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"Não conseguimos controlar as más linguas dos outros, mas uma vida decente nos capacita a desprezá-las." Cato, o Velho (234 AC - 149 AC)


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Sexta-feira, Novembro 30

QUAL O VALOR DE UMA AMIZADE?



* ESSE TEXTO EU DEDICO AO MANGA (TELEBLOG) E Á NINHA (BIG BRONKAS) POR REATIVAREM A CHAMA DA SOLIDARIEDADE NESSE MUNDO VIRTUAL


Coisas como essas que serão apresentadas no texto abaixo são uma constante em minha vida. A consciência que o autor do texto implora que tenhamos é a tônica do meu trabalho e minha filosofia de vida.

Talvez por isso, ainda continuo me encantando com histórias assim. Talvez por isso, eu ainda conserve a lucidez quando ao meu redor o mundo enlouquece, adoece e muitas vezes, mesmo sem isso, apodrece.

Hoje amanheci sem idéias, presa na idéia fixa de ser diferente. De resgatar meu eu que se tocado emana calor; se olhado torna-se transparente; se respeitado retruca fidelidade. Não quero inimigos assistindo minha vitória, quero-os longe de mim pra que, sem a influência maléfica, eu possa vencer sem platéia ou com platéia de amigos.

E se ainda assim não os mantiver a distância, se insistirem em ficarem por perto é porque nunca tiveram e nunca terão certeza de que deveriam ter deixado de ser amigos. Alimentarão com suas dúvidas o vazio que minha ausência deixar.

Tudo que sei, do muito que nada sei, é que o valor de uma amizade nada tem a ver com minha capacidade em medi-la. O verdadeiro valor é aquele que nenhuma oferta maior pode cobrir. No máximo, pode aumentar a demanda e valorizar o amigo.


QUAL O VALOR DE UMA AMIZADE?
Autor: André F Machado

Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta:

- "O que, de mais importante, você já fez na sua vida?"

A resposta me veio na hora, mas não foi a que respondi, pois as circunstâncias não eram apropriadas. No papel de advogado da indústria do espetáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades. Mas aqui vai a verdadeira, a que surgiu das profundezas das minhas recordações:

O mais importante que já fiz na minha vida, ocorreu em 08 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu, que há muito não via. Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebê.

Enquanto jogávamos, chegou o pai do meu amigo, e consternado, lhe diz que seu bebê parou de respirar e que foi levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.

Por um momento fiquei onde estava sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: Seguir meu amigo ao hospital? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada, pois a criança certamente está sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação. Oferecer meu apoio moral?

Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa, vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo.

Quando dei a partida no meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.

Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunica o falecimento do bebê.

Durante os instantes que ficaram abraçados, a mim pareceu uma eternidade, choravam, enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor. O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança. Meus amigos ficaram de pé e encaminharam-se resignadamente até a porta.

Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: "Muito Obrigado por estar aqui!" Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele.

Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida!!! Aquela experiência me deixou três lições:

Primeira: o mais importante que fiz na vida ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu para aquela circunstância: duas pessoas receberem uma desgraça e nada eu poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.

Segunda: estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida, esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal, assim como faço na profissional. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que devia ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhar meu amigo ao hospital.

Terceira: aprendi que a vida pode mudar em um instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim, fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real, como se não houvesse espaços para outras ocorrências.

Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro em um piscar de olhos.

Para alguns, é necessário viver uma tragédia, para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder umas férias, romper um casamento ou passar um dia festivo longe da família. E aprendi que, o mais importante da vida, não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras.

"O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade".
Não deixe seus amigos sem saber disso.
Eu não deixei você.
- posted by Mara


Quinta-feira, Novembro 29

COMO EXPLICAR CERTOS AFETOS?


Pra começar, não acho que exista necessidade de explicações. Mas, se por circunstância formos forçados, jamais encontraremos uma resposta que faça tanto sentido aos outros como faz á nós mesmos. Portanto, pega daí que, esse texto é tão inútil quanto esclarecedor.

Porque discorrer sobre isso então? Por que é da natureza humana buscar respostas existenciais. Nessa brincadeira, a campeã em audiência é nossa Consciência. Essa famigerada parece que foi idealizada para nos perseguir e achincalhar.

Diferente do simpático grilo falante das histórias do Pinóquio, a Consciência que conhecemos, adquire formas grotescas e assustadoras. É obstinada e devastadora, além de partir sempre do princípio que se alguém errou o erro só pode ter sido nosso.

Não há indícios que nos leve a desvendar de onde saiu essa incorruptível senhora. A Consciência surge do nada, nos momentos mais indesejáveis e entra sem convidada. Seu objetivo maior: fazer-nos espiar todos os nossos pecados. Dos apenas imaginados até os realizados.

Mas, escrevê-la com as iniciais maiúsculas já telegrafa meu profundo respeito á essa velha companheira. A minha e as dos outros. Conclui ao longo da vida que quem a possui, além de nunca estar sozinho, tem a vantagem de poder se gabar de ter uma companheira honesta, fiel e implacável.

Em outras palavras, minha Consciência é minha melhor amiga. É bem verdade que, ás vezes, é minha pior inimiga também, mas se essa não é a fórmula da verdadeira amizade, confesso que ando esperando demais de quem me chama de amiga.

Fazendo coro á Adriana Calcanhoto, eu também desconfio do lado “bom” da força. Principalmente quando esse é o único lado que se tem á vista. O último e, á meu ver, o único que se posicionou assim, num belo dia entrou chutando barracas numa feira livre. Tá certo que o sujeito morreu crucificado, mas todo mundo sabe onde ele está agora...

O fato é que quem tem Consciência não precisa alardeá-la. A dita cuja é tão eficiente que faz com que nossas atitudes permaneçam incólumes e reflitam “tim tim por tim tim” do que ela ajuda a desvendar.

Aliás, já vi essa tal Consciência fazer muito marmanjo metido á valente enfiar o rabo entre as pernas simplesmente por ter provocado um comportamento que não aceitava provocações. Da mesma maneira, vi outros tantos se transformarem em maníacos persecutórios, justamente pela ausência desta nossa amiga aí.

Dessa forma, se eu tivesse que dar um conselho, o que definitivamente não é minha vocação, eu diria: se você não tem Consciência, trate de encontrá-la ou se juntará ás multidões que se afiliam ás Consciências alheias e essas acabarão por definir você na vida.

De minha parte, penso que ninguém, por pior que seja, merece tal castigo. Ser identificada á partir do pensamento de massa, das correntes da moda ou dos oportunistas que não pensarão duas vezes para te usar como bode expiatório é, de fato, o fim.

Mas, se isso já aconteceu não se desespere. Há sempre uma Consciência escondida nos recônditos das almas negligenciadas. É! A Dona Consciência também sabe ser paciente e esperar que você recorra á ela.

Mas cuidado, consultá-la pode tornar-se um hábito e com isso, frustrar todos os seus planos de marketing negativo.

A resistência de muita gente em fazer da própria Consciência uma amiga, é compreensível, portanto. Umbigo não é mesmo o orifício mais atraente que temos. Eu por exemplo, prefiro meus canais auditivos.

Mas comecei esse texto falando de afetos. E a Consciência não deseja ser querida. Ela se contenta apenas em ser ouvida. E se a permitir entrar uma única vez, saberá o quanto ela é persistente e incômoda ás vezes.

Quer um exemplo? Quantas vezes você não teve provas mais do que suficientes para perceber que, esse ou aquele afeto, de nada serviria ou acrescentariam em sua vida? O que sua Consciência te mandava fazer? Claro que mandá-lo passear, não é? E, é claro, que você não o fez logo de cara, no primeiro aviso.

Sua Consciência, então, te deixou livre para ouvir todas as outras Consciências – as chamadas Consciências coletivas – mas, vez ou outra dava o ar da graça lembrando você do rumo que deveria tomar. Daí, você quebrou a cara, se magoou, esperneou, xingou, se arrependeu e ainda se sentiu vítima e desavisada, nao é?

Como eu sei? Ué, eu também já ignorei a minha Consciência várias vezes e, sei bem o preço que isso me custou. Também já embarquei em devaneios de massa, e fiz pior: defendi os pensamentos correntes como quem defendia a mim mesma.

Mas, vamos combinar? Errar é humano, persistir no erro não é burrice. É não ter vergonha na cara! Eu, particularmente, acho que é mais “humano” ainda apontar os erros alheios sem sequer arriscar uma piscadela aos próprios. Mas, isso nos remeteria outra vez á história dos orifícios -os mais citados - quando se referem á nós.

De qualquer forma, á essa altura do campeonato, vale explicar que afeto é, segundo a psiquiatria, a parte de nosso psiquismo responsável pela maneira de sentir e perceber a realidade. A afetividade é, então, o a parte responsável pelo significado sentimental de tudo aquilo que vivemos.

Se as coisas que vivenciamos estão sendo agradáveis, prazerosas, sofríveis, angustiantes, causam medo ou pânico, dão satisfação, etc., todos esses valores são atribuídos pela nossa afetividade.

Será através de nosso Afeto que o mundo, no qual vivemos, chega até nossa consciência com o significado emocional que tem para nós. Assim, como explicar certos afetos, não é? É por isso que muita gente prefere nem ter Consciência!

- posted by Mara


Terça-feira, Novembro 27

QUEM QUISER USAR A COROA...


FAÇA-O! MAS, LONGE DE MIM!

Basta chegar o mês de dezembro (e graças á Deus, mais um se aproxima) e todas as representações pessoais que atribuímos á esse mês, se junta ás já tradicionais. Quem consegue esquecer, por exemplo, que dezembro é mês do Natal, das férias escolares, e do décimo terceiro?

Esses são, superficialmente, a valorização desse mês que iniciará na próxima sexta feira. São públicos e passíveis de infinitos debates. Mas, o nosso simbolismo pessoal do mês é, em geral, propriedade privada mantida em segredo e acima de qualquer lógica partilhável.

A boa notícia é que esses valores que atribuímos são mutáveis. Os meses que compõem o intervalo entre os dezembros podem culminar em fatos e acontecimentos que dependendo da força que tenham, modificam todo o panorama solidificado até então.

Dezembro pra mim sempre foi sinônimo de muito trabalho. É a época que a maioria das pessoas reserva para fazer “checkups”, planejam o nascimento dos bebês e que, pelo apelo comercial, resulta em maior abandono pra quem se encontra doente e hospitalizado.

Á partir daí, se tudo sair como o desejado, dezembro se safa de se tornar um mês de más lembranças. Se, ao contrário, os resultados forem minimamente desanimadores, esse fato será o suficiente para manchar a reputação do pobre mês.

Tenho um conhecido que sempre brincava com isso. Dizia: Se tiver que me magoar, ficar doente, me dever dinheiro ou até mesmo morrer, e não quiser ficar pra sempre em minha estante mental de lamentações eternas, por favor, o faça entre os períodos que vão do final do carnaval até o último dia de novembro.

Eu que sempre levei essa frase do meu amigo como uma sacada inteligente resumida numa frase bem construída, mas tão inaplicável quanto as frases de efeito o são, esse ano sou obrigada a concordar com ele, e me arrependo de não ter dado o mesmo conselho á muitos que cruzei durante esse ano. E dezembro ainda nem chegou!

O fato é que, em face das escolhas que fiz, esse final de ano promete ser atípico. Mais relaxado do que de costume, sobrou espaço pra um amontoado de acontecimentos inúteis e aglutinamento de pessoas sem nenhuma função emocional á minha volta. E, como dizia minha mãe, o ócio é instrumento do diabo.

Muita gente se propõe á uma retrospectiva nessa época. Tem alguns que demoram mais, outros já a fizeram. Esse ano, decidi fazer a minha com antecedência e descobri que no próximo ano terei uma missão bastante complicada: fazê-lo ser bom o suficiente para anular qualquer resquício da mancha negra que cobriu meu 2007 de fevereiro á dezembro. Valha-me Deus!

Pensei que, ao invés, de fazer uma lista desses dissabores e fixar na porta da minha geladeira para ticá-los um-a-um a fim de evitá-los, seria mais eficiente buscar uma metáfora que os resumisse e os exemplificasse. Dessa forma, evitaria também as máscaras que esses dissabores pudessem vir á assumir na tentativa de me fazer sucumbir á eles em 2008.

O resultado desse exercício ficou tão esclarecedor que mandei imprimi-lo e emoldurá-lo. Ganhou status e não mais ficará fixado na geladeira e sim na parede de meu escritório, atrás de meu computador. Funcionará como o inseticida que espirramos nos ralos da casa. Se entrar, morre!

A metáfora encontrada por minha angustiada construção pré-natalina não é inédita e menos ainda desconhecida. Tenho certeza que publicá-la irá promover catarses, insights e ajudará muita gente a construir uma para si mesmo. Além disso, evitarei ser acusada de egoísta e de não ser generosa o suficiente com quem pode, inclusive, ter sido responsável por eu querer esquecer esse ano que termina. Então, chega de lero-lero, e vamos á ela:


“ PARA UM 2008 DIFERENTE”


Todo mundo já ouviu falar no rei Midas, aquele que transformava em ouro tudo que tocava. Pois é. Eu o trouxe da mitologia e o transportei para meu leque de relacionamentos. Nele, o rei não perdeu a majestade, mas adquiriu poderes acima (ou abaixo) do que considero atitude de nobreza.

Midas, na minha esfera pessoal, tornou-se aquele que teve habilidades de transformar em sucesso a maioria de suas tentativas de invadir meu tão reservado universo afetivo. O melhor disso, é que dessa maneira, a grande maioria nem conseguiu seu lugar na classificação e apenas alguns poucos gatos-pingados encaixaram nessa definição.

Ao contrário do que muita gente pensa ou usa como argumento, o fato de eu ser psicóloga não me defende desses seres maléficos. Não há uma fórmula perfeita ou receita para sabermos identificá-los á partir de uma distância segura.

Mas, não se engane achando que eles são tão poderosos. Ocorre que nem sempre estamos atentos o suficiente para percebemos as nuances do comportamento corrosivo deles quando ainda não nos tornamos seu alvo. Vê-los fazer é uma coisa, senti-los na própria pele, é outra bem diferente.

“Meus” Midas tinham máscaras muito atraentes. Desenvolveram todos os seus sentidos objetivando atingir sua meta. Donos de uma visão aguçada, sabiam ouvir e estavam abertos pra partilhar idéias. O olfato apurado lhes servia para “farejar” novas possibilidades.

O paladar para degustar suas pseudo-vitórias sobre mim. O tato os permitiu entrar silenciosa e maliciosamente sem precisar ser necessariamente gentil. Mas, apesar dessas incríveis habilidades, é claro, que encontraram muita resistência de minha parte, principalmente no início.

Para safar-se disso, esses “meus Midas”, deixavam fluir seu alter-ego. A antítese deles mesmos que, vez ou outra, apareciam discretamente sob a máscara da bondade que eles não conseguiam sustentar.

Esse alter-ego, o rei Sadim (Midas ao contrário), é o habitante das profundezas da verdadeira personalidade desses seres ignóbeis. Ou seja, ao contrário de construir, destroem tudo que tocam. Os sentidos que aprimoram são: a inveja, o ciúme, a vaidade, a mesquinhez e a falsa benevolência.

Como todo rei, ambos, Midas e Sadim, possuem uma legião de seguidores voluntários ou submetidos. Possuem seus bobos da corte, seus próprios nutricionistas reais, (responsáveis pela alimentação de seus egos). Esses súdito-satélites, na ausência da adoração do povo, tornam-se também, a plebe constante que o rei tanto necessita.

Diferente do Midas, o rei Sadim é produto de algum golpe de sorte (porque a sorte também beneficia os não-merecedores), e o que deveria ter sido um prêmio, o dom de modificar as coisas com seu toque, acabou por se transformar na arma que ele utiliza para vingar-se de quem ousa desmascará-lo.

A trajetória desses Reis em minha própria vida me trouxe a compreensão óbvia de que nem tudo que reluz é ouro. Me senti meio idiota de não ter atentado precocemente para essa constatação tão antiga quanto á própria civilização. Mas, por isso eu os classifiquei como Reis, para mostrar que seus poderes estão acima da minha vã psicologia.

Sei que irei encontrar um sem número deles por aí e todos irão igualmente tentar me desencorajar, ou contaminar-me com a maldição que os persegue. Mas esses “meus Reis” de 2007 tiveram tanto êxito e por tanto tempo em minha vida que ao serem expulsos, deixaram-me uma lição ainda maior:

Saber que eles, não parecem reis, não se comportam como reis, não têm o poder real de um rei e menos ainda têm a educação destinada aos reis, mas até aí, diriam os gregos, o demônio tem várias faces.

O importante não é ser esperto o suficiente para evitá-los em nossas vidas, como eu pensava, e sim de saber colocá-los pra fora entes que você se torne um deles.
- posted by Mara


Segunda-feira, Novembro 26

PORQUE PARA A FÉ, NÃO HÁ VIRTUALIDADE!



Hoje, a amiga blogueira do Big Bronkas Brasil, NINHA, esteve se submetendo á uma cirurgia. Muito sensível á essa experiência, quase sempre muito angustiante, ontem ela esteve por aqui e depois, em seu blog, trocamos algumas palavras. Com carinho á ela, cuja amizade embora virtual, transpõe as fronteiras, peço que á todos que acessarem ofereçam suas orações em nome de sua pronta recuperação.

