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"Não conseguimos controlar as más linguas dos outros, mas uma vida decente nos capacita a desprezá-las." Cato, o Velho (234 AC - 149 AC)


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Presente da Nina

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Segunda-feira, Junho 30

AH! SE EU SOUBESSE...


QUE SERIA ASSIM!

Acho interessante quando encontro pessoas que estufam o peito pra dizer de suas qualidades e características reafirmando que são imutáveis e eternas. Acho interessante, mas nem um pouco válido.

A mobilidade é uma das características que mais admiro em quase tudo. Quando vem com uma capacidade inabalável de adaptação é ainda mais digna de nota. Posso falar?

Não sou chegada a relíquias. De nenhuma espécie e nenhuma representação. Penso que tudo tem sua função e sua razão existencial no momento em que surgiu. Depois, o que não se modifica, se atualiza ou evolui, tende a virar objeto de mera apreciação.

Quer coisa pior do que deixar de ter um objetivo? Passar de ação para objeto de contemplação? Pois, acredite, há quem insiste em confundir tradição com estagnação. O curioso é que, semanticamente, todas essas definições sugerem uma atitude: ação.

Mudanças são necessárias. Mais que isso. São naturais e tão bem exemplificadas na linha do tempo estabelecida em nossa própria vida. Nascer, crescer, formar uma família, envelhecer e morrer. Nenhuma etapa deveria ser considerada indesejável.

Pode ser que consigamos retardar alguma dessas fases, mas detê-las completamente é impossível. Daí que o jeito é relaxar e abrir espaço para o seqüencial que nos é imposto.

É compreensível que, às vezes, queiramos manter um ou outro aspecto intacto. Mas, persistir em qualquer um deles é atestar nossa incapacidade de aceitar o inevitável.

Pelo post anterior, recebi alguns e-mails ungidos com muita contestação. Gente que “leu” certo tom nostálgico e até amargo em minhas palavras. Não estão de todo errados, confesso.

Mas, asseguro que o tom nada tem a ver com o progresso e sim com a força destruidora dele. Em minha concepção, mudar é mais simples e menos emblemático do que se faz parecer. Pode ser assinalado em pequenas coisas do cotidiano.

Mudar é ter que aceitar ser chamada de “tia” no semáforo por jovens vestibulandos. É ser atendida por um “expert” em telefonia celular, que tem menos da metade da nossa idade.

É ter que explicar que o Tarcísio Meira é casado com a Glória Menezes, ou que o Giberto Gil, um dia, foi um cantor muito popular.

Mudar é esclarecer que quase a totalidade dos grandes nomes do jornalismo televisivo brasileiro, não possui sequer formação na área e ter que usar textos acadêmicos para mostrar o porquê de a Rede Globo tem, até hoje, a hegemonia em comunicação.

“Caiu a ficha”, “Pro seu governo”, “A nível de” são expressões que ainda são usadas, mas consideradas “démodé” por aqueles que um dia já foram “bicho grilo” e agora são intelectuais. Eu? Eu acho isso tudo “bocomoco”.

Datilografia e taquigrafia não são, em absoluto, exames médicos. Mas, sem dúvida, podem apontar a idade cronológica de alguém. Mudar, é compreender que nossos filhos, queiramos ou não, sabem muitas coisas das quais jamais soubemos.

Enfim, mudar é visitar museus pela internet. É fazer amigos e também romper com eles, antes mesmo de tê-los conhecido pessoalmente, somente por conta de uma frase mal escrita.

Mudar é ter que assinar nota promissória de um empréstimo feito por sua melhor amiga. É assinar contrato de aluguel na casa dos pais depois da separação. É ver adolescentes cantar músicas do César Menotti e perguntar quem foi Elis Regina.

E o pior: mudança é a Gretchen perder em popularidade pra Mulher Melancia. A Feiticeira pregar o evangelho no programa do Raul Gil e Luiza Brunet desbancar jovenzinhas em desfile. Mudar é aceitar vê-la ainda nas passarelas.

Mas, há quem acredite que “em time que está ganhando não se altera”. Mas, convenhamos, tem gente que perdeu a noção do significado da palavra “ganhar”.

Vejamos: nos últimos dez anos eu ganhei: um menisco detonado, vários cabelos brancos, alguns quilos á mais, uma queda em meu padrão social, várias responsabilidades e algumas dores no corpo.

Ganhei também: duas afilhadas, um companheiro canino que amo, uma prótese de silicone nos seios, dois diplomas, um celular que acessa internet em banda larga, três prêmios acadêmicos e um blog.

Mudei. Hoje, não me preocupo mais com meu menisco, meus cabelos brancos merecem muito mais minha atenção, como e gasto menos, tenho menos responsabilidades e menor resistência com medicações. Entendo mais sobre elas também.

