É preciso admitir: há pessoas que realmente não valem à pena. Não valem nosso crédito, investimento emocional e nem mesmo nossa benevolência. Gente, que por mais que tentemos compreender, chega a ser um desperdício da energia que gastam para sobreviverem.
Pessoas assim ocupam espaços, usufruem de benefícios e até respiram um ar que, levando em conta as contribuições que fazem à humanidade, não lhes pertence. São parasitas existências.
Dar a esses seres o direito de desfrutarem desses privilégios, em nome dos valores humanos é, pra dizer o mínimo, um exercício unilateral de desperdício. Mesmo assim, o fazemos. Talvez porque nossa bondade nos impeça de agir diferente.
Incrível como esses indivíduos sempre recebem destaque nas atividades que escolhem para resumir suas vidinhas medíocres. Ladrões, assassinos, seqüestradores, aliciadores, agiotas e até mesmo maldosos amadores, cedo ou tarde, acabam tendo seus momentos de fama.
Alguns até se perpetuam na categoria escolhida. Tornam-se homônimos de seus próprios crimes. Passam a definir tipos de personalidades, atitudes e até fatos históricos.
Eu lamento e choro pela humanidade. Choro menos, por aqueles que num nível menor se enquadram nessas características e nem se dão conta. Aqueles cuja maldade é tão insignificante quanto suas ambições sobre o uso delas.
Falo daqueles “malvadinhos”, “invejosinhos”, “pérfidozinhos” que se justificam o tempo todo. Que usam sempre os malfeitores genuínos e incontestáveis, como comparação para minimizarem suas “falcatruazinhas”.
Esses excessos de “inhos”, ao contrário de camuflá-los como desejam, evidenciam quão medíocres e “pequenininhos” são. Os tornam alvos de chacota na mesma definição de suas maldades: qualitativamente ridículas, mas quantitativamente expressivas.
Daí, pronto! Eis a notoriedade que esperam. Finalmente alcançam o “status” que tanto perseguem. Confundem evitação com temor, críticas com ataques e má fama com popularidade.
Pobres almas. Talvez merecessem um pouco mais de meu lamentar. Mas, confesso, já convivi com alguns desses seres tempo suficiente pra concluir que quanto mais nos sensibilizamos, mais corremos o risco de sermos confundidos com eles.
A ambição como quase tudo, pode ser vista sob ângulos opositores. Gosto de gente que se propõe a ser o melhor que pode em tudo que empreende. Que se aprimora e que forja seu próprio futuro. Mas, gosto mesmo, dos que aprendem com seus erros e reformulam suas metas, através disso.
A meu ver, deveria ser assim também para esses aspirantes a malvados profissionais. Já que ser maledicente, estrategista do mal e sacana são as únicas qualidades que dominam que, ao menos, praticassem-na com ambição e grandiosidade.
Talvez essa “pequeneza” seja um desígnio. Uma predisposição contínua ao pseudo sucesso para que, numa esquina da vida, acabem percebendo que desperdiçaram suas vidas tentando e falhando até mesmo nisso.
Mas, ao contrário, se contentam com o falso brilho dessa fama adquirida na contramão da qualidade de serem seres humanos. Convencem a si mesmos que todo o universo conspira contra eles, “pobres seres injustiçados”.
Uma amiga iniciou um trabalho acadêmico sob o título: “Na periferia da maldade”, que trata exatamente desse tema. Conversando com ela, dia desses, quase a fiz desistir do tema, quando discursei sobre o relato que ela mesma fez sobre o resultado de suas pesquisas.
Segundo ela, as pesquisas mostraram que, para cada pessoa má, existem cerca de cem outros que se vangloriam do fato de que suas intenções não serem “tão” más se comparadas com às dos bandidos “consagrados”.
É, meus amigos, estamos na época do “nivelar por baixo”. Do “releve, existem pessoas e maldades piores...”.
Ora, maldade é maldade. Não é coisa pra qualificarmos por intensidade ou raio de alcance. Maldade praticada sem intenção é apenas erro de cálculo e não deslize como querem que acreditemos.
Sugiro que nos rebelemos, nos sintamos chocados, gritemos, escandalizemos e protestemos até o último fôlego que possuirmos. Quem sabe assim alcancemos mais ouvintes e impedimos o mal de fazer escola e criar legiões de seguidores.
Não deixemos que nos acostumem com a maldade, seja ela qual for. Ainda somos a maioria. Também segundo as pesquisas de minha amiga, para cada ser maligno há uma centena de outros perfeitamente capazes de combatê-los apenas com sua capacidade de indignação.
Adoro saber que faço parte da parcela descartada da amostra que se tornará a base da tese da minha amiga. Sempre há tempo pra escolher de que lado ficar. Afinal, de boas intenções, diz o dito popular, o inferno está cheio!
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Segunda-feira, Abril 28
BOLOR....
...PARA TODOS OS GOSTOS!
Fiquei horas pensando em algo útil e/ou digerível pra escrever nessa segunda feira. Depois de algumas horas diante de um Word insistentemente vazio, conclui que essa aparente ausência de criatividade construtiva é fruto de uma antítese: não há nada de novo na blogosfera.
Em tempos de sucesso, a blogosfera é uma fonte perfeita de inspiração. Na calmaria, como agora, ela é apenas um depósito de obviedades e inutilidades. Nada, absolutamente nada que mereça ser contestado, afiançado ou reforçado.
Tá. Esses parágrafos revelam minha estratégia. Mas, duvido que você ainda não tenha percebido. Futilidades, intrigas, marketings pessoais ou alheios, nunca foram temas que eu dominasse sem esforço.
Muitos conflitos nasceram dessa recente necessidade de se confundir com a maioria, para receber o destaque necessário à existência individual.
Aliás, eu nem fui a única. Muitos dos blogs linkados no lado direito desse mesmo blog também sofreram esse desgaste, agora sabido, desnecessário.
Quanto talento desperdiçado! Quantas palavras, textos inteiros, atirados no lixo produzido pelos egos alheios! Palavras que, hoje sabemos, teriam sido mais úteis se desde o início tivessem tentado atrair para si a qualidade e não a quantidade dos que se propõem a consumi-los.
Tudo Bem! O tempo passa, a fila anda, os eixos se adéquam e depois de algum tempo constatamos: Há de se procurar muito se não quiser ter o “deja vu” como sensação contínua.
Isso é claro, pra não falar do “eu não disse?”, tão comum depois que o tempo se encarrega de mostrar que tínhamos razão. No final das contas, as coisas são como são porque não há condição possível para serem diferentes.
Pessoas se aglutinam em torno daquilo que lhes é semelhante. Olhos vagueiam naquilo que lhes serve de norte dentro de suas limitações e, infelizmente, dedos respondem às teclas que aprenderam a juntar. Todos num mesmo discurso.
Não há nada de novo na Blogosfera e em mim também não. Continuo resignada diante da imobilidade do caráter humano. Diante da impossibilidade de se alterar o que por natureza, encontra reforços em seus iguais.
Entretanto, adquiri o hábito de tirar da natureza o consolo necessário: depois de uma forte tempestade sempre há a possibilidade de um arco-íris. A refração da luz é a certeza que mesmo em solo encharcado e cinza, vez ou outra, o sol aparece.
Odeio críticas vorazes e perseguições. Sobretudo as que se pautam com bandeiras cristãs e moralistas. Pode não parecer, mas mesmo as perseguições justificadas, são frutos de uma auto-afirmação que, convenhamos, não leva a lugar algum.
A repetição insistente delas é, pra dizer o mínimo, falta do que falar. Viriam de uma ausência real de discursos pessoais e refletem uma limitação que só não percebe quem também a possui, ou quem é conivente com ela.
Dessa forma, o post de hoje é uma reprodução dessa mesma limitação, eu admito. Na ausência de algo novo, inusitado, que não mereça um “eu sabia” ou “não falei” é o que o motivou.