NINHA, NA CERTEZA QUE LOGO ESTARÁ NA ATIVA E ESPALHANDO SUAS PALAVRAS CARINHOSAS PELA NET, AGUARDAMOS NOTÍCIAS. QUE MINHA MÃE, NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO, A MANTENHA EM SEUS BRAÇOS E A PROTEJA!

FIQUE COM DEUS!

MARA
- posted by Mara


DIGA-ME COM QUEM APRENDEU...


...E TE DIREI QUEM ÉS!

Meu cachorrinho é dócil como uma criança. Já ouviu essa expressão? Eu já e até me senti tentada á usá-la, uma ou duas vezes. Mas, logo recuperei a razão e a memória e me lembrei das revelações da Teoria do Desenvolvimento.

Entre muitos desvelamentos que essa teoria oferece, o mais repetido e mais importante é de que jamais podemos nos esquecer que crianças, um dia, fatalmente crescerão.

E o que se tornarão á partir das experiências que viveram, serão as incógnitas que só o próprio indivíduo reconhecerá no futuro. No máximo, seu psicólogo partilhará dessa informação.

Daí, pelo profundo amor que sinto pelo meu já adulto cachorrinho, passei a poupá-lo de tal comparação. Hoje, prefiro utilizar a seguinte adaptação: Há pessoas que são tão dóceis quanto meu cachorrinho.

O fato, é que a agressividade é um dado singular e muito bem expressado pelos humanos, generalizadamente. Nunca haverá alguém suficientemente dócil para nunca tornar-se agressivo ou vice versa.

Agressividade é um instinto de autopreservação. Por isso é partilhada com muitos outros animais, além dos humanos. O que altera a configuração desse instinto entre eles são as maneiras e as motivações necessárias para desencadeá-la.

Não falo da agressividade motivadora e que serve de alavanca pra atitudes. A agressividade que compartilhamos com nossos amigos bichos, é a que pra nós, equivocadamente confundimos com raiva ou ataque destinado á destruição.

Ao resumirmos a agressividade em sentimentos isolados como raiva ou ódio, por exemplo, estamos automaticamente sugerindo que isso detonará a expressão deles. Ou seja, nos é inconcebível imaginar que alguém que seja acometido por esse sentimento, se manterá paralisado, destituído de uma atitude que expresse a força dos mesmos.

Em nós, a raiva, tem sido execrada junto com aquele amontoado de sentimentos considerados inapropriados. Mas, contraditoriamente, é um dos sentimentos que mais exige de seu portador um delicado e contínuo zelo.

Como um bebê recém nascido, necessita de nossos cuidados ininterruptos para se alimentar e sobreviver. Como um filho que nos magoa e decepciona, mas, que não podemos abandonar, a raiva, não nos dá trégua um só minuto desde seu nascimento até que decidamos nos livrar dela.

Quanto mais evoluímos existencial e tecnologicamente, mais nos distanciamos da compreensão que não somos o resumo daquilo que proclamamos como ideal. Ao contrário, quanto mais defendemos determinadas posturas éticas, mais revelamos a dificuldade que temos de as executarmos.

Em outras palavras, a maior parte de nossas insistentes críticas é o reflexo de nosso esforço de nos mantermos longe da tentação de sermos, nós mesmos, merecedores delas. Se precisamos nos esforçar pra não sermos desse ou daquele modo, é sinal de que sem o esforço, essa característica fatalmente viria á tona.

Isso nos desenha na vida. O resumo de emoções e atitudes que não excluem ás que julgamos politicamente incorretas. Somo todas elas, gostemos disso ou não. Nos resta apenas estarmos alertas em tempo contínuo para doutriná-las e quiçá direcioná-las de maneira que possam ser úteis e perderem o caráter negativo.

Um equívoco bastante comum é transmutarmos seres humanos comuns em semideuses, baseados em seus atos caridosos. Esse hábito nos impede de ver que, muitas vezes, essas atitudes supostamente caridosas, são reflexos da hipocrisia do desequilíbrio existencial do sujeito.

A pessoa faz uma doação, uma deferência especial ou mesmo um único gesto caridoso que não lhe toma vinte minutos de seu dia e passa vinte e três horas e quarenta minutos, como soldado concentrado em vencer batalhas que ele mesmo inicia com outros seres humanos. E o que faz a multidão? Grita em um uníssono êxtase: Ohhhhh!

Dias atrás, li um artigo na Revista Veja que versava sobre a arrogância dos articulistas catedráticos versus a capacidade de compreensão do leitor comum. Teria escrito um texto sobre isso no mesmo dia, não fosse a necessidade que senti de refletir um pouco mais sobre a arrogância do autor do texto em falar generalizadamente sem incluir a si mesmo.

Parece que vivemos em uma época em que qualquer superioridade, mas, pior ainda se for intelectual, deve estar necessariamente acompanhada de sentimento de culpa. Nos foi tolhido o direito de alardearmos o que conquistamos, com pena de nos tornarmos pedantes, arrogantes e provocarmos á raiva no outro.

Oras bolas! Quem deveria sentir-se culpado é quem não consegue espelhar-se nas conquistas alheias para empreender as suas. Quem se contenta em ser vitorioso apenas na capacidade de versar sobre a ausência de humildade do outro apenas porque não se empenhou em adquirir condições para compreendê-lo.

Não dá mais para ouvirmos: pra “mim fazer”, ou “pobrema meu”, passivamente. Nem meu corretor de ortografia do Word aceita tal deslize. E não há como esperar que os autores de pérolas como essas, tenham em seu repertório de vocabulário alguma palavra ou frase que expresse sua raiva sem apelar para a “baixaria”.

Nesse ponto, talvez, encontremos finalmente uma cisão entre os conceitos raiva e agressividade. Na condução de ambos, o que caracteriza seu portador é o grau de civilidade. Além, é claro, a capacidade de se distanciar da raça humana e se aproximar das feras.

Nem todo cachorro que ladra, morde. Acredite. Mas se algum Ser Humano “rosnar” pra você, das duas, uma: ou ele aderiu e decidiu fazer bom uso de sua agressividade, como os cães, ou você de fato será a próxima vítima. Trate apenas de se cercar de pessoas que tenham recebido ás mesmas orientações familiares que você, independente da classe social, porque senão, “pobrema” seu.

A herança cultural determinou que não deveríamos deixar transparecer nossa raiva ou qualquer sentimento análogo e, ironicamente foi ela mesma quem nos tirou o direito de nos valer de nossa capacidade intelectual para expressá-la.

Afinal, nunca mais ninguém viu o Presidente da República esmurrar a mesa ou gritar indignado desde que deixou de ser operário, não é?
- posted by Mara


Domingo, Novembro 25

TREINANDO O VIVER


Você sabe o que é Coaching?


Não se trata de saber a tradução da palavra, mas de saber o que ela representa para o mundo empresarial. Não sabe? Não? O que anda fazendo de sua vida que deixou passar essa informação que pode mudar tudo que você concebeu até hoje sobre você mesma e o mundo? Em que planeta você vive?

No mesmo planeta que eu, provavelmente. Até alguns meses atrás essa palavra e, tudo que ela representa, não tinha nenhum significado além da inadvertida suposição de que COACHING deveria ser mais uma daquelas expressões americanizadas pra definir algo que a tradução da mesma nem de longe explicaria.

Coach em inglês superficial, como o meu, quer dizer treinador, portanto, Coaching é? Sei lá...por dedução, deve ser “treinamento”. Certo? Errado. Ao menos, na interpretação daqueles que se capacitaram e trabalham sob essa intitulação.

Prepare-se. Porque se você tem qualquer contato, ainda que superficial, com alguém minimamente ligado ao mundo dos negócios, você fatalmente irá esbarrar nos preceitos dessa nova modalidade de investimento empresarial.

Depois de muitas tentativas de entender com meus próprios recursos a linha tênue que separa essa modalidade de prestação de serviço das assessorias empresariais e da psicologia, conclui que não estou apta para discursar sobre o tema.

Mas, sou persistente e mais que fazer uma análise superficial ou leituras especializadas para desvendar esse enigma, tratei de me inscrever e freqüentar um curso introdutório de Coaching e, pasmem, ainda assim, não entendi lhufas.

Daí que fiz uma “googlesulta” e encontrei uma matéria que entre tantas, se aproxima do que chama uma pequena possibilidade de compreensão. Pode ser que, como eu, ao lê-la, vocês também não consigam traçar as diferenças entre outras intervenções mais familiares, mas é possível, ao menos, uma vaga idéia do que estou falando.

Assim, se ao ler alguém tiver algo a acrescentar, com certeza iremos engrossar a imensa lista de adeptos dessa prática que promete promover mudanças mais que necessárias em todos os aspectos de nossa existência. Então, boa leitura:

O QUE FAZ UM COACHING?

Imagine um relacionamento onde o foco é você - o que você quer, o que é importante para você. Imagine uma pessoa preparada e capaz de escutar sem julgamentos suas palavras e o que está por trás delas.

Alguém que vê o melhor em você, mesmo quando você mesmo não é capaz de fazê-lo. Alguém comprometido com o sucesso de suas metas e sonhos. Comprometido com o seu sucesso! Este é o coach. Nenhum outro relacionamento oferece este tipo de apoio e motivação.

O coaching é uma parceria poderosa em que o coach ajuda o cliente a alcançar o seu "melhor", e a produzir o resultado que ele deseja em sua vida pessoal e profissional. O coaching pode ser feito cara a cara ou por telefone. Normalmente é uma combinação dos dois.

O coach e o cliente se encontram regularmente, freqüentemente por um período de alguns meses, e o cliente trabalhará para melhorar sua própria vida, suas habilidades, seus relacionamentos, sua situação financeira, ou qualquer outra coisa que ele queira.

Como Laura Whitworth diz em seu livro Co-active Coaching, esta ferramenta "cria um contexto onde as pessoas regularmente trabalham com os aspectos mais importantes de suas vidas". O cliente é o responsável pelos resultados que ele consegue no coaching. O coach ajuda, mas os sucessos e conquistas são do cliente.

A idéia de coaching é amplamente conhecida nos esportes. Todo bom atleta tem um bom coach. É importante esclarecer que, embora a tradução de coach esportivo para o português seria treinador ou técnico, a mesmo a tradução não se aplica para o coach ao qual nos referimos, já que, neste caso, o coach não tem as respostas, mas sim o cliente. O coach tem as perguntas certas! Ou seja, neste caso o termo coach infelizmente não possui tradução para o português.

Em 1974, Timothy Gallwey escreveu um livro importante, chamado O jogo interior do tênis. Este livro marcou o começo da idéia moderna de coaching e, embora fale sobre tênis, seus princípios podem ser aplicados em qualquer aspecto da vida. Ele falava a respeito de dois oponentes que o jogador deveria derrotar.

O primeiro era o jogador do outro lado da rede. O segundo era o oponente interno - as limitações internas do jogador. O oponente interior consiste de todas as distrações, conversas consigo mesmo, crenças negativas e auto-sabotagem que o jogador possui. Este é o oponente mais formidável para derrotar-se.

COMO O COACHING FUNCIONA?

"Coaching não é dizer às pessoas o que fazer, é ajudá-los a reexaminar o que estão fazendo no sentido de suas intenções". Esta passagem foi tirada do livro Coaching - Evoking Excellence in Others, de James Flaherty. Quando você trabalha com um coach, começa a entender o que realmente é importante para a sua vida. Então surgem duas perguntas muito importantes. "Se você realmente quer estas coisas, por que não as tem ainda?

O que está te impedindo?"

E a resposta é simples - os hábitos que você possui. O coach te ajuda a modificar estes hábitos e manter a mudança. Mudar é fácil. Como o escritor e humorista americano Mark Twain uma vez falou, "Parar de fumar é fácil, eu faço isso todos os dias". Manter a mudança é o problema, os hábitos antigos tentam te levar de volta. O coach te ajuda a manter a mudança que você quer.

O coaching é orientado à ação. O entendimento sozinho não leva à mudança. Ao final de cada sessão de coaching o cliente tem uma tarefa para fazer, a qual foi acordada entre ambos. Essa incumbência sempre se relaciona a ajudar o cliente a mudar da maneira que quer através de desafios à maneira habitual de pensar. Pode ser pequena, como, por exemplo, ir por um caminho diferente ao trabalho. Pode ser um pouco mais desafiadora, como trazer à tona um conflito com um superior no trabalho.

Os diferentes tipos de coaching

O coaching é utilizado em muitas situações diferentes. As habilidades do coach são praticamente as mesmas, aplicadas em áreas diferentes. Alguns exemplos: Coaching de vida; Coaching empresarial ou de negócios; Coaching executivo; Coaching de carreira; Coaching esportivo

Quais são os benefícios do coaching?

Existem muitos benefícios para o cliente. Ele será mais produtivo, mais confiante e terá relacionamentos mais satisfatórios. Ele pode conseguir ganhar mais dinheiro ou sair do endividamento. Ele também terá possibilidade de ser melhor no seu trabalho e então progredir na carreira. Será mais feliz e terá uma vida mais equilibrada e congruente.

O coaching também traz muitos benefícios para os negócios. O trabalho em equipe se desenvolve melhor, o estado geral melhora porque coaching é uma evidência do compromisso da empresa em desenvolver seu pessoal. O coaching preserva empregados-chave e evita o custo de retreinamento, a perda de conhecimento empresarial para a concorrência e a queda de produtividade quando o pessoal se vai.

Não há dúvida alguma de que a popularidade do coaching está crescendo. E agora você sabe por quê!

Boa sorte e até a próxima!

Andrea Lages e Joseph O´Connor são coaches executivos, treinadores e consultores internacionais através da Lambent do Brasil.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: ISSO NÃO É PSICOLOGIA? SERÁ QUE SEMPRE FUI COACH E NÃO SABIA? HELP-ME, PLEASE!
Para saber mais: www.sbcoaching.com.br
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Sábado, Novembro 24

NEM O PRIMEIRO...NEM O ÚLTIMO..


O DE SEMPRE!

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador.

Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio.

Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... E, tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós.

Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.

Aos que me podem ouvir eu digo: Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano.

Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos!

Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas!

Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos!

Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa.

Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo.

Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade.

Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos

(O Último discurso, do filme O Grande Ditador - Charlie Chaplin)

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Sexta-feira, Novembro 23

QUAL A EMBALAGEM DE HOJE?


Tenho um amigo que adora criar neologismos pra definir ou resumir as estranhezas que o mundo lhe causa. Isso o torna tão divertido quanto mordaz. Na verdade, até que a nova palavra criada por ele ganhe uso corrente entre nós, ninguém sabe ao certo se esta sendo elogiado ou ofendido.

Mas, no fim das contas, isso é o que menos importa. Acompanhando cada uma dessas interpretações pessoais, há sempre um sorriso e um olhar doce que inspira confiança. Ocorre que, por mais ácido que seja o comentário, ninguém consegue se aborrecer com ele ou ao lado dele.

Homossexual assumido e bem resolvido, seu principal alvo é quase sempre seus companheiros de balada ou simpatizantes. Mas, á parte desse bom humor típico e afetado, fica valendo a criatividade.

A última que ouvi dele, por incrível que pareça, me fez pensar por dias e inspirou esse texto. Estávamos conversando no intervalo de uma gravação e o monitor á nossa frente, indiferente ao nosso intervalo, mostrava um antigo programa de auditório do SBT.

O programa faz sucesso há tantas segundas-feiras, que se torna dispensável nomeá-lo. A apresentadora mais ainda. Mas, é engraçado observar o poder de atração que a mesma exerce no universo dos homossexuais. E, é claro, a loira rapidamente tornou-se o assunto principal.

Em meio á conversa e, com a naturalidade de sempre, disse meu amigo. -“Ah! Mas, esse layout de pacote de bolacha recheada eu não compro!”.

Desse ponto em diante, confesso, não prestei mais atenção no que ele dizia. Só conseguia pensar: -“Layout de pacote de bolacha? Que raio é isso?”. E, antes de parecer lenta demais ou pouco antenada, tratei de tentar desvendar sozinha o que ele queria dizer.

Seguindo os princípios da semiótica, pensei na imagem mental que a frase evocava. Como é um pacote de bolacha recheada? Pra quem, como eu, não aprecia esse tipo de guloseima, a primeira coisa que me ocorreu é que o pacote é quase sempre mais bonito que o conteúdo. Mas, achei a resposta simplista demais, vindo de quem vinha.

Outra idéia é a de que eu mesma já comprei dessas bolachas, atraída pelas palavras que usam no marketing da embalagem: “deliciosas”, “muito mais recheio”, etc. Pressenti que estava chegando perto. Mas, aquela filosofia de supermercado estava me cansando e resolvi perguntar:

-“O que raios você quis dizer com “layout de pacote de bolacha recheada?”A que ele m e respondeu com aquele ar de quem se esforça pra ser tolerante com as limitações alheias: -“Sabe aquela coisa, que num dia você acha que não pode viver sem e no outro não quer nem ver na frente?"”- “Então, por isso eles mudam a embalagem toda hora, pra você esquecer como era e comprar de novo”.

Prometi a mim mesma que mais tarde iria tentar associar esse pensamento á apresentadora em questão. Mas, a idéia de que conheço muita gente assim, não foi possível ignorar por muito tempo.

Quem nunca conheceu alguém que num dia parece ser a melhor pessoa do mundo e no outro amanhece “estragada” e quase não reconhecemos? Pior, se pressentem que sacamos a dinâmica, voltam a se “travestir” com embalagem atraente e lá vamos nós “comprar” a nova embalagem.

