a Folha de São Paulo, declarou que o jornal recusou publicar o artigo alegando falta de originalidade.
Foi, é claro, uma referência ao episódio semelhante ocorrido, há algumas semanas, onde um cidadão mais ilustre, Luciano Huck, teve seu imprescindível relógio Rolex roubado e escreveu um artigo com igual conteúdo!
Desprezado em seu protesto, Drumond (um velho amigo), enviou á esse blog, o referido artigo. Em consideração á vasta colaboração prestada pelo poeta á essa redatora que vos escreve, segue o artigo:
CARTA DE DRUMOND (PSICOGRAFADA) AO "QUANDO NADA MAIS É NOTÍCIA":
Carlos Drumond de Andrade foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma(pois é!) no caderno de cultura.
Deixaria órfão um país inocente. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de uns ÓCULOS.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades.
O que não justifica ficar tentando roubar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia. Agora, como cidadão mineiro, fico revoltado. Juro que paguei todos os meus impostos, uma fortuna.
E, como resultado, sentado aqui quietinho no calçadão, ao meu lado, ao invés de crianças com balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa. Adoro o Rio. As minhas raízes foram concretadas aqui. Mas a situação está ficando indefensável. Estou no Rio por motivos alheios aminha vontade.
Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade.
Tenho certeza de que esse tipo de assalto não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e óculos alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam de Copacabana, para o infinito.
Passo o dia aqui sentado, pensando, em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.
Confesso que pensei que eu era blindado, mas já aboli esse pensamento. Por filosofia. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.
Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu os óculos, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinados a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de óculos roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.
Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa? Qual é a lógica disso? Estou à procura de um salvador da pátria (Lima Duarte?). Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no "Roda Vida" da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal.
Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, "Tropa de Elite" é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando. Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei".
Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência no Rio de Janeiro. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.
Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser. Um brasileiro humilhado e, um homem que correu o risco de não ver mais o programa do Luciano Huck por causa de uns óculos. Isso não está certo!
CARLOS DRUMONDDE ANDRADE ( In Memorian e sob licença poética!))
NOTA DA REDAÇÃO: O comandante Olavo Nascimento (vulgo: "B.O.F.E") - da Tropa " DA" Elite –, em nota oficial, disse que já obrigou seus subordinados á devolverem o maledeto óculos!
- posted by Mara
Sexta-feira, Outubro 19
EM OUTRAS PALAVRAS...
Nós, as palavras, e o outro. Por essa tríade, falamos e escrevemos. A finalidade é comunicar a vida, restaurar o passado, construir o presente. Gestamos o mundo através da nossa capacidade de transmitir nossas lembranças.
O pensar e o falar são condições intrínsecas e estão para as relações humanas na mesma fundamental proporção que o ar está para sua sobrevivência. Mas, como profetizou Richard Bach em “A ponte para o Sempre”: “Qualquer idéia poderosa é absolutamente fascinante e absolutamente inútil até decidirmos usá-la.
Escrever é isso. É a decisão de fazermos de uma idéia um fato á ser observado, discutido, portanto, partilhado. Escrever é capacitar a memória da linguagem, apesar de todos os esmagamentos e manipulações. Ela registra, tatua, marca indelevelmente o pensamento. Perpetua o que somos e o que pretendemos.
Se bem que, depois do advento do “Crtl Alt C”, a escrita também tem servido para o estreitamento da capacidade criativa. Mas isso é assunto para quem, na incapacidade de dizer, se pauta na crítica do inútil já dito.
Mas, a escrita, até entre os filósofos já causou controvérsia. Um exemplo famoso disso foi a insistente argumentação de Platão contra o valor da escrita e a oposição que ele impunha ás conseqüências que ela trazia.
O filósofo, ao impor resistência á escrita, reforça a características que define a própria escrita, já que pautava suas opiniões no momento político-social que a história grega atravessava naquele momento.
O poder de manipulação da escrita já é velho conhecido nosso, nessa esfera virtual e é, tão inegável, quanto sua capacidade de comprometimento com tudo aquilo que acreditamos. Escrever é, portanto, a liberdade palpável através da qual legitimamos e transmitimos ao outro e a nós mesmos o conjunto de fragmentos dos quais somos feitos.
Do exercício dessa liberdade, é que pretendo derrubar os argumentos de Platão extraídos das falas de Sócrates. Essa audaciosa proposta servirá também como contra-argumento pra quem me acusa de estar sempre e, apenas, reforçando teorias.
Ok. Geralmente faço isso. Mas, hoje não o farei sozinha. Assim, parafraseando minha comentarista-blogueira, Sil:
“Aviso importante: minha pretensão não é nem literária nem filosófica. Minha pretensão é só pretensiosa mesmo!” Assim afiançada por essa frase, que não permite divagações, de nossa amiga, vamos lá:
Á saber: A escrita, diz Platão através de Sócrates, é inumana, pois pretende estabelecer fora da mente o que na realidade só pode estar na mente, destrói a memória. A escrita enfraquece a mente. Diz ele: Um texto escrito é basicamente inerte. A escrita é passiva e fora de contexto, em um mundo irreal.
Uia! Se esse cara tivesse razão, invalidaria tudo que pretendi quando idealizei esse espaço. É claro que não posso permitir tamanha heresia. Para me auxiliar na tarefa de contestar tamanha bobagem, conto com a ajuda da Daniela (que nesse blog é única, mas que pra mim, sempre será a número1). Dani tem uma definição muito mais atualizada e pertinente, pautada em sua experiência profissional. Disse ela:
“O resultado da ação de ensinar e de aprender a ler e escrever, denota o estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de grafia. É o meio para a libertação do homem, podendo promover a mudança social".
Tá certo, “fessora”! Além disso, a principal contradição dos argumentos de Platão contra a escrita é que o conhecimento deles, só foi possível, porque ele ironicamente teve que usá-la. Senão, como saberíamos, não é?
Aqui nesse espaço virtual, livres de algemas contextuais históricas, podemos utilizar nossos próprios pensamentos sem incorrer no erro de nos contradizermos, uma vez que nos pautamos em nossas verdades emocionais. E, com isso, promovermos as mudanças que desejarmos.
Nosso pensamento, aqui perpetuado, seja pela nossa, ou pela grafia alheia, perpetua nossa existência. A memória possibilitada pelo registro escrito do que pensamos, foi o que ressaltou com propriedade a B&Lem seu post sobre o Tempo e suas destemperanças...
"É a Chance de mudar o Futuro tendo como Aprendizado o Passado, e mais que isso, mostra que na Verdade todos "esses Tempos" pelos quais conseguimos passar estão reunidos em um só”.
O tempo também foi determinante para o ser humano desenvolver a capacidade de transmitir conhecimento a seus semelhantes e foi, sem dúvida, o que garantiu a sobrevivência como espécie e, sua supremacia na escala evolutiva.
Mas, obviamente, tal capacidade não foi simplesmente adquirida através de uma escolha aleatória. Foi necessário um representante capaz de apreender da própria experiência. Alguém atento o suficiente para não desperdiçar o turbilhão de significados, até então desconexos, que o acometia: o tal do Ser Humano.
Para a necessária manutenção dessa característica, em forma de alerta, BeBé foi logo se adiantando e dizendo que viver, apenas do já aprendido, também não é o suficiente:
“Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa”.
Quem pode resistir á um conselho assim? Com a timidez de quem sabe e muito, a Ddéia tratou de reforçar, dizendo, que isso além de não doer quase nada, ainda é perfeitamente possível:
“Eu também to começando. Minha faxina começou devagar e aos pouquinhos vou tentando seguir o que nesta poesia”. Não importa onde você parou... em que momento da vida você cansou... Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo... é renovar as esperanças na vida e o mais importante... acreditar em você de novo.
Será que elas combinaram de reproduzirem textos que se complementam? Claro que não! Como conseguimos essa total sintonia através da escrita sem rosto, não é mesmo fácil de explicar. Mas, você pode continuar vindo aqui pra ver se descobre. Viu, ô da Moita?
Uma explicação possível pode estar na força das palavras da Bamba, que resume bem como é possível sobreviver ás adversidades e propõe que ouçamos o comunicar de quem já o soube fazer através do silêncio gestual, mas que depois cedeu ás facilidades da linguagem escrita.
"Não passo pela vida... E você também não deveria passar. Viva! Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e A VIDA É MUITO para ser insignificante”.
Chaplin, Bamba? É... não nos unimos aqui ao acaso e nem á passeio. Deu pra sentir, não é? A experiência compartilhada entre nós, de postarmos livremente o que nos parecesse mais adequado, adicionou ao simples ato de escrever verdadeiras pérolas que servirão para nos guiar até onde o infinito permitir.
Nos ajudando mutuamente, fizemos um dia de ausência, o dia mais presente do blog, traduzido num espantoso número de acessos. Uma multidão de invisíveis se juntou do lado de fora do haloscan para entender o óbvio.
Mas que nos importa essa capacidade de agregar seguidores cegos e autômatos? Não esperamos criar rituais, não está em nossa pretensão, pretensiosa, sermos divindades incontestáveis. Não é Janaina?
“A mim não importa se fala em Deus, o importante é que fala do homem, no estender a mão e só nós como animais pensantes é que podemos ter esta atitude com relação ao próximo. Estendi minha mão, espero que outros o façam, vamos tentar fazer um rolo de tela virtual e sermos felizes".
Falou e disse! Quem não entendeu que leia outra vez! De quebra, os “da moita” ainda podem partilhar dos segredos de quem também já teve dificuldade de se apresentar ao mundo virtual e hoje, é presença fundamental e constante por aqui. Para quem não sabe como começar, ou a decepção varreu a coragem, a Sil ensinou:
“Às vezes me decepciono ou me alegro exageradamente, pois os parâmetros são novos para mim. Eu por mais que tente sou contaminada por velhos hábitos como ser ingênua, ter palavra. Claro também quero um lugar, a representação social disso, vou descobrindo aos poucos”.
E, também aos poucos, escrever, já não mais parecia um mistério. Revelar-se através do já escrito, menos ainda. E á partir daí, novas fórmulas foram apresentadas.