Ah! Considero meu cachorro um filho, minhas afilhadas tornaram-se a razão da minha existência, nem me lembro que tenho prótese, meus diplomas e as premiações não alteraram em nada minha rotina e meu celular me serve de máquina fotográfica.

Apesar de todas essas alterações, continuo a mesma. Demorou pra “cair minha ficha” que tinha que deixar de ser “bicho grilo”, porque “a nível de” ser humano, eu mudei e muito. E, “pro seu governo”, foi pra melhor.

E, quer saber? Tenho direito de criticar o governo, a Vivo, o sistema de saúde, e até o “velho” Big Brother. To pagannndo!

Mas, convenhamos, criticar não está adiantando nada. O jeito é mudar!




- posted by Mara


Sexta-feira, Junho 27

PELO ESPAÇO DE UM INSTANTE...


...A FORÇA PRA VIVER!

Shangri-lá é uma localidade fictícia idealizada pelo escritor inglês James Hilton em sua novela "Horizontes Perdidos". Ficava nas montanhas do Himalaia, possuia paisagens magníficas e, sobretudo, trazia em si a idéia de que tudo era paz e alegria.

Como na vida tudo se banaliza, Shangri-lá noventa anos depois, virou nome de motéis, sorveterias, resorts, e até local para aluguel de caiaques. Todos querem retransmitir a imagem que o autor propunha: a perfeição, o paraíso.

Passei parte de minha vida buscando um lugar onde eu não me sentisse inquilina, onde todas as ruas me levassem á um só lugar. E que esse lugar fosse, finalmente, meu oásis. Instintivamente ansiava por minha Shangri-lá.

Criada em cidade grande, cercada de benefícios da evolução tecnológica, nem em meus mais alucinantes sonhos eu ambicionava que esse lugar seria, necessariamente, um paraíso ecológico ou qualquer coisa assim.

Imaginava que ao chegar, meu coração o identificaria, que todas as barreiras seriam transpostas com a facilidade disposta aos que dali pertencem.

Assim, quando eu menos esperava, quando já não mais acreditava, minha Shangri-lá – cansada de esperar que eu a descobrisse- me encontrou.

Lá, o tempo era um mito criado por forasteiros. As poucas ruas eram uma extensão do caminho dos desbravadores. Podia se ouvir as asas dos passarinhos.

A população sorria em um idioma unversal e qualquer olhar se transformava em souvenir. Um paraíso encostado em montanhas, servido por água cristalina e pura, farto de alimento nativo. Marcada pelas quatro estações do ano em cores e sons.

As frias montanhas não traduziam, ainda que almejassem, o calor que emanava de sua “urbanidade” simplória. O paraíso é um lugar alternativo. Não se fixa sem o desprendimento necessário.

Porém, entre idas e vindas, o horizonte foi ficando cada vez mais distante... perdido.

O curioso dos “horizontes perdidos” é que sabemos onde fica. À nós resta-nos apenas a missão de rezar para que não seja encontrado.

O esconderijo das nossas esperanças. Esperanças, que ao chegarmos, sempre se adianta e se esconde mais além.

Meu horizonte é composto de pessoas. Que estão ali, nem tanto por opção, nem tanto por devoção. Simplesmente... estão!

Se acaso, alguém ferisse as regras do bem viver privilegiado, imediatamente o paraíso absorvia e compensava com um arranjo ainda mais espetacular.

O amanhecer, o pôr-do-sol, a estiagem, o inverno rigoroso, o vento e a chuva, tudo ali compõe a síntese dos desejos. Como se nada, nem ninguém pudesse ficar descontente.

Um dia, o tempo lá chegou. Fez do paraíso sua morada. Trouxe com ele a necessidade de crescimento e encheu de ilusões o caminho dos que estavam. Construiu-se um portal e setas luminosas diziam: “Bem-vindos!” em quatro idiomas.

Hoje, a certeza. A cada estação, o paraíso se apronta. Enche-se de luxos e atrativos. Enfeita-se como uma prostituta em dia de trabalho. E espera... Espera que seus clientes venham usá-la como instrumento para seus próprios prazeres.

De quando em quando um monstro alado rompe do céu, no horizonte. Atravessa o portal com promessas em suas asas e, dentes em suas entranhas. Chega voraz, impetuoso, e implacável.

Sabe-se bem vindo. Sabe que apesar do prenúncio de destruição que carrega, sua missão é tida, por muitos, como grandiosa: quebrar a monotonia e reiniciar uma nova era. Será saudado, agraciado por banquetes que, quem serve, nunca provou.