Mas, como sempre, procuro sempre aprender com os erros cometidos. E, para completar esse meu post, então, acresce-se a frase de Bertrand Russel: “Com um pouco de agilidade mental e algumas leituras em segunda mão, qualquer homem encontra as provas daquilo em que deseja acreditar.”
Não há nada de novo no Reino da Dinamarca....Tudo continua tão podre quanto sempre foi!
- posted by Mara
Sábado, Abril 26
RAZÕES...
...QUE AS RAZÕES DESCONHECEM!
As características que definem e individualizam as pessoas são fontes inesgotáveis de análises. São tantos os erros e acertos dessa empreitada que, muitas vezes, nem sabemos se aquilo que concluímos sobre determinada pessoa é algo que possa ser relevante.
Psicólogos, filósofos, poetas, astrólogos, publicitários e até os insuspeitos economistas não se cansam de gabar sua capacidade em decifrar as características humanas. Mas, a verdade é que essa é uma tarefa grandiosa demais pra ser resumida em abordagens isoladas.
Na medida em que o tempo avança, introjetamos a idéia de que vamos adquirindo maior capacidade de identificar, classificar e avaliar as almas que nos rodeiam. Ledo engano. Ao que parece, quanto mais vivemos, mais nos tornamos ingênuos nesse quesito.
Usamos expressões como “feeling”, o “santo que não bateu”, “a primeira impressão é que fica”, “não deu liga”, pra justificar as inúmeras vezes que, diante de um primeiro contato, simplesmente não nos simpatizamos com alguém.
É uma tentativa desesperada na busca do entendimento sobre as razões que nos impediram de estabelecer um relacionamento com alguém que, aparentemente, nada tem em seu caráter que deponha contra si mesmo.
As coisas ficam ainda piores quando a pessoa em questão é um desses super populares “bons camaradas”, aceitos e queridos por todos. Daí nos resta a sensação de que fomos intransigentes e/ou exigentes demais com elas.
É mesmo um mistério. Mas, não há quem nunca tenha vivido uma situação assim. O que será que ocorre?
Á parte as explicações espirituais e até esotéricas sobre o assunto, vale dizer que, não basta aguardar um alinhamento astral ou “descarrego” pra reverter tal processo. Na maioria das vezes, nem uma maior tolerância resolve.
Fico imaginando como é para cada um de vocês, já que comigo acontece com muita freqüência. E como se não bastasse, no fim das contas, algum tempo depois, sou obrigada a reconhecer que meu “instinto” não havia se enganado.
Mas esse, talvez, nem seja o pior a ser enfrentado. O que dizer de quando temos todas as provas do mundo de que tal pessoa ou situação não nos será favorável e mesmo assim não conseguimos desgostar delas?
É quando ganhamos um número enorme de adjetivos de quem se ocupa em vigiar nosso bem estar emocional. Chamam-nos de ingênuos, bobos, masoquistas e outros apelidos menos carinhos. Todos, com a intenção de nos abrir os olhos, é claro!
Bom, embora aparentemente diferentes, as duas situações acima definidas têm em sua essência a mesma origem:
O termo “escolha objetal” é usado em psicologia pra definir os determinantes nas escolhas amorosas que fazemos ao longo da vida.
Em outras palavras, explica porque muitas vezes terminamos um relacionamento que nos faz mal e, em seguida, engatamos em outro que é visivelmente igual em seus defeitos ou capacidade de nos ferir.
Relacionar-se com pessoas comprometidas, avessos a compromissos, frios, ou que não se adéquam as nossas necessidades. Parece que atraímos os mesmos tipos e as mesmas situações. Será mesmo isso?
Claro que não. Ocorre que tudo aquilo que presenciamos desde o primeiro momento em que começamos a interagir na vida, é devidamente armazenado em nosso inconsciente e ali está pronto a ser resgatado quando solicitado.
Daí que as experiências que temos com os adultos de nossa infância, tendem a causar dois tipos de registro: de devoção ou de rejeição. Isso quer dizer que um modelo que admiramos será a matriz de todos os que buscaremos ao longo da vida.
Da mesma forma, aquilo que nos molestou, direta ou indiretamente, é computado de forma a que rejeitemos qualquer coisa que nos remeta a ela no futuro.
Como nossos pais se relacionaram (ou ainda se relacionam), como interagiam conosco em seus papéis “protetores”, como se posicionavam como homens e mulheres na vida e na família, serão inevitavelmente nosso parâmetro de valores no futuro.
Assim, ao depararmos com uma pessoa pela primeira vez, a primeira coisa que fazemos é acionar esse registro emocional, até então sem uso, para criarmos padrões de comparação com o que nossa experiência aponta.
Fazemos isso sem perceber é claro. E, pronto: Um olhar, um cheiro, um gesto e até mesmo uma simples palavra empregada pode pré-empreender um conceito sobre a pobre vítima recém chegada em nossa vida.
Um consolo possível é que o outro também estará acionando seus próprios registros. Sempre haverá a possibilidade de que haja uma concordância de sensações e aí garantimos o nascimento, às vezes inexplicável, de uma grande amizade ou amor.
De qualquer forma, essa pode ser a explicação para a surpreendente capacidade que a internet tem para criar redes de relacionamentos. Sem a atuação conjunta de todos os nossos “sete sentidos” no momento de um encontro, somos livres para uma entrega emocional sem reservas.
Na melhor das hipóteses, pela Net, nos é negado o argumento de que “não fomos com a “cara” de alguém” quando, por alguma razão, não sentimos afinidade por uns e outros.
Frase feita por frase feita, eu fico com a que mais define nossas relações aqui na blogosfera: “Quem vê cara, não vê coração, mas, quem sabe ler pode se defender!”.
- posted by Mara
Quinta-feira, Abril 24
AO SEUS PÉS!
Responda sem pensar: quando foi que seu pé parou de crescer? Quando foi que ficou determinado que um número específico de calçado é exatamente o que se encaixa ao seu pé?
Tá certo! Tem gente, cujo pé se encaixa em mais de um número. Mas essa oscilação, geralmente, não passa de “um” pra mais ou pra menos. Nossos pés são previsíveis. Podem até variar, baseados no modelo do calçado, mas nunca porque o pé surpreendeu e cresceu na calada da noite.
Essa, você deve estar pensando, parece ser uma reflexão inútil. Do tipo que nada acrescenta depois de um dia cansativo de trabalho.
Mas, até essa aparente inutilidade é um reforço do que estou tentando discutir: um dia, sabe-se lá quando e porquê, acordamos usando o número “x” de calçado.
A partir desse dia, nunca mais foi preciso pensar quando indagados por um vendedor de sapato: “Qual número, Senhor (a)?” Imediata e automaticamente respondemos como se o tal número fosse o RG dos nossos pés.
Mas, os pés não são exclusivistas! Muita gente calça o mesmo que você. Assim, como muita gente calça muito mais ou muito menos. Você mesma já calçou menos um dia. E, por alguma razão, seu pé parou de crescer quando entrou na faixa numérica entre os números 30 e 44.
Isso, aliás, é intrigante. O que será que se deu primeiro: os pés param voluntariamente de crescer, ou as indústrias é que, ao fabricarem apenas calçados com essa numeração, os forçou a estacionar ali? Será uma teoria evolutiva semelhante á de Darwin?
O fato é que até que alcancemos o limite inferior dessa restrição de tamanho, a única pessoa que parece se preocupar com o tamanho dos nossos pés é a nossa mãe. Talvez, então, sejam elas – as mães- que tenham a resposta ao mistério do término do crescimento deles.
Entretanto, por mais intimidade que eu tenha com minha mãe, não me sinto à vontade para abordá-la e perguntar: “Mãe, quando foi que meu pé parou de crescer?”. Tenho medo que ela interprete isso como uma cobrança.
Imagine se ela resolve acrescentar essa pergunta às inúmeras outras “culpas” que ela costumeiramente atribui a si mesma, pelas minhas lacunas existenciais, causadas por suas pequenas ausências em minha vida?