Claudia Damm saiu lá de seu aconchegante espaço pessoal e generosamente nos trouxe um pouco de sua própria filosofia. A profundidade das palavras escolhidas por ela revela as expectativas de todos que freqüentam esse espaço. Mais que isso, sabendo das reticências emocionais, ela apresentou o caminho:
“O segredo de uma vida mais próspera, saudável e feliz é aprender ou reaprender a pensar em afirmações positivas, abandonando de vez o exagero do culto às afirmações negativas que só servem para criar e recriar aquilo que nós de fato não desejamos, não queremos”.
Ouve quem quer, obedece quem tem juízo e bom senso! No fim de tudo, ou melhor, pra começo de tudo deixo a conclusão desse texto para quem a vida tem se recusado á apresentar soluções fáceis, mas cuja determinação está toda refletido em seu texto:
“Seja ambicioso dentro dos limites, estude e observe sempre, amplie seus sonhos quando puder, reduza suas ambições quando as circunstâncias exigirem. Mantenha sempre uma meta alcançar em todas as etapas da vida e você será muito feliz”.
Tolo de quem confundiu seu silêncio com passividade, não é My? Quando acontecer de alcançarmos essa tal completa felicidade, penso que seria muito bom estarmos preparadas para reconhecê-la. Assim, evitamos escrever tolices no calor da raiva.
De carona nos pensamento da Rita, não só aprenderíamos a reconhecer essa tal felicidade como também, evitaríamos alguns micos homéricos:
“Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma”.
Valeu mineirinha! Mas, para tanto é necessário ter uma alma isenta de más intenções ou de interesses indizíveis. Foi essa a pretensão, que não se mostrou tão pretensiosa assim, ao convidá-las a escrever no blog em minha ausência.
Escrevemos aqui, uma história comum. Onde cada uma foi autora de parte de um todo de causar inveja em toda a internet. Aos desiludidos, aos que levaram tantas rasteiras, que preferem permanecer na moita á juntar-se á nós, eu deixo o resumo factual da doce Vanessinha:
“Pode ser que um dia tudo acabe... Mas, com a amizade construiremos tudo novamente, Cada vez de forma diferente. Sendo único e inesquecível cada momento. Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre”.
No mais, pra quem acha que faltou alguma coisa, meu conselho é que releia o texto de ontem e, faça a si mesmo a pergunta-título do post: “Blog, pra que te quero blog?”
Eu? Eu quero por tudo isso que foi dito acima! Isso não te mata de inveja?
- posted by Mara
Quinta-feira, Outubro 18
BLOG, PRA QUE TE QUERO BLOG?
Blog é mesmo uma ferramenta muito perigosa. Nesses dias em que estive ausente e que meu contato com a internet se resumiu á alguns minutos formatando e postando os textos das amigas-comentaristas-blogueiras, me dei conta que nos últimos meses adquiri hábitos não muito produtivos.
Lembrei com saudade dos meses que antecederam fevereiro desse ano. Até então, minha, aqui já descrita, rigidez impunha uma rotina bastante simples: acordava ás cinco, revia relatórios dos atendimentos do dia anterior, conectava-me e lia jornais Brasileiros e Argentinos, além de algumas notícias internacionais divulgadas nas páginas iniciais do meu provedor.
Trabalhar para uma emissora de televisão me dava, ao longo do dia, todas as informações necessárias para minha completa atualização dos principais fatos do Brasil e do mundo.
Na esfera acadêmica, a necessidade de um melhor entendimento do universo do meu objeto de estudo (a carreira do jornalista Pedro Bial), obrigou-me a enveredar por um mundo completamente desconhecido, adicionando ás minhas navegações matutinas, a leitura de alguns blogs e sites, supostamente não comerciais, que tratavam de temas que envolviam direta ou indiretamente o jornalista.
Sou natural e cientificamente curiosa, e pra que esse hábito de pesquisa se tornasse um hábito de futilidades, bastou apenas algumas horas de acessos. A partir daí muitos conhecem o desenrolar e o fim da história, outros supõem e a maioria especula.
De concreto, o que ganhei com isso, foi uma dezena de amigas virtuais que se incumbiram de fazer tudo isso valer á pena. Em detrimento das perdas e dos ganhos, ficou o hábito, agora, bastante reduzido.
Alguns desses blogs são extremamente interessantes sob o ponto de vista psicológico. A periferia dos temas que tratam revela pessoas de raciocínio rápido e com grande habilidade no manejo da palavra escrita. Reforça o princípio do Endomarketing* e da psicologia comportamental.
Há, entretanto, entre eles os que, subtraindo esse aspecto, são totalmente inúteis e que me fazem recordar àqueles velhos questionários que fazíamos na adolescência. Lembram-se deles? Uma série de perguntas era formulada a fim de escarafunchar a vida de quem o respondesse. A derradeira pergunta era sempre a mesma: O que você acha da dona desse questionário?
Que raio de resposta esperávamos ler á esse questionamento, afinal? Em nossa ingênua pré-adolescência pensávamos estar de posse de todos os segredos do mundo e que a essa última pergunta se acrescentaria a chave que garantiria uma desejável cisão entre as boas e as más amigas.
Sabe lá Deus quantas más amigas estiveram registradas nesses cadernos, camufladas pelo poder da boa escrita. É... criança também sabe ser politicamente correta e dizer apenas o que esperamos ouvir. Tudo em nome do nosso frágil ego adolescente.
Entretanto e inevitavelmente, crescemos. Não mais nos justifica essa pseudo- ingenuidade. Não é mais possível fingir que não sabemos e, menos ainda, não sabermos identificar o fingimento. A diferença é que, agora, a brincadeira não é mais tão engraçada.
Um olhar mais cuidadoso para alguns desses blogs, os interessantes ou os inúteis, pode gerar descobertas contínuas e surpreendentes. E nem é necessário responder á famosa ultima pergunta, para que demonstremos simpatia ou não por seus administradores.
É muito comum assistirmos á um filme, lermos um livro e até mesmo acompanhar uma aula, sem nos questionarmos se o que está sendo difundido está, ou não, relacionado diretamente aos interesses pessoais de quem o imaginou.
Nos esquecemos também de observar as influências externas e internas que determinam a abordagem do que estamos apreendendo. Esse é um fenômeno ainda mais comum!
Isso se dá, geralmente, porque nos apaixonamos pela idéia inicial, nos identificamos com a base estrutural. Essa base permanecerá em nossas mentes, não importa quantas guinadas se dê rumo ao sentido contrário proposto inicialmente.
Numa analogia, funciona como uma plataforma política. Uma vez instaurada, qualquer coisa, ainda que contraditória e anárquica que façam, não nos demoverá da crença que os meios não alteram os fins. Ao empunharmos a bandeira comprometemos também nossas convicções.
Para que isso seja possível, a capacidade de manipulação de quem assina é um fator muito importante. Embutimos credibilidade eterna á pessoas que, na condição de humanos, cedo ou tarde fatalmente irão demonstrar suas contradições. Uma bobagenzinha ou outra que digam, entretanto, sempre será perdoada.
A coisa fica muito mais complicada quando, sem nos darmos conta, passamos a repetir essas “bobagenzinhas” até elas se tornarem grandes absurdos. Damos vulto á palavras sem nexo, sem correção e pior, sem nenhum caráter inédito, já que bobagem é sempre fruto de uma cópia mal compreendida.
Estamos todos vulneráveis. Retifico: blog não é uma coisa tão perigosa assim. Perigoso é o uso que fazemos dele. Do lado de quem escreve e do lado de quem lê, a principal vítima é a legitimidade. A boa e questionável “verdade”.
Outro dia me perguntaram se eu sempre faço referências bibliográficas á tudo que penso. Claro que não! E, Claro que sim! Ainda que em um papo informal, eu não fique contando passo-a-passo todos os conceitos de Freud, Jung ou Boudrillard, eu não consigo mesmo me desvencilhar ou ignorar o que esses estudiosos levaram tanto tempo investigando antes de se tornarem célebres.
A prática universitária me ensinou que seria imprudente desprezá-los. Qualquer ponto de vista que não possua a legitimação empírica ou científica, perde-se na contradição, na opinião vazia e na tentativa ridícula de manipulação. É a chamada crítica sem critério!
Aí, salve-se quem puder! Salve-se, não dos hábitos, mas de fazê-los mecanicamente. Refletir apaixonadamente não serve nem pra salvar relacionamento, que dirá pra salvar sua dignidade!
É necessário um distanciamento para uma visão em perspectiva e que reúna o passado e o presente num vislumbramento global do futuro. Mas, se ainda assim, o que conseguirmos ver for apenas o que nos querem fazer ver... Aí não tem jeito! Teremos que pagar a pena de sermos levados em correnteza até a água nos alcançar o pescoço.
Não se iluda. Aqui, no “Quando Nada Mais é Notícia”, a intenção não é diferente dos demais. Também tenho tentado fazer valer minhas convicções. Mas observo que me falta um pouco, apenas um pouco, do enorme espírito competitivo imperante para que o êxito de minha suposta intenção se reflita no contador de meu blog.
Talvez me falte, também, o desejo de competir. Não de maneira tão primária e óbvia. Mas, confesso que nada me fará sentir-me cansada e parar. Assim como os outros, também acho que meus motivos são mais nobres que os da maioria.
Também penso que minhas intenções são as melhores possíveis e certamente ficarei muito infeliz se me sentir injustiçada. Essa é a justificativa corrente.
Mas, palavra escrita é palavra perpétua: Nunca saberão, além do que supõem saber, para pautar essa ou aquela direção que resolvam tomar. Jamais ouvirão de mim os relatos dos “tombos” que tomei e têm minha permissão para se refestelarem em infâmias sobre os supostos “porres” que os ocasionaram.
Sei que é desnecessária minha autorização. Já se espalham as versões. Na política corpo á corpo, estão nessa prática sórdida há tempo suficiente para perceberem que algumas almas ainda são crédulas o bastante para seguirem o rastro de lágrimas forjadas e pedidos de desculpas.
Entretanto, não subestimem meus mestres. Não se valham tanto da lei de Darwin,,, Mendel*, a rebateu com a “lei da segregação” e os princípios da igreja católica garantiram a perpetuação da espécie. Viram como teóricos são úteis?
Blog é mesmo uma arma perigosa? Pode ser, mas seguirei escrevendo os poetas, dramaturgos, filósofos, estudiosos e até anônimos singulares. Os tornarei amigos íntimos de todos que aqui vierem. Afinal, com ídolos assim, sei que terei assuntos não sujeitos ás alterações do ibope.