Minha Shangri-lá, agora, é Tróia. Combatida, entregue aos invasores. Surpreendidos pela própria vaidade, acuados sob as cinzas de seus defensores. A natureza se rebela. Das ruas brota o choro cinza congelado.

Legítima defesa!

Esqueci. Esquecemos! Shangri-lá não existe. Nem a minha, nem a de Hilton. Shangri-lá é meu último canto - desafinado e tímido – ecoando nas batidas de meu cansado coração.

Encontraram-na, enfim: Começa finalmente mais uma temporada turística em San Carlos de Bariloche – cidade literalmente perdida. A última Shangri-lá!

"O PARAÍSO É MESMO UMA QUESTÃO PESSOAL"


- posted by Mara


Terça-feira, Junho 24

UMA QUESTÃO DE....


SEGURANÇA?


Confesso que relutei muito antes de escrever esse post. Ele fere diretamente minha já afamada apologia ao amor fraterno que, acredito, deveríamos nutrir por nossos vizinhos argentinos.

Mas, verdade seja dita. Hoje e sempre. Doa a quem doer. Existem coisas que não há tango melodramático ou quarta-feira de cinzas que encubra. Ainda estamos, brasileiros e argentinos, anos-luz da chamada civilização.

Há alguns meses, eu mesma escrevi um texto que propunha um paralelo entre o roubo do rolex do Luciano Huck em São Paulo, com o furto dos óculos da estátua de Drummond no Rio de Janeiro.

De lá pra cá, o apresentador já deve ter se presenteado com outros relógios “de estimação”. Também se retrataram com o poeta. Deram-lhe óculos novinhos. Roubaram outra vez. Que se há de fazer?

Em dezembro de 2007, o jornal Estadão dava conta que o Brasil ocupava a quarta posição no ranking internacional de países mais atingidos pelo roubo e furtos de obras culturais.

O que sademos é que os bens de ninguém estão seguros em terras tupiniquins. Na rua, na chuva ou na fazenda. Nos condomínios, no calçadão carioca, ou nos monitorados museus, roubar é fácil e quase sempre termina em piada de mau gosto divulgada pela internet.

Alguns eventos noticiados recentemente provaram que a segurança e a punição para quem surrupia bens públicos, no futuro, virarão peças de museu. Já que todo o resto pode ser roubado. Drummond terá que se contentar em enchergar embaçado e o Hulk....bom, esse é outra história.

Toda essa introdução é pra relatar minha culpa. Culpa de, com tantos exemplos nacionais, eu conservar a ingenuidade típica de quem pensa viver em Shangri-Lá. Atenção! Eu não disse “Xangri-lá” porque essa é brasileira, portanto...

A verdade é que deveríamos ser mais escolados com a malandragem. Mas, para não correr o risco de inferir na ingenuidade alheia prefiro dizer que se existe alguém que deveria estar livre de arapucas como a que vou relatar, esse alguém sou eu.

Vamos lá: Buenos Aires- paraíso turístico de brasileiros novos-ricos. Terra de história cravada em ruas modernas, comida boa, ritmo latino e cultura escoando por cada fresta de suas centenárias construções.

Os brasileiros são o segundo maior grupo de turistas que desembarcam por lá e constituem uma média de 12,6% do total de turistas estrangeiros. Além disso, são os que mais gastam por dia. Cada brasileiro desembolsa 300 pesos (US$ 100) diariamente.

Brasileiros, europeus ou americanos, todos entram pela mesma porta: o aeroporto internacional da capital Argentina. Única opção para qualquer um que pretende desembarcar na cidade. A permanência média de brasileiros na cidade é de cinco dias.

Agora, imaginem: Numa cidade cuja propaganda turística proclama como a “Paris da America do Sul", o que os turistas levam na mala? Sandálias Havaianas?

Nem precisa responder. Mas, precisa saber! Você sabia que há alguns anos foi desmantelada uma quadrilha de meliantes que agiam no interior do aeroporto de Ezeiza, especializados em saquear as malas dos desavisados turistas?

Sabia. Deu na Rede Globo. Mostraram até como os bandidos agiam. Depois que as malas eram despachadas, no interior do aeroporto, os “muchachos” as colocavam numa máquina de raios-X e escolhiam livremente as polpudas em objetos pessoais de valor.

Protegidos pela lei antiterrorismo que determina que cadeados possam ser abertos para inspeção, agiam com a tranqüilidade de quem sabia que não seriam responsabilizados. Mas, como não existe roubo perfeito, um dia, foram descobertos.

Um mar de vergonha inundou a cúpula das autoridades aeroportuárias da Argentina. Imediatamente um esquema foi montado e a quadrilha detida. Nunca ninguém deu conta dos objetos que já haviam sido roubados, é claro.