Não. Definitivamente, o desenvolvimento de meus pés não servirá de motivo pra que a pobrezinha se martirize forçando sua memória em busca de respostas. A mim, me basta que ela tenha guardado meu primeiro dentinho de leite e o use pendurado em seu pescoço.
Voltemos então aos pés. Os pés são cercados de muitas curiosidades. Por exemplo: já repararam que tudo que é referente aos pés recebem nomes que iniciam com prefixo deles mesmos?
Pedólatra, pedicuro, pé de atleta e etc... pedófilo, embora pareça e cause alguma confusão semântica, nada tem a ver com isso. Nem merecem nossa menção.
Quase tudo referente aos pés, leva o prefixo “pé” como se fosse necessária tal referência para que invocássemos a relação entre a palavra e o dito cujo. Então, porque nenhum calçado tem essa concordância?
Não seria coerente que, ao invés de sapato usássemos “pépato”? Ou, “pensalha” no lugar de sandálias? No inverno teríamos opções de “pétas de cano alto ou baixo, com ou sem salto e, assim por diante.
A essa altura, é claro, você deve estar se perguntando: “Mas, porque raios eu estou lendo esse texto ridículo sobre pés? Sei lá. Mas que o assunto te pertence, isso pertence.
Ou você vai negar de “pé junto” nunca ter levado um “pé na bunda”? Ou ter chamado alguém ou alguma coisa de “pé no saco”? Ok. Se você é do tipo sensível, posso dar outros exemplos menos traumáticos:
“Pé de valsa”, “pé de boi”, “pé atrás”, “pé frio” e até “pezinho de anjo”. E aí? Agora concorda comigo que pé é um assunto relevante e que está super presente em nossas vidas, mesmo que não demos atenção á eles?
Hoje, me senti em falta com meus pés. Os tenho ha tanto tempo, cuido deles com tanto carinho e, de repente, me dei conta de que não sabia dizer quando ele se tornou apenas um número pra mim.
Aliás, no afã consumista que me caracteriza, sempre tratei de orná-los com os mais bonitos adornos, mas sempre ocultando-os. Numa clara e confessa inversão de valores, transformei meus pobres pezinhos em acessórios para os meus inúmeros pares de sapatos. Que crueldade!
Creio que esse texto pode provocar a retratação necessária para com meus pés e, ao mesmo tempo, despertar em você leitor a importância de não negligenciarmos o que nos é fundamental, pelo simples fato de cumprirem bem a função à que são destinados.
O pé é apenas um exemplo, é claro. É apenas uma das inúmeras coisas que por serem tão silenciosamente servis e fiéis, nos esquecemos de sua importância.
Assim, que tal dedicarmos o dia de hoje pra ver “em que pé” estão as coisas e pessoas importantes de nossas vidas? Vamos lá: coloque o “pé na estrada” e saia agora mesmo atrás do que você ainda pode resgatar e valorizar, antes de estar com o “pé na cova”.
Fico por aqui, desejando que sua jornada comece com o “pé direito”!
- posted by Mara
Segunda-feira, Abril 21
...LONGE VÁ, TEMOR SERVIL!
“A honra põe um lavrador de pé e um fidalgo de joelhos”. Benjamin Franklin
“Um homem desonrado é pior que um homem morto” Miguel de Cervantes em “D. Quixote”;
“Há pessoas que observam as regras de honra como se vêem as estrelas: de longe”, Victor Hugo em “Os Miseráveis;
“O que é a honra? Uma palavra. O que há nessa palavra honra? Vento”. William Shakespeare em “Henrique IV”.
Hoje eu acordei com essas frases ecoando em minha mente. Transportei-me para minha sala de aula, com carteiras de madeira envelhecida, utilizada em dupla, com uma pequena depressão para se depositar lápis.
Usávamos lápis. E apontadores coletivos democraticamente presos na mesa de fórmica azul da professora. Mesa, posicionada estrategicamente no centro da sala, à frente do quadro negro.
Tínhamos aulas de Educação Moral e Cívica. Decorávamos o hino com a mão espalmada no peito na quadra de pintura descascada, olhando para o céu da bandeira orgulhosamente hasteada.
Um pingente de bijuteria colorida que delineia as curvas sinuosas do meu país, pendurado em meu pescoço em dias que a roupa escolhida, dele não destoa. Isso é o que restou do meu sentido de honra herdado da “Dona” Sônia, a professora da disciplina mencionada acima.
“Ver contente a mãe gentil...”
De que “mãe” falávamos? Daquela que é evocada quando queremos nos lembrar dos valores primeiros de humanidade e de convívio social? Da mãe, palavra, que sintetiza valores como dedicação, entrega e amor incondicional?
Creio que falávamos da “mãe”, que nos causa saudade mesmo quando a distância é de apenas um cômodo. Mãe que nos ajuda a levantar do chão de nossas derrotas sempre com olhar de sofrimento chupado de nós.
Falávamos da mãe que viríamos a ser. E das mães que ainda geraríamos. Clamávamos por uma honra que pretendíamos ter e de um amor de gratidão pela merenda composta de leite de soja e sopa de letrinhas.
Fui porta estandarte de minha escola. Saía à frente, com o peito estufando o brasão da escola estadual, vestida de uniforme Adidas verde-amarelo. Atrás, a fanfarra, as balizas, e o batalhão de futuros.
Era uma honra conferida. Ímpar e disputada por todos. Merecíamo-na depois de provarmos que éramos os melhores em Educação Moral e Cívica (olha ela aí de novo!).
Anos mais tarde, abdiquei do direito de pintar minha cara e sair em marcha pelas ruas. Eu e meus amigos não engrossamos a multidão porque tínhamos ensaio da remontagem da peça recém estreada por nós: “Liberdade, liberdade”.
“Liberdade, liberdade” foi escrito por Millôr Fernandes e Flávio Rangel, em 1965. Tornou-se um marco da história teatral do Brasil. Teatro de protesto, criticavam a repressão imposta pelo golpe militar de 1964.
Não fui ás ruas, porque estava sendo apresentada à Sócrates, Marco Antônio, Platão, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Castro Alves, Anne Frank, Danton, Winston Churchill, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Geraldo Vandré, Jesus Cristo, William Shakespeare, Moreira da Silva e Carlos Drummond de Andrade.
A versão original estreou num teatro improvisado no Rio de Janeiro, em 1965, no dia 21 de abril, Dia de Tiradentes, o Mártir.
Mas, do que falávamos? Ah! Falávamos em honra. E das lembranças de infância, dos mestres que nos ensinavam do alto de suas menções honrosas como especialistas na arte de dar murro em ponta de faca.
“Dona” Sônia já era velha. Ou eu era jovem demais para julgá-la com a idade correta. De uma maneira ou de outra, já deve estar morta. E não fui convidada à ver a bandeira hasteada à meio pau em sua homenagem.
Pensando bem, não devem ter hasteado a bandeira. Também, não é pra menos. Ela não morreu no dia da bandeira, da independencia, da pátria ou outro dia qualquer igualmente patriótico e que ela nos fazia decorar.
Um novo dia se aproxima. Em meu peito guardo a silhueta de minha pequena mão espalmada. Um índice, uma lembrança, uma sensação...
Na garganta, o cordão de lata que suspende o mapa de bijuteria barata que, em alguns anos, perderá a pintura e marcará meu pescoço com indícios enferrujados de seu contorno.
Cada um tem a forca que merece! A minha (honra) não está à venda, não será rifada e nem sequer esquecida!
- posted by Mara
Sábado, Abril 19
O CARA QUE “DIRIGE” O CANHÃO...
...DE LUZ!
É necessário dizer que circo, no meu entender e em minha memória, configura-se como um enorme picadeiro, coberto por lona e arquibancadas circulares. Delata também a existência de artistas multi capacitados e, sobretudo, crianças - centenas delas.