*Endomarketing é uma atividade do marketing, batizada em 1990 por Saul Bekin em seu livro "Fundamentos do Endomarketing". “Endo”, originário do grego, significa posição ou ação no interior, ou seja, “movimento para dentro”. Endomarketing é, portanto, um conjunto de ações de marketing institucional dirigida para o público interno
*lei da segregação: características herdadas são passadas igualmente, e, em vez de se misturarem, elas se mantêm separadas.
- posted by Mara
Quarta-feira, Outubro 17
DITO, PELO NÃO DITO
Tenho um amante. Sei que poucos terão interesse real nessa confissão. Mas a perversidade confessa de dividir essa aventura é ir-re-sis-tí-vel. Tenho um amante! E essa, não é uma frase atemporal. “Tenho”, aqui, quer dizer: sempre tive! Me tornei amante do meu primeiro amor.
Pode parecer vingançazinha tratar desse tema, assim sem mais nem menos, sem propósito e sem contexto. No fundo, acho que é mesmo! Ter um amante implica em estar obtendo prazer onde não é politicamente aceitável ou recomendável. Resume a duplicidade existencial de quem não anda lá muito satisfeito com aquilo que licitamente pode ter.
Venho me encontrando com ele esporádica e sigilosamente há anos. Confesso que no início era apenas uma aventura, uma descoberta. Tinha frio na barriga, coração disparado, riso frouxo e muita, muita expectativa.
Não havia idas. A vida se resumia em eternos retornos. Muito chororô, muita maledicência, muito ciúmes. Ah! Mas como era bom ter pra quem voltar. Era muito mais que prazer. Era fé. Fé de que um dia eu nunca mais precisaria partir. Que nossas vidas se uniriam de forma a nunca mais se separarem.
Mas, o tempo foi passando. A coisa foi esfriando e passei a vê-lo com os olhos da vizinhança. Minha juventude, até então, meu álibi, foi me deixando e aos poucos comecei a ficar mais exigente. A cada encontro queria mais e mais. Nunca fui completamente atendida.
O objeto de meu prazer, por sua vez, também foi perdendo o poder de sedução. Se deixou levar por uma megalomania reproduzida de seus modelos, passou a ficar violento quando contrariado e começou a usurpar minhas economias.
Ás vezes me agredia e mesmo assim, de alguma maneira, me prendia. Percebi que não poderia deixá-lo jamais. Não importava quanto eu conhecia dos meus direitos. Meus deveres eram infinitamente mais amplificados pelo poder do amor que sinto.
No último sábado, como todos sabem, viajei á negócios e tive de deixá-lo por uma semana. Quando parti cheguei a experimentar o velho sentimento de perda que, no início, apertava meu peito. Derramei algumas escondidas e incontidas lágrimas olhando pela minúscula janela do avião.
Mas foram necessárias exatas vinte e quatro horas, para que a saudade se tornasse apenas lembrança esporádica. Lá, explorei a liberdade de uma abstinência consentida. Olhei outros olhos, vi outros formatos, outras cores, outras dores e outros amores. Fui recompensada por voltar pra casa.
Lá, “saudade” é palavra estrangeira, intraduzível. Como diria seu Rei : “Tudo estava igual como era antes. quase nada se modificou... acho que só eu mesmo mudei... e voltei!” Braços familiares me envolveram, doces palavras já sem o treino do cotidiano, me garantiram que eu era bem vinda. Já não queria voltar...
Mas, histórias de amor são sempre assim. Com meu amante deixei a parte mais importante de minha história. Com ele, partilhei meus medos, ensaiei meus primeiros passos, meus primeiros abraços.
Então, antes de voltar marquei um reencontro com ele. Prometi a mim mesma que ao vê-lo iria mudar minha maneira de lidar com nossa relação. Me tornaria mais tolerante, mais amorosa e iria propor, de uma vez, um fim á essa vida dupla.
Quando cheguei lá estava ele. Uma hora adiantado, bronzeado e imponente. Parecia feliz ao me receber. Imediatamente me senti culpada. Como pude pensar em trocá-lo? Como pude passar tantos anos tendo apenas uma relação ocasional? Como não admirar sua força, sua estatura e suas tão diferentes facetas?
Ah! Meu amante Brasil! Mandou São Paulo, seu mestre de cerimônia, vestir-se de prata e iluminar minha chegada. Vaidoso e competente em seu traje de gala, seu representante, estendeu-me um tapete de luzes que vi pelo enquadramento da minha visão aérea.
Meu Brasil mutante, incorreto e apaixonante. Por você deixo meu amor legítimo cravado em meio às cordilheiras, com suas águas frias e cristalinas e seus picos brancos intocáveis. Por você, o conceito de ir e vir, a idéia de viver ou morrer, tornou-se irrelevante.
Ah meu Brasil já não tão mais brasileiro. Meu Brasil estrangeiro que em uma semana folheou mais páginas da vida do que eu jamais ousaria traduzir. Na ínfima esfera que me reserva tudo se transformou, e ainda assim, continua tão meu! País de calor eterno, que gentilmente concede horário para o verão.
Porque o amo tanto? Porque nunca será o mesmo que deixarei ao partir. Em uma semana, o horário de verão chegou enquanto dez anos se passaram na realista “Duas Caras”, Paulo Autran morreu, as comentaristas desse blog viraram blogueiras itinerantes, Wagner Moura, que morreu feito Abel, lembram? Subiu e desceu a favela, e sobreviveu!
O que sinto por ti, meu amante Brasil, já foi dito por seu filho Caetano: “ Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim. Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim. E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim”.
E a política? A internet? O noticiário? Outras coisinhas se modificaram no submundo de sua eterna fonte de informação, mas essas, eu deixo pros blogueiros especializados e bem pagos refletirem e se garantirem. Ou se garantirem, sem refletir, como é de praxe!
O resto? O resto é papo furado pra render mais acessos.
- posted by Mara
Terça-feira, Outubro 16
VOCÊ É LETRADO???
By DANIELA - (Aqui, a única!)
O Brasil ainda enfrenta insistentemente o problema do analfabetismo, tanto de crianças que saem da escola e de outros que não tiveram a oportunidade de se apropriarem do saber da leitura e escrita.
É fato que o nosso país possui um número significativo de indivíduos que não adquiriram o saber necessário para atender às exigências de uma sociedade letrada. De acordo com informações (MEC/INEP, 2001) cerca de 980.000 crianças na 4ª série do ensino fundamental não sabem ler, e mais de 1.600 são capazes de ler apenas frases simples.
Algo extremamente alarmante para o educador. É neste ponto que entra a grande questão da intervenção do educador e a inclusão da prática geradora do letramento. A palavra analfabetismo consta no dicionário Aurélio, e é muito utilizada, mas o seu antônimo, alfabetismo é pouco utilizado.
Analfabetismo é o estado de analfabeto, o que não sabe ler e escrever. Alfabetismo tem o mesmo sentido que letramento, que significa a qualidade do alfabetizado, daquele que aprendeu a ler e a escrever.
Magda Soares fala em seu livro Letramento que só recentemente precisamos da palavra alfabetismo, pois só agora temos a necessidade de enfrentar essa nova realidade social em que não basta apenas saber ler e escrever, é também preciso saber fazer uso do ler e escrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz continuamente.
A escola tem produzido milhões de analfabetos, pois além de criar barreiras para o acesso, após estarem matriculados os alunos enfrentam as barreias que os impedem de aprender e de ter sucesso. Sendo assim geram pessoas excluídas de bens materiais e culturais.
As pessoas são capazes de escrever seu nome, de ler algumas palavras, mas não compreendem o que lêem, não são capazes de fazer uso do que aprenderam nas instituições de ensino. Decodificam letras, mas não compreendem textos, não fazem uso da escrita.
Paulo Freire afirma que ser alfabetizado é tornar-se capaz de usar a leitura e a escrita como um meio de tomar consciência da realidade e de transformá-la. É o meio para a libertação do homem, podendo promover a mudança social.
Todos devem ter direito a educação, a ser alfabetizado, mas a escola deve principalmente formar alunos leitores para que tenhamos verdadeiramente uma democracia. O educador deve formar educandos que leiam por prazer, escrevam uma carta para se comunicar, em fim formar um aluno que saiba fazer uso das práticas sociais da leitura e da escrita.
Isso é formar um aluno letrado!
O letramento é um fenômeno de cunho social, e salienta as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social. Ele é o resultado da ação de ensinar e de aprender a ler e escrever, e denota estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de grafia.
- posted by Mara
Segunda-feira, Outubro 15
FAXINA NA ALMA
By Ddéia
Não importa onde você parou...
em que momento da vida você cansou...
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
é renovar as esperanças na vida e o mais importante...
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado...
Chorou muito?
foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora...
Pois é... agora é hora de reiniciar...
de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado... diferente?
Um novo curso...
ou aquele velho desejo de aprender
pintar... desenhar... dominar
o computador... ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
quanta coisa nova
nesse mundão de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
besteira...
tem tanta gente que você afastou
com o seu "período de isolamento"...
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
nem nós mesmos nos suportamos...
ficamos horríveis...
o mal humor vai comendo nosso fígado...
até a boca fica amarga.
Recomeçar...
hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
ir alto... sonhe alto... queira o melhor do melhor...
queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos prá nós
aquilo que desejamos...
se pensamos pequeno... coisas pequenas teremos...
já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor...
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado...
ao mundinho de coisas tristes...
fotos... peças de roupa,
papel de bala... ingressos de cinema...
bilhetes de viagens...
e toda aquela tranqueira que
guardamos quando nos julgamos apaixonados...
jogue tudo fora...
mas principalmente...
esvazie seu coração...
fique pronto para a vida...
para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis...
somos sempre capazes
de amar muitas e muitas vezes...
afinal de contas...
Nós somos o "Amor"...
Porque somos do tamanho daquilo que vemos,
e não do tamanho da nossa altura.
Sempre vai existir um ser além de nós,
e confia nele agora,
que ele guiará os teus passos...
(Carlos Drumond de Andrade)
- posted by Mara
Domingo, Outubro 14
ENTRE NICKS E AVATARES
By SIL
.