Qualquer dia eu escrevo sobre isso. Hoje queria mesmo era destacar essa personalidade tão bem definida pelo meu amigo e deixar a seguinte reflexão: Esses “pacotes de bolacha” da vida nós compramos por que somos ingênuos, crédulos ou por hábito? Ou nenhuma dessas alternativas e compramos porque esses personagens são mesmo muito mais espertos que nossa vã filosofia?

Em tempo: meu amigo é também matemático, doutor em física quântica e mestre na Universidade de São Paulo. E, apesar do que pode parecer, ele simplesmente é viciado em bolachas recheadas com recheio de chocolate. (eca!) E, ao saber que eu iria publicar essa história, me enviou á fábula abaixo para complementá-la. Desfrutem.


O REI NU

Era uma vez um rei, muito vaidoso. A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões. Gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo.

Convenceram o rei e seus leais ministros que não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisível às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

O rei vaidoso pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Depois de um tempo, resolveu supervisionar o trabalho dos dois homens.

Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido. O rei, que nada via, horrorizado pensou: "Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!" Então, bem alto, declarou:

- Que beleza! Realmente merece minha aprovação! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz:- Deslumbrante! Magnífico!

Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava:

- Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido! Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso!

Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:

- Coitado! Ele está completamente nu! O rei está nu! O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar: - Ele está nu! Ele está nu!

O rei ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível.
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Quarta-feira, Novembro 21

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES


NÃO É, FLOR?

Não há nada mais contemporâneo do que a necessidade incontrolável por notoriedade. Não a notoriedade do tipo de relacionada á reconhecimento ou merecimento, mas aquela totalmente desvinculada dos conceitos históricos de valor existencial.

Estar em capas de revistas, na programação da TV, dar autógrafos tornou-se essencial pra muita gente e quase sempre passa longe do que entendemos como a conseqüência natural de algum feito.

Esse fenômeno tem sido tese ou fonte de pesquisa pra diversas produções acadêmicas e arrasta consigo também, uma legião de especuladores. Eu mesma, seduzida pelo desvendamento desse ideal narcísico, transcorri sobre esse tema como base inicial de minha própria tese acadêmica.

Mas a constatação da existência de um volume enorme de publicações já disponíveis sobre o tema me fez abandoná-lo, tornando-me eu mesma, a prova viva de que o desejo pelo reconhecimento está irremediavelmente ligado ao desejo de ser único e o melhor.

No breve período em que ainda focava meu olhar sobre esse aspecto, entretanto, foi fácil observar a principal problemática: estabelecer a origem dessa necessidade de notoriedade. De outro lado, tornou possível vislumbrar os possíveis conflitos ocasionados por ela.

Ocorre que, se de um lado, há os que são ou se tornam famosos por razões que custamos á entender, desprovidos de talento ou empenho profissional, de outro, há os que dedicam toda uma vida á realização de atividades de inequívoca contribuição para sociedade, ás vezes, até para a humanidade e que morrem em completo ostracismo.

Nessa aparente contradição, há também os que transitam entre um tipo e outro e que não almejam a imortalização geralmente proposta pela fama. Ao contrário, se contentam com a duração relâmpago desses momentos famosos. Outros, nem mesmo têm essa escolha.

De um jeito ou de outro, o fato é que o ser humano tornou-se mais exibicionista. Assim, não é o que se lê nos dicionários, mas notoriedade hoje é sinônimo de ser notado custe o que custar e ponto.

O Orkut e os blogs são um exemplo bastante claro disso. Em comum, são instrumentos de uma superexposição escancarada. Com propostas diferentes, mas sedimentados sobre o mesmo formato, seguem deixando as pegadas de seus autores espalhadas por toda rede. Prontos, pra quem quiser seguir.

A democratização proposta por esses sites de relacionamentos permite uma seleção natural e livre do público que atingem. Dessa forma, o anônimo comum tem a oportunidade de tornar-se celebridade entre aqueles que comungam com ele os mesmos pensamentos. Ou, na mesma proporção, por quem os repudia.

Cabe aqui o seguinte questionamento: Os perfís que se destacam nesses ambientes são os que, entre os seus iguais, são os mais aptos e capazes, ou por se destacarem, são julgados mais capazes?

Não cabe aqui a infinita discussão do tipo biscoito Tostines, mas é um bom ponto de partida para compreendermos de onde vem e para onde vai essa busca desenfreada pela notoriedade. Abre caminho também pra o entendimento de que para muitos, o desejo de ser famoso ou notado está relacionado á crença de que apenas os bons aparecem.

Existem, é claro, os que conduzem esses espaços conservando sua proposta inicial: diminuir distâncias entre as pessoas de convívio mais próximo. Mas encontrá-los é necessário uma busca mais determinada.

O importante é perceber e sermos suficientemente honestos para admitir que quem busca a “fama pela fama” não quer só ser admirado, quer também ser invejado. Isso, quer dizer que, necessariamente, há um desejo de sobressair-se na comparação com outros, de estar entre os melhores. O que a maioria logo percebe é que o sentimento que colateralmente isso provoca, quase sempre não é muito positivo.

No fim das contas, a necessidade é mesma de ser visto, elogiado. E isso nada tem de errado. Não, enquanto isso for possível, é claro. A história muda completamente de figura quando nessas voltas que a vida dá, o mundinho criado sob frágil sustentação, se desmorona.

Se engana quem pensa que pra isso acontecer é necessário o “famoso” ser completamente esquecido. Não. Basta um só evento, um só acontecimento onde a receptividade for diferente da que estão acostumados e, pronto.

Se forem mais espertos do que vaidosos, buscarão ajuda psicológica. Mas, o mais provável é que dediquem o resto de seus dias na tentativa de recuperar a fama perdida. Daí, haja mico! Daí, haja sofrimento.

Alguns, ao atingirem a meta de encontrar a fama e sair do anonimato, interpretam isso apenas como falta de sorte e com isso, ao perdê-la, processam o fato como a ausência da mesma. Sorte ou azar é mais fácil administrar do que falta de talento, por exemplo.

Mas, independente das descobertas que os pesquisadores e cientistas tenham feito, ou ainda venham a fazer e, o quanto elas possam contribuir para entender a sociedade e através disso, construir meios para minimizar os danos causados por ela mesma, eles jamais terão a notoriedade que alcançariam se participassem de um reality show, por exemplo.

Isso explicaria, por exemplo, porque muitas celebridades estão num caminho contrário dos anônimos talentosos e, têm dedicado seu tempo ás páginas pessoais na internet. Como já cantou alguém que não me lembro quem, cuja fama ficou em algum lugar do passado: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer!”

Ah! Quem se apressou e disse: “Mara, quem cantou isso foi o Geraldo Vandré!”, aproveito pra dizer que justamente Vandré, é um dos maiores exemplos do que acabei de escrever.

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Terça-feira, Novembro 20

QUEM VOCÊ PENSA QUE É?


A decisão de deixarmos a capital paulista não foi motivada como quase sempre acontece, pela violência ou por qualquer outra dificuldade inerente ás grandes cidades. Nutro um profundo carinho e um imenso respeito pela gigante São Paulo.

Lá cresci, estudei, casei, tive meu filho e sedimentei a maioria de minhas impressões sobre a sociedade. Esses acontecimentos não aconteceram necessariamente nessa ordem, mas são responsáveis pela escrita oficial dos grandes eventos da minha vida.

A mudança não resultou de uma escolha pessoal e significou uma mudança radical em vários aspectos de nossa vidinha tão organizada dentro do caos urbano que é São Paulo. A primeira providência foi matricular meu filho em uma escola. A idéia era construir uma rede de amigos que pudessem suprir a ausência dos antigos coleguinhas.

Em pouco tempo, o objetivo foi alcançado e já tínhamos um amontoado de sobrenomes á serem incorporados em nossa agenda telefônica. É! Você leu direito. Eu escrevi mesmo “sobrenomes”. Parece incrível, mas, uma cidade que tem cerca de 700 mil habitantes, ainda tem a pretensão de identificar seus filhos pelo peso do sobrenome.

Entretanto, além dessa individualidade atribuída por clãs familiares, outra coisa atraía muito a atenção na relação de amiguinhos de meu filho. Bastou um convite para a primeira festa de aniversário para que pudéssemos perceber do que se tratava:

Não havia ali um só negro, ou qualquer um que pudesse levantar a remota suposição de ascendência negra. A diretora, a supervisora, os professores, alunos e até os donos da cantina eram brancos, na mais clara especificação da cor.

Tenho e, portanto temos, eu e meu filho, ascendência índia. Bugra, como adorava dizer meu avô. Isso significa: pele mais morena que o habitual, olhos e cabelos lisos e negros como a noite. Mas, apesar dessas singularidades, poderíamos, facilmente, sermos classificados como mulatos.

Mas o que isso quer dizer fora das definições de miscigenação que encontramos nos livros didáticos? Isso quer dizer: nos acostumarmos á ser diferentes num país onde deveríamos ser originais e representativos. Isso quer dizer: não ser branco e ponto.

Mesmo assim, em minha certidão de nascimento e na de meu filho, está escrito pra quem quiser ver. Cor: branca. Talvez o equívoco, então, esteja no campo onde está escrito “nacionalidade”. Mas, na nossa, juro por Deus, está escrito: Brasileira.

Assim, nessa contradição cresci, fui criada e educada sem maiores explicações. Na Argentina que é meu segundo lar, por exemplo, qualquer um aceitaria sem questionamentos se eu dissesse que sou Uruguaia ou mesmo uma descendente de índios Mapuche Argentinos.

Para resolver isso com bom humor, desenvolvi a piada de que sou uma brasileira-paraguaia. (juntando a idéia corrente de “falsificações com a similaridade com as características físicas da população).

O fato é que meu filho é de uma geração muito mais questionadora, graças á Deus. E, não demorou muito para que um dia, durante o jantar, ele soltasse a pergunta. Na verdade, muito mais uma afirmação que uma pergunta, mas disse ele:

- Mãe porque todo mundo diz que eu sou moreno? Não sou moreno. Sou marrom. E meu amigo, o Carlos Augusto, é amarelo. Não é? Com aquelas saídas estratégicas que extraímos do manual que acompanha os filhos e que só as mães são capazes de ler, respondi:

- Não, meu filho. Marrom é uma cor pra diferenciar coisas. Para “gente” usamos as palavras: “morenos e loiros”. Entendeu? Ele imediatamente e com ar solene disse: - Não. Mas não tem importância, porque eu sei que eu sou marrom!

Até hoje, brincamos sobre esse dia. Até hoje não sabemos se somos realmente “marrons” ou se essa foi apenas uma interpretação simplista de uma criança de quatro anos, para a total falta de consciência do que é a negritude brasileira.

Em 20 de Novembro do ano de 1695, foi assassinado Zumbi, a principal liderança do Quilombo de Palmares. Um negro. Negro de verdade. Azulado, com lábios grossos e nariz achatado. Daqueles cuja palma da mão e sola dos pés não deixaria dúvidas no quesito cor.

Em detrimento desse detalhe “insignificante”, em 1965, Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, revolucionaram o mundo artístico com a realização do musical “Arena conta Zumbi”, com um elenco fantástico e todinho composto por atores brancos.

O tema escolhido é pretensioso: a saga dos quilombolas no Brasil Colônia, momento de aguda resistência dos escravos ao domínio português. Fala de uma revolução e mostra como é possível construir outra realidade, mais justa e igualitária. Lembra alguma coisa?

Em 1984, eu mesma, cursando a Faculdade de Artes Cênicas, atuei no espetáculo “A gente Reconta Zumbi- vinte anos depois!”. Outra vez, nenhum negro no elenco. A que mais se aproximava era a “marrom” aqui.

Ano 2007. Nem vou contar quantos anos se passaram. Mas, talvez, não seja tarde demais para que se proponha uma conscientização sobre o que é ser negro e de que negro estamos falando.

O que foi um pequeno e surpreendente passo para o jogador de futebol Grafite, do São Paulo, ver seu adversário do time Argentino sair algemado do campo por tê-lo chamado de negro, deveria ter significado um grande passo para a sociedade. Foi? (Isso aconteceu mesmo ou é mais uma lenda urbana?)

Talvez o tal jogador Argentino não tenha tido a mesma esclarecedora percepção do meu filho. Senão, obviamente, teria chamado o jogador brasileiro de marrom. Livrava-se da cadeia e tiraria muitas dúvidas sobre a verdadeira cor do Grafite – o jogador. É claro!

Com isso, a pergunta que não quer calar no dia de hoje: Sairemos, então, todos algemados de mais um 20 de novembro?
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Segunda-feira, Novembro 19

UM ANJO QUE ESQUECEU QUE SABIA VOAR


Joanna tinha medo de aviões. Não um medo fóbico, do tipo paralisante. Mas, aquele receio teimoso que nos torna apreensivo e cheio de rituais. Na verdade, ela não era a única. O país inteiro ainda assimilava aquele primeiro acidente em congonhas com o avião da TAM.

A insegurança causada pela recente tragédia era tanta, que mesmo na segurança do saguão do aeroporto, meu coração batia descompassado. O avião que eu esperava traria uma passageira importante, de fama internacional e personagem das minhas fantasias adolescentes de ídolos inalcançáveis.

Depois de algumas angustiantes horas de atraso e muitos cafés, finalmente o pequeno avião pousou em segurança. Com o olhar eu busquei entre os passageiros que desciam numa lentidão irritante, alguém que se destacasse. Alguém, com pose aristocrática e típica dos que se sabem famosos.

Nada. Ao contrário, misturada entre os passageiros, uma mulher alta e elegante, vestida de maneira simples e, puxando a própria valise. Conversava descontraída com outra mulher e ambas vinham em minha direção.

Fiz um ensaio do encontro: “Ola Joanna eu sou a Mara. Conversamos no início da semana por telefone”! Não. Melhor dizer: “Joanna? Eu sou a Mara, nos falamos por telefone”. Ai meu Deus! Realmente não sabia o que dizer.

Mas, não foi necessário. Assim que ela me avistou, abriu um sorriso enorme, desses que reservamos aos amigos de infância, e me ofereceu o rosto pra um beijo. Naquele momento, tudo que eu havia aprendido sobre celebridades e show business desapareceu como por encanto.

Não sabia o real significado das palavras humildade e grandeza até conhecer Joanna. Uma mulher cujo olhar nos convida à intimidade, ao carinho e a um mergulho em nossa mais profunda autocrítica. O primeiro pensamento que nos ocorre depois de alguns minutos ao lado dela é: De onde vem essa luz?

Já estive com muitas celebridades. Conheço a intimidade de muitos deles. Mas nunca, por mais admiração que tivesse, eu me coloquei tão voluntariamente á serviço de alguém como fiz na ocasião em que estivemos juntas.

Joanna é o tipo de pessoa que, mesmo sem nada pedir, nos faz pensar a cada segundo: O que mais eu poderia fazer? Nenhuma exigência, nenhum pedido especial, nada que denunciasse a grandiosidade de seu gesto.

Bastou um convite. Um simples telefonema. E aqui estava ela. Com seu olhar que canta com a voz que reconhecemos imediatamente com o coração. Joanna cantou com fé, para a fé, da fé advinda do amor de filha e, contagiou uma multidão madrugada á fora, numa minúscula igreja do interior de São Paulo.

Enfrentando seu medo de voar, chegou sem saber pra que, sem perguntar por quê. Mas, quando partiu, nós é que não tínhamos mais perguntas. Sua presença calava nossos questionamentos e nos transbordava de um óbvio deleite.

Segurou em minha mão e se deixou levar com a confiança de quem se sabe protegida pela força magnética de uma força superior que nunca a abandona.

Se eu soubesse no saguão daquele aeroporto, o que aprendi depois ao lado dela, quando a ouvi dizer que temia voar eu teria dito: Joanna, não se preocupe, anjos sabem voar.

E assim, voando com a insegurança de quem não se reconhece como anjo e, por isso é, ela deixou sua platéia daqui, para ir de encontro ás platéias de lá , e de lá... e de lá.. e para o mais longe, que seu talento e sua luz sempre a levará.

Por isso ela canta. Pra diminuir a distância e aplacar a saudade que deixa por onde passa. Por isso essa voz...essa voz tamanha! Um beijo, amiga querida!



"Apenas esses flashes antecipam com belas pinceladas o que virá pela frente. Um patchwork de força, estilo, que expõe essa mulher segura, de voz perfeita e humor inteligente. Quando nossa estrela entra em cena, reflete em seu público a luz de um talento tão extraordinário que nem mesmo o tempo consegue apagar. PINTURA ÍNTIMA não é um simples copo de cerveja ou uma batida de cereja. É o retrato da trajetória de quem venceu todas as barreiras. Dona de uma beleza enigmática, essa estrela se completa com seu apuradíssimo talento. Enfim, PINTURA ÍNTIMA é um marco da excelente música brasileira!"

CLIQUE AQUI E ACESSE O SITE OFICIAL DA JOANNA
- posted by Mara


Sábado, Novembro 17

BLOGUEIRO, UM ANÔNIMO QUE ASSINA!


Andei navegando de blog em blog, seguindo as pegadas de algumas pessoas que admiro. Foi uma experiência inédita e interessante. Vi muitas coisas boas e outras tantas, bem ruins. Uns aconchegantes e, outros, verdadeiros albergues de desesperados.

Alguns me surpreenderam, outros nem tanto. Incrível como a escrita das pessoas esconde muito mais do que revela. O que desvela, está no interior dos espaços pra comentários.