Assim, antes que eu siga com meu relato, segue meu conselho amigo: se der, proporcione-se em ao menos um dia de seu mês, um esses clichês tupiniquins. Vá ao circo, coma pizza, ria com os palhaços e com os amigos.
Sei que todos estão fartos de “pão e circo” e da variação temática que faz quase tudo terminar em “pizza”. Mas, foi exatamente essa combinação que preencheu minha noite nesta sexta feira.
Viajei trezentos quilômetros até a capital para assistir ao espetáculo “Alegria” do Cirque du Soleil. Muita gente pode pensar que além de um privilégio, essa viagem faz parte de uma ostentação digna de quem não tem nada mais importante com que se ocupar, a não ser a própria diversão.
Concordo. E acrescento que, há muito, eu vinha precisando desse exercício explícito de futilidade. Na verdade todo o processo, independente de como eu o defenda, remete à esse tipo de juízo de valor.
Creio que não diminuiria minha “culpa” contar que os ingressos me foram dados pela contagem de pontos adquiridos pelo uso do meu cartão de crédito, por exemplo. Ou que eu tinha várias reuniões de trabalho agendadas para a mesma data. Então, deixe pra lá.
De uma maneira ou de outra, eu estive lá. Eu, e uma multidão de adultos. Crianças, eu pude contar com os dedos de uma só mão. Ainda assim, confesso, houve momentos em que ninguém ali parecia ter mais que dez anos.
O Cirque de Soleil ou Circo de Soleil é um extraordinário espetáculo. De cores, luzes, sons e de desafios as límitações anatômicas humanas. Dentro e fora do picadeiro! No piso móvel e multicolor do centro da lona, corpos perfeitos, técnica e muita harmonia e beleza.
Na platéia, corpos espremidos num espaço exíguo, projetado para desafiar as leis da física que apregoam que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Nas cadeiras do Cirque de Soleil em São Paulo, essa afirmação foi definitivamente abatida.
O espaço é tão pequeno que por pouco não ajudei com minha cabeça a sustentar a corda que tencionava a rede de proteção dos malabaristas. E o senhor obeso que ocupava a cadeira ao lado revezava sua respiração com a minha para que não protagonizássemos um “rala rala” desconfortável entre estranhos.
Mas o maior espetáculo está mesmo do lado de fora, e pode ser apreciado assim que você tenha vencido a guerra por um espaço para seu automóvel. Vá de Taxi!
Ao entrar, você é inevitavelmente convidado a consumir o dinheiro que levou para a “pipoca” em toda sorte de souvenirs. Resista, com "Alegria", se for possível.
Chaveiros, camisetas, canecas, livros, programas, Dvds, Cds, bichos de pelúcia, enfim, qualquer coisa que custe mais de trinta reais e te agracie com um silk das caras pintadas dos artistas do espetáculo.
Não há uma só foto, referência ou cartaz onde você possa se posicionar ao lado e fotografar a si mesmo para, posteriormente, colocar no orkut com a legenda: “eu no Cirque de Soleil”. O jeito é comprar a tradicional pipoca e levar o balde personalizado pra casa. (custam treze reais)
O espetáculo conta com mais de 300 artistas das mais diversas nacionalidades. Certamente, por trás de tanto sucesso existe uma verdadeira maquina empresarial que garante, inclusive, a qualidade do espetáculo e a seletividade da platéia.
Sinceramente não sei à quem atribuir a culpa por esses excessos e abusos. Nem quero causar um incidente diplomático fazendo acusações sem provas. Mas, sei a quem responsabilizar pelo preço cobrado no ingresso: um brasileiro.
Marcos de Oliveira Casuo - o palhaço. São três palhaços. Mas, é impressionante como entre eles e até entre os demais artistas, Marcos parece transpirar brasilidade sem sequer dizer uma só palavra que o denuncie pelo idioma.
O palhaço interpretado pelo brasileiro é meigo, é ingênuo, e cheio de ginga e malícia. Enorme de estatura, no palco, Marcos parece um menino. Arranca gargalhada das gargalhadas que dá de si mesmo. É, sem dúvida, o valor de cada cifra que paguei para estar ali.
Valeu. Iria outra vez. Senti falta do riso infantil, das pipocas atiradas ao chão por mãozinhas atrapalhadas e não por mãos mal educadas, com unhas pintadas de vermelho. Senti falta também, do meu coração batendo forte no peito com apreensão pelos malabaristas. Ninguém imagina nenhum deles falhando na técnica a que se propõem.
Sentada ali espremida entre meu vizinho gordo e meu filho, olhei com atenção especial para cada rosto ali presente. Em todos, via-se uma pausa. Como se todos tivessem levado um pouco da menina Isabella para o lugar onde ela deveria estar comemorando seu aniversário, caso não tivesse sido brutalmente assassinada.
Se houvesse mais crianças ali, talvez, da torre mais alta que sustenta a lona, o homem que dirige o canhão de luz tivesse ainda mais trabalho. Teria que ressaltar a luminosidade delas, tão ou mais intensa, do que a de qualquer artista ali é capaz de ter.
Para essas crianças, que por razões financeiras ou de oportunidade jamais desfrutarão do mesmo privilégio que eu, deixo o texto originalmente escrito, em quatro idiomas, no programa (vendido à dezenove reais) do espetáculo:
“As crianças de rua não verão Alegria. Rir continua sendo um luxo que não está ao alcance delas. Esta noite, nossos gritos de alegria se transformarão em gritos de raiva pelos milhões de jovens corações que voltarão a congelar nos meios-fios de nossa boa vontade. Que ”Alegria” se transforme num grito de união para todos aqueles entre nós que continuam sem voz.”
AMÉM!
- posted by Mara
Quinta-feira, Abril 17
O APREÇO NÃO TEM PREÇO!
“Amanhã, quando acordar, vai estar tudo bem.”
Funcionava. Esse pensamento, acompanhado de um olhar amoroso, um cafuné e um beijo de boa noite, sempre funcionou. Era a forma adotada por minha mãe, sempre que a ansiedade ou tristeza tomava meu coraçãozinho de criança.
Incrível como algumas frases fazem a diferença se ditas na hora e para a situação certa. Alguns psicólogos acreditam até que esse é o cerne de nossa profissão: ter sempre à mão uma frase de efeito que poderá reverter todo um processo aparentemente irreversível.
Não é uma verdade completa. Já foi dito e cantado, (e é verdade!) muitas vezes, “palavras são palavras e a gente nem percebe o que disse sem querer”. Mas, raramente conseguimos ocultar ou dissimular uma atitude.
E frases como as mencionadas sempre virão acompanhadas de algum gesto, olhar ou promessa de atitude que determinará sua eficácia.
Da a frase de minha mãe, entretanto, eu ainda não conclui quais elementos a tornava tão eficiente. Sempre fluía fácil e quase nunca se renovava. Tinha a mesma entonação e quase nunca eu a ouvia até o fim, já que adormecia rapidamente tranqüilizada por elas.
O ser amigo, mãe, irmão, pai, psicólogo ou simplesmente um casual companheiro de infortúnio vem sempre acompanhado de um desejo premente de possuir esse dom da palavra certa.
Daí que, nesse aspecto, há boas e más notícias. As boas é que é estatisticamente possível que tenhamos, ao menos uma vez na vida, um desses momentos de “conselheiro” perfeito.
As más, é que nem sempre um momento como esse é percebido por nossos interlocutores.
Eu não sei vocês, mas eu perdi as contas das vezes que cheguei às raias da irritação por ter a clara sensação de possuir a solução perfeita para ajudar alguém e, esse alguém, simplesmente declinou-a.
É frustrante e irritante. E de nada adianta argumentos do tipo: “eu que estou de fora...” ou o famoso: “depois não diga que eu não avisei...”. Diante de uma recusa ostensiva ao nosso poder de persuasão, via de regra, nos calamos magoados.
Sempre há, é claro, a possibilidade de que o outro reconheça em curto prazo o equívoco de não ter nos dado ouvido e que volte com “o rabo entre as pernas”, arrependido. Mas, de que adiantou se nossa intenção era evitar a conseqüência e não apenas termos razão?