Eu, viajante rotineira por aquelas paradas, respirei aliviada. Fica difícil transportar tudo que temos apreço na pequena mala de mão permitida nas aeronaves. Sem falar, que na volta, sempre traremos “regalitos” para os que ficaram.

Mas, a despeito do que noticiaram. Em detrimento até do “suposto” controle a que foram submetidos, os roubos continuam. Pacotes de presente fechados, jóias, câmeras de vídeo, fotográficas, e até caixas do famoso chocolate Havanna, não resistem à eleição dos safados.

Nossa equipe, em algum momento entre o despacho das bagagens e a chegada no aeroporto em Guarulhos, foi literalmente revistada em seus bens pessoais. Nossas malas foram violadas, reviradas e, delas, sobraram apenas o que estava sujo ou não tinha valor comercial.

A Cia. Aérea – a que detém a hegemonia aero comercial argentina – não se responsabiliza. Nem sequer disponibiliza aqueles lacrezinhos que nos acostumamos a ver nos bolsos externos das malas.

O cadeado de minha mala era um desses de segredo internacional (projetados para serem abertos por chaves mestras do policiamento federal). Estava fechado, apesar do “security bag” que envolvia minha bagagem estar rasgado. Apesar, também, de o interior da mala parecer ter sido vítima de um ciclone.

É com muita vergonha que confesso que não foi a primeira vez. Ano passado, retiraram de minha mala, um anel que havia sido aliança de casamento de minha avó. Estava na mala, supostamente protegida da violência urbana típica das grandes capitais.

Com essa experiência, é claro, não havia nada insubstituível dessa vez. Quer dizer... mais ou menos. Ninguém poderá restituir a confiança que fui acostumada a atribuir para determinados lugares.

Ao embarcarmos, nos submetem a exames minuciosos e constrangedores. Desvelam em raios-X nossos pertences, nos obrigam ao detector de metal, nos destituem de bens como relógios, celulares e, agora, até inocentes tubos de creme para as mãos e xampus.

Fazem centenas de perguntas, vasculham nossos documentos, nos olham como se fossemos terroristas em potencial e, às vezes, nos colocam em posição de crucificados enquanto um policial armado nos revista.

Enquanto isso, nos obscuros e inacessíveis porões dessa “terra de ninguém” saqueiam, invadem e nos violentam em nossa intimidade, roubando o que nos pertence.

Que “boludos!”, diriam os argentinos.
Que “Déjà vu”, dirá o resto do mundo! Sobretudo, os brasileiros.

PS: Essa não é uma denúncia vazia. Tudo foi devidamente registrado por nosso cinegrafista. Autoridades acionadas. Como resposta, até agora, só um “lamentar” da Cia Aérea.



- posted by Mara


Sexta-feira, Junho 20

COMO SE HOUVESSE...


...FACAS NO AR


Resisti o quanto pude. Não li a sinopse ou perguntei de que tema tratava, mas alguma coisa nele simplesmente não me atraia. Talvez eu devesse voltar a confiar em meus instintos. Sobretudo nos que parecem existir para salvaguardar meus sentimentos.

Mas, fizeram um filme e eu não resisto a uma produção-carona. Dessas que já chegam popularizados e com as bilheterias garantidas por seu sucesso literário. Daí que, assisti o Caçador de Pipas - o filme.

Assistir a filmes-oportunistas como esse, é a maneira mais fácil de atualizar-se e voltar a fazer parte dos grupos debatedores sem ter perdido semanas lendo alguma coisa que não te agrada. Acho que agora eu, talvez, leia o livro.

O filme aborda diversos comportamentos. Sempre de uma maneira crítica e cheia de mensagens morais. É, portanto, um drama. Um filme triste que te obriga a ver o submundo da alma humana, sempre em contraponto com sua antítese: a nobreza e o altruísmo.

Entendo que o tema tenha se tornado tão aclamado e reunido tantos fãs. Desde que o mundo é mundo, sabemos que é muito mais fácil contemplar as mazelas humanas do que conviver com elas. Mais fácil, também, identificá-las nos outros do que em nós mesmos.

Há quem diga que quando temas assim são mostrados na ficção, tornam-se educativos. Que da contemplação, vislumbramos a redenção e retiramos o aprendizado. Em mim, sinceramente, só me causa choro resignado.

São poucos os comportamentos humanos que ainda me surpreendem. Mas, obviamente, isso não me torna refratária à eles. Torna-me, digamos, menos deslumbrada e menos crédula. Mas, ainda assim, só depois de abatida por eles... continuamente.

Parece burrice. E é. Ingenuidade proposital, eu diria. De alguma maneira, deixar com que as pessoas ainda me firam, talvez seja um jeito de ainda dizer que acredito nelas. Que aposto que não seriam capazes de fazê-lo.