Nesses espaços, em pouco tempo, passamos a identificar de onde vêm, o que querem e pra que estão ali aqueles “avatares” – hoje, sinônimo da identidade de muitos. O link para os “textos anteriores” é um portal para a compreensão dos significados que o template atual camufla.

Fiz uma incursão em alguns desses blogs. Vi muita gente perdendo o viço, a pureza e o objetivo no decorrer do tempo. Vi isso se transformar em crescimento, mas vi muito mais, a metamorfose traduzida em indiferença e mau humor.

Incrível perceber, quantas pessoas e, isso me inclui, que saltou de dentro dos “halos” para a pretensa intenção de se fazer blogueiro pelas mais diferentes razões. Seja porque sempre desejaram sê-lo, seja porque sempre foram e, ninguém sabia. Mas, o que muito se vê, é a desilusão e o descontentamento buscando refúgio na segurança de um domínio próprio.

Não foi falta de aviso. Fui diversas vezes alertada para as articulações não expostas, da existência de um domínio paralelo que, como comentaristas, jamais temos acesso. Juro que pensei que isso era um delírio paranóico. Coisas da virtualidade, eu apostava.

Assumo que julguei e diagnostiquei mal. Não há mais fronteiras entre o virtual visível e o real invisível, e ambos são manipulados de maneira que notemos ora um, ora outro, alternadamente. Uma artimanha competitiva que ganha quem tem tempo e caráter capacitante para dominar bem essa intenção.

Outro dia, um desses chiquérrimos que “assinam” com o famoso internacional “anonymous” se julgou no direito de entrar nesse espaço e dizer da arrogância que vê em mim. Á princípio, achei impertinente e mal educado: “Desde quando o que sou está ao alcance da compreensão dessa criatura sem identidade?”, pensei arrogante.

Hoje, sei que a resposta está na interpretação livre que esse “comentarista” faz do que escrevo. Não quero me contentar com o vaidoso fato de que “no mínimo” ele é meu leitor. Isso não me basta. Entendi que deveria retribuir-lhe o favor. Compreendi, que eu deveria “lê-lo” também se quisesse expressar, como ele, alguma opinião.

Munida dessa certeza, minha aventura ontem pelos blogs, foi um passo nessa direção. Li anonimamente muitos textos e senti na ponta dos dedos, o frenesi que é não concordar ou concordar com muitas coisas e não ter permissão pra se manifestar.

Mas, esse foi um parâmetro pobre. Minha concepção de ética e o exercício da psicologia, que prega o respeito ao espaço alheio, não me permitiriam mesmo que eu expusesse minhas opiniões sem ser solicitada, ainda que me valesse do anonimato.

Ok. Conclui a ausência de ética desses “anônimos”. E daí? Isso não respondia aos meus questionamentos. Então, resolvi literalmente lê-los. Um á um, distintos em seus pareceres, mas exatamente iguais em suas intenções.

Esses anônimos são, agora sei, muito mais que o termômetro de nossa popularidade. Não que isso seja pouco e de pouco valor. Mas, por trás de seus comentários estão as análises francas e sem “nhé nhé nhé”, de um pensamento corrente. De uma idéia extraída não dos esconderijos das janelas de MSN, mas das entrelinhas do que nós mesmos escrevemos.

São de uma honestidade detestável. Traduzem o indizível e nos desafia a provar o contrário. Inexperientes em termos tal transparência, nos equivocamos e entendemos esse desafio como afronta.

Rejeitamos o desafio ou, o fazemos agressivamente e, com isso, perdemos a oportunidade de dizer-lhes que não “somos” assim, mas que “estamos” assim. Desprezamos, talvez, a única manifestação realmente piedosa que nos fazem. A única que, em seu questionamento implícito, deseja realmente ser contestada.

Entendi que não devo destituir esses anônimos de seus méritos. De seu ato heróico e kamicase de dizer que “lê muito mais você” do que qualquer outro o faz. Que conhece seu trajeto e não ignora suas intenções.

Quando entendemos que o fato de não assinarem os torna inimigos em potencial, tiramos deles seu principal e louvável diferencial. Estão, com isso, nos dizendo que não querem ser identificados com esse ou, aquele pensamento. Que são autônomos, guiados por alguma idéia pré-concebida, é claro, mas, livres para serem convencidos de que estão errados.

Pior são os agressores que assinam e adornam sua deselegância com seus avatares conhecidos. Estes se autodenominam porta-vozes de uma filosofia, de um “modus operandi”. Não há desafios, ou verdades individuais em seus comentários penetras. Há raiva, rancor, inveja e uma obstinada intenção de tirar de você uma resposta que o torne igual á eles.

Há uma ligação osmótica entre os blogueiros e seus comentaristas. Por termos estado ali, telegrafamos que concordamos com a postura de quem escreve na página principal. Mas, tem se tornado urgente que percebamos que, em alguns casos, trata-se apenas de uma empatia pelo coletivo e não apenas por seu representante.

Amizades sinceras e vínculos duradouros acontecem no interior desses halos. Coisa, que á quem escolhe a hierarquia de ser blogueiro, raramente desfruta. Quando isso acontece, o blogueiro, sem escolha, acaba perdendo seu “pensar” solitário e, passa ele também, a fazer parte de um coletivo castrador e autoritário.

Não estou defendendo o anonimato e, menos ainda, a não inter-relação entre blogueiros e comentaristas. Logo eu? (risos). Estou apenas partilhando as impressões colhidas em minha incursão. O único objetivo era conhecer melhor um universo que invadi porque julgava público.

Assim, preciso dizer que não sou blogueira. Escrevo em um blog. Não sou arrogante ou vingativa em minha atuação real na vida. Sou psicóloga e dedico minha vida á compreender a alma humana. Não coleciono almas. Não imploro amigos, eu os tenho.

Não misturo amizade com apoio psicológico. Sou humana. Erro e acerto e aprendi a justificar cada gesto humano, ainda que por sua natureza, esse gesto nem se pareça com de um gesto digno da espécie.

Nunca serei uma boa jornalista, porque respeito um segredo quando ele me é confiado. Além de respeitar meu próprio direito de não expor minha alma para denegrir ás de outros. Mas, nunca nego uma resposta á uma pergunta sem malícia, bem como, não respeito quem conclui sobre mim, sem me perguntar.

Não quero dividir torcidas ou ser reconhecida por minhas verdades absolutas. Quero o direito de tornar público meu pensamento. Eu e os “anônimos” temos muita coisa em comum, mas nos diferenciamos porque eu decidi assinar o que digo e fazê-lo dentro de minha própria casa.

Não escrevo sobre ninguém e escrevo sobre todo mundo. Não cito nomes, não atiro indiretas e escrevo reproduzindo o que aprendi. Não posso lamentar e nem evitar que me acusem de ser “arrogante” e acadêmica demais. Cresci em ambientes aonde a compreensão vem antes da negação.

Queridos leitores, comentaristas, blogueiros, anônimos, mal-intencionados, turistas ocasionais e sinceros amigos, aprendi com vocês ontem. E, desejo do fundo de meu coração, que me desculpem a falta de afetividade escancarada que tanto vi por aí, mas, minha maneira de dizer que os quero bem é, todos os dias, pensar em uma maneira de trazê-los pra perto de mim.

Escrevendo o que eu gostaria de ler. Quando não quero, deixo minha página e visito os amigos que escrevem assim. Façam o mesmo.

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Sexta-feira, Novembro 16

CADÊ TODO MUNDO?


“O importante é competir!” Duvido que exista alguém que nunca disse essa frase, ainda que em tom de sarcasmo, ou provocação. Desde crianças somos estimulados direta ou indiretamente a disputarmos cada palmo daquilo que nos interessa.

A prática do competir está associada á valorização daquilo que se almeja conquistar. Nada que é conseguido sem esforço notório parece ter valor social ou emocional. É natural, então, que no intuito de vencer, empreguemos todo e qualquer recurso que tivermos á mão. Certo?

Errado. O autor ou autores da frase que determina a importância do competir fez o favor de acrescentar um detalhe moralizante que atrapalha os escrúpulos de muita gente: as regras.

As regras, sobretudo as morais, nem sempre são claras e antecipadamente divulgadas. Preceitos religiosos, desportistas e até empresariais determinam que nem todos os artifícios serão aceitos quando se está num páreo.

Ocorre que, poucas pessoas se dão conta que existem algumas situações na vida que não implicam em competição. Que nem tudo é um jogo, ou que se existiu um jogo, não se dão conta que o mesmo acabou e continuam a competir.

Há, inclusive, situações em que pelo desnível generalizado entre os oponentes, nem é possível estabelecer qualquer tipo de concorrência. Mas, competidores natos não estão nem aí pra isso. Levam ao pé da letra a importância do competir e fazem disso sua motivação existencial.

Para pessoas assim, o pior adversário é ele mesmo. Aliás, é da análise de si mesmo que essas pessoas se baseiam e determinam suas atitudes frente ao “jogo” eterno que empreendem.

Como são competidores compulsivos, sempre acreditam que estão sendo desafiados pelos outros. E, via de regra, julgam que serão incitados com as provocações que eles mesmos fariam.

Em diversas áreas profissionais, a competitividade é estimulada á fim de se obter melhor rendimento ou envolvimento. São propostas práticas individuais ou em grupos, incitados por prêmios ou menções honrosas. Já vi muito profissional receber uma promoção ou prêmio e no fim do dia, não ter nenhuma pessoa com quem comemorar.

Mas, de que nos vale ficar discutindo os princípios do capitalismo selvagem ou das estratégias de recursos humanos (odeio essa terminologia) das empresas? Além disso, qualquer movimento nesse sentido, hoje, pode ser interpretado como filosofia barata.

Mas, o famigerado “recursos humanos” das empresas são oriundos de um mundinho particular e individual que geralmente é ignorado pelos executivos contratantes. O sujeito que ganhou o destaque de funcionário do mês, pode ser o mesmo que, no próximo, entrará atirando na recepcionista.

Os mistérios da personalidade de pessoas essencialmente competitivas não podem ser subestimados. É claro que nem toda pessoa agressiva é competitiva, mas toda pessoa que faz da competição sua razão de viver, é necessariamente agressiva.

Agressividade não é o problema. A questão é o uso que se faz dela. A agressividade se alia constantemente com outros sentimentos negativos, o principal deles é a inveja. A inveja cria uma constante necessidade de fuga da situação dolorosa de se comparar e se sentir inferiorizado, partindo-se para o ataque.

Como pode ser que essas pessoas não possuam nenhum tipo de “exame de consciência” ou coisa que o valha? O fato é que os resultados de suas ações não são medidos pelas perdas que podem ocasionar, e sim pelo atingir de sua meta principal: a desforra contra a imagem de ódio que construiu pra motivar-se a competir.

Agressividade gera um conseqüente medo paranóico de retaliação ou revanche. Tende a justificar suas posturas baseados na distorcido pensamento de que sempre haverá quem esteja tentando usurpar-lhe algo valioso que conquistou ás “duras penas” (geralmente algo conquistado em alguma outra disputa).

Estatisticamente percebe-se que esses articuladores competitivos são, em sua maioria, extremamente instruídos do ponto de vista intelectual e de experiência de vida. Essa característica, aliás, é a fonte de onde tira o arsenal necessário para aniquilar seus oponentes.

Quer irritar um sujeito agressivo? Deixe-o perceber que nada do que ele possui ou pensa possuir, tem interesse ou valor pra você. É claro que ele não irá acreditar, porque em sua escala de valor nada é mais importante do que o que ele mesmo instituiu como sua prioridade.

Desvalorizar o que ele possui ou almeja tira dele sua razão existencial, que é proteger suas “posses” de pessoas iguais á ele. Em sua visão estreita e egocêntrica, isso quer dizer, todos os seres humanos da face da terra.

Mas, se engana quem pensa que essas pessoas são impopulares ou indesejáveis. Ao contrário, são fascinantes. Atraem como moscas, pessoas que não possuam a mesma isenção á crítica, que os usa como bode expiatório para representarem o que pensam.

Valentes, tornam-se porta-vozes de multidões na mesma medida que reivindicam para si, a autoria do que os outros gostariam de dizer e temem fazê-lo. São escudos e se julgam heróis da resistência.

Mas, esses covardes e coniventes companheiros, não são serão os que terão a honra de poder chamar esses tipos agressivos de amigos. Os que legitimamente logram serem considerados assim, são justamente os que mostram leveza e espírito cooperativo.

Estar eventualmente com esses “amigos” desinformados, que estão sempre alheios ás intenções escusas do competidor nato, proporciona uma espécie de férias desse lado negro de sua personalidade. E, até mesmo uma alma atormentada como essa, necessita de um espaço-tempo para refazer suas energias e preparar sua próxima jogada.

Está aí, aliás, é sua única esperança de redenção: a possibilidade que dentre esses “amigos” desencanados, alguém o desperte para a auto-reflexão. Mas, o mais provável mesmo, é que ele corrompa essa pobre alma antes mesmo de conhecê-la pessoalmente.

A fama desses “ganhadores” se espalha rapidamente pelo esgoto onde vivem os derrotados. E, se não podemos ser nós mesmos os campeões, é natural que nos aliemos á quem se julga vencedor.

Afinal, ganhar ou perder, o que importa? Isso determinaria o fim do jogo e sem ele, como ocupariam suas vidinhas medíocres?

Falando nisso, é sempre bom lembrar: jogo de azar, no Brasil, é proibido. E, na vida, se pretende só jogar, o azar é seu!

- posted by Mara


Quinta-feira, Novembro 15

ENGOLE ESSE CHORO, MENINA !


Éramos sete e fomos, aos poucos, nos tornando únicas. Entretanto, não há poesia ou enredo fictício na história que vou contar:

Disseram que éramos irmãs e eu acreditei. Ao fazê-lo, abri mão de seguirmos juntas como companheiras. Nos resumimos á sermos filhas dos mesmos pais e parentes das mesmas irmãs. Como não a deixei ser meu anjo “durante”, então ela decidiu ser “depois”!

Um dia, ao acordarmos, ela havia partido. Como um pássaro em vôo solo, partiu rumo ao sul de sua mente. Foi sem deixar recado, sem despedidas sem lembranças emotivas, mas não, sem antes, transitar entre nós como um acréscimo.

Foi um adeus tão singular quanto sua existência. Pequena em estatura, gigante na compreensão da fugacidade da existência. Escreveu sua própria história... á lápis. Nunca reivindicou destaque, exclusividade ou partilhou das incansáveis disputas por afeto.

Desavisadas e, sem a mesma grandeza, íamos tentando impermeabilizar e perpetuar cada passagem. Ingênuas, a julgamos como igual. Deveríamos ter percebido que não se tratava de mais uma filha, irmã, esposa, mãe ou amiga.

Não cumpria suas promessas, não levava á sério nossas mais profundas lamentações e ria, ria muito das nossas preocupações. Não fazia juízo moral ou se deixava abater pelos que recebia.

Brincando com o tempo, instituiu o dia quinze de cada mês como o dia “D”. Dia quinze te telefono! Dia quinze... dou um presentinho, vou à sua casa, começo o regime, paro de fumar... Dia quinze tornou-se o dia onde ela esquecia todas as promessas feitas nos últimos trinta dias. Nos acostumamos á isso.

Nunca a levamos á sério. Passamos a entender que o assunto estaria encerrado caso não fosse resolvido até o décimo quinto dia do mês. Assim era muito mais fácil conviver com alguém tão insuportavelmente desprendida da vida.

Parecia não amar ninguém e amar toda humanidade como se não houvesse fronteiras familiares, raciais, sociais e até ideológicas. Demoramos á entender que nunca seríamos especiais, nem pra mais e nem pra menos, em seu universo.

Um dia ela cansou. Mas, intuitivamente sabia que não estávamos preparadas para romper bruscamente os laços aprendemos que deveriam ser eternos e indissolúveis.

Ao cansar-se, iniciou sua partida. Estávamos tão ocupados em compreender sua presença que nem nos demos conta que ela estava, aos poucos, se tornando ausente.

Os dias começaram a diminuir do calendário da sua mente. E vagarosamente o dia anterior e todos que o sucediam foram desaparecendo. O tempo transformou o “dia quinze” em um dia qualquer sem o “antes” e sem o “depois”.

Aos recém chegados, não dava mais o menor sinal de boas vindas. Aos que “mais ou menos” já estavam, fechou todas as entradas. Ficamos nós. Alguns! Alguns nomes, alguns rostos definidos num emaranhado de histórias! Tirou nossa identidade, nossa referência e suposta importância. Quem era, deixou de ser e, quem nunca foi, sentiu-se obrigado a ser antes que fosse tarde demais.

Mas, nós, como morcegos emocionais, limitávamos nossa visão e não aceitávamos o descaso da despedida. Onde estavam as lágrimas habituais, a negação, a barganha e exasperação? Refugiada na sabedoria daquele mundo paralelo que nunca conseguimos entender, ela nos oferecido apenas a aceitação.

Viveu, intensa e descompromissadamente porque compreendeu, ou já nasceu sabendo, que não levaria nada consigo. Nem uma lembrança, nenhum remorso, nenhuma saudade. Tentou inutilmente nos prevenir.

Seu destino ou escolha, como preferir, espiou todos os nossos remorsos. Provocou rachaduras definitivas em nossas convicções e instalou, finalmente, o que ela sempre quis que aprendêssemos: a finitude do que creiamos permanente.