Talvez sirva para uma próxima vez, dirão! Ledo engano. Mostra a experiência que, quem se recusa a ouvir conselho, faz disso um princípio de vida e repete essa rejeição compulsivamente, independente das lambadas que leva.
Então, o que fazer? Talvez seja prudente avaliarmos o outro lado da moeda. Porque se de um lado, há alguém resistente às intervenções contínuas que fazemos, de outro, possivelmente há uma resistente mania de nossa parte em oferecer ajuda a quem não quer ser ajudado.
Eu não conheço ninguém que, sentindo-se ameaçado, não tenha gritado em alto e bom som por socorro. Menos ainda, quem julgue merecer ser ajudado, não cobrar descaradamente de quem não ofereceu espontaneamente.
O jeito é esperar o pedido. Aguardar até que sejamos solicitados ou escolhidos entre as possibilidades de soluções no leque de opções, do outro. Paciência e resignação é a chave.
Um pouco de humildade também é bem-vinda. É preciso aceitar que, às vezes, não somos os únicos a ter a chave da felicidade de quem amamos. E, principalmente, de que talvez nosso amor não seja suficiente para tornarmo-nos imprescindíveis.
Interpretar corretamente um pedido de ajuda, entretanto, é tarefa complicada. Não podemos, é claro, esperar que seja feito sempre de maneira verbal, clara e inequívoca. E, menos ainda, que a ausência dele, implica numa mera dificuldade em fazê-lo.
Daí que antes de considerarmos se nossa ajuda será efetiva, é preciso considerar se é necessária e desejada. E, mais difícil ainda, se é a NOSSA ajuda que foi solicitada.
Diante desse quadro é que surge uma nova modalidade de parceria humana. Estabelecida através de uma presença que grita disponibilidade, apesar de ser muda aos ouvidos e invisível aos olhos.
É o “estar”, sem alarde, dos verdadeiros “ajudadores”. A leve pressão das mãos acariciando os cabelos, o toque suave de dedos sobre nossas mãos aflitas ou o simples olhar de apoio, atirado à distância.
É o “amanhã vai estar tudo bem” proferido por minha mãe no final de um dia terrível. É o pisar confiante de um médico no corredor do hospital, e a serenidade dos pregadores impregnada no fechar de olhos enquanto fazem a prece silenciosa.
Receber ajuda é descobrir-se querido. Ajudar alguém é desejar ardentemente sê-lo. E, o melhor de tudo: um está, necessária e intrinsecamente, ligado ao outro.
* texto sem correção
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Terça-feira, Abril 15
PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES!
Alguns de vocês queixaram do teor “pesado” de meus posts. Alguns até, chegaram a especular ligações entre eles e meu estado de espírito ou com fatos de minha vida particular.
Numa atitude inédita, refiz alguns de meus princípios e abandonei a generalidade dos problemas sociais, evidenciando o momento especial que estou atravessando. Mas, como todos já sabem, não consigo evitar bradar sobre as incoerências humanas.
Sobretudo, quando essas incoerências não são justificáveis por nenhum distúrbio de ordem psiquiátrico, ou deturpadas pelo poder de uma comunicação mal feita. Fatos noticiáveis, jornalísticos ou não, são sempre carregados de espanto e rejeição seja por um motivo ou por outro.
Dessa forma, falar de flores parece ser saudável e politicamente correto, mas é também um alarme de alienação inegável, seja qual for o assunto em questão.
Flores não aumentam a inflação, não corrompem o poder público, não causam desconforto ou a desgraça alheia e, menos ainda, assassina crianças.
Gosto de flores. Principalmente quando estão florescendo naturalmente em campos amplos e sem os retoques maquiadores que as torna comerciáveis. São necessárias as flores, sobretudo, para evidenciar o contraste das ervas daninhas.
Assim, me desculpem os floristas e os “floricultores”. Perdoem-me, também, os românticos e os ecologistas, mas não tem havido muito mercado para as flores nesse nosso século. Talvez não tenha havido em século algum.
Temos forjado, com grande esforço, a existência delas e a conseqüente aceitação das mesmas entre os seres humanos, mas é preciso admitir: às flores se reservam as poucas e, quase esquecidas, datas comemorativas e comerciais.
Todo o tempo excedente foi preenchido pelos espinhos. Estes, sim, os verdadeiros protagonistas no cenário da existência humana. Os espinhos ganharam notoriedade por terem aumentado em número e o seu poder letal.
Estou (e quem se queixou da morbidez de meus textos também está) chocado com o rumo das notícias que nos assolam. Adolescentes matando pais e avós, mosquitos ceifando vidas, guerrilhas urbanas invadindo paraísos turísticos e crianças sendo atiradas pelas janelas.
Desculpem os mais sensíveis, mas nem todas as flores do mundo, (colhidas e também mortas por mãos bem intencionadas em seu esplendor natural) conseguiriam encobrir a face sem vida das inocentes vítimas desse nosso planeta em “desenvolvimento”.
Claro que podemos falar de esportes olímpicos, de concursos de “Misses”, ou até do milésimo gol do Romário, (repetido outras mil vezes para os saudosistas), mas, enquanto isso, crianças são treinadas como militares na China, outras morrem de omissão médica nas filas do Serviço Publico de Saúde. E ninguém lhes enviou flores! Nem adiantaria.
Seqüestraram a tranqüilidade do pai da Mônica e do Cebolinha. Tudo bem, porque se ele deixar de desenhar e dar vida à seus personagens, as poucas crianças sobreviventes do próximo século, talvez não tenham tempo de sentir a ausência desses ingênuos personagens.
Eles, certamente, estarão mais preocupados em entender, de uma vez por todas, se o tal do biocombustível é uma praga, ou a salvação da lavoura. Ou estarão na fila dos brasileiros que pleiteiam um “visto” para visitar a Amazônia, lá então, território estrangeiro.
É meus amigos, nem tudo são flores. E do “alto, no céu da realização dos meus sonhos” eu não consigo desviar meu cérebro que teima em perceber que a terra sob meus pés é areia movediça renovável e mortal.
Tenho certeza, que como eu, Alguém lá encima, na evolução das frases feitas, vem proferindo a seqüência inevitável de questionamentos: que planeta é esse? Que país é esse? Que pessoas são essas?
Mas, como nosso universo é gigantesco e, disseram, que somos uma “gota”, deixo a questão minimalista: que leitor é você?
- posted by Mara
Domingo, Abril 13
O DESTINO DE UM BEIJO...
É PEGAR OU LARGAR!
Ok, beijar é bom. E olha que nem estou falando do beijo sexy, caliente que sempre nos vem à mente quando invocamos uma imagem através da palavra. Estava mesmo era pensando naquele beijinho molhado, geralmente, dado na mãozinha espalmada sobre a boca e que depois é lançado ao vento, das crianças pequenas.
Há imagem que possa nos despertar mais ternura que essa? Pois é. E pensar que esse gesto singelo é ensinado por nós, os adultos. E é fruto de um aprendizado legado através de gerações.
O fato é que na medida em que crescemos o beijo vai perdendo sua inocência e ganhando simbolismos que extrapolam seu significado original. Me admira que muitos de nós, ainda se lembre e consiga ensinar aos pequenos, o gesto acima descrito.
Tem gente que beija por qualquer coisa. Tem gente que beija e nem se dá conta da coisa. E outros, que fazem do beijo um coisa qualquer. Beijo é grátis e há muito deixou de ser vigiado em suas intenções.
Beijo sensual, tímido, romântico, técnico, respeitoso, banal e traiçoeiro. A história se encarregou de apresentá-los a nós e, o cinema, de nos ensinar a reconhecê-los. Ainda assim, confesso que ainda me deixo enganar.
Beijos de traição e de morte, beijos de amor, de paz, beijos roubados, de cortesia, beijos amistosos. A literatura, a antropologia, a psicologia, a filosofia e até a religião trataram de tomar para si a tarefa de traduzi-los.