Mandei para Mara um poema do Fernando Pessoa na tentativa de encontrar um tema. Desafio difícil esse de escrever. Resolvi comentar isso, Fernando Pessoa, a minha Pessoa e minhas dificuldades. Aviso importante minha pretensão não é nem literária nem filosófica.
Minha pretensão é só pretensiosa mesmo!
Inclusive o Poema enviado (reproduzido nesse halos), é de Alberto Caeiro, um dos Heterônimos de Fernando Pessoa. Heterônimo, palavra de origem grega ‘outros’(heteros) ‘nomes’(onyma), mas designa nesse caso outras personalidades, que a imaginação de Fernando concebeu. Muito já se escreveu sobre a razão de Fernando Pessoa inventar heterônimos. Mistificação, simulação.
Uma dessas razões diz que ao inventar mais de uma personalidade ele ampliava suas possibilidades de compreensão do universo. Pois cada pessoa pode compreender o mundo apenas numa ótica particular. Assim tomado de varias pessoas figuras busca atingir uma compreensão mais global da realidade. Personas que ocultam a personalidade, mas mostram aspectos múltiplos da realidade.
Temos o poeta natural, o inocente, o intelectual, austero, o moderno, o trágico e não menos intrigante o poeta fragmentado. É na busca de compreender o mundo amplamente a partir de fragmentos e facetas que faço o link. Pois agora Fernandinho deixa eu te contar quando fazemos conexões estamos a lincar elementos.
Li outro dia uma denominação para seres como eu, formatados no século passado e, que lutam para compreender o mundo digital a partir de seus parcos recursos analógicos: somos imigrantes.
Presente! Eu sou exatamente isso uma imigrante virtual. Em tempo, os outros são os nativos. Assim reconheço os espaços lentamente como criança, organizo uma personalidade virtual da mesma forma como qualquer personalidade se organiza.
Nas perdas, nos rompimentos e no prazer. Prazer imediato, duradouro ou prorrogável tanto faz. Imigrante e migrante sigo os caminhos da minha identificação. Gosto de ver o mundo com esses olhos que pouco julgam, buscam mais sorrir. Olhos que inventei para um nick.
Descubro tristemente como as relações se estruturam, tento me aculturar. Difícil, não sou nativa o tempo dos nativos é diferente do meu. Eles sabem desde sempre que não existe separação entre o real e o virtual. Tudo, no real e no virtual, aqui e ali é busca por status social. Triste constatação.
Estou descobrindo isso tudo. Às vezes me decepciono ou me alegro exageradamente, pois os parâmetros são novos para mim. Eu por mais que tente sou contaminada por velhos hábitos como ser ingênua, ter palavra. Claro também quero um lugar, a representação social disso vou descobrindo aos poucos.
Então desculpem amiguinhas, amiguinha Mara esse texto não tem objetivo de concluir ou ser coerente é o relato fragmentado de sentimentos que venho descobrindo ao passear pela internet. Estou na adolescência internética.
Não consigo como Pessoa trocar o ângulo de referência para estabelecer visões aguçadas sobre esse mundo. Afinal cheguei agora nessa terra virtual.
Não sou poeta, não sei me transfigurar, sem heterônimos.
Meu nick é Sil, meu avatar é mutante!
PS: O real e o virtual são diferentes? O real existe? Mas isso já outra história.
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DE CARONA:
O retorno de minha alma, sempre tão melancólico, foi amparado pelas palavras da nossa sorridente SIL. Pretendia lê-la e prepará-la para publicação, na esperança de ocultar a laceração causada pelo adeus á quem amo.
Entretanto, há um “Q”de melancolia ainda maior no poema escolhido, no autor e na interpretação dada por ela. Apesar disso, resolvi mantê-lo como símbolo de meu regresso.
Li e reli as palavras escrita por ela. Juntei o que li ao que vi pela virtualidade que compomos e uma figura mitológica não saía de minha mente. Pensei em camaleões oportunistas. Não os que se defendem, e sim os que atocaiam.
Pensei na mitológica Fênix, que não se alimenta de saborosos frutos ou delicadas flores, mas de incenso e raízes. Que vive livre por séculos, direcionada por si mesma, deslumbrada com suas asas douradas e multicoloridas e impunemente prepara seu leito de morte com mirra, nardo e lírio da índia, e com essas substâncias edifica e acende uma fogueira sobre a qual se coloca, e morre.
Crendo-se insuspeita, de seus restos mortais renasce. Há quem veja beleza e dignidade nesse ato. Vejo epiderme sem vida e sinto cheiro de carne queimada na fogueira do arrependimento. Pressinto um “revival” de mal petrificado.
É a incapacidade de gestação. Prova simbólica de uma esterilidade eterna, física e emocional, representada pelo ninho que é seu berço e ao mesmo tempo a sepultura de sua mãe.
Não há renascer, há morte contínua. Não há beleza, há ardil e dissimulação. Não há promessa e sim ameaça. À Fênix não foi concedido o dom de gerar vida, e se dedicou a promover a morte, de onde extrai sua força e motivação.
MARA
- posted by Mara
Sábado, Outubro 13
UMA PALAVRA, UM MOMENTO E UMA PROCURA IMPORTANTE.
By B&L
Lemos, ouvimos, falamos ou pensamos no significado de algumas palavras como: Amor, Ódio, Solidariedade, Diálogo, Respeito, Felicidade, Liberdade, Tristeza. E muitas outras que possam fazer parte do cotidiano nosso ou não.
Entendo que essas e outras palavras são acompanhantes importantes de outra não menos importante,... de significados múltiplos e fascinantes! ...Todos estamos a seu dispor, precisamos até a última "gota" ou então dela nem queremos lembrar por motivos diversos.
Sem muito Mistério! Essa palavra é "TEMPO"! Acho eu, que foi um dos "muitos melhores" presentes que DEUS nos deu e, às vezes, não reconhecemos o seu Real Valor. "No Tempo Dos Quintais" e "Sol de Primavera" são lindas músicas, que nos "tocam" sutilmente falando do Tempo; "O Tempo e o Vento" é um Romance... Que ainda não o li.
Tempo de Despertar, Tempo de Liberdade, Uma Fenda no Tempo, "Meia-noite e um", Tempo de Glória, Cortina de Fumaça, Sonho de Liberdade, E o Tempo levou..., Blade Runner,... São alguns dos muitos títulos clássicos, de filmes que abordam o tema "TEMPO" com diversas interpretações sobre o seu significado. Gosto muito!
Tempo de Reflexões...!...o Presente, o Hoje,... É o Futuro que queríamos Ontem, e será o Passado,... Amanhã! Onde "vai ficar” o Passado quando o Futuro surgir? Como enfrentar o Presente... de amanhã? Que rolo hein? Melhor mesmo deixar pra lá! Teorias à parte, melhor é VIVER!
E como diz o ditado "Dê tempo ao TEMPO que o TEMPO lhe dará tempo". Será Verdade?...Quem sabe?....Bem vamos dar um "tempo" para o TEMPO mostrar. O TEMPO é Soberbo e nos trata como desafiantes sempre! Nunca espera por nós! Podemos acompanhá-lo calmamente ou... Temos de correr atrás dele.
Por vezes está a nosso favor, e nos dá a "Chance" da Reflexão,... Do Repensar a Vida,... Em outras, não se importa se precisamos dele para resolver pendências ou, pelo menos, tentar Saber o que poderá ser feito quanto a se querer ser FELIZ.
Fator importante na nossa Vida é citado como "O Senhor da Razão". Precisamos Aprender a lidar com "ele", pois é "quem" nos Confronta dia-a-dia. Seja quando ficamos sob o Poder do Desânimo ou quando Choramos de Decepção e até quando Sorrimos de Alegria! Têm o Poder de nos deixar Eufóricos, Vibrantes com a Vida ou somente atirados ao "chão", como presas fáceis da Amargura!
Forte, Infalível, Desafiador, nunca devemos tratá-lo como Inimigo, mas como um adversário respeitável, que nos propõe um Desafio muito importante a ser encarado e que tornará mais gratificante a nossa Vitória na Luta diária à procura da Felicidade.
Que tal "Conquistar" o TEMPO?... Tê-lo ao nosso lado, seria uma forma Prazerosa e Tranqüila de contar com um forte aliado. Seria um Sonho? Talvez. Afinal, somos simples seres humanos, Ansiosos, Impacientes e Mortais.
O Tempo?... É Infinito, Amigo da Paciência e Fiel a si mesmo! Implica com a Teimosia,... Mas Aprecia a Persistência em forma de Dedicação! Então... Sejamos Persistentes!...Afinal não precisamos Lutar contra o TEMPO e sim a favor de nós mesmos.
Fascinantemente majestoso e contínuo, o TEMPO indica que o Presente é a Chance de mudar o Futuro tendo como Aprendizado o Passado, e mais que isso, mostra que na Verdade todos "esses Tempos" pelos quais conseguimos passar estão reunidos em um só.
Em um "certo Tempo...", que atende a todas essas Mudanças, e por isso mesmo se torna Especial,... Um "certo Tempo" que às vezes é recebido de braços abertos, outras não é aceito tão rapidamente, ou então simplesmente não lhe é dado o devido Valor!
Para tirar proveito desse "certo Tempo..." que estou tentando aqui expressar, talvez possam depois Pensar, que... "Falar é fácil, fazer que é o difícil" porque "A teoria na prática é outra estória"! Eu até concordo! Pode ser muito Difícil mesmo. Todos nós possuímos determinados Sentimentos / Momentos tão Doloridos!
Alguns ainda poderão ser guardados nas nossas Lembranças, ainda fazendo parte da nossa Vida! Mas alguns outros não os podemos mais vivenciar. Devemos deixá-los partir.
Por quê? Porque não podemos nos dar ao luxo de jogar fora "a Dádiva" da Oportunidade de desfrutar o presente da Liberdade da nossa alma. Porque precisamos daquela sensação confortável chamada Esperança, para aproveitar mais a Chance permitida,... A que nos colocará em contato com o Alívio de estar de bem com a Vida!
Também para conseguir algo que se quer muito colocar em prática,... Os nossos planos, os Sonhos, o Amor,... Reencontrar a Alegria interna e externa, Receber novos Carinhos,Despistar a Tristeza,Abraçar novas Amizades,...
Então, para isso, é só prestar Atenção no que esse "certo Tempo..." Persiste em querer nos Ensinar!...Insiste que seja Realmente Percebido!