Tenho vergonha de chorar essa dor. O mesmo choro que está atravessado como em meu pescoço, é o que me constrange por não alcançar os ensinamentos que, em sacrifício, elas nos ofertou. Ela estaria rindo de mim enquanto repetia o seu irritante “Relaxa, não dá nada”!

Não tivemos tempo suficiente juntas, para que eu aprendesse todos os mistérios que ela revelava sem medo. Tive meu tempo tomado pela ciência das enfermidades da “alma”, enquanto ela se pós graduava no exercício de viver.

Ao sair, me ensinou que eu não havia aprendido nada. Que não há mistérios da alma, e sim, matéria física que isola sua compreensão. Não temos alma. “Somos” alma e “temos” um corpo.

Não acreditamos e ela nos provou e nos pune, com seu aspecto grotesco, por termos apostado tanto na supremacia desse invólucro em detrimento de seu conteúdo.

Olhamos com olhos cegos sua ausência sobre a cama. Tentamos alcançar o inalcançável pelo toque nas mãos. Acariciamos sua pele, seu rosto e seus cabelos como se pudéssemos exigir que nos deixasse entrar novamente.

Desejamos, tardiamente, mais uma chance. Ela faria uma piada infame de nossos anseios e na ausência da graça, riria ela mesma de sua própria insensibilidade.

Como uma piada que nos encantou ouvir e, que adoraríamos repetir, mas não nos lembramos o fim, ela chegou num dia quinze inventado por sua mente destruída e de lá nunca mais saiu. Depois nos convidou á lembrar que, todos os meses terão um Dia Quinze, e que nada poderá detê-lo.

Não é saudade, nem pesar. Não há revolta, desespero ou lembranças dolorosas. Apenas frustração e impotência. Queria ter ouvido o que ela insistentemente ensinava e não ter aprendido o sentido do amor fraterno como ele é concebido.

Não está nos livros acadêmicos, nem nas descobertas científicas. Não está nos ensinamentos bíblicos ou nas crenças populares. A resposta não está em parte alguma senão, naquele olhar vazio.

Queria não ter entendido que ela esperava ter me ensinado algo e que fracassou. Queria saber fazer muito mais que chorar pelo riso que se ausentou...

Ao contrário, terei que esperar pelo “QUINZE” definitivo no castigo de contar os intermináveis dias que o antecede.


* Inicialmente as pessoas que sofrem de demência de Alzheimer desenvolvem mudanças quase imperceptíveis da personalidade e perda de memória para os fatos recentes. Elas se cansam, se aborrecem e ficam ansiosas com mais facilidade. À medida que a doença progride a pessoa vai esquecendo mesmo os fatos mais antigos, deixando de reconhecer o cônjuge e os filhos, por exemplo; este seria um estágio já bem avançado. Além da memória, a demência leva a uma deterioração da capacidade de raciocínio e julgamento. Também ao descontrole dos impulsos e da conduta. Aos poucos a capacidade de ler e de executar as tarefas habituais vai se perdendo. No fim a pessoa não consegue nem mesmo realizar sua higiene pessoal, atividades motoras básicas como desabotoar uma camisa ou andar sozinho. Até que finalmente todas as suas funções se comprometem definitivamente e o paciente torna-se vegetativo. O final é a parada definitiva de seus órgãos vitais. Do início ao final da enfermidade é possível que passem décadas.
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Quarta-feira, Novembro 14

CAIU NA REDE...


É SEREIA! ops, É PEIXE!

Esqueçam os contos de fadas. A infância acabou! É tempo de tragédias, de medos, traições e blasfêmias. Não é recomendável que ignoremos a tensão permanente que dá indícios de um final trágico. Mas, nada de drama. Não há nada de ambivalência no que se delineia.

Assim são as tragédias. E no exercício clássico de sua função, a tragédia que falo não é, senão, o fruto da aliança inadvertida entre a paixão e o temor. Catarse que expurga e que purifica nossos sentimentos.

Não me olhem assim. Nem me atribuam responsabilidades. Não fui eu quem descrevi o óbvio roteiro. Perdoem-me se me dedico outra vez á minha irritante filosofia, mas, a história se reescreve sozinha e eu apenas contemplo.

“Deixe que cada um exercite a arte que conhece, já filosofava Aristóteles. Será ele também um pseudo-intelectual, um desocupado profeta ou um profundo conhecedor de que na natureza nada se cria - tudo se copia? Até as tragédias....

Que importa? Tragédia, por definição dele mesmo, há de ter personagens de elevada condição (heróis, reis, deuses), ser contada em linguagem elevada e digna e ter um final triste, com a destruição ou loucura de um ou vários personagens sacrificados por seu orgulho ao tentar se rebelar contra as forças do destino.

Mas, nenhuma profecia filosófica se cumpre melhor, senão, por sua dinâmica sistematicamente sequencial e fatal : O prólogo ( que pode ser longo e rico em detalhes que negam a tragédia que virá); O episódio (onde se desenham o caráter de seus personagens e de onde se prevê a divisão nítida entre o bem e o mal) e finalmente o Êxodo (que aqui dispensa comentários).

Mas, diga-se: “hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!”. Ainda há méritos á se considerar! Não é prudente ignorar os grandes feitos. Eles mudam a face da história, determinam o esgotamento das forças, mas predizem o nascimento de novas promissoras versões.

Ah! Adoro quando estou assim exageradamente pedante. Além de apaziguar os ânimos de quem aponta isso como um defeito, é uma eficaz forma de seleção natural. Reduz as possibilidades de afetos vulgares, é bem verdade. Mas, me presenteia com a qualidade que pretendo.

Assim sendo como sempre foi (só não viu quem não quis), depois de tanto enaltecer os mitos e ícones, antes que o feriado se aproxime e traga a diversão que nos substitui, falemos de superstições?

Pois bem. Reza a lenda que alguns destemidos marinheiros temem apenas uma coisa na vida: serem seduzidos por uma sereia. É! Aquela frágil e linda figura feminina, metade mulher-metade peixe que, com voz doce e melódica atrai as desavisadas almas, seduzindo-as com seu canto e as consome para salvar a si mesmas.

A criança que ainda resiste em mim, concorda com quase tudo na definição acima. Mas, linda? Me poupe! Como, uma figura com um propósito de vida igual á esse, pode ser considerada minimamente encantadora? Sem chances! A sedução tem mesmo é que ficar por conta do canto que camufla suas intenções egoístas.

Acontece que também virei marinheiro. Não ria. Você também vai se tornar um, um dia. E nesse mar cheio de tubarões, quero ser o capitão e, como tal, o último a deixar o navio.

Salvaguardada por minha posição privilegiada, no interior de minha própria embarcação, passo a palavra para meu primeiro-imediato: o marinheiro Franz Kafka. Com maior propriedade e, alheio á represálias, assino e coaduno com suas palavras:


O CANTO DAS SEREIAS

Conta-nos Kafka que, “para se defender das sereias, Ulisses tapou o ouvidos com cera e se fez amarrar ao mastro. Naturalmente - e desde sempre - todos os viajantes poderiam ter feito coisa semelhante, mas, era sabido no mundo inteiro, que isso não podia ajudar em nada. O canto das sereias penetrava tudo e a paixão dos seduzidos teria arrebentado mais que correntes e mastros. Ulisses, embora talvez tivesse ouvido coisas a esse respeito não pensou nisso. Confiou plenamente no punhado de cera e no molho de correntes e, com alegria inocente, foi ao encontro das sereias levando seus pequenos recursos. As sereias, entretanto, têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio. E de fato, quando Ulisses chegou, as poderosas cantoras não cantaram, seja porque julgavam que só o silêncio poderia conseguir alguma coisa desse adversário, seja porque o ar de felicidade no rosto de Ulisses - que não pensava em outra coisa a não ser em cera e correntes - as fez esquecer de todo e qualquer canto”.

Ulisses, no entanto, acreditou que elas cantavam e que só ele estava protegido contra o perigo de escutá-las. Não “ouviu”, portanto, o silêncio.

“Mas elas - mais belas do que nunca - esticaram o corpo e se contorceram, deixaram o cabelo horripilante voar livre no vento e distenderam as garras sobre os rochedos. Já não queriam seduzir, desejavam apenas capturar, o mais longamente possível, o brilho do grande par de olhos de Ulisses. Se as sereias tivessem consciência, teriam sido então aniquiladas. Mas permaneceram assim e só Ulisses escapou delas.”

E assim, destrói-se o mito da sereia: mulher-fatal, de atrativos irresistíveis e com “canto” sedutor e mortal. Existe, inclusive, a hipótese de que Ulisses teria ouvido sim o “silêncio das sereias”, mas que se opôs a elas e, astutamente, usou como escudo o jogo de aparências acima descrito.
- posted by Mara


Terça-feira, Novembro 13

SANTA É A MÃE!


Eu confesso (no sentido de partilhar um dado particular) que não sou muito religiosa (no sentido de pertencer á uma religião específica). Acredito em uma força superior que rege todas as coisas e que, em particular, nunca me deixou na mão.

Minha mãe já foi católica fervorosa, minha sogra é violinista de uma congregação mineira, meu marido não perde uma missa e meu filho não decepcionou á nenhum deles. Segue os mesmos preceitos e faz valer minha decisão de tê-lo batizado na igreja católica quando ainda era um bebê.

Não vou misturar alhos com bugalhos e relacionar aqui os motivos que me impediram de seguir a corrente familiar e tornar-me parte desse fundamento religioso. Mas, existem certas evidências que a vida nos impõe que são impossíveis de ignorar.

Como diria minha mãe, contra fatos, não há argumentos. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é minha mãe. “De fato e de verdade”, completaria, a quem chamo de mãe, mas, que foi minha mãe por apenas sete meses.

Essa confusão faz parte de uma história que me foi contada assim que tive idade suficiente para compreender a resistência de minha mãe biológica de que eu a chamasse de mãe, como faziam as minhas irmãs.

Nascida de um parto prematuro e recheado de fatos trágicos, eu sou a caçula de sete filhas mulheres. Todos os riscos que envolvem um parto assim foram resumidos por um despreparado médico para minha mãe, alguns dias depois que eu nasci. Disse ele: “Busque roupas para enterrar sua filha. Ela não resistirá mais que algumas horas”.

Mamãe nunca pôde e até hoje, aos oitenta e tantos anos, não pode ser chamada de uma mulher frágil. Desamparada talvez, frágil nunca. Mas, diante de uma afirmação tão incisiva, saiu pelas ruas desesperada, chorando e sem rumo.

Desnecessário dizer o nível de descontrole que ela viveu. Teve outras seis filhas de parto natural, com ajuda de parteiras e estavam todas saudáveis. Alguma coisa além de sua compreensão estava acontecendo e ela precisava de respostas.

Com esse pensamento entrou na primeira igreja que encontrou pelo caminho. Ajoelhou-se e rezou silenciosamente. Mais calma, concluiu que não poderia fazer nada, a não ser aceitar e se dedicar as filhas que lhe foi permitido ter e ver crescer.

Foi aí, que levantou a cabeça e viu uma imagem em posição de destaque, enorme, na outra extremidade da pequena igreja. Não a reconheceu e como quem se dirige á uma desconhecida disse:

- “Senhora, eu tenho seis filhas. Seis grandes bênçãos, e seis grandes preocupações. Não tenho profissão, não tenho dinheiro e tudo que me motiva á viver é saber que elas não pediram pra nascer. Nenhuma delas”.

Enquanto falava, um padre se aproximou e em silêncio ouvia atentamente tudo que ela falava entre lágrimas.

- “Minha caçula, continuou, está morrendo. Por mais que eu pense, não sei o que eu poderia fazer pra evitar essa dor. Penso que nenhuma mãe deveria assistir a morte de um filho. É contra a lei da natureza. Mas, é o que me restou”.

Ela olhou e viu que a imagem da Virgem, tinha nos braços um bebê, e completou: “A Senhora é mãe e me entende. Não posso e não vou tentar mudar a vontade de Deus. Mas não posso suportar perder uma filha.

E, enchendo-se de coragem disse: “Nesse momento te entrego minha filha caçula, para que a ame e zele por ela como uma mãe. Se ela morrer, receba-a em seus braços. Mas, se ela sobreviver, eu me comprometo a cuidar dela, como se fosse minha filha outra vez!”. E saiu.

Na porta, o padre que a observava, a esperava e, quando passou por ele, ouviu: - Nossa Senhora. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, disse o padre. Ela virou-se e o olhou com cara de quem não tinha compreendido, então, ele explicou:

- A mãe da criança que está morrendo. O nome dela é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Sem responder nada, mas estranhamente com o coração mais leve, ela deixou a igrejinha e foi fazer o que o médico mandara.

Poucas horas depois, já estava de volta ao hospital com a roupa de tricô feita por ela. Procurou pela enfermeira, entregou-lhe a roupa e já ia sentar-se na sala de espera quando o médico apareceu.

- Dona Tereza, que bom que a senhora ainda não foi embora. Sua filha melhorou. Reagiu e acreditamos que está fora de perigo!

Enfim, o final dessa história é óbvio. Mais óbvio ainda, é a razão pela qual eu, que não tenho o hábito de ir á igrejas ou missas, não gosto de imagens e, discordo de muitos preceitos do catolicismo, carrego comigo um ícone da igreja católica.

É a foto da minha mãe. É a fé da minha mãe-terrena guiando-me pelo caminho que tenho que percorrer até o dia de encontrar-me com minha mãe de fato e de verdade.

Essa história é tão simbólica e cheia de perguntas sem respostas que meu filho aprendeu a dizer que tem três avós. Pior é meu marido, coitado, que não só tem duas sogras, como uma delas, está acima de qualquer reclamação ou piadinha.


- posted by Mara


Segunda-feira, Novembro 12

AH! ESSES PODRES PODERES!!


Se pensamos em nós, cidadãos comuns, como legítimos representantes do nosso país, haverá sempre quem se manifestará como crítico implacável, incorporando á si mesmo, total isenção de responsabilidade.

Pode ser que seja natural que não tenhamos coragem de assumir nossa colaboração num processo que tem se mostrado desastroso essencialmente pelo caráter vergonhoso de quem exerce, legitimamente ou não, o poder de mudar esse panorama.

Mas, o surpreendente mesmo, é que muitos ainda não reconheçam em si a reprodução da mesma conduta que apontam como vergonhosa, desmoralizante e, em alguns casos, até anticristã.

Somos aquilo que desejamos ser, é bem verdade. O fato de não termos condutas reprováveis capazes de conseqüências em larga escala, não nos torna melhor do que os que, eleitos por nós, têm a oportunidade de tê-las. Nos torna apenas, hipócritas com grande potencial de destruição.

Esse é um fato de fácil percepção se tentarmos imaginar como seriam nossos políticos antes de serem nomeados porta-vozes da nossa vontade. Aquele político sedutor, corrupto, insensível e moralmente imprestável, terá sido um ser humano diferente um dia?

Terá o poder, todo “poder” que atribuímos á ele? Capaz de mudar conceitos de vida, anular princípios fundamentados no berço ou alterar a essência humana, em nome da possibilidade de ter o controle de tudo ou satisfazer o próprio ego?

Não falo do vil metal. Esse, sabemos, corrompe e aniquila. Falo do poder, pelo poder. Aquele que alimenta o monstro do egocentrismo. De onde se tira a energia necessária para gerar estratégias, manipulações, técnicas de sedução e produz idolatria, na mesma medida, que incita o ódio e a vingança.

Quantos de nós poderemos realmente afirmar que somos apenas vítimas desses egos transfigurados? Quantos poderão com, honesta auto-avaliação, definir-se apenas como instrumento inocentes dessas criaturas?

Não há possibilidade de sermos o resultado de um “infeliz” encontro entre a força e a vontade, resumidos na mesma necessidade? Não fosse assim, como se explicaria a existência secular de líderes políticos e religiosos e suas multidões de seguidores alucinados – executores de suas idéias ensandecidas?

Somos suscetíveis e estamos vulneráveis. Para cada ego inflado, cego pelo poder - poder sobre as massas, há centenas de egos que se contentam em respirar o ar fétido que esses seres expelem enquanto se engrandecem. São os chamados egos-parasitas.

Não menos asquerosos, mas menos dispostos á exposição e ao linchamento popular que seus mentores, são eles que executam e que marcham, fazendo o serviço sujo de aniquilar quem não cede ás tentações desse poder animalesco calcado invariavelmente em apenas conquista territorial.

Esses mentores se alimentam da mediocridade de um poder ínfimo no contexto global, mas que lhe parece gigante em seu universo reducionista. A força desses "micro-coronéis” da sociedade, advém dos serviços que prestam aos que efetivamente exercem um poder de alcance mais expressivo.

Trata-se de uma cadeia alimentar bem articulada e hierárquica. Esses "pequenos" serviços, garantem a manutenção dessa expressão e serve como moeda de troca.

Já convivemos historicamente tempo demais com o chamado coronelismo para não termos, no mínimo, condições de identificar seus conceitos. Difícil é promover a conscientização de que esse tipo de comportamento transcende a esfera política e pousa em nossos quintais.

Aqui, bem pertinho do que consideramos nosso domínio, os tentáculos desse protótipo de poder vai invadindo, ditando regras, criando desagregações e promovendo a falta de ética e aliciando seguidores.

Os seguidores serão, também responsáveis pela difusão do conceito: “se não está comigo, está contra mim”. E, se está contra, terá que pagar o preço dos desmandos e da ausência de um sistema de policiamento capaz de conter um exército de obstinados defensores de causas que não lhes pertencem.