"Um beijo movimenta 17 músculos da língua, mas também nove miligramas de água, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,7 de matérias gorduras, 0,45 de sal e centenas de bactérias e milhões de germes". Li em algum lugar.
Mas, convenhamos, só mesmo quem o recebe sabe bem que mensagem ele detém. O que dizer, então, do beijo que nunca recebemos ou dos que deixamos de receber? E, porque não dizer dos que, por alguma razão, não mais pretendemos ofertar?
Não há como negar que do primeiro ao último, o beijo está sempre propenso a ganhar a imortalidade, está sempre prestes a trazer em si mais significados do que intenções.
Beijar é anti higiênico e também não é estético. Tenta anular os outros sentidos já que pra ser considerado profundo, sugere-se que fechemos os olhos. Impede a fala, ensurdece os ouvidos e direciona todo o resto. O beijo é despótico.
Quando acontece impõe a seqüência do que deveria vir a seguir. Quando não ocorre, telegrafa intenções. Enquanto é esperado, gera teorias e promove o caos (em todos os sentidos).
Sei que não serei a primeira, nem a última, a desfilar esse rosário de obviedades sobre o beijo no dia de hoje embalada pela campanha marqueteira do “dia do beijo”. Mas, talvez eu seja uma das poucas que ousará admitir que dos muitos beijos que recebi na vida, poucos são os que realmente valeram à pena.
A maioria, inclusive, me foi dado por pessoas com menos de dezesseis anos. E, essa constatação, é que me fez escrever. O pensamento nostálgico de que muitos de meus beijos também se perderam na inutilidade de um gesto ofertado á pessoas erradas.
Esse post é um esclarecimento público. Hoje, depois de tantos gestos mais inesquecíveis, o beijo pra mim é uma saudação. Do tipo que escrevemos no plural e ao final de uma mensagem e ponto.
Um gesto instintivo e que às vezes até nem sabemos se damos o rosto para ser beijado, ou se beijamos o rosto oferecido. O beijo que considero sincero é aquele que precede uma atitude condizente e que ainda que não mais se beije, a atitude permanece.
Algo semelhante ao beijo do meu cachorrinho, dado em forma de lambidas. O beijo dele é o desfecho de uma relação pautada ininterruptamente por atitudes sinceras de lealdade e companheirismo. De amor e prazer, de necessidade mútua.
E, não sei se notaram, mas nesse tipo de beijo, é o genuíno “beijo de língua”. É instintivo e não espera ser imitado para que tenha a força que pretende exprimir. Eu, pelo menos, nunca lambi meu cachorro em retribuição. É, portanto, o único beijo desinteressado que conheço.
Assim, o texto de hoje eu dedico a todos aqueles que, ao longo de minha vida, me beijaram. Uma homenagem minha aos que desperdiçaram seu tempo e seus beijos na tentativa de se fazerem importantes pra mim, mas que se esqueceram de impulsioná-los com atitudes verdadeiramente honestas.
Vai também para os beijos ímpares de meus amigos sinceros, de meu filho, de minha mãe e, sobretudo, ao beijo que me lembro ter dado na infância.
Assim, um beijo a todos. E sabedoria aos amigos, para que saibam reconhecer que o beijo destinado a eles, ainda que não freqüente, é mesmo o melhor que posso ofertar. Que é exclusivo, íntimo e intransferível. O resto é beijo técnico!
*texto sem correções
- posted by Mara
Sexta-feira, Abril 11
OLHARES ATENTOS AO CÉU...
DA REALIZAÇÃO DOS MEUS SONHOS!
Todo mundo deve saber que tenho dois sérios problemas ao falar em público:
A primeira grande dificuldade é começar a falar. É sempre complicado. A segunda, ainda pior, é parar de falar.
Em televisão ter “timing” é uma qualidade desejável e para não atentar contra a paciência de vocês, resolvi fazer meu discurso pautado no deadline. Entretanto, dou-me o benefício da ignorância jornalística já que TV não é minha formação primeira.
Todos sabem que sou psicóloga por formação e também por vocação. E são nessas práticas que me apoio para falar com vocês. Do Jornalismo, empresto a ousadia e, da Psicologia, o perdão pelo excesso de liberdade de expressão.
A pergunta que desencadeou todo o processo que culminou no dia de hoje foi: O que me levou até a Argentina, anos atrás, e transformou uma simples viagem de turismo numa história de amor?
As paisagens, o idioma, o clima? A mistura disso tudo, eu diria. Mas, sobretudo, foi a incompreensão de uma rivalidade que antagonizou com as impressões que tive ao pisar em solo argentino pela primeira vez.
O povo argentino é amável, melódico, caloroso e passional. Dito assim parece que estou definindo meu próprio povo, meu próprio país. E são essas semelhanças que fazem as diferenças entre esses dois países ficarem pequenas e complementares.
Do meu país levo o sol, o samba, a cor morena da minha pele. Da Argentina, trago o amor dos meus amigos, a novidade da neve e, agora, o laço de amizade que gerou uma parceria em um prazeroso trabalho.
O dono da Agencia de Turismo que nos patrocina é Argentino de nascimento e, brasileiro de coração. Ou vice versa. Mas, é ele que, sem medo, com responsabilidade e muita paixão por suas duas nacionalidades, tem ensinado os nossos jovens os prazeres de se internacionalizar os afetos.
A empresa une os dois países de maneira jovem, lúdica, divertida. Ensina surfistas a apreciarem o esqui, sambistas a admirarem o tango e, jovens a terem responsabilidades cidadãs além das fronteiras de seu próprio país.
Um dia, nos encontramos. Alejandro e eu. E nesse encontro percebemos que tínhamos sonhos e objetivos semelhantes. Alternávamos nossas vidas no que, pra nós, já virou uma ponte aérea Brasil- Argentina.
O programa Zero Grau é o começo de um sonho que nasceu num almoço, entre amigos, numa cabana, no pé da montanha, na Patagônia Argentina.... Regado a caipirinha e feijoada.
Naquele momento, sabíamos, começava uma história de amor e muito trabalho. E são os resultados desse sonho que levamos nos últimos três meses, todos os finais de semana, para dentro da casa de cada uma de vocês.
Á esse sonho agregamos as produtoras Cintia e a Natalie, o cinegrafista André e, a menina Nianara, que vi crescer sob as luzes fortes dos estúdios de TV.
Nianara e eu não somos irmãs, tampouco mãe e filha. Algumas pessoas buscam em nossas semelhanças físicas algum parentesco entre nós. Mas, nossa aliança é de fé, de perseverança e de especialização na arte de dar murro em ponto de faca.
Fazer TV numa cidade como a nossa, tão cheia de talentos, alguns deles aqui presentes, é um desafio muito grande. Fazer TV com poucos recursos é mesmo uma loucura que só a psicologia poderia me ajudar a entender.
Sou Paulistana de nascimento. Mas, hoje, me sinto filha dessa cidade. Pelo apoio recebido por todas as personalidades, sim, “personalidades” que nos apoiaram nesse evento. Gente que aqui forjou sua história com trabalho sério e competente.
Essas pessoas acreditaram em nós. Nós acreditamos nessas pessoas. Todos aqui presentes são os nomes que fazem a fama de Ribeirão. Por isso estão aqui, porque queremos humildemente tomar emprestado esse brilho, para que ele reflita em cada uma das temporadas que ainda virão do nosso programa.
O Zero Grau é um bebê recém nascido. Mas pretende crescer forte e seguro, segurando firme nas mãos audaciosas da College. Desejamos que ela nos leve com segurança, respeito, carinho e proteção, para onde quer que vá. Da mesma maneira como faz com os filhos de vocês.
Assim... Era uma vez... Um sonho que virou trabalho... Mas um trabalho de sonho
* Meu discurso de ontem na cerimônia que marcou oficialmente a permanência de meu novo programa de televisão patrocinado pela operadora turística . Foram centenas de pessoas testemunhando minha experiência de falar em público ser nocauteada pela emoção.