Que Amanhã Será Um Novo Dia!!! E só importa termos a Certeza que não vamos nos envergonhar ao depois lembrá-lo. Se tivermos Chorado muito, pelo menos saberemos que tentamos com convicção e nos esforçamos muito para ter dado certo,... E querendo DEUS, e por Ele amparados, teremos uma nova Chance de Abraçar novamente aquele "certo Tempo...", O Tempo de Recomeçar!
É o Tempo favorito do TEMPO,... Por isso DEUS a nós todos o oferece como presente,... A CADA NOVO DIA, e nos deixa o usufruir em livre arbítrio,... E se o usamos para nos Libertar é muito mais suave, muito mais leve, nos dedicarmos à Vida e continuarmos à procura da Felicidade e como cada um tem conceito próprio de Felicidade,... Então Vale muito a pena!
A Magia do TEMPO continua... A noite vem, o dia amanhece, e volta o anoitecer...
Amanhã Será Um Novo Dia,... Tempo de Recomeçar!
"A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender!!!"
Bjos.
B&L
- posted by Mara
Sexta-feira, Outubro 12
MUDAR
By BeBé
Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!! "
Clarice Lispector
- posted by Mara
Quinta-feira, Outubro 11
VIDA
By BAMBA
“Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, já fiz amigos eternos.
Já amei e fui amado, mas também já fui rejeitado. Já fui amado e não soube amar. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, mas “quebrei a cara” muitas vezes. Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, já me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e... tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas sobrevivi! E ainda vivo!
Não passo pela vida ... E você também não deveria passar. Viva!!! Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e A VIDA É MUITO para ser insignificante.”
(Charles Chaplin)
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Li o texto da acima,enviado por e-mail pela Bamba, no momento exato em que eu me dava conta do caráter amoroso de quem vive a vida por valores indiscutíveis. Há pessoas que parecem ter sido escolhidas por Deus para atuarem na vida, como se a mesma fosse uma telenovela. Nessa grande representaçao, há os heróis e os viloes. Há também, é claro, aqueles que figuram apenas para "costurar" os atos de ambos. Mas, o que geralmente nao nos damos conta, é que em uma novela, o autor se dedica apenas a definir personalidades que sao resumidas em suas funçoes. A psicologia prova que eles sao otimistas e reducionistas. Há muito mais lodo nas dobras da pele de alguns personagens do que nosso olhar virtual possa ver. É preciso estar atento á "muda" mensagem de Charles Chaplin...
Personalidade Histriônica
Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso da sua própria importância. Rotineiramente superestimam as suas capacidades e exageram as suas realizações, frequentemente parecendo presunçosos ou arrogantes. Podem presumir que os outros atribuem o mesmo valor aos seus esforços e surpreender-se quando não recebem o louvor que esperam e julgam merecer. Um menosprezo (desvalorização) da contribuição dos outros frequentemente está implícito na apreciação exagerada das suas próprias realizações.
Essas pessoas preocupam-se constantemente com fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza ou amor ideal. Podem ruminar acerca de uma admiração e privilégios a que teriam direito e comparar a si mesmos com vantagem sobre pessoas famosas e privilegiadas. Os indivíduos com este transtorno geralmente exigem admiração excessiva. A sua auto-estima é, quase que invariavelmente, muito frágil. Podem preocupar-se com o quanto são considerados pelos outros. Isto frequentemente assume a forma de uma necessidade de constante atenção e admiração.
Podem esperar que a sua chegada seja recepcionada com grande alarde e ficar perplexos pelo facto de os outros não cobiçarem tudo o que possuem. Podem "caçar" elogios constantemente, por vezes de maneira muito cativante. Esperam ser adulados e ficam desconcertados ou furiosos quando isto não ocorre. Podem, por exemplo, pensar que não precisam esperar na fila e que as suas prioridades são tão importantes que os outros lhes deveriam mostrar deferência, e ficam irritados quando os outros deixam de auxiliar no "seu trabalho muito importante".
Por exemplo, estes indivíduos podem esperar grande dedicação da parte dos outros e sobrecarregá-los de trabalho sem levar em conta o impacto que isto possa ter sobre as suas vidas. Tendem a formar amizades ou relacionamentos românticos somente se vislumbrarem a possibilidade de que a outra pessoa vá ao encontro de seus objetivos ou de outro modo aumente sua auto-estima.
Estes indivíduos frequentemente invejam os outros ou acreditam que os outros têm inveja deles. Podem guardar rancor pelos sucessos ou posses dos outros, achando que seriam mais merecedores destas realizações, admiração ou privilégios. Podem desvalorizar rudemente as contribuições dos outros, particularmente quando estes receberam reconhecimento ou elogios pelas suas realizações. Comportamentos arrogantes e insolentes caracterizam estes indivíduos.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos disponível em:http://www.drashirleydecampos.com.br/
A BOA NOTÍCIA É QUE, COMO DISSE CHARLES CHAPLIN LÁ ENCIMA, EM DETRIMENTO DESSAS PESSOAS, VIVEMOS...SOBREVIVEMOS!
DALE! BAMBA! BEIJOS MENINAS
MARA
- posted by Mara
Quarta-feira, Outubro 10
SER FELIZ
By RITA
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
FERNANDO PESSOA
Sou feliz, não sei se desta forma aí, mas sou feliz!!!
Estou feliz por ter tido coragem de mandar pra Mara esta linda crônica!!
Sou feliz por fazer amigos mesmo que virtuais, mas que estarão sempre em meu coração!!!
Enfim sou feliz com meus defeitos e qualidades!!!
Bom é isso aí, espero que gostem!
Bjks
Rita - Poços de Caldas - MG
- posted by Mara
Terça-feira, Outubro 9
UMA DEFINIÇAO DE FELICIDADE
By MY
Todas as profissões têm sua visão do que é felicidade. Já li um economista defini-la como ganhar 20.000 dólares por ano, nem mais nem menos. Para os monges budistas, felicidade é a busca do desapego. Autores de livros de auto-ajuda definem felicidade como "estar bem consigo mesmo", "fazer o que se gosta" ou "ter coragem de sonhar alto".
O conceito de felicidade que uso em meu dia-a-dia é difícil de explicar num artigo curto. Eu o aprendi nos livros de Edward De Bono, Mihaly Csikszentmihalyi e de outros nessa linha. A idéia é mais ou menos esta: todos nós temos desejos, ambições e desafios que podem ser definidos como o mundo que você quer abraçar. Ser rico, ser famoso, acabar com a miséria do mundo, casar-se com um príncipe encantado, jogar futebol, e assim por diante.
Até aí, tudo bem. Imagine seus desejos como um balão inflável e que você está dentro dele. Você sempre poderá ser mais ou menos ambicioso inflando ou desinflando esse balão enorme que será seu mundo possível. É o mundo que você ainda não sabe dominar. Agora imagine um outro balão inflável dentro do seu mundo possível, e portanto bem menor, que representa a sua base. É o mundo que você já domina, que maneja de olhos fechados, graças aos seus conhecimentos, seu QI emocional e sua experiência.
Felicidade nessa analogia seria a distância entre esses dois balões - o balão que você pretende dominar e o que você domina. Se a distância entre os dois for excessiva, você ficará frustrado, ansioso, mal-humorado e estressado. Se a distância for mínima, você ficará tranqüilo, calmo, mas logo entediado e sem espaço para crescer. Ser feliz é achar a distância certa entre o que se tem e o que se quer ter.
O primeiro passo é definir corretamente o tamanho de seu sonho, o tamanho de sua ambição. Essa história de que tudo é possível se você somente almejar alto é pura balela. Todos nós temos limitações e devemos sonhar de acordo com elas. Querer ser presidente da República é um sonho que você pode almejar quando virar governador ou senador, mas não no início de carreira.
O segundo passo é saber exatamente seu nível de competências, sem arrogância nem enganos, tão comuns entre os intelectuais. O terceiro é encontrar o ponto de equilíbrio entre esses dois mundos. Saber administrar a distância entre seus desejos e suas competências é o grande segredo da vida. Escolha uma distância nem exagerada demais nem tacanha demais. Se sua ambição não for acompanhada da devida competência, você se frustrará. Esse é o erro de todos os jovens idealistas que querem mudar o mundo com o que aprenderam no primeiro ano de faculdade.
Curiosamente, à medida que a distância entre seus sonhos e suas competências diminui pelo seu próprio sucesso, surge frustração, e não felicidade. Quantos gerentes depois de promovidos sofrem da famosa "fossa do bem-sucedido", tão conhecida por administradores de recursos humanos? Quantos executivos bem-sucedidos são infelizes justamente porque "chegaram lá"? Pessoas pouco ambiciosas que procuram um emprego garantido logo ficam entediadas, estacionadas, frustradas e não terão a prometida felicidade.
Essa definição explica por que a felicidade é tão efêmera. Ela é um processo, e não um lugar onde finalmente se faz nada. Fazer nada no paraíso não traz felicidade, apesar de ser o sonho de tantos brasileiros. Felicidade é uma desconfortável tensão entre suas ambições e competências. Se você estiver estressado, tente primeiro esvaziar seu balão de ambições para algo mais realista.
Delegue, abra mão de algumas atribuições, diga não. Ou então encha mais seu balão de competências estudando, observando e aprendendo com os outros, todos os dias. Os velhos acham que é um fracasso abrir mão do espaço conquistado. Por isso, recusam ceder poder ou atribuições e acabam infelizes. Reduzir suas ambições à medida que você envelhece não é nenhuma derrota pessoal.
Felicidade não é um estado alcançável, um nirvana, mas uma dinâmica contínua. É chegar lá, e não estar lá como muitos erroneamente pensam. Seja ambicioso dentro dos limites, estude e observe sempre, amplie seus sonhos quando puder, reduza suas ambições quando as circunstâncias exigirem. Mantenha sempre uma meta a lcançar em todas as etapas da vida e você será muito feliz.
Stephen Kanitz
- posted by Mara
Segunda-feira, Outubro 8
MEREÇO ME AMAR, POR ISSO EU SOU A CURA.