A ingratidão, entretanto, é um assunto que ainda me confunde. É uma via de duas mãos. Dizem que esperar por reconhecimento é “fazer com segundas intenções”, por outro lado, não reconhecer o que lhe foi carinhosamente ofertado não é igualmente vil?

Assim, vamos seguindo esperando e não recebendo. Recebendo e não merecendo e por aí vai. Mas, e quando no lugar do reconhecimento recebemos um gesto proporcionalmente grande de descaso ou, pior, de violenta traição?

Não confundam. Traição não é, senão, o que recebemos em oposição ao que esperávamos de uma pessoa. Em si, não é um gesto condenável. Torna-se, na medida em que contradiz ações anteriores que apontavam em outra direção.

Em outras palavras, trair nada mais é do que fazer o contrário do que esperam de nós. E se esperam, é porque de alguma maneira os fizemos pensar que faríamos. Ao deixar de fazer, estaremos sendo ingratos. Certo? Sei lá...

Mas, ocorre que às vezes, as pessoas esperam sem terem sido autorizadas a isso. Depositam em nós, expectativas das quais nunca seríamos capazes de cumprir. Criam para nós, um personagem que sempre estará anos-luz de nossa capacidade de representá-lo.

E, poucos são capazes de recusar um “papel” assim. Não é todo dia que encontramos alguém que vê em nós qualidades que nunca ninguém antes viu. A vaidade então faz sua função e por algum tempo conseguimos contentar o desavisado fã.

E é justamente nessa vaidosa solução que mora nossa responsabilidade e é o que virá a ser, no futuro, a famigerada ingratidão.

Entretanto, não podemos negar que às vezes a espera da gratidão está pautada apenas no desejo de que a pessoa não nos abandone. Que não nos deixe sem o alvo de nossa bondade e carinho.

Não há pipa que tenha sido feita para não voar. Não há quem a faça sem esse intuito primeiro. Mas, quantos são necessários para empinar uma? Eu, sinceramente, não me lembro de ter compartilhado uma pipa.

Lembro-me de ter várias delas surrupiadas por linhas de cerol, isso sim. Lembro-me de tê-las disputado com amigos, quando as mesmas tinham os fios que as ligavam a mim, rompidos na ambiciosa brincadeira.

O desejo de empinar pipas coletivas é coisa de adultos. Porque aí, tudo que antes era apenas uma brincadeira, passa a ser atos de vandalismo emocional. De disputa sem regra.

Ainda tenho algumas pipas tremulando ao sabor do vento. Majestosas, firmes e livres. Sei que ainda tenho quem as contemple, ao longe, que se sentem co-autores de tal façanha. Gente preparada a me ajudar a recuperá-las, caso caiam.

Mas, muitas das pipas que fiz ao longo da vida, estão temerosamente guardadas, sempre a espera de um céu limpo e de alguém disposto a me ajudar a colocá-las no ar. Mas, o céu tornou-se perigoso demais.

Cada dia menos pessoas sequer têm a oportunidade de conhecer minhas pipas. E, ainda que não as pare de produzir, que não pare de sonhar em vê-las ao vento, temo desaprender o essencial:

Temo desaprender como fazê-las voar.







- posted by Mara


Quarta-feira, Junho 18

E NA VERDADE...


SOMOS TODOS IGUAIS


É fascinante. E parte desse fascínio advém da incompreensão das muitas nuances que o Japão e, tudo que diz respeito a ele, provoca nos povos ocidentais.

Nós, paulistanos, já estamos acostumados com os sorrisos tímidos e olhinhos puxados. Estão por toda parte e já se confundem na multidão. Mas quando se agrupam, provocam um espetáculo capaz de parar o famoso ritmo frenético da cidade de São Paulo.

Nas últimas semanas, entretanto, eles parecem ter dominado completamente o direito de serem japoneses genuinamente brasileiros. Na comemoração do centenário da imigração japonesa, comemorada oficialmente no dia de hoje, essa verdade é inquestionável.

“A cultura é, sem dúvida nenhuma, um dos fatores mais importante para a identificação e unidade de um povo. Sua manutenção exige o esforço coletivo na transmissão de valores, crenças, padrões e comportamento do grupo para novas gerações.”

Essa definição, a meu ver, é o que diferencia o povo japonês do resto do mundo.

Tenho um amigo que é um nissei. Na verdade, é só mais um homem bonito, com leves traços orientais, dono do típico sorriso tímido e olhar bondoso. Apesar do alto grau de identificação intelectual que temos, nunca havíamos conversado sobre ele e suas origens.

Ontem, ao contrário, conversamos exatamente sobre isso. E o que era pra ser uma conversa casual, transformou-se numa verdadeira aula de história, cultura, geografia e cidadania. Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo.