- posted by Mara
Quarta-feira, Abril 9
É HOJE!!
"...A estrada para o sucesso não é uma reta.
Há uma curva chamada fracasso.
Um trevo chamado confusão.
Quebra-molas chamados amigos.
Faróis de advertência chamados família.
Pneus furados chamados desdém
Mas se você tiver um estepe chamado determinação,
um seguro chamado fé,
e um motorista chamado consciência,
você chegará a um lugar chamado sucesso. ...."
(autor desconhecido)
- posted by Mara
Domingo, Abril 6
AS CINCO IDADES DO HOMEM
* Por Renato Kress
Segundo a mitologia grega, a raça humana teria sido criada cinco vezes: Geração de Ouro, de Prata, de Bronze, de Heróis e Semideuses e de Ferro.
Geração de Ouro = Primeira raça. Semelhante aos deuses. Sua vida era uma seqüência constante de prazeres. Conviviam em perfeita harmonia. Sem cansaço, doença ou dor. Após longos anos de felicidade, a morte vinha como um suave adormecer. No fim foram todos destruídos como punição pelos terríveis erros do titã Cronos.
Geração de Prata = Fracos e tolos. Incapazes de administrar suas próprias questões. Muito menos de ajudar os outros. Levavam cem anos para iniciar a fase adulta. Não distinguiam o bem do mal e tinham a vida cheia de dor e tristeza. Sem disposição para trabalhar, não amavam uns aos outros. Viviam do que tomavam pela força e era comum se matarem. Não obedeciam aos deuses nem ofereciam sacrifícios.
Zeus, insultado por sua arrogância e violência, matou a todos.
Geração de Bronze = Zeus criou a terceira geração. Homens muito altos e fortes. Guerreiros destemidos. Moldados em bronze, tinham armas do mesmo material. Tudo era de bronze pois homens ainda não haviam descoberto como trabalhar o ferro. Não cultivavam a terra. Viviam da caça e da coleta. Ficaram arrogantes e vaidosos, cheios de tolo orgulho e uniram-se para tomar o monte Olimpo.
Novamente Zeus matou a todos.
Geração de Heróis e Semideuses = A quarta geração veio ao mundo com Hércules, Teseu, Orfeu, Jasão, Aquiles, Agamêmnon e todo o exército de heróis da mitologia grega. Seus atos corajosos originaram o nome da geração: Idade Heróica. Mais justos e mais nobres do que as gerações anteriores, recebiam freqüentemente a visita dos deuses do Olimpo que se misturavam entre eles compartilhando suas alegrias e tristezas. Muitos heróis e nobres eram filhos de algum deus e estes os protegiam. Grandes cidades floresceram neste período: Atenas, Micenas, Esparta, Creta, Corinto, Maratona...
A geração de heróis foi derrubada. Muitos tombaram nas sete portas de Tebas, combatendo pelas riquezas do rei Édipo, e muitos morreram na luta que se travou durante dez anos nos muros de Tróia.
Quando todos morreram Zeus os enviou para a Terra dos Bem-Aventurados.
Geração de Ferro = A idade mítica chegou ao fim. Zeus gerou da terra a abundante geração de ferro, que ainda habita a terra em nossos dias. A vida é difícil para estes homens. Tem de trabalhar para sobreviver, enfrentando problemas e provas. Nem os deuses parecem amá-los, pois se retiraram para o Olimpo. Distribuíram algumas alegrias, mas o mal sempre excede o bem e obscurece a vida dos homens.
A quinta geração vive com a lembrança da que a precedeu. A era mítica deixou uma rica herança cultural para os seus sucessores. Suas histórias ainda foram contadas por Homero, Sófocles, Hesíodo, Eurípedes, Ésquilo e tantos outros.
A mitologia grega, em sua maior parte, concentra-se na quarta geração e, a partir do nascimento da quinta, já não há mais mitologia.
Nota pessoal do Blog: Apenas cinco? Como assim?
- posted by Mara
Quinta-feira, Abril 3
A TUDO MEU AMOR SEREI ATENTO...
ANTES, E COM TAL ZELO, E SEMPRE, E TANTO...
Ah! O amor e suas contradições. O eterno choque entre os opostos que se definem na vida, camuflados pela unicidade. As duas faces que geram, alimentam e também destroem.
Sei que vou provocar certa polêmica, mas não existe amor incondicional. Como qualquer um, eu também gostaria muito de descobrir que estou errada. Queria encontrar uma forma, uma apenas, do expressar desse sentimento que não fosse pautado no “oferto e você corresponde”.
Enganamos-nos quando cremos que somos imunes a essa fórmula. Que sentimos um amor tão genuíno e condescendente que elevamos nosso nível de tolerância a qualquer possível não-retorno.
Sou mãe e essa é sem dúvida minha melhor e mais dedicada vocação. E o amor de mãe é considerado por muitos como um amor incondicional, incomensurável e inigualável. Concordo, vivencio e comemoro a oportunidade de senti-lo.
Entretanto, não podemos generalizar. Ser mãe não é uma condição atrelada a perfeição e a infalibilidade. Não faz de nós, mães, seres acima de quaisquer suspeitas frente a nada, quanto mais, frente aos nossos filhos.
Ser mãe, não converte pecados, crimes, doenças ou falhas de caráter. Não exime, nem impede. Nem mesmo coíbe. Fosse assim, não haveria mães abandonando seus bebês sob marquises, negligenciando seus filhos, drogando-se enquanto amamentam, ou abortando-os antes mesmo de nascerem.
No ideal de nossos desejos, ser mãe deveria ser a condição sinônima de verdade, moral, igualdade, compromisso, promessa, privacidade, caráter, memória e honestidade, por exemplo. Mas, bem sabemos que essas qualidades perdem pra produção hormonal e para sexo irresponsável.
Ser mãe é um compromisso que lei nenhuma consegue exigir ou ressarcir na ausência. É também um pacto a ser cumprido com espontaneidade e não como um fardo, ainda que o seja.
Quer saber? Poucas estão dispostas a pagar tal preço. Mas, mesmo essas, não estão isentas de se tornarem mães num acidente de percurso. E seria ingenuidade acreditar que alguém pode não estar apto para tal tarefa.
Dos filhos, exigimos que sejam nossos e não dos outros. Amor de mãe muitas vezes é heróico e desafia nossa compreensão. Resistem á inúmeros dissabores e corroboram nossa teoria da incondicionalidade.
Mas, infelizmente não traz essa verdade em todos os casos. Não existe uma determinação divina de que apenas as mulheres com essas características tornar-se-ão mães e as outras não.
Daí que a extensão dessa discussão nos remete ás crianças. A fragilidade, a dependência física e emocional, as idéias que lhes embutimos e todos os conceitos que perpetuarão a condição de anjos atribuída às mães.
Um numero assustador de crianças vitimadas que assisti terapeuticamente em minha clínica tinha em comum o mesmo histórico: suas mães e pais eram os autores da violência a qual estavam submetidos.
Violências de todas as naturezas. O silêncio e a omissão de muitas mães era a outra mão que espancava em conjunto com a do padrasto, tios, namorados e etc. A acusação de que a criança mentia sobre a autoria da violência sexual, por exemplo, vinha do, antes, olhar amoroso da própria mãe.
Não julgo, nem tampouco, noticio de forma oportunista o desenrolar do caso “Isabella”. Apenas, lamentavelmente, não me surpreenderia descobrir a culpa dos pais em qualquer que seja o ângulo que se olhe a história.
Também não me surpreenderia se soubermos mais adiante tratar-se de um simples caso de relapso ou desatenção. Mas, não posso deixar de chorar as mesmas lágrimas que chorei ao pegar meu filho pela primeira vez em meus braços.