By Claudia Damm
Falar de amor hoje em dia soa "piegas", é quase utopia. Mas eu decidi falar do amor próprio esse sim o maior de todos. Não é à toa que o Mestre dos mestres desejou que amássemos ao nosso semelhante com o mesmo grau de amor interno já que esse amor deveria ser capaz de transbordar de dentro de nós e sobejar a ponto de atingir aos outros em redor. O auto-amor é remédio milagroso, algo que realiza milagres em nós mesmos. Não faço apologia ao amor-vaidade, amor-arrogância, amor-convencimento, pois isso não é amor é medo é recurso de defesa. Estimulo o grande respeito por nós mesmos e a gratidão pelo milagre de nossos corpos e nossas mentes, sentindo amor pessoal e auto-apreciação a tal ponto que nos encha o nosso coração ao máximo transbordando para o exterior. O amor pode tomar qualquer direção. Podemos sentir amor, por exemplo: pelo processo da vida em si, a alegria de estarmos vivos, a beleza do que vemos, uma outra pessoa, o conhecimento, o processo da mente, nossos corpos e o modo como funcionam, animais, peixes, gatos e aves, a vegetação em todas as suas formas e até o Universo e seu modo de funcionamento. Bem... citei vários tipos de amor e tenho certeza que vocês podem acrescentar inúmeros outros amores a essa lista.
Em contrapartida temos uma grande tendência de valorizar muitas formas de não amor, principalmente o não amar a nós mesmos. Por exemplo: o ato de censurarmo-nos e criticarmo-nos de maneira interminável, maltrando nossos corpos com alimentos errados, álcool, drogas. Escolhemos acreditar que não somos merecedores de amor. Temos medo de cobrar um preço razoável pelos nossos serviços. Criamos doenças e dor em nossos corpos. Adiamos fazer coisas que nos beneficiariam. Às vezes nos permitimos viver no caos e na desordem, criamos dívidas sem nexo e até atraímos amantes, parceiros ou amigos que nos diminuem com o nosso aval e pura permissão, bem como a falta de autovalorização.
E Nós? Quais tem sido as nossas próprias formas de amor? Já paramos para refletir?
Se de alguma maneira negamos o nosso bem, trata-se de um ato crônico de falta de amor próprio. Eu percebo que a raiz dessa falta de amor está no fato de que muitas pessoas não conseguem desfrutar o presente por causa de algo que aconteceu no passado. Trazem dentro de si como uma raiz não amputável as lembranças das experiências de maus tratos, muitos porque não foram convidados para os bailes de formatura do colegial, o relacionamento anterior que não deu certo, os projetos interrompidos, a morte de um ente querido, a promoção que nunca veio. Outras também não o conseguem pelo medo, incerteza e a insegurança do futuro. Se vão passar no vestibular, se o casamento será a melhor opção, se o segundo casamento não vai fracassar como o primeiro, se os filhos serão bem sucedidos no futuro, se o projeto da reunião vai ser aceito. Enfim...esquecem-se de focar-se no presente e exercitar o auto amor, procurando a cura no seu eu interior.
Só sei que estender o assunto seria chover no molhado contudo, gostaria de focar o meu objetivo no fato de retirar as respostas para o presente e perceber que certos atos e gestos tem a haver com a habilidade também de reverter pensamentos antigos em favor da mudança atual afim de plantar um futuro feliz de forma naturalmente segura e sem ansiedades presentes. Há frases embutidas na nossa mente que devem imediatamente tomar uma forma diferente e isso provoca uma reação em cadeia. A mudança é segura, é certa e desejo compartilhá-las com vocês, afinal as respostas no nosso interior atingem com facilidade as nossas consciências, pois, aquilo em que colocamos nossa atençao tem a tendência de crescer, por isso prestem atenção:
Não quero ser gordo. Troque por : Estou mais magro.
Não quero ser pobre. Troque por : Mereço ser próspero.
Não quero estar velho. Troque por : Sou eternamente jovem.
Não quero morar aqui. Troque por : Estou mudando para um lugar melhor.
Não quero este relacionamento. Troque por : Tenho um marvilhoso relacionamento novo.
Não quero ser como papai ou mamãe : Troque por : Eu sou eu mesmo.
Não quero esse nariz/corpo/cabelo : Troque por : Adoro meu nariz/corpo/cabelos.
Ñão quero ser solitário : Troque por : Estou cheio de amor e afeto.
Não quero ser infeliz : Troque por : Sou alegre, livre e feliz.
Não quero ser doente : Troque por : Tenho plena saúde.
O segredo de uma vida mais próspera, saudável e feliz é aprender ou reaprender a pensar em afirmações positivas, abandonando de vez o exagero do culto às afirmações negativas que só servem para criar e recriar aquilo que nós de fato não desejamos, não queremos. Declarar: aceito um emprego novo e falar isso com firme convicção não é só um exercício de fé, mas é determinar a abertura dos canais na própria consciência que criarão esse fato, usando sempre o "tempo presente nas afirmações. A mente subconsciente é um servo tão obediente que, se afirmar usando o futuro, é lá que sempre ficará o que deseja, ou seja, fora do seu alcance e somente "lá" no futuro. Isso é dica de quem vive e já viveu diversas vezes essa experiência na pele : EU. Queiram ser e estarem felizes. Ser e estarem curados. Determinem e ajam agora !
- posted by Mara
Domingo, Outubro 7
POEMA DA AMIZADE
By VANESSINHA
Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Albert Einstein
OBRIGADA MINHA DOCE VANESSINHA. SAIBA QUE CADA PALAVRA DESSE POEMA RESUME VOCÊ E MEU SENTIMENTO PELO QUE VIVIMOS E NOSSO ENCONTRO NA VIDA!
- posted by Mara
Sábado, Outubro 6
TELA DE ARAME
by JANAINA
Em volta dos buracos os arames dão-se as mãos
Para não romper a roda apertam com muita força o punho do companheiro:
E assim é que, com buracos, conseguem fazer uma cerca.
Senhor, na minha vida há uma porção de buracos,
Há vazios também na vida de meus vizinhos
Mas, se quiseres vamos dar-nos as mãos,
Apertar bem com força,
E vamos fazer juntos um belo rolo de tela para .....
Poemas para Rezar
Michel Quoist
1958
Gosto desde poema por que fala de solidariedade, a mim não importa se fala em Deus, o importante é que fala do homem, no estender a mão e só nós como animais pensantes é que podemos ter esta atitude com relação ao próximo.
Estendi minha mão, espero que outros o façam, vamos tentar fazer um rolo de tela virtual e sermos felizes.
bjs
Janaina (Mafalda)
- posted by Mara
Sexta-feira, Outubro 5
Ô DA MOITA...PSSSIUU...
QUEM VAI PRA PORTUGAL...
*Moita é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, região de Lisboa e subregião da Península de Setúbal, com cerca de 16 700 habitantes. (Caracas! Como a Moita é lotada!hehe)
Ei! Você aí! É..você mesmo! Vai, nem tente disfarçar! Deve haver no máximo mais duas ou três pessoas on line apenas. Contando comigo, é claro! E agora você, que acabou de entrar. Não dá pra fingir que não estou te vendo.
E aí? Vamos conversar ou vou ficar aqui nesse monólogo surtado? Ta..tá legal, se você insiste, eu prometo. Não vou contar a ninguém que você esteve aqui. Mas, olha só: vai por mim, não tem nada demais não! Relaxa! Ninguém tem nada a ver com sua vida.
Tudo bem! Já entendi! Você não quer confusão..eu sei, eu entendo. Eu também não! Vamos fazer um acordo então? Eu não conto que você freqüenta meu blog e você não conta que eu sei que você não é a única!
Ah! Quer me enganar que você não sabia? Sabia sim. Quem foi que veio aqui e foi correndo chamar todo mundo pra ver? Quem foi, hem? Quem...Quem?
OK! Eu mudo de assunto, mas antes queria te agradecer. Valeu aí, tá? Por sua causa meu blog de repente começou a bombar. Tem vindo gente que eu nem conheço...mas a maioria eu conheço sim...e bem!
Você, por exemplo, quem diria hem? Ah, não fica aí com essa cara de quem foi pega fazendo coisa errada. Sabe, tem espaço pra todos... aqui.. lá.. acolá. Não estou na briga não, mas, é que gosto mesmo da sua visita.
Mas vamos combinar? Você bem que poderia ficar um pouquinho mais de tempo. Falar com a galera lá do halos... Pode crer, você conhece todas elas. Ok. Ok... Eu sei que você não precisa ir até lá pra falar com elas...blá, blá, blá. Mas, mesmo assim eu garanto: Lá ninguém vai te morder, deletar ou corrigir.
Quer saber? Já entendi! Não está afim né? Veio apenas pra ver se eu escrevi alguma coisa nas entrelinhas? E aí, achou? Claro que sim! Mas, se procurar bem, vai encontrar também em qualquer texto espalhado aí pela net.
Mas, você vai concordar comigo: aqui dá um pouco mais de trabalho pra encontrar, não é? Tenho uma teoria: Te falta treino. Treino em ler coisas que dizem respeito á você, pessoa comum, assim como eu, feita de carne e osso. Perdeu o hábito de ler coisas que possam acrescentar. Tá se sentindo enganada....
Bobagem! Em todo lugar há coisas que podemos extrair. Mas, se ficar por aqui, vai ter que se contentar com teorias... a prática fica lá...bom, deixa pra lá. Você sabe bem onde não é?
Bom, mas já que está aqui vou te pedir um favor: Me dá licençinha que preciso ter uma conversinha particular com aqueles que sempre escrevem no meu halos? Leva á mal não. Nem é assunto particular, mas sei que você não vai se interessar pelo o que quero dizer á elas.
Ow.. peraí.. peraí...antes de você ir... Obrigada mesmo, tá? Sem ironias, sem você, eu jamais teria a certeza de que estou no caminho certo. Volte sempre que quiser tá?
Beijinhos de sol pra vc!
Bom, galerinha, agora que estamos sozinhas...
Lembra que eu estou sempre dizendo que esse blog é NOSSO? Pois é. Chegou a hora de provar que isso é realmente verdade! Sugiro uma atividade para a próxima semana. Todos sabem que estou indo, á trabalho, contratada por uma emissora, pra gravar um programa na Argentina. Devo ficar por lá uns 08 dias. Pois bem, é “megablasterultrasuper” difícil escrever de lá. Daí olha minha idéia:
Cada uma de vocês escolhe um tema, e escreve um texto... Me envia por e-mail e zapt:. Teremos uma semana de textos variados e personalizados. Ao enviarem, farei os ajustes necessários e postarei com a sua assinatura, ou não - isso também é escolha sua. Ah! Se quiser, escolha também a imagem que vai acompanhar seu post!