É a lei do mais forte, da quantidade x qualidade. Semelhante ás hienas que, em grupo, dilaceram a vítima e entregam ao líder que, depois de saciado, entrega os restos para o faminto grupo guerreiro.

Assim tem se estruturado uma grande parte da nossa sociedade. Mas, sempre teremos o direito de perguntar: “E eu com isso?”

Só saberemos a resposta quando, quando olharmos pro céu do nosso mundo e enxergarmos o bando de urubus, vigilantes e organizados, esperando que você dê sinais de cansaço.

Mas, se é para o bem de “quase” todos e a infelicidade “quase geral”, digo á todos que fico! Ou como diria Zagalo: Terão que me engolir!

- posted by Mara


Domingo, Novembro 11

VIDA INTERESSANTE NA NET?


CALMA! NEM TUDO ESTÁ PERDIDO...

Nesse domingo, que por ser domingo dispensa adjetivos, despertei cedo como de costume. Fiz tudo que se costuma fazer, quando não se há nada pra fazer: lavei as louças que os rapazes deixaram sobre a pia ontem, dei umas voltinhas com meu companheiro peludo, arrumei algumas gavetas de badulaques do meu escritório.

Depois, decidi que merecia um descanso intelectual e físico depois de uma semana particularmente cheia de coisas á fazer, das quais nem a metade foi feita. Sentei aqui diante do computador e pensei: Sobre o que vou escrever?

Nada de útil ou inédito me ocorreu. Inédito, não no sentido de nunca escrito, mas no sentido de não “colado”, se é que me entendem. Totalmente sem inspiração, digitei no Google a palavra “imparcialidade”. Nada de útil, ou no mínimo fidedigno, apareceu.

Numa nova tentativa, escrevi “manipulação”. E uma avalancha de sites e blogs políticos se alinhou na minha tela. Não, não era o que eu queria! Tentei novamente, desta vez com as palavras: “mau caráter” (que desisti antes mesmo que abrisse) e “falsa bondade”.

Os resultados foram desastrosos. Descobri apenas que, sites religiosos e análises críticas sobre seitas e fanatismo são temas populares na internet. Já meio aborrecida, e negociando comigo mesma que aquela seria a última, escrevi: lendas (acho que ainda sobre influência do meu post de ontem), e casualmente elegi um dos links que dizia: “Ao Comandante Nelson”.

Pensei: Que espécie de porcaria será que estou preste a consumir? Meu senso de obrigação já esticava meu olhar sobre a pilha de fichas de atendimento sobre a minha mesa e ainda manuscritas, á espera que eu as digite e arquive.

Resisti bravamente e cliquei no tal link. E, desde então, passaram-se quase duas horas. Não consegui deixar o tal site (que não era site e sim um blog) até ter lido á ultima linha. E é de onde extrai e “controaltecezei” o que resolvi postar hoje. É! Existe vida inteligente na net, eu é que andei buscando nos lugares errados! Divirtam-se!

LENDA GRAMATICAL

Diz que um dia, numa monografia, uma crase indevida topou com uma vírgula mal colocada.

“Ué”, disse a crase, “Não sabia que você era o pomo da discórdia”.

“Como assim?”, pontuou a vírgula,

E a crase: “Fica aí, separando o sujeito do verbo principal, hahahahahaha”.

Sim, esqueci de dizer que a crase indevida era piadista. Mas a vírgula mal colocada não deixou por menos:

“E eu não conhecia essa sua vocação pra polícia”.

A crase indevida pensou “ai, ai”, mas deu a deixa: “Como assim, polícia?”

E a vírgula: “Só aparece quando não precisa!”

Sim, não falei que a vírgula mal colocada era uma piadista medíocre. Esforçada, mas medíocre.

“Pssst”, disse a crase indevida, cutucando a vírgula, “lá vem o ésse que acha que é zê.”

Como o problema da crase e da vírgula envolvia apenas emprego errado (ou seja, desajustes de projeto de vida), elas se permitiam esses gracejos.

Mas, com o ésse que acha que é zê, a questão se afigurava como psiquiátrica, então era melhor não achincalhar.

“Olá, ésse!”, disse estabanadamente a mal colocada vírgula, tentando de forma desajeitada disfarçar o que cochichavam –

E o ésse grunhiu:

“Quem é ésse aqui? Quem é ésse aqui? Eu sou um zê”.

A crase, que era indevida e por isso mesmo pensava rápido, arrematou:

“Não, ela ia dizendo ‘olá, esselentíssimo zê!’”

A vírgula mal colocada já ia cochichando “Mas excelentíssimo não é com cê?”, porém a crase indevida deu-lhe o devido pisão no pé e retomou a conversa com o ésse que acha que é zê:

“A que devemos sua visita a este humilde parágrafo?”

O ésse que acha que é zê carregou mais ainda o ar grave, grave como um acento:

“Vim aqui falar da última lenda gramatical. Já ouviram?”

A crase indevida falou: “Lenda gramatical? Do tipo aquela que reza que existe um jacaré albino em todos os subtextos?”

“Não”, disse o ésse que acha que é zê, olhando para os lados: “Bem pior do que o jacaré: eu falo da cobrinha do corretor ortográfico!”

A crase indevida e a vírgula mal colocada se entreolharam como quem pensa “Ih, agora vem de surto paranóico”, mas fingiram interesse e o ésse que acha que é zê continuou:

“É uma cobrinha, ora verde, ora vermelha, que fica se arrastando debaixo de nossos pés e, como típica predadora, promove nosso rápido aniquilamento!”

A crase indevida sinalizou: “Mas você já viu uma?”

“Não”, cortou o ésse que acha que é zê, “mas fiquei sabendo de uma cedilha equivocada que sumiu assim, de repente, na semana passada. E juram que, momento antes, foi vista uma cobrinha vermelha ondulando debaixo dela.”

A crase indevida e a vírgula mal colocada permaneceram mudas, mudas como o pê de psiquiatria.

O ésse que acha que é zê percebeu isso e imaginou que fosse uma indireta grosseira e bateu em retirada, vociferando

“Certo, na hora agá não digam que eu não avisei!”

Quando ficaram novamente sozinhas, a vírgula mal colocada pontuou à crase indevida:

“O que ele quis dizer com isso de ‘ora verde’, ‘ora vermelha’? To achando que além de ruim da cabeça ele é ruim de metáfora...”

Mas a crase indevida fingiu que não ouviu e só comentou cautelosa:

“De qualquer modo é melhor andar de olho no pé da letra. Nunca se sabe”.

Mas no fim das contas nada sinistro aconteceu à crase indevida e à vírgula mal colocada – porque era uma monografia de MBA e, então, elas viveram felizes para sempre. Com a pulga atrás da orelha, sim, mas felizes.


Postado por Nelson Moraes em:
http://www.interney.net/blogs/aomirante/2006/10/26/lenda_gramatical/


- posted by Mara


Sábado, Novembro 10

QUEM PERGUNTA O QUE QUER...


A FÉ QUE SACIA

Tenho uma curiosidade mórbida em relação ás chamadas Lendas Urbanas. Fatos inexplicáveis me fascinam. Não só pelo incrível desembaraço cognitivo que exige de seus inventores, mas por sua incontestável durabilidade.

Uma vez, viajando de carro da Terra do Fogo para San Martin de los Andes, na Argentina, percebi que á beira da estrada, em intervalos intermitentes, via-se o que parecia ser uma casinha feita de madeira toda decorada com flores.

Como no Brasil, algumas pessoas costumam fazer pequenas capelas á beira da estrada com imagens e velas, para homenagear pessoas que morreram naquele ponto do caminho, ignorei as “casinhas” argentinas até perceber que dentro não havia imagens ou crucifixos e sim garrafas “pets” cheias até a boca de um misterioso liquido transparente.

Quem já viajou pelo sul da Argentina de carro, sabe que lá, diferente das rodovias brasileiras, a paisagem é geralmente muito árida. Em alguns pontos formam-se verdadeiros desertos ladeados por imensos paredões de pedras esculpidas pelo vento.

No inverno, o branco da neve salta aos olhos em contraste ao tom alaranjado da vegetação. Mas, os tons, as formas e a quase inexistência de vegetação, não são as únicas diferenças gritantes das rodovias brasileiras.

O que imediatamente se nota, na medida em que se começa á seguir rumo á Patagônia é a não exploração das margens das mesmas por serviços de abastecimentos, restaurantes ou qualquer coisa semelhante.

Pois bem. Foi justamente numa paisagem assim, numa noite praticamente sem estrelas e num frio de congelar os ossos, que eu fiz uma daquelas perguntas que só deveriam ser feitas depois de uma boa análise circunstancial e do desejo sincero de ouvir a resposta.

- O que será que são essas casinhas brancas cheia de flores espalhadas pela estrada?

Foi uma daquelas “perguntas-pensamento”. Sabe aquelas que a gente faz baixinho, pra nós mesmos? Até porque, no banco de trás, entediado pela paisagem monótona e sem outdoors, meu filho dormia á pelo menos umas duas horas encolhido entre nossos casacos.

Pra completar, ou melhor, antes de completar a pergunta, reparei que no painel do carro o marcador de combustível dizia: “Atención! Carburante!”. Não soube dizer imediatamente o que raios aquilo queria dizer, mas a escuridão do carro fazia aquele piscar vermelho insistente ficar, á cada quilometro, mais assustador.

Da ultima vez que tinha visto um posto de combustível já tinha passado pelo menos umas quatro horas e ainda havia sol. Ah! E essa, deve ter sido também, a última vez que vi um carro além do meu.

Alguns quilômetros depois, já á beira de um colapso nervoso, avistei um recuo lateral na pista. Nele, havia uma bomba de gasolina, uma construção um pouco maior que uma casinha popular, um cachorro gigantesco e um luminoso que dizia:

“Bienvenidos! E logo abaixo, a ameaça: “Es la ultima parada hasta la ciudad de San Martin!”. Como diriam os Argentinos: “Dale! Más vale!” Claro que parei.

Pra minha surpresa, a versão argentina da casa do Norman Bates, era aquecida e muito aconchegante. Os donos, um casal de idosos, eram muito simpáticos e o enorme cachorro, era tão dócil quanto meu yorkshire.

Com a tranqüilidade restaurada pelo tanque cheio de gasolina, a visão de “media-lunas” quentinhas e de uma máquina de chocolate quente foram suficientes para que eu resolvesse que não estava mais em perigo.

Voltemos á casinha misteriosa e a pergunta que não deveria ter sido feita? Pois bem, foram eles, Javier e Soledad, que responderam á minha pergunta. Não sei se foi impressão minha, mas antes, trocaram um olhar que denunciava uma cumplicidade meio macabra, meio irônica, mas, definitivamente desanimadora.

Odeio quando me respondem alguma coisa com outra pergunta. Mas foi assim que eles começaram: “Você acredita em espíritos?”...

Não vou dizer o que respondi para poupá-los de lerem á extensa explicação que usei como álibi pra retardar o relato da história que, á meu ver, já tinha começado muito mal. Mas, a curiosidade adolescente de meu filho, na época na fase dark, impossibilitou-me de retroceder em minha curiosidade.

Javier, sob o olhar atento de Soledad, nos contou que as tais casinhas são construídas por fiéis em homenagem á, pasmem, “defunta” Correa. E as garrafas de água são deixadas ali a fim de saciar a sede da mesma e de seu filho recém nascido.

Diós! Pensei. Uma morta e um bebê? Jurei que não queria saber o resto. Mas não resisti e pedi: continua..continua

Soledad é que com ar solene completou: Segundo a lenda, na década de 1840, havia uma mulher de nome María Antonia Deolinda Correa que decidiu seguir o seu marido quando este foi recrutado para combater na guerra civil. Levando um bebê recém-nascido nos braços.

Deolinda Correa seguiu o progresso do exército argentino durante algum tempo. Quando atravessou a zona desértica em torno da província de San Juan, os mantimentos e água que levava acabaram e ela acabou morrendo de sede e exaustão.

Algum tempo depois o seu corpo foi encontrado e, para espanto dos viajantes, o bebê estava ainda vivo, supostamente graças ao leite que o corpo da sua mãe continuou a produzir, mesmo depois da morte. O evento foi considerado como milagre divino e o local foi assinalado com um pequeno altar.

Mais tarde, minhas pesquisas mostraram que a tal defunta tem raízes profundas da devoção argentina e que o lugar de Vallecito, supostamente onde o “causo” aconteceu, transformou-se num centro de peregrinação para os devotos e é um complexo que inclui santuário oficial, hotéis e parque de campismo, restaurantes, estação de correios e muitas lojas de recordações dedicadas ao tema. O santuário de Vallecito é administrado por uma fundação sem fins lucrativos.

Bonita, uma história muito bonita. Se eu não tivesse ainda muitos quilômetros á percorrer por aquelas estradas com meu sonolento e emocionalmente inabalável filho. A saída foi colocar um insuportável CD de rock melódico no último volume e seguir viagem reaprendendo a rezar.

Antes, é claro, comprei uma garrafa de água e, numa política de boa vizinhança, a deixei na casinha da Dona Corrêa, só por via das dúvidas.

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Sexta-feira, Novembro 9

LEÕES E CORDEIROS



QUAL A RAZÃO PARA LUTAR?
QUAL A RAZÃO PARA RESISTIR?


Adoro os filmes que questionam posicionamentos e, que promovem o tão freqüente quanto exaustivamente discutido, embate entre o bem e o mal. Sempre acho que é um tema relevante, oportuno e aplicável.

A experiência que adquirimos com a idade e com a prática do viver confere a arrogância de nos colocarmos, desse ou daquele lado, sempre que encontramos uma divergência de pensamentos.

Criados ou não sob a doutrina cristã, não há quem escape de aprender ou ser condicionado a promover cisões nítidas entre o bem e o mal, o certo e o errado, culpado e inocente.

Desde as dicotomias mais simplistas como a oposição das cores: preto e branco, ou das sensações: quente ou frio até ás concepções matemáticas como: multiplicar e dividir, o ser humano raramente tem a clara percepção do que há entremeios.

É assim que lidamos com as polêmicas, sejam elas de natureza moral, religiosa, ideológica ou corriqueira. O julgamento apressado, não-reflexivo ou circunstancial é, via de regra, o principal responsável por esse tipo de conduta.

Mas afinal, estariam o bem e o mal tão delineadamente separados á ponto de não merecer uma investigação mais profunda dos fatos? Estarão interessados, o bem e o mal, que essa análise seja feita?

Cada um desses conceitos está intrinsecamente ligado á outro ainda mais complexo: o da justiça. Para a maioria das pessoas o caminho mais fácil de fazer justiça é acatar o impulso de se levar pela veemência empregada nos discursos de autodefesa.

É engraçado. Nós, brasileiros, por exemplo, deveríamos estar escolados na tarefa de separar discursos de verdades incontestáveis. Ao contrário, o mais comum, é sermos levados, antes, pela capacidade de oratória e manipulação chantagista.

A verdade é que ninguém quer estar associado ao que consideram como mal. A indecisão provocada pela incapacidade de avaliação pessoal remete a busca de um caminho que seja mais fácil e menos comprometedor.

Nem sempre o caminho que parece óbvio, é de fato o correto. A lógica é o exercício do pensar e a compreensão dela se dá á partir da repetição insistente da mesma. Esse raciocínio é o instrumento melhor usado pelos chamados “argumentos convencíveis”.

Geralmente, baseados em nossas impressões (julgamentos por sensações, portanto sem comprovação), ao depararmos com uma opinião minimamente próxima, ainda que fundamentada por interesses escusos, tendemos a pensar: Viu? Eu tinha razão!

Mas, ninguém com uma conduta assim, graças á Deus, sairá incólume. Quem age assim está, pra dizer o mínimo, emprestando á sua liberdade ao desconhecido e ao inesperado.

Minimizar fatos, ignorar as versões e a razão por trás de assuntos complexos, seja por limitação ou para se ter aceitação, é o não exercício do dever implícito no direito que nos dado pela liberdade.

Penso que o filme, ainda que se mostre aquém da realidade absoluta (existirá uma?) já é um grande presente á sociedade de maneira geral. É a realidade disfarçada de ficção e a ficção se apropriando da realidade.

Se o conflito entre o Oriente Médio e a América parecia ter se resumido á capacidade de ambos exercerem a violência como legítimo instrumento de defesa de sua própria verdade, é chegado o momento de avaliarmos esse mesmíssimo comportamento reproduzido por nós cotidianamente, na microesfera da nossa existência.

Do contrário, estaremos sempre á frente de um avião de passageiros conduzindo-o rumo ás torres alheias apenas por as considerarmos ofensivas e, á longo prazo, ameaçadoras para nossas casinhas de sapê.

Ou mesmo, enviando jovens e despreparadas almas, sem conhecimento vivencial da causa que empreendemos, para invadir o território alheio, promover a desordem ederrubar a imagem de quem lá é reverenciado.

Tudo isso em nome da paz! Que Deus tenha piedade de nós!


Assista a sinopse do filme: "http://www.leoeseordeiros.com.br"
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Quinta-feira, Novembro 8

ADIVINHA QUEM MANDA AQUI ??


Tenho uma amiga que é delegada de polícia. Outra que é diretora executiva de uma multinacional. Uma terceira é dona de casa. Ah! Quase me esqueço dela: a quarta é deputada federal.

São amigas queridas, mas, sazonais. Quase nunca consigo juntar-me ás quatro ao mesmo tempo. O que geralmente nos impede é que trabalhamos muito. Decidimos que não estamos na vida á passeio. Queremos e fazemos a diferença.