De sentir o mesmo aperto quando, temporariamente, ele me foi tirado e levado para seu atendimento neonatal segundo após tê-lo visto pela primeira vez. A dor que senti era tão incomum e nova que me tirou o fôlego e mudou para sempre minha definição de amor.
O estomago contraído, o coração acelerado, o pensamento embotado e a visão turva que seguia a cada febre, prostração ou choro ininteligível, apenas acalmada com um diagnóstico médico. Tudo isso compõe na vida, minha tarefa de ser mãe.
Lembro-me que, assim que engravidei, mandamos colocar telas de proteção em todas as janelas do apartamento no décimo quinto andar que morávamos – de aluguel.
Mudamos-nos de lá quando ele tinha apenas quatro meses e quando ele nem ao menos conseguia manter-se sentado sem ajuda. Foi um exagero, um excesso, um extremo zelo de pais de primeira viagem. Mas, refletia nosso medo de perdê-lo.
Rimos disso, anos depois. Graças a Deus! Isso jamais nos resumiria como pais, mas marcou para sempre nossa maneira de compreender o compromisso que tínhamos assumido.
Hoje, dezessete anos depois, ainda peço que ele me ligue sempre que vai de um lugar a outro, que não beba, não fume, não use drogas, mas, que se vier a fazer, que nos diga ou o faça diante de nós. Ainda o cercamos com a tela de proteção invisível advinda do nosso amor.
Mas, a janela do vizinho nem sempre tem telas. Além disso, quase sempre a paisagem vista de lá é mais colorida.
Entregamos, melhor, devolvemos às mãos de Deus. Mas, sem nos esquecermos que, a dor do parto nos é impingida a cada segundo, de cada hora, de cada dia, de todos os anos de nossas vidas. E assim será, amém!
Sinceramente, nenhuma psicologia, religião ou filosofia terá êxito em me demover da concepção de injustiça que é um filho morrer antes da mãe.
A culpa da dor que sinto ao acompanhar essa notícia horrorosa? Meu amor de mãe! Que concebe que, mais importante que destacar a culpabilidade dos “suspeitos”, é questionar e refletir sobre o absurdo de constatar que isso pode sim ser possível.
- posted by Mara
Terça-feira, Abril 1
MUITO ALÉM DE UMA VÃ FILOSOFIA
Lá em meados de 1900, Freud promoveu uma verdadeira revolução ao abordar a possibilidade de interpretação dos sonhos. O que ele pretendia era provar a teoria de que, mais além dos mistérios dos sonhos, era possível desvendar associações que revelassem desejos contidos pelos freios morais de cada um de nós.
Mais tarde, Jung - discípulo de Freud, defendeu a idéia que o inconsciente indica meios para as pessoas se curarem de distúrbios e para desatar os nós atrelados ao nosso passivo viver.
Mas o fato é que sonhar ainda é um grande mistério. E eu prefiro apostar na máxima que diz que “Sonhar é preciso” . E é mesmo. Principalmente quando apostamos na possibilidade de fazê-lo sem que necessariamente estejamos dormindo.
Sonhos são bons por seu grau de dificuldade de realização. Que graça há em sonharmos com coisas possíveis e alcançáveis? Por outro lado, quem é que determina a impossibilidade deles, senão nossa inércia para lutar pelo que desejamos?
Tive bem poucos sonhos em minha vida. E, como qualquer outra pessoa, os considerava além de meu alcance e, muitas vezes, era eu quem me sentia aquém na capacidade de realizá-los.
Um a um, cada um desses sonhos eu transformei em objetivo e os alcancei em algum desvio da vida. Peguei-os de surpresa quando, num vacilo, eles me deixaram antever uma brecha em sua armadura instransponível.
Os persegui a exaustão. E quando os realizei, percebi que eram apenas desejos e que todo o tempo estiveram ali, à espera que eu chegasse até eles.
Quando criança sonhei ser atriz da Globo, de Hollywood, do mundo. Não necessariamente nessa ordem. Adolescente, sonhei ser jogadora de vôlei da seleção brasileira. Adulta quis ser uma psicóloga cheia de fama e prestígio.
Tornei-me atriz, jogadora de vôlei, psicóloga, jornalista, mas, em nenhuma dessas realizações alcancei o “status” que tanto persegui. Aos poucos, a maturidade me trouxe a satisfação extraída das compensações possíveis.
Descobri que foi muito importante ter enveredado pelos palcos para poder, hoje, traduzir emoções. Que meu técnico na época é, hoje, treinador da seleção juvenil da equipe brasileira e ainda se lembra de mim com orgulho, além de fazer parte do rol de meus amigos mais queridos.
E, finalmente, me sinto muito importante para cada uma das famílias que me elegeram para estar ao lado deles nos momentos mais difíceis em que a morte lhes tirava alguém querido.
Sonho sonhado, sonho realizado. A Globo me perdeu, a Seleção Brasileira de Vôlei também, mas eu ganhei centenas de amigos e companheiros de jornada, em todas essas comunidades, que me ovacionam na minha vocação primeira: ser gente.
Meus amigos argentinos, Daniel e Gaby e suas filhas que amo tanto, ensinaram-me o amor e o glamour de uma cabana ao pé da montanha, com a comida conquistada dia após dia, sem a influência da TV, das quadras e até da minha clientela elitizada.
Daí, o mundo gira. E eu que pensava não mais ter sonhos a serem perseguidos, me deparo com mais um. O derradeiro. Que chegou mansamente, como recompensa pelo trabalho realizado com prazer e dedicação.
Na próxima terça feira, dia nove, acontecerá um evento em minha cidade que objetiva contemplar o término de uma temporada cheia de êxitos e detonar mais uma promissora fase de meu programa de televisão em uma emissora local.
Foram doze meses de exaustivos trabalhos de captação de imagem, edição, viagens, externas, gravações de estúdio, pilotos e reedições, resumidos em nove programas semanais apresentados no período de três meses.
“Zero Grau” – assim eu o batizei. Feito pelas mãos, enluvadas e enrijecidas pelo frio, do meu cinegrafista. Onde? Na Patagônia Argentina, é claro. No lar dos meus amigos, das minhas afilhadas, no único lugar do mundo onde meu amor perde a nacionalidade.
O fim exitoso dessa temporada abriu as portas de um mundo novo, desconhecido e fascinante que nos espera – a mim e a minha equipe. Iremos viajar nas asas do meu sonho de menina, pelos destinos turísticos do mundo desvelando as maravilhas turísticas e culturais.
Eu, de microfone na mão, com o preparo físico adquirido nos idos da adolescência de atleta, a sensibilidade aflorada nos corredores hospitalares presenciando a morte, saio em busca de vida nas lentes de minha outra paixão: a TV.
Qual o alcance dessa nossa produção? Só Deus, em sua infinita bondade e o resultado de nossos esforços, poderá dizer. Por ora, minha cidade e a região em torno dela são os que nos prestigiarão. Mais tarde, quem poderá prever?
Oportunamente quero postar um trecho desta nossa experiência pra vocês. E, com ela, justificar minha ausência desde a Páscoa aqui no blog.
Foi uma decisão difícil, essa, de compartilhar essa emoção através do blog, já que sabemos que nem todos que nos visitam são parte dessa família maravilhosa que construímos.
Mas, a certeza de que meus poucos e seletíssimos comentaristas bastam, em sua amorosa tarefa de dedicar-me amizade acompanhando meus posts, para neutralizar qualquer sentimento negativo que esse comunicado possa a vir despertar.
Deixo a vocês meu sonho...que agora é trabalho ( muito trabalho). E minha incomensurável alegria de tê-lo alcançado enquanto minhas pernas ainda podem me sustentar e meus braços ainda sabem abraçar o mundo, se necessário for.
Vocês fazem parte dessa conquista. Obrigada e esperem por mim, torçam por mim. Porque que sem vocês nada disso teria sentido.
Agora é sua vez: compartilhe seu sonho e, juntos, encontraremos uma maneira de torná-lo verdade. Meu “halos” é a casa de vocês! Espalhem-se a vontade!