Vocês terão todo o final de semana pra pensar em alguma coisa bacana. Posso contar com vocês? Ótimo! Nossa! Vai ser o máximo! É! AGORA VOCÊ TAMBÉM É BLOGUEIRA(o)!
ESCREVAM PARA: SAMANTHAALIJO@HOTMAIL.COM
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Quinta-feira, Outubro 4
Muito se fala do poder da imagem. Concebemos, definimos e usamos as imagens como se as mesmas fossem independentes e autônomas. Mas o que seria delas, sem a capacidade de significação que nosso olhar atribui?
O sentido da imagem, tal como a conhecemos e sem grandes firulas filosóficas, é apenas o de representar. Sua propriedade primeira é tornar presente o que está ausente. Uma imagem é a soma da interação dela mesma com o objeto real e o autor dessa representação.
Imagens emocionam: consolam e alertam, incitam o poder e provocam paz, delatam e mascaram. Falam caladas e, por essa razão, são imperfeitas. È necessário a propriedade da visão, do olhar e da codificação que só os seres humanos são capazes de atribuir.
Imagem, enfim, não é tudo, mas nem por isso chega a ser nada. Sabemos que são compostas por cores, formas e isso apenas define seu suporte material, nunca sua representação. O verdadeiro e indiscutível valor da imagem é sua capacidade de trazer á tona em nós, as emoções que nós mesmos elegemos para significá-la.
Adoro “souvenires” do tipo brega. Aqueles que trazemos dos lugares que visitamos e que têm aquela famosa frase: “Estive em... e lembrei-me de você”. Esses objetos, em sua maioria confeccionada por gente simples, são pura filosofia.
Imagem é tão somente aquilo que alguém ou alguma coisa representa pra nós. Fica meio sem sentido colocarmos macarronada sobre um Cristo Redentor de braços abertos desenhado em relevo dourado. Ou, usarmos uma miniatura da Torre Eiffel como... Bom deixa pra lá!
Há uma supervalorização da imagem e existe até quem atribui á elas poderes místicos. Em algumas culturas, acredita-se que quando presenteamos alguém, parte de nossa energia se acumulará na aura magnética do tal objeto. Daí, teremos um amuleto, ou um Vudu.
Enfim, toda imagem é um produto construído á partir de quem a vê. Mais que isso, toda imagem é aquilo que queremos que ela seja e esse nosso querer é o reflexo do que somos e do que acreditamos. A imagem em si, ignora o conceito que tem.
Se buscarmos na filosofia, através dos conceitos de Heidegger, entenderemos que a palavra grega que significa verdade, alethéia, é derivada da palavra lethé, que quer dizer obscuro, oculto, esquecido.
Da mesma maneira, a verdade que imprimimos como significado á qualquer objeto ou imagem não consegue estar dissociado daquilo que não revelamos, que está oculto em nós, quando o fazemos. A imagem não revela, ela evoca!
Para tornarmos presente o que está ausente, temos três claros recursos: Podemos olhar um objeto que foi dado ou pertence á um amigo, por exemplo. Ele será um indício da pessoa em nossa vida. Podemos olhar uma foto, assistir á um vídeo em que esse amigo esteja. Estaremos contemplando á imagem dessa pessoa. Ao pronunciar seu nome, estaremos utilizando o símbolo que a representa.
Mas nada disso terá valor algum se eu não definir com meu olhar o quê esse indício, essa imagem e esse símbolo representam, isolados ou em conjunto, pra mim e pra minha vida.
Assim, necessariamente terei que apelar para minhas lembranças emocionais em relação á cada um desses objetos, e á pessoa que eles representam, se quiser que essas imagens façam algum sentido.
Ao fazermos isso, estaremos codificando, usando a linguagem para definir aquilo que nossos olhos viram, que nossa mente captou e nossa emoção experimentou. Essa linguagem, não necessariamente externalizada, fará todo o sentido necessário. Certo?
Errado! Fará sentido pra nós! Com quase certeza, para a pessoa que evocamos em nossas emoções, isso tudo pode não significar absolutamente nada. Ou coisas completamente diferentes.
Um exemplo claro disso, são as fotos de antigos namorados. Faça um teste. Tente pesar o valor que você atribui á elas, hoje, em comparação ao suposto valor que o dito cujo daria. Ao fazê-lo, tente não ficar deprimida ou excessivamente confiante.
Por essas razões, não gosto de imagens santas ou jóias. Costumam durar mais do que aquilo que representam. Já disseram que um diamante é eterno. Bacana. Pena que, muitas vezes, o que ele representou um dia é esquecido ou modificado á ponto de ficar irreconhecível.
Símbolos, índices e signos, são conceitos da semiótica, disciplina que me fascina. A semiótica é, á meu ver, a mais intrigante e reveladora teoria já criada pelo homem para se defender das arapucas que ele mesmo criou contra ele.
Essas explicações encontradas pela semiótica servem para compensar nossa displicente memória, nossa não atenção para as coisas que realmente valem á pena serem absorvidas, a ingratidão e principalmente nossa capacidade de menosprezar tudo aquilo que não seja nós mesmos.
Caso eu conclua que alguém, representado em minha vida, por qualquer imagem ou objeto, não mais faz parte do que eu gostaria de possuir, o caminho mais curto é o lixo. Alguém haverá de encontrá-lo e atribuir-lhe há, outro significado.
Assim não me livro da energia que supostamente tal objeto continha, já que essa é proporcional ao tamanho de quem a emana, mas, ao menos, não me sinto obrigada a lembrar á todo momento que fracassei em minha única missão como ser humano: amar meus semelhantes como amo á Deus e á mim mesma.
Mas, isso é claro, é muito pessoal. E há quem prefira ter que se explicar indefinidamente, ou precise de símbolos para descrever ou apagar o passado.
PS: Semiótica (do grego semeiotiké ou "a arte dos sinais"), é a ciência geral que estuda todos os fenômenos culturais e ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia. Ao contrário da linguística que se atém ao sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico - artes visuais, fotografia, cinema, música, culinária, vestuário, gestos, religião, ciência, etc.
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Quarta-feira, Outubro 3
MEDÉIA: LITERAL OU LITERÁRIO?
Quem foi Medéia? Foi uma das personagens mais terrivelmente fascinantes da mitologia, ao envolver sentimentos contraditórios e profundamente cruéis. Todo esse fascínio é justificado pela infinidade de interpretações dadas á essa personagem ao longo da historia.
A origem e os feitos dessa mulher são relatados sob diversos pontos de vista e, á exemplo da própria personagem, apresentados de acordo com as intenções de quem os transmite. Assim, o que se segue, é tão somente a leitura particular de alguns autores, cuja interpretação, por concepções profissionais têm meu endosso.
A tragédia Medéia, apresentada no teatro de Dionisos em 431 a C., nos remete aos sentimentos femininos da mulher grega no período clássico. Mas, antes, Medéia é a síntese do inconformismo. Da rebeldia pautada por articulações passionais e desmedida.
Sua trajetória, dramaturgicamente representada, demonstra que a história das mulheres tem suas próprias heroínas que atuaram mesmo em condição de subordinação. Mas, ensina ainda mais, se nos ativermos na maneira como elas lidaram com essas adversidades.
Elas souberam manipular o poder ao qual estavam submetidas atuando por lances, empregando táticas e subvertendo a ordem. Assim, Medéia, inicialmente, é representada como vítima, o que provoca uma empatia entre o personagem e o público feminino.
A alternância da exposição de seus dramas pessoais, com as promessas de vingança proferidas por ela, a história se delineia de maneira com que o ouvinte se identifique emocionalmente com o drama clamado por ela, a ponto de perder o julgamento racional em prol da satisfação e de interesses emotivos, gerando uma tensão entre a simpatia e o julgamento justo.
A principal característica dessa personagem, mas não o único, é a sua habilidade com o uso da palavra para convencer, visando remover obstáculos. Utiliza-se da astúcia, da faca e do veneno que, lhe propicia a ação.
Medéia é bastante factual. Ela expressa claramente o seu desagrado, ameaçando os seus inimigos e, ao mesmo tempo, bradando que não a considerem fraca, sem força, sossegada diante do infortúnio, mas de outro modo, muito perigosa contra os seus inimigos.
A protagonista de Eurípides é pautada pela ação de vingança, atitude reconhecida nos heróis trágicos em sua busca desesperada por recuperar a honra ultrajada. Sem medida, sem freios e cooptando aprovações.
As práticas mágicas que compõem o personagem nos indicam o domínio de um poder senão exclusivo, ao menos, restritivo de técnicas de persuasão, de dissimulação, de falsa fragilidade, capazes de ocultar seu desejo de vingança.
Medéia expõe a ambigüidade de um saber que poderia ajudar um amigo com os seus benefícios, mas poderia ser fatal e destruir os inimigos. Em suas próprias palavras: “temido será sempre quem possui este saber, pois aquele que provocou este ódio não celebrará facilmente a bela vitória”.
Minha interpretação pode gerar opiniões contrárias ou até mesmo desprezo e indulgência. Mas quem me lê tem o direito de saber que, á meu ver, um mito não é resultado de uma construção fantasiosa individual.
Trata-se, como o próprio nome indicia, de relatos míticos, mas que são advindos da transmissão da memória de uma sociedade, ainda que remotas e simbólicas. São passíveis de interpretação sem, entretanto, permitirem um deslocamento de sua representação na esfera social.
Assim, ao perpetuar o mito, nos tornamos responsáveis por suas representações e não deveríamos subestimar ou ignorar seu poder de desvelamento. Os mitos estão para a sociedade, da mesma maneira, que os seres humanos que o criou estão para seus elementos.
Se compreendermos os significados reais dessas palavras proféticas, saberemos identificar os modelos que a perpetuam até a atualidade. Estaremos livres para combatê-los ou simplesmente ignorá-los.
Como diria minha mãe, que nada sabe sobre mitologia grega, não há mal que não se acabe, nem bem que não tenha fim. Mas até mesmo essa frase, minha mãe a repete sem saber que lhe foi transmitida através de “irritantes” intelectuais que insistem em trazer da literatura á sabedoria que nos foi comida pela mediocridade.