Meu amigo Marcos Maezato, me contou que faz parte de uma legítima linhagem proveniente de Okinawa. E que eles e seus iguais, trazem consigo a missão de perpetuar os costumes e valores dessa comunidade cheia de particularidades.

Okinawa é uma ilha. Uma província situada no extremo sul do arquipélago japonês, ou precisamente no Arquipélago de Ryukyu. A rica cultura de Okinawa vem atravessando séculos de forma indelével, sendo transmitido de geração em geração.

Mesmo com a imposição política e cultural que vem ocorrendo de forma global no mundo moderno, exigindo um mundo cada vez mais cosmopolita, o povo de Utiná (o que quer dizer Okinawa em dialeto) resiste heroicamente, insistindo em manter aquilo que lhe é mais precioso, a singularidade de sua cultura e do verdadeiro "espirito utinanchú” (utinanchu quer dizer da pessoa natural de Utiná).

O legado da cultura de Okinawa exibe desde o caráter familiar, "intimista", coletivista e de cooperação das antigas vilas e aldeias, no gênero popular, até a reverência, honorabilidade e a elegância do estilo clássico que eram oferecidos então à nobreza do seu antigo Reino.

Durante séculos, o próspero e pacífico Reino de Ryukyu, manteve fortes relações comerciais e de intercâmbios culturais com outros reinos e impérios (países) da região, o que evidentemente trouxe influências que podem ser claramente observados na sua cultura e religião.

Além da indissociável alegria e festividade de seu povo, a valorização da família e da comunidade, o sentimento de união e principalmente, a gratidão e o respeito aos mais velhos, o que tudo isso pode ser traduzido como o verdadeiro "espírito Utinantchú", atravessou oceanos e está presente aonde haja um "utinanchú" ou seu descendente.

A música, a dança, o teatro, o Karatê, a cerâmica e a tecelagem são as expressões mais fortes do “povo” de Okinawa que tem também suas raízes fincadas em solo Brasileiro.

Gente, que orgulho! Meu amigo é de Okinawa até o último fio de cabelo. E, ao que parece, eu já vinha intuindo essa sensibilidade, só não sabia que era herdada de um povo tão valoroso.

Marcos me fez um convite que, infelizmente, terei que declinar porque o evento ocorrerá em julho. E, como todos sabem, esse é o mês que dedico a minha própria concepção dos valores que os de Okinawa tanto se ocupam de preservar.

Mas, retransmito aqui o convite. Reverenciando os esforços dessa comunidade maravilhosa que, ainda por cima, tem uma causa pra lá de nobre:

A Casa de Reabilitação Yassurague home, através da Escola de Minyô do Professor Seitoku Nakandakare, promove a PRIMEIRA APRESENTAÇÃO ARTÍSTICA BENEFICENTE.

O evento terá toda a verba revertida para a Casa de Reabilitação, entidade que visa o estímulo e o retorno da pessoa reabilitada à sociedade, oferecendo acompanhamento psicológico e espiritual, terapia ocupacional, e etc.

Além do tradicional minyô (música folclórica), o evento terá também apresentações de Ryukyu Buyô (danças típicas de Okinawa), Karatê e Kobudo.
Estão todos convidados!

Dia: 06 de julho e terá início as 13:00 horas.
Local: Associação Okinawa Kenjin do Brasil – Liberdade- São Paulo
Rua Tomás de Lima, 72


O texto só não foi mais esclarecedor, porque nem todo tempo do mundo seria suficiente pra que alguém possa aprender completamente todas as maravilhas dessa cultura milenar.

Assim, espero que essa mínima colaboração minha, expresse a enorme admiração que sinto por esses nossos brasileiros de olhos puxados, que apesar de brasileiríssimos não abrem mão da cultura, tradição e respeito por sua origem.

Eu já tenho meu descendente Okinawa pertinho de mim. O evento poderá trazer pra quem o prestigiar, a oportunidade de ter o mesmo privilégio.
Marcos, meu amigo, Kwachi sabitan (gochisosama) dessa delícia de cultura em nossa conversa ontem!

E, a todos: Ichabira chode! Encontrando-se somos irmãos! (os uchinanchu quando se encontram irmanam entre si)


- posted by Mara


Terça-feira, Junho 17

QUERO TE DIZER...


...DO AMOR QUE TIVE...


Quando meu filho era ainda um bebê aprendi, às duras penas, que a solidão é uma questão de ótica. Que falar é muito mais que dar sentido as palavras e que amar não era um sentimento tão inofensivo quanto me haviam ensinado.

Nem posso responsabilizar meu garoto. Ele também foi instrumento desse aprendizado necessário. E mais: ele ainda teve que juntar esse, aos inúmeros outros aprendizados que teria pela frente.