O que me fez relacionar essas quatro mulheres num mesmo post não é simplesmente o fato de eu ser o ponto de intersecção entre elas, ao contrário, é mostrar como nossos objetivos de vida, tão diferentes, são comuns basicamente por nossa condição de mulher.

Levou muito tempo até que pudéssemos aceitar que as mulheres estavam aptas a exercer qualquer profissão ou atividade tidas como exclusivamente masculinas. Muito se falou, demonstrou e se especulou sobre o que teria retardado tanto esse processo, já que somos seres humanos essencialmente iguais.

O que todos se esqueceram de aludir, é o fato de que além de mulheres e seres humanos, somos também as construtoras individuais de nosso destino e isso nada tem a ver com questões como padrões culturais ou antropológicos.

Assim como elas, eu tenho muitas coisas que me destacam das demais mulheres da minha idade. Meu espírito independente, minhas muitas formações acadêmicas, a interatividade que tenho com meu filho e meu bíceps. È! Meu bíceps!

Na adolescência, induzida pela mídia reinante da época, concluí que só haveria duas maneiras de “ser alguém” fazendo parte da esmagadora maioria de meninas pobres que estudam em escolas públicas, moram em bairros populares, mas, sonhavam assistindo “Boa Noite, Cinderela”: ser linda ou ser atleta.

Por motivos óbvios, resolvi ser atleta. Pode ser que os motivos não fossem tão óbvios assim, mas ao menos, eram coerentes. As loiras estavam no topo. Angélicas e Xuxas me acordavam todas as manhãs lembrando-me da distância que minha “morenice” impunha á concretização dos meus sonhos.

Bom, assim nasceu minha paixão pelo esporte. Mas, a prática do esporte pelo esporte teve que ser abandonada mais tarde, quando a vida começou a me cobrar condições de sobrevivência. Mas, essa é outra história.

O fato é que adoro atividades físicas, esportes de aventura e todos os efeitos colaterais desse meu gostar. Mas nem sempre foi assim. Houve uma lacuna de tempo enorme entre a adolescente esportista e a mãe, esposa e profissional que me tornei.

Um dia acordei plenamente realizada em meu objetivo primeiro de ser mãe, de ter uma carreira profissional mais que satisfatória, um casamento de causar inveja ás minhas amigas e muitos, mas muitos quilos á mais do que meu biótipo permitia.

Da preguiça á falta de tempo. Do princípio de não ceder a futilidades passando pela não vaidade, não houve um só argumento que eu não tenha usado para combater a idéia de perder tempo pedalando, levantando peso e controlando meu apetite voraz.

Cinco ou seis anos se passaram e hoje desafio qualquer homem á acompanhar meu ritmo, seja numa academia ou fora dela. Desafio também mulheres com metade da minha idade.

Ontem, enquanto tomávamos um café na saída da academia, conversávamos sobre essa nova modalidade de academias ditas e promocionadas como “só para mulheres”. Não foi uma conversa conclusiva, já que nossas opiniões divergiam, mas, o tema me chamou atenção pra uma nova temática.

Desde a adolescência minhas escolhas têm casualmente me forçado á conviver em ambientes quase que completamente femininos: o vôlei, as faculdades de teatro, psicologia e jornalismo, enfim, atividades onde 70 % são mulheres, 20 são gays e os outros 10%, quase sempre, nem são notados.

A academia é parte importante do investimento que faço em mim mesma. Quando comecei era desconcertante. Para todos os lados se via garotas muito jovens e seus abdomens sarados, homens com olhares cobiçosos e muito papo sobre carboidratos, alongamentos e bebidas energéticas.

E eu, ali, cheia de vontade de contar sobre a novela, as notas do meu filho e os filósofos que estudava. Demorei pra aprender que cada coisa tem seu lugar, cada tema tem sua hora e seu interlocutor específico. Também nos corredores hospitalares não fazia sentido ficar discursando sobre exercícios abdominais ou aeróbicos.

Uma das vantagens de se malhar em uma academia mista é que se pode discursar de mulher pra mulher, sobre o espécime masculino enquanto se observa de perto a anatomia dos próprios. O mesmo vale para eles, é claro. Mas, o melhor mesmo é se dar conta que ninguém ali, além das outras mulheres, te vê como gorda e sim como alguém que está tentando deixar de ser.

Acho engraçado o argumento da minha amiga que diz sentir-se menos inibida malhando entre outras mulheres. Ué, não somos nós mesmas que ficamos o tempo todo reparando nos defeitos das outras mulheres? Poucos homens, salvo os metrossexuais, sabem a diferença entre uma celulite e gordura localizada.

Gosto, confesso, muito mais do argumento da outra amiga que diz: Na melhor das hipóteses, se eu não ficar com um corpo perfeito posso arranjar um paquera que tenha um. Além disso, é muito bom perceber que todo mundo reconhece um esforço genuíno quando vê um.

Em outras palavras, passamos décadas tentando conquistar um espaço de igualdade com os homens e quando estamos perto disso, nos escondemos outra vez em nossa frágil e cheia de complexo, feminilidade.

Não existe academia só para homens. Nossos homens, portanto, estarão se exercitando em academias mistas....com outras mulheres, enquanto nós tricotamos com as nossas amigas no melhor estilo Clube da Luluzinha? Nem morta!

Analisemos: se casadas, a academia pode tornar-se mais uma atividade conjugal. Solteira, pode ser a oportunidade de deixar de sê-lo. Se nada disso é o que te levou até lá, então o que importa se há homens, mulheres, gays ou lésbicas?

Mas, se nada disso te parece importante e você nem pensa em freqüentar uma academia, então não sabe o que está perdendo. Mas, sabe exatamente o que está ganhando: desnecessários quilos á mais para o seu pobre coração suportar.

Ah! O que minhas quatro amigas têm em comum? O único lugar em que encontramos tempo pra um cafezinho, é justamente na cantina da academia de ginástica.

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Quarta-feira, Novembro 7

FAÇA SUA ESCOLHA!


“- Não tenho medo da cirurgia, o problema é a anestesia!”

Esta é a frase-mestre de quase todo mundo, antes de se submeter a qualquer procedimento cirúrgico. Quem não disse, pensou. E quem pensou e não falou, ficou cheio de assustadoras dúvidas. O fantasma da anestesia está presente em dez entre dez indicações cirúrgicas. .

Uma explicação para isso pode estar no fato de os Anestesiologistas normalmente não possuírem consultório e essa especialidade estar diretamente relacionada aos procedimentos médicos-hospitalares, o que em essência, já prenuncia certa apreensão.

Quase sempre só vamos conhecê-lo quando estivermos á mercê de um procedimento médico delicado. Além disso, nem sempre nos é dado a opção escolher esse profissional. O médico cirurgião é quem costuma eleger os membros da equipe que irá auxiliá-lo.

Não é pra menos. Diante de tantos arranjos pré-operatórios, quem é que se lembra desse “detalhe”? Quem? Você! E, pouquíssimo tempo antes do dia “D”. É aí que começam os equívocos mais comuns e que motivaram esse texto.

Primeiro: o Anestesiologista não é um “acessório” auxiliar do cirurgião. Eles são médicos cuja formação inclui no mínimo que três anos de Residência Médica que os habilita á avaliar o paciente, escolher técnicas adequadas, e minimizar os riscos antes durante e depois do ato cirúrgico. Ou seja, são médicos prá lá de capacitados.

Segundo: o fato desse profissional não ter consultório não deve ser motivo para que você não o conheça com a mesma antecedência e liberdade com que escolheu o cirurgião. Sem falar que, escolher entre os profissionais, aquele que te inspira mais confiança, é um direito seu. Na verdade, quase um dever.

Entretanto, poucas são as pessoas que fazem uso desse direito. Geralmente a confiança que depositamos em nossos cirurgiões são tão incontestáveis que imaginamos que propor algo assim poderia causar algum melindre.

È um grande e perigoso engano. É seu corpo, sua vida e seu estado emocional que precisa ser resguardado nesse momento delicado e nenhum médico, pelo menos os que são éticos, diria “não” ou se ofenderia com uma sugestão dessa natureza. Se acontecer, quem precisa ser melhor avaliado é o cirurgião.

A anestesia é um procedimento quase tão antigo quanto a medicina. A mais antiga referência escrita sobre ela data de 350 a.C. Mas, assim como a conhecemos hoje, começou a nascer somente na segunda metade do Século XIX.

Esse fator é um dos elementos que fizeram as anestesias serem tão temidas. Mas, ainda que de sua origem até hoje tenha se passado menos tempo experimental do que gostaríamos, a estatística nos mostra sua eficácia e seu alto grau de segurança.

Se eu tivesse lido a frase acima, ao invés de tê-la escrito, imediatamente eu contestaria com um: “Ta, mas quem disse que eu quero virar exceção de dados estatísticos?”. Obviamente que ninguém quer ser justo aquele “caso” que deu errado.

Então porque tão pouca gente seleciona seu anestesista como o faz com seu cirurgião? A resposta á essa pergunta nos remeteria ao passado e á uma série de especulações sobre a famosa onipotência médica, ao sistema público de saúde e suas preocupantes falhas, mas também, a falta do conhecimento do paciente desse seu direito.

O fato é que o depoimento e a indicação de alguém que já tenha sido anestesiado por aquele profissional e um contato antecipado com ele, não irão favorecer apenas você.

Aliviada de suas dúvidas, familiarizada com o profissional e orientada sobre os procedimentos técnicos, riscos e vantagens da técnica a ser utilizada, te deixará mais segura e, portanto, mais colaborativa emocional e fisicamente para o procedimento cirúrgico.

Em alguns casos, após conhecê-lo, você mesma pode concluir que prefere ser acompanhada pelo anestesista da equipe de seu médico, ainda que você não o conheça, porque sabê-los amigos e habituados em trabalhar em equipe, pra você, é mais tranqüilizador. De qualquer maneira, o simples fato de você ter tido a opção de assumir o controle de sua saúde, em uma situação tão delicada, já é o bastante.

A internação em um hospital para um procedimento cirúrgico previamente marcado nos destitui dos elementos que são nossa referência de identidade. As roupas são substituídas por outras mais assépticas, suas jóias (até aliança de casamento) são retiradas e pra piorar, todos aqueles que compõem nosso universo afetivo e familiar, são deixados do lado de fora.

Essa perspectiva é tão cruel quanto necessária. Raramente pode ser evitada e quase sempre não é compreendida com a mesma dimensão pelos profissionais da área médica. Assim, desprovida de tudo que lhe é familiar, conhecendo seu Anestesiologista, você terá um elemento á menos no batalhão de rostos desconhecidos que irão te atender no centro cirúrgico.

Além disso, a familiaridade te dará a liberdade necessária para queixar-se, lamentar-se ou até mesmo xingá-lo até a quinta geração, caso a recuperação não seja tão satisfatória quanto deveria.

A anestesia não é a parte mais preocupante de uma cirurgia. O desconhecido é que é! Faça valer seus direitos!

Recomendo o livro: “Perdendo o medo da Anestesia - Mitos e verdades” de: Maria do Patrocínio Santos Maia Lopes (Dra. Neta), da: Ottoni Editora - Itu (2005),

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Terça-feira, Novembro 6

UMA VELA PRA DEUS....


...E A OUTRA..AH! DEIXA PRA LÁ!

Á TODAS AS CONVERSAS QUE OUVI, ÁS COISAS QUE ACREDITEI, AOS QUE FICARAM PRA OUVIR...
MAS, SOBRETUDO, Á TODAS AS MENTIRAS QUE OUVI.
LEMBRA DAQUELA CONVERSA? EU ME LEMBRO....


Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...

Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ?
Precisamos nos ver por ai
Pras semana, prometo talvez nos vejamos
Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo

Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu procuro você
Vai abrir...
Prometo, não esqueço
Por favor, não esqueça, por favor
Adeus... adeus ...


"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..."
- posted by Mara


Segunda-feira, Novembro 5

NAÇÃO E EMOÇÃO


Vinícula Tio Pepe em Jerez na Espanha

Domingos chuvosos como o de ontem nos torna reféns da preguiça. Em dias assim, minha cidade que é sempre ensolarada e insuportavelmente quente, nos deixa sem muitas opções de passeio.

Minha casa, que é sempre silenciosa, estava transbordando de ruídos inéditos. Gente cozinhando, outras jogando cartas e os garotos se acabando no video-game. Em meio á tudo isso, meu cachorrinho corria e latia desatinado com essa confusão incomum..

A televisão ligada sem expectador transmitia o filme “O Patriota”. Atraída pelos lindos olhos azuis do Mel Gibson, fiz um breve “pit stop” diante dela. Fiquei tempo suficiente pra decidir que, hoje, eu escreveria um pouco sobre os sentimentos que esse filme desperta em mim.

Na primeira vez que o assisti, confesso que o que mais me tocou foram as lágrimas do Mel (sempre me constrange o fato de eu não resistir em fazer coro ao choro azul dele). Mas, numa análise bruta, ao final do filme me ocorreu aquela pitadinha de inveja ao ver a inspiração romântica que só Holywood tem sobre os EUA.

São inúmeros os filmes americanos que norteiam suas sinopses em roteiros nacionalistas. Quem assistiu Força Aérea 1 ou até mesmo Independence Day sabe que eles são especialistas em se retratarem como vítimas eleitas para catástrofes naturais e até interplanetárias, com o único objetivo de transformar a população e seus presidentes, em heróis nacionais.

Criam situações tão absurdas quanto a nossa incapacidade de evitar uma invejazinha básica. Enquanto isso, nosso cinema nacional exporta a elite das favelas e da nossa polícia. Nem mesmo nossas belezas naturais servem de matéria prima para as obras cinematográficas feitas por brasileiros, para estrangeiro ver.

Sei que sempre espalho por onde vou minha inegável paixão pela minha pátria emprestada, a Argentina. Sei também que isso, muitas vezes, é confundido com falta de nacionalismo ou desprezo pelo Brasil.

Mas, meu entendimento do que é ser patriota e nacionalista vai na contra-mão dos torcedores do futebol Brasileiro. Amo futebol, mas não sou muito ligada em copa do mundo e, ao contrário de quase todo mundo, os meses do mundial são justamente os que me causam mais desconforto o fato de ser brasileira.

Nacionalismo pra mim é amar a cultura, sua diversidade e sua gente. É empenhar-me, dentro de minha configuração como brasileira, em ajudar na construção de um país justo e menos desigual.

Esse sentimento passa longe das esquinas lotadas de camisetas vagabundas e bandeirinhas de plástico penduradas em varais improvisados. Aliás, nessas esquinas meus olhar só se detém a ponto de mobilizar meus sentimentos quando vejo, no lugar dos tais varais, crianças vendendo balas, malabaristas de pé no chão ou gente vestida com sufocantes roupas feitas de espuma em forma de sanduíche, promocionando lanchonetes de redes americanas, sob o calor de 40 graus.

Meu nacionalismo se inflama quando vejo meu presidente declarando que ensino superior não faz um cidadão. Se indigna com a falência do INSS, do sistema de saúde. E, literalmente se envenena com o leite contaminado oferecido em creches e escolas infantis.

O amor que sinto pelo meu país é o que me faz sair cabisbaixa de um filme que delata seu país. País em que a população, protagonistas no filme, não tem acesso ao cinema.

Meu nacionalismo é quem me faz odiar o filme e admirar o Wagner Moura que é, ele sim, produto nacional de primeiríssima qualidade. O Capitão Nascimento e sua matemática que reduz seus subordinados á sua capacidade de contar até três, eu dispenso.

É justamente meu nacionalismo que me incentiva a respeitar os outros países, admirar sua cultura e enaltecer seus costumes. Ser uma brasileira que entende as relações entre países além da rivalidade futebolística é meu orgulho e minha bandeira verde e amarela carimbada em meu passaporte.

Como uma mãe zelosa e atenta, eu amo melhor quando analteço as qualidades sem escamotear os defeitos. Meu olhar amoroso deseja e propõe um relacionamento sem ódio, racismo, preconceito, violência, luta armada, ditadura ou segregação.

Alem de chorar emocionada com a mão espalmada sobre o peito e ter o hino nacional impecavelmente decorado, meu nacionalismo está em deixar de ser estrangeira fora do meu território nacional. É ser cidadã, mesmo fora do meu páis.

Ser nacionalista e brasileira até a terceira camada epidérmica é inflar o peito diante de um barril de vinho exposto em uma vinícula no interior da provincia de Andaluzia na Espanha, por exemplo, só porque entre assinaturas de reis e rainhas, lá estava o autógrafo de um da Silva, Ayrton ..... do Brasil, é claro!

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Domingo, Novembro 4

WWW.PONTO COM SAÚDE



Atchim! E logo vem ele com uma receita infalível para os primeiros sintomas de resfriados.

Mas, se os sintomas persistirem por mais alguns minutos, ele terá na ponta da língua outras variantes da mesma receita, que serão mais adequadas para evitar que esse resfriado transforme-se em uma bronquiolite e por fim numa pneumonia.

Tenho uma amiga que é o retrato vivo dessa definição. Como um Google humano especializado em medicina, ela tem a resposta certa pra qualquer dúvida sobre qualquer sintomatologia, prescrição, efeito colateral, contra-indicação, enfim, qualquer doença que ela, ou alguém próxima á ela, já tenha tido.

Ela é uma Cibercondríaca. Sua semelhança com o site de busca Google, não é mera coincidência. Ela usa mesmo a internet como fonte para abastecer seu infinito repertório de conhecimento preventivo sobre doenças.