Em tempo: Sem conhecer a frase que minha mãe tanto repete, Medéia matou os próprios filhos. Teve mais um, entretanto, que recebeu o nome de “Medos”, que veio a se tornar sua constante companhia.
(Texto inspirado em: O saber mágico de Medéia -UERJ-Brasil)
Para saber mais: http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br/Mitologia/Medeia.html
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Terça-feira, Outubro 2
TA PREPARADA,MULHER?
Tanto faz se você for homem ou mulher. Se tiver mais de dez anos e menos de oitenta, já conhece todos os significados resumidos nessas poucas silabas. Já virou conversa de boteco, piadas do universo masculino, livros, sites e programas de TV. Há quem diga até que se trata de um desígnio bíblico!
Comeu do fruto proibido, minha filha? Então terá que suportar todos os “Adões” da vida, utilizando suas fraquezas como piadinha e justificativa pra tudo que não souberem entender em você!
Tenho pra mim que, até aquele dia fatídico, a TPM de Eva passava despercebida. O pecado original é que despertou Adão para a infinita possibilidade que isso significaria pra sua existência nos próximos séculos. E, cá entre nós, da maçã á maternidade... Haja manipulação, não é?
Tem muita gente interessada em esclarecer o que nós já sabemos de cor. O tema é tão batido que em minha cidade existe uma lanchonete que fez fama com seu suco especial “TPM”. O tal suco é feito á partir da mistura de diversas frutas vermelhas e um ingrediente inédito: erva cidreira.
Intrigada pelo marketing apelativo e, pela demanda na comercialização de TPM líquida, eu resolvi investigar. Descobri que o dono da idéia já foi casado três vezes, está sozinho há cinco anos é dono de um mau humor bem pouco digno dos nomes, pretensiosamente engraçados, que batiza suas invenções.
Só por essa informação, já vale á pena experimentar o tal suco. Só alguém incapaz de manter não só uma, mas três mulheres á seu lado, tem tão pouco pudor em fazer piadinhas ás nossas custas e achar que vai sair incólume.
Vale dizer que o suco é horrível. Mas na tabela de preços fixada na parede, ele vem entre o “Broxado” e o “Cafajeste” (respectivamente os sucos de cenoura com açaí e o outro, banana com leite). Esses sim, muito bem nomeados.
O histórico de vida do fulano, associado ao seu famoso mau humor, representam a verdadeira origem dos nomes que escolheu para o seu produto. Mas, em detrimento disso, ele e o lugar, tornaram-se rapidamente famosos e conquistaram o status de “Rei do Suco”. (Sem comentários!)
Isso acontece com quase tudo na vida. Basta alguma coisa ganhar força na mídia ou de mídia, para atrair “fregueses” com as mais diferentes intenções. Se não virar apelo publicitário, vira piada. Bem ao gosto do freguês.
A partir da súbita popularidade, perde-se a essência. Estabelecem-se clichês e mitos. As especulações tornam-se democraticamente livres e é um Deus nos acuda.
Separar o joio do trigo, o bom dos maus é praticamente impossível. Surgem “especialistas” de todos os tipos. Os palpiteiros, os defensores, algozes, loucos, simpatizantes e, principalmente, os oportunistas.
Algum homem, um dia, sem muita paciência pra administrar situações cotidianas resolveu atribuir esse dificuldade ao período menstrual da mulher que estava ao lado. Descobriu, mais tarde, que o período de validade de sua tolerância girava em torno de 28 á 30 dias.
Coincidência ou não, o período correspondia perfeitamente com aquele em que sua companheira não andava lá muito disposta á grandes performances sexuais. Do outro lado da cidade, outro homem, fazia importantes adendos á ciência ginecológica, provando alterações comportamentais significativas do período menstrual.
Pronto! Foi descoberta mais uma maneira de culpar a pobre Eva por todos os destemperos humanos. E nós? Nós seguiremos pagando por isso por toda eternidade. Sinceramente? Não vejo nada de original nisso, nem de engraçado!
Temos o poder de reverter quase tudo nessa vida usando apenas o dom da palavra. E olha que nem precisa ser uma palavra tão comprida. Ás vezes basta um “concordo”, para provocarmos uma avalancha de adesões.
A TPM virou desculpa pra tudo. Fulana está na menopausa! ...Não importa, é recaída! Mas é uma criança!... Pois é, está ensaiando! É um travesti! E daí? O lado feminino é sempre muito mais forte!
Teria ficado engraçado, não fosse o fato das próprias mulheres começarem a se valer do mesmo artifício, para justificar seus rompantes: Desculpe amor, chutei o cachorro, despedi a empregada, briguei com o porteiro e estourei nosso cartão de crédito, porque estava na TPM. Temos 28 dias pra consertar tudo isso! Aff...
Esses desvios do significado original banalizaram um problema concreto, que acomete 80% das mulheres, mas apenas 3 a 5% delas de forma grave a ponto de impedir a rotina ou o trabalho.
É importante que se faça algumas considerações: A tensão pré-menstrual é muito mais freqüente em mulheres que sofrem de algum problema depressivo anterior ou possuam algum parente com problemas de humor.
Isso é o que, na verdade, a torna tão grave. Na ânsia por justificativas, podemos estar menosprezando outro tipo de desordem emocional ou simplesmente características comportamentais reativas.
Não é mesmo simples atender á uma jornada tripla de trabalho com dores abdominais, inchaço, sensação de peso, palpitações do coração, dores menstruais, diminuição da libido, mudanças no apetite e ondas de calor. E no final disso tudo, ainda passar, em média, três dias sangrando.
Adão teve sorte de ter o amor de Eva. Não fosse isso, na situação acima descrita e tendo apenas ele como companhia, Eva o teria expulsado - ela mesma - do paraíso. E com meu total apoio!
Para saber mais sobre TPM: http://www.clubedatpm.com.br/
- posted by Mara
Segunda-feira, Outubro 1
ASSUMA O CONTROLE!
Algumas pessoas, após sofrerem um abalo emocional, tendem a voltar-se para si mesmas numa súbita consciência de sua fragilidade. Iniciam um dolorido processo de auto percepção nunca antes experimentado. Para ocultarem de si mesmos o sofrimento emocional, quase sempre entendido como inevitável e irreparável, acionam um mecanismo chamado “somatização”.
Em linhas gerais, esse mecanismo pode ser definido como um conjunto de sintomas físicos sem base médica constatável. Provoca persistência nas queixas, apesar de afastada a causa e de se ter assegurado por médicos sua inocuidade. Pode acontecer também da pessoa ter uma doença física fundamentada, mas com queixas exageradas que não justificam o problema que têm.
Esse quadro é bastante comum e previsto nos princípios da psiquiatria e da psicologia. Mas, é preciso estar atento porque a linha que separa o sintoma real, do psicológico é tênue e quase sempre, não excludente. Ou seja, o fato de ser psicológico não diminui sua importância ou o incômodo que provoca.
Diante de uma situação assim, depois de algum tempo, chega a ser natural que médicos, familiares e amigos passem a não mais valorizar essas queixas. Ao contrário, tendem a relevar com irritante displicência o que, para o paciente, é um sofrimento real.
Aos poucos, o próprio paciente já não se sente mais confortável em partilhar seu problema e se torna retraído e ainda mais consciente dos sinais que seu corpo envia. Muitas vezes, elegem inconscientemente uma dessas “dores” e se concentram no órgão que hipoteticamente estaria desencadeando tal desconforto.
Já repararam que quando estamos com cólicas é como se todo nosso corpo fosse um grande ovário ou útero? Ou como desprezamos a existência de nossa faringe até termos uma grande inflamação? Nada do que fazemos ou pensamos desvia nossa atenção do fato de que esses órgãos existem de maneira irrefutável.
É preciso esclarecer: O fato de um sintoma ser dito ou compreendido como sendo psicológico, não altera sua condição de verdadeiro e passível de avaliação. Nosso corpo e nossa mente são parte de um processo inseparável de manutenção mútua.
Imaginem o painel de seu carro. Todos os dias, num girar da chave, todas as luzes do painel se acendem. Até as de alerta e as que você nem sabe pra que servem. Logo depois se apagam e continuam acesas apenas as que sinalizam o bom funcionamento do automóvel.
Um dia, do nada, uma luzinha se acende ou pisca, evidenciando uma função que você nunca havia visto. Esse é um sinal universal de que seu carro está com algum problema. Problema que, pode ser muito simples ou provocar uma pane geral em questão de segundos.
Cabe á você decidir o que fazer. Dirigir imediatamente á uma mecânica mais próxima, ou a ignorar completamente. Entretanto, uma terceira opção também é possível e bem menos aconselhável. Você pode simplesmente desconectar a lâmpada, apagar a luz e, seguir seu caminho. Os resultados dessa sua decisão são bastante previsíveis.
Da mesma forma, um sintoma psicológico pode provocar vertigens, palpitações, dormências, sufocamento, manchas na pele, sangramentos e etc. Alguns desses sintomas podem não ser associados á qualquer dano físico visível em exames laboratoriais ou clínicos.
Mas pergunte á quem os tem, se eles existem ou não. A resposta será um desesperado: “Por favor, acredite em mim”. Não se trata de acreditarmos ou não. Trata-se de darmos ao sintoma o devido valor. O sintoma é a dica, o “Google” para a descoberta da causa do problema. Não o ignore.
Não aceite, seja de quem for, o irritante: “Calma, é psicológico!”. Essa afirmação equivale ao “É virose!” tão difundido entre os pediatras para explicar aquilo que não sabem explicar.
Seu sintoma estará, de um lado, indicando um desajuste emocional ou físico e, de outro, um harmônico funcionamento entre sua mente e seu corpo. Um dos dois estará sempre enviando “luzinhas vermelhas” ao menor sinal de desencontro entre eles.
Ao contrário do que pensamos, quando isso não acontece é que devemos nos preocupar. Se formos pegos de surpresa é porque estamos sendo displicentes em relação a nós mesmos. É preciso, então, buscar ajuda especializada e instalar as tais luzinhas. Sugiro um bom psicólogo.
Não se engana quem pensa que depois da tempestade vem a calmaria. Mas acabará ensopado quem acredita que alguns pingos de chuva não provocariam uma tempestade!
Ah! e não faça do seu "carro" uma arma, a vítima pode ser você!