Amar, muito além das definições que já ousaram atribuir, é uma grande sacanagem. Dói e nos fragiliza. Coloca medos onde antes havia aventura e término para as coisas que, antes, pareciam atemporais.

Mas, pobre de quem nunca o experimentou! Que lamentável e vazia pode ser a vida sem esse misterioso sentimento!

Já amei demais. E, proporcionalmente, já chorei demais também. Nem sei o que motivou o quê. São causa e conseqüência, independente da ordem que se apresentem. É certo que o tempo trata de nos aperfeiçoar na arte de driblar a intensidade de ambos, mas, por sorte, eliminá-los, nunca.

Amo e, confesso, nem sempre gosto disso. A escolha profissional que fiz é uma das grandes comprovações de que por mais pesarosa que seja essa minha afirmação, ela não é de todo condenável.

Amar implica em sentir o pulsar desse sentimento no contato com quem o desperta. Além, é claro, de centenas de outras demonstrações que aprendemos a agregar ao sentimento amor, na tentativa de explicá-lo.

Daí que o breve afastamento, a longínqua possibilidade de perder de vista o alvo desse amor, desencadeia um turbilhão de emoções arrebatadoras. Assim, amar não é o que parece.

Lembro-me que quando em visita as parturientes, ainda em recuperação hospitalar, logo após o nascimento de seus filhos, eu entrava e perguntava: “E aí? Tudo certinho? Alguma dor?”

À que elas me respondiam prontamente: “Quase nada, apenas um incomodozinho aqui nos pontos”. Em seguida eu me corrigia: “Falo de outra dor. Falo dessa que consome o peito e que faz o dia de hoje ser infinitamente mais ameaçador que o de ontem e muito mais promissor que o de amanhã.”

Elas, então, me respondiam: “Ah! Essa dor...”. Reconheciam e significavam imediatamente as minhas palavras. Conversa que nem todos os presentes conseguiam desvendar. Era o código maternal iniciando seu processo de aprendizado.

Entretanto o amor de mãe, já foi cantado e versado. O que dizer de outros amores, com outros sabores e cores? O que dizer desse sentimento que precisamos crer que não se acaba, mas que faz doer justamente na hipótese de chegar ao fim?

Amo e sempre gosto de dizer que amo. Na chegada, na saída e durante. Mas, porque não dizer da dor que sinto? Porque devo aceitar um amor corroendo minha alma e trazendo consigo a contradição da alegria, sem manifestar meu espanto?

Faltam apenas alguns dias para que eu saia em minha jornada anual de reabastecimento emocional. Vou buscar meus amores, minhas dores. Ao partir, levo as marcas de um amor que fica e ao voltar, trago comigo a saudade dos que deixo.

Um dia, juntarei meus amores. Um dia, os colocarei diante de meus olhos e de minhas mãos e com um único beijo, beijarei a todos. Com um único gesto abraçarei o mundo e não mais terei que alterná-los.

Até que aconteça, vou traduzindo a linguagem que diferencia, mas une esses amores em mim.

Amar, pra mim, é calar em castelhano e português, e sentir o que não é preciso explicar. É entender-se no inequívoco do não traduzido.




- posted by Mara


Sábado, Junho 14

ME LEVA...



Tenho um defeito. Não. Tenho vários. Mas é muito mais difícil admiti-los quando eles, em qualquer pessoa, poderiam ser considerados qualidade. Mas, sendo meu, é um defeito.

Juro não é de propósito. Nem mesmo sei como acontece, mas, ao conhecer alguém não preciso mais que alguns segundos para atravessar velozmente o limite que me separa da condição de completa desconhecida, da de amiga íntima e confidente.

Não pensem vocês que existem exceções. Do gari que trabalha em escalas e, varre minha calçada uma vez a cada três meses, ao porteiro do meu prédio, acumulo um sem número de desconhecidos “amigos de infância”.

Mesmo quem não gosta de mim, seria incapaz de negar essa minha característica. Aliás, algumas vezes, é justamente ela que os faz sentirem-se incomodados comigo. Desgostosos, por assim dizer.

Tem gente que é bom com os números, outros, com atividades manuais. Muitos são hábeis com as palavras, falada e/ou escrita. Eu? Eu sou boa em transpor as defesas que impedem a maioria das pessoas de serem íntimas. De se entregarem.

É um defeito. Já que, muitas vezes, não tenho tempo ou não sei bem o que fazer com a intimidade que me ofertam. Ou pior, sou flagrada em minha proporcional habilidade em proteger minha privacidade.