“Cibercondria” é, é claro, um neologismo que nasceu do aumento assustador de pessoas que recorrem á internet para realizar buscas em sites médicos. Mas, esse hábito aparentemente saudável, não é tão útil ou inofensivo como pode parecer.

Ninguém melhor que nós, “bloguermaníacos”, para saber que na internet não há controle. Há informação de qualidade, mas também muito lixo. Qualquer pessoa pode criar um site com informações sobre saúde e divulgar toda sorte de porcarias que quiser.

Não há nada de mais consultar à web, mas quando o fazemos em busca de diagnósticos ou medicação, em substituição á velha e tradicional consulta médica, estamos colocando nossa saúde em risco.

“A forma de apresentação das doenças é individualizada, ou seja, não existe uma ‘receita de bolo’ em relação ao diagnóstico ou ao tratamento. O médico escuta as queixas do paciente, faz um exame clínico e levanta hipóteses diagnósticas. Uma mesma doença pode se apresentar de diversas formas, por outro lado, os mesmos sintomas podem ser compartilhados por diversas doenças. Como um leigo poderá diferenciar tudo isso simplesmente acessando um site?”

O parágrafo acima foi retirado de um site de notícias, onde a divulgação desse neologismo servia para divulgar os esforços das grandes empresas de informática em combater o que diziam ser o mal dos próximos séculos.

Em minha opinião, não é bem assim. Ninguém, de fato, resiste á tentação de dar uma consultadinha vez ou outra sobre algum sintoma que não conhece. Mas, foi uma pesquisa assim, por exemplo, que me livrou da ansiedade de esperar o término do mais longo domingo da minha vida, diante de uma tosse do meu cachorrinho.

Apesar de ter algum conhecimento dos termos técnicos usados pelos médicos, não sou veterinária. Então, procurei centrar minhas buscas em sites que utilizavam uma linguagem simples e direta.

O que era pra ser uma simples consulta, em poucas horas, transformou-me em uma “expert” em resfriados caninos. Mas não impediu, é claro, que eu o levasse ao veterinário assim que a segunda feira amanheceu.

Apesar de sentir um prazer sarcástico ao ver que a veterinária nada tinha á acrescentar ao diagnóstico que eu havia formulado através das minhas consultas, no momento do exame médico, descobri que nada valia mais que a tranqüilidade de vê-lo saudável através dos raios-X e da voz firme da médica assegurando que tudo estava sob controle.

De que me valeu, então, tantas horas percorrendo os tais sites ávida por informações? Eu respondo: Serviu-me como uma segunda opinião. Armou-me para um possível erro de diagnóstico e, principalmente, colocou-me ainda que ilusoriamente, no controle da situação e não passivamente submetida á autoridade médica.

Mas, imaginem se eu encontrasse alguma informação errônea que me remetesse á um diagnóstico desesperador naquela noite de domingo? É possível sim. Eu poderia ter lido, por exemplo, que na idade e no peso do meu cachorrinho, um sintoma como aquele era prenúncio de uma doença fatal. O que eu teria feito?

O que você teria feito? Sem dúvida e sem pestanejar eu teria ligado para o veterinário ás 3 da manhã exigindo uma consulta. Pronto! Voltamos ao princípio de tudo. Como são raros os veterinários que atendem em sistema de plantão, ou mesmo se a “minha” não o fizesse, como teria sido aquele meu final de domingo?

E mais: caso eu não tivesse uma mínima compreensão de que sintomas isolados nada querem dizer e que é necessária uma conjunção de fatores para se chegar á um diagnóstico próximo do real, certamente minha fantasia fatalista teria me matado de ansiedade antes mesmo de ligar pra ele.

Pesando tudo isso, hoje, eu só navego na internet em busca de informações dessa natureza, depois de ter feito a consulta com o especialista. Com o diagnóstico em mãos, fica mais fácil não só a busca pela internet, como também a possibilidade de reforço na confiança que deposito no profissional médico que me atende.

Mas, como diz o ditado: “o seguro morreu de velho”. E, levando em conta as inúmeras notícias que ouvimos sobre erro médico, o Google pode ser um bom recurso para evitar que nos tornemos estatística, não é?

Quer me enganar que você nunca fez uma consultinha básica ao Dr. Web?
- posted by Mara


Sábado, Novembro 3

SOLUÇÕES E ABERRAÇÕES


Tá. Todo mundo tem um dia em que todas as idéias parecem absurdas e todos os anseios, inúteis. A questão central não é só a freqüência em que esses dias se enfileiram em nossa existência, mas, principalmente, os quão frágeis nos tornaram e quais portas se abrirão para a expiação alheia.

Tripudiar o sentimento alheio é tarefa para poucos, graças á Deus. É necessário um longo aprendizado, fatores genéticos e ambientais e um déficit acentuado na auto-estima para tornar-se um “bom” sacana.

Muitos falham nessa trajetória e tornam-se medíocres provocadores, outros (bem poucos, é verdade) alcançam o status de “fdp” profissionais. Via de regra, fazem escola e seus “valores” são destilados com a mesma velocidade em que recebem respostas igualmente destrutivas.

Infelizmente, a cada resposta á altura que recebem, aumentam seu repertório. O arquivo pessoal desses seres infelizes, ao contrário de o de suas vítimas, obedece á um sistema vicioso de retro-alimentação.

São as ironias da vida. Quanto mais os combatemos, mais munições damos á eles. Quanto mais os ignoramos, mais potencialmente ardilosos se tornam. É praticamente impossível torná-los inofensivos. Fazem de suas artimanhas sua missão de vida.

Seguirão assim até se cansarem ou até se afogarem na descoberta de seu vazio existencial. Quiçá, um dia, perceberão que suas alegrias são tênues e transitórias e que no final das contas, sempre acabarão retornando ao limbo onde construíram suas convicções.

Não sou uma pessoa de poucos amigos. Espalho meu “eu” por onde quer que eu vá, com velocidade espantosa. Isso me tira a luxo de filtrar os que virão ou não fazer parte de minha vida. O tempo, apenas ele, é quem se encarrega de fazer a seleção.

Ás vezes sou surpreendida por agradáveis surpresas. Pessoas que, de uma hora pra outra, passam a fazer parte da microesfera que dedico àquilo que realmente faz diferença pra mim.

Desse ponto em diante, nada, absolutamente nada, consegue alterar o que sinto. São por esses conceitos que raramente odeio quem me odeia ou me magoam quem tenciona fazê-lo. Não sou refratária, sou indiferente.

Não tenho nenhuma aplicação útil para as maledicências que eventualmente recebo. Não as arquivo para uso posterior. As inutilizo com a mesma habilidade que levaram para criá-las.

Não há perdão. Há justificativa elaborada á partir da compreensão de tratar-se de mecanismos de sobrevivência de quem não sabe como manter-se vivo, senão sobre os escombros de outros.

Sou profissionalmente preparada demais para não admirar meus opositores. Mensurar seu potencial de periculosidade e compreender a dificuldade que encontram de, ao invés de contestar, apenas evitar o que os incomodam.

Não sou Freudiana e muito pouco de seus conceitos eu faço uso em minha prática profissional de rotina, mas algumas de suas amargas conclusões sobre a psique humana são realmente incontestáveis.

No dia de hoje, um dia particularmente melancólico á quase todos que freqüentam esse blog, me veio á mente uma de suas postulações que, talvez, possa produzir a catarse necessária:

"Se o amor pelo objeto – um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja – se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. Via de regra, em ambas as desordens, essas pessoas ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopunição, vingar-se do objeto original e torturar o outro através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional desse sujeito, e na qual sua doença se centraliza, em geral, se encontra em seu ambiente imediato, ainda que de forma simbólica.” . Sigmund Freud

Mas isso é claro, é esperar que além da compreensão inequívoca do texto acima, esse sujeito tenha a capacidade de autocrítica tão apurada quanto sua aderente astucia e habilidade com o mal.

É pedir, ingenuamente, que achem bonito o que não é espelho.

* ao ser postado esse texto o contador estava em: 13.769.... E o que importa??
- posted by Mara


Sexta-feira, Novembro 2

DO QUE É FEITO UMA AMIZADE?

BY MY


Engraçado, eu sempre fico pensando em que momento da vida foi criado esse sentimento: a amizade.

Quem será que compôs o primeiro par de amigos da face da terra? Fico imaginando que eles devem ter tido muitas dificuldades nesse relacionamento, afinal foram os pioneiros em dar carinho, aparar arestas, serem muitas vezes incompreendidos e ainda assim estarem sempre de braços abertos para receber o outro quando preciso.

Bom, mas o tempo passou e hoje já sabemos muitas coisas sobre amizade. Há de ser entender que a amizade não é algo somente que nos traz alegrias e esse é o maior desafio dela.

Há de se aceitar que se pode ter amigos diferentes de nós, em raça, religião, temperamento, criação, cultura. Isso na verdade não é importante na amizade. Há de se saber que as regras principais da amizade são o respeito, a consideração, a tolerância e a humildade.

A consideração é um fator muito importante também. Não adianta sermos tudo de bom para alguém e nos momentos mais delicados e necessários para esse alguém, não termos a consideração que se resume na atenção devida.

Espera-se mesmo que a amizade, como qualquer outro sentimento, seja uma via de mão dupla. Não existe a possibilidade de só darmos, jamais recebermos e ainda assim sermos realizados nesse sentimento.

Não se trata de um "toma lá dá cá", mas se trata de um "eu me lembro quando eu precisei e você esteve comigo, portanto agora você precisa e eu estou aqui", e isso há de ser feito com um sorriso nos lábios e muito amor no coração.

A tolerância, talvez seja essa a parte principal. Há de se entender que nenhum ser humano vive em total estado de bom humor a vida toda.

Haverá dias que os ânimos não estarão bons, o coração de um deles não estará bem. Isso sem contar que as pessoas em geral têm os mais diversos tipos de temperamentos e de atitudes.

Há de se saber que para se ter um amigo, alguns momentos desagradáveis dele teremos que suportar passar por cima mesmo, ignorar, sabendo inclusive que ele em algum instante fará o mesmo por nós se for amizade verdadeira o que ele sente.

Há de se saber, aceitar e entender, que a perfeição, em termos de ser humano não existe, cometemos todos, diversas vezes, falhas, enormes falhas.

Nenhum de nós é o rei da verdade, nenhum de nós está certo o tempo todo. Em algum momento o nosso amigo é que será a parte certa e por mais que o nosso orgulho nos impeça de dizer, teremos que aceitar.

A humildade há de precisar estar presente sempre. Amigos que não convivem com isso, dificilmente conseguirão levar uma amizade avante.

Há de ser ter humildade pra dizer coisas simples:

Eu não sei, você me ensina?
Eu não consigo, você me ajuda?
Eu não posso, tenho medo, você vai comigo?
Eu errei, me perdoa?
Eu me arrependi, você me desculpa?
Eu não fui fiel a você, me dá outra chance?
Eu disse o que não devia,
Eu disse o que não devia, você pode esquecer?
Eu ando negligenciando nossa amizade, você me permite recuperar esse tempo perdido?

Ser humilde numa amizade, não significa se humilhar. Significa provar ao outro o seu grau de importância na nossa vida.

Por fim, uma amizade há de ter altos e baixos sim, há de atravessar furacões, cair em abismos, há de se despedaçar toda. Mas, se for amizade de verdade, há de voltar, envolta em ferimentos, apoiada numa bengala, sangrando até ...e há de encontrar o seu companheiro com o curativo nas mãos, amor no coração e disposto a dar o perdão!

Ser amigo, é todos os dias aprender alguma coisa nova, é sempre ter algo de que se arrepender por alguma coisa que se deixou de fazer.

Ser amigo é principalmente dividir uma emoção, saber acalentar um coração e deixá-lo voar pra longe de nós quando ele precisar.

Mas ser amigo é especialmente se recolher num cantinho e esperar esse coração voltar pra nossa mão no momento que ele achar que é bom.


* Obrigada amiga! Por ontem, hoje e sempre!
- posted by Mara


Quinta-feira, Novembro 1

QUEM VIU UM JOGO...


NÃO VIU O QUE EU VI!

A morte, por sorte, levou poucas pessoas próximas a mim. Não posso dizer o mesmo da vida. Minha natureza humana ensinou-me a defender-me continuamente da dor da perda e, essa propriedade, eu tratei de aprimorar no exercício de minha profissão.

A prática profissional me impôs a rápida compreensão do que denominei de tríade antagônica: prioridade, assertividade e verdade. O antagonismo que aponto, não está na comunhão das três e sim no efeito que provocam.

Por classificação semântica, qualquer um desses três fundamentos nos remete ao político e socialmente correto. Qualquer ser humano dotado de um instrumento qualquer de comunicação, se rende ao fascínio de proclamar á plenos pulmões o valor dessas palavrinhas.

Entretanto, na área essencialmente humana que é a psicologia, o uso convicto delas, provoca quase sempre, rejeições em diversos níveis. Psicólogos Hospitalares, como eu, pagam constantemente o preço de, por exercício profissional, terem introjetado esses princípios.

Não há maneira não-dolorida de se anunciar o prenúncio da morte pessoal ou parental, da perda de um membro ou vários. Não há, como acostumamos a pensar, consolo ou alívio possível, venha de onde vier.

Assim, nos encontramos sozinhos nos momentos em que nos propomos á estar com quem precisam de nós. A prioridade será sempre atender á aquilo que nos é solicitado. Doa a quem doer, enoje a quem enojar e surpreenda a quem surpreender.

Ninguém nos procura pra ser ludibriado ou manipulado. Aliás, ao nos procurar, já concluíram e só buscam a confirmação.

Diz o dito popular: “a esperança é a última que morre”. Á parte as crenças espirituais e religiosas, o dito é mentiroso. A menos que entendamos a “esperança”, como sinônimo de “confiança”. Essa sim é que nos leva de porta em porta, de médico em médico, em busca da verdade.

Naturalmente que no meio desse caminho, a verdade que buscamos, muda de cara muitas vezes. Aliás, percorreremos quase sua totalidade, buscando ouvir a nossa própria verdade, que nesse momento, deve ser compreendida como fé.

Demorou bastante tempo até que eu pudesse entender meu papel nesses instantes derradeiros da existência humana. Por muito tempo me sujeitei a ser apenas a porta-voz oficial das más notícias.

Então, um dia finalmente entendi a inutilidade dessa atribuição. Quando eu chegava, levando na bagagem, preparo acadêmico, coragem e uma couraça emocional, para transmitir a tal notícia, era surpreendida pela não-surpresa de meus pacientes.

Intuição? Compreensão? Aceitação? O que os levava a desbancar o inédito da má notícia que eu trazia?

Descobri que na, sempre longa, trajetória até a morte, o ser humano constrói para si mesmo, uma espécie de filtro de tudo que ouve, vê e sente. No fim das contas, faze um dossiê de si mesmo e traça uma estratégia de sobrevivência. Quando todas as suas cartadas se mostram inúteis, conclui que o jogo acabou!

Nessa hora, lá estou eu, com a triste tarefa de dizer-lhes o já sabido. A redundância da minha missão é imediatamente medida através da minha capacidade de assertividade e de enfrentar a verdade definitiva.

A medicina, graças á Deus, é falha. Mas, é fato também que, só pudemos constatar isso quando percebemos seu alto grau de eficiência. Os médicos, os exames e até mesmo os sintomas podem até prenunciar a hipótese derradeira, mas no fim, quem decide é uma força além da compreensão, chamada por muitos de Deus!

Assim, até mesmo a minha verdade, que é tão somente, a verdade dos médicos e da medicina, é também uma verdade questionável. A única, incontestável e definitiva verdade é a do próprio paciente.

Ontem me perguntaram: Eu vou morrer? Diante de olhares atônitos e recriminadores, eu disse: provavelmente sim! E, isso nos levou a segunda pergunta: Quanto tempo? E á essa, já aliviada, eu respondi: Isso é com Deus!

É! Eu acredito em Deus! Acredito nessas mal traçadas linhas que um dia alguém descreveu como tortas, mas que a mim sempre pareceram retas e justas. Penso Nele á todo instante e á ele entrego tudo aquilo que foge da minha capacidade de controle.

Com Ele estão muitas das minhas saudades, das minhas desilusões e incompreensões. Entreguei também a quase totalidade dos meus desejos, inclusive os de vingança!

O texto de hoje parece falar de morte, mas, se relerem vão perceber que fala de vida. Da única forma de vida que vale a pena ser discutida. Da vida que se dedica a ensinar-nos a morrer e falha em todas as suas tentativas.

Myrian Kelly, essa é a única coisa que não podemos evitar. Todas as outras formas de morrer são presenteadas com a possibilidade de ressurreição. É dessa certeza que sobrevivemos tão bravamente ás pseudo mortes que tivemos até então.

Termino hoje, um pouco mais triste. Sabendo que em poucos dias, se encerrará um ciclo que sei onde começou e que nada tenho feito pra exterminar. Me recolhi em meu silêncio, me prestei a dar apoio, mas não tive maldade dentro de mim, suficiente para empreender a luta de exterminar o mal pela raiz.

Você também não! E, isso nos torna melhores, mais limpas, dignas, mas, também mais frágeis. Quero que saiba que, com a mesma prioridade e assertividade com que lido com a morte, estarei mesmo á distância, defendendo os laços que nos uniram em nossas verdades.

Azar de quem te subestimou e perdeu sua admiração!

AMO VOCÊ DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO!

- posted by Mara




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