Nesse último caso, o outro se sente traído. Assimila esse meu “jeitinho”, como um desequilíbrio no contrato de amizade firmado. É o caos. Sentir-se negligenciado exterioriza, na maioria dos seres humanos, o que possuem de pior.

Mas, às vezes, acontece. E algo muito bom resulta dessa minha ambigüidade. Quando menos espero, engrosso a lista das improbabilidades prováveis que, penso, só acontecem comigo. Traduzindo: torno-me amiga de alguém que nunca imaginei sequer conhecer.

Daí é o êxtase! Todas as determinações do meu signo astral, Peixes, alinhado ao meu ascendente, Peixes, se movimentam em busca de uma significação cabalística para explicar tal encontro.

Todas as determinações psicológicas Freudianas são insuficientes para explicar as razões que nos levaram (essa pessoa e eu) á esse esbarrão kármico. Enfim, cria-se um laço supostamente advindo de outra vida, nessa vida, pra todo o sempre. Eterno, portanto.

Todo esse blá,blá,blá, é, na verdade, uma introdução zelosa de um relato que traduz bem meu respeito pela intimidade alheia. Serviu para dizer que, em minhas andanças pela vida, esbarrei em muitas pessoas que, pelo impacto que causaram em minha vida, mereciam ser transformadas em post.

Mas, que esse mesmo impacto impede que minha vaidade sobreponha minha personalidade reservada e a preservação, quase egoísta, do que conquisto. Isso inclui os amigos.
Escrevendo esse post, descobri que guardo um segredo ciumento das amizades que prezo. Lá na primeira linha, intencionava iniciar um relato do encanto e prazer que senti em ter feito mais uma linda e inexpugnável amizade. E, até agora, não o fiz.

Daí, a pergunta: porque então publicar um texto que pretende dizer e não diz? Que insinua e atiça, mas não revela? Sei lá. A única desculpa que me ocorre é que aguardo uma autorização expressa para escrever algo mais factual.

Entretanto, pedi-la pode atrair a atenção dessa pessoa para esse meu texto. E, é justamente aí que reside minha cautela e de onde deixo escapar uma pista: no fundo, temo a contemplação crítica de alguém que é um especialista na arte de escrever.

Temo desfazer a admiração mútua adquirida através de muitas palavras, e poucas perguntas. Carinho e admiração composta apenas de uma simpatia gratuita e desinteressada.

Além disso, curiosamente, a Net tem estado recheada de relatos vaidosos dessa natureza ultimamente. A idéia de que o meu viesse a causar tanto repúdio, ou mesmo a admiração demagoga que receberam, diminui o frenesi do desejo de relatá-lo.

Ia me esquecendo: Às vezes, o afeto que nutrimos não encontra igual dimensão no outro. E, nem sempre, o que chamamos de intimidade pode ser usado como definição bilateral. É necessário que sejamos cuidadosos.

São tantas relevâncias e delicados detalhes, que me sinto justificada por esse texto tão sem propósito. Tenho certeza que meu velho-novo amigo, se acaso ler essas linhas, saberá decifrar as entrelinhas temerosas que a motivou e com sua habitual perspicácia e carinho, me perdoará.

Assim, quem sabe ainda conto como e com quem me “re-encontrei” pela primeira vez! Quem sabe...



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Quinta-feira, Junho 12

JÁ QUE É ASSIM...


DIGA AO POVO, QUE "FICA"!!


Qualquer um, numa breve pesquisa, vai descobrir que o “Dia dos Namorados” é comemorado em datas diferentes em cada país. Pode-se descobrir também que a razão da escolha de um dia específico tem motivações diferentes em cada cultura.

Vale dizer que é possível encontrar um número infinito de tentativas de se definir, distinguir e até ilustrar as diferenças entre o amor romântico, o apaixonado e o espiritual, para justificar a comemoração exclusiva do “amor enamorado”.

Apesar disso, não entendo o dia de hoje. Não, “nos dias de hoje”. A data, os motivos e até a forma em que se comemora estão ultrapassados e parece que ninguém está interessado em fazer os ajustes evolutivos que esse fato evoca.

Concordo que o tempo nos deixa um pouco cínica quanto às questões amorosas, mas ninguém pode negar que aqueles eram realmente “bons tempos”. Os relacionamentos eram submetidos a uma ordem cronológica inevitável: namorar, noivar e casar.

Aí era só ir pra galera. Todo mundo com a missão cumprida: Os pais desencalhavam suas filhas, os filhos podiam atentar melhor aos planos “secundários” de suas existências e os parentes distantes podiam se reencontrar na festa do casamento.

Eu poderia ficar aqui, tecendo inúmeras considerações psicológicas, antropológicas e até religiosas sobre a importância desse ritual seqüencial, mas acredito que quem já passou por ele sabe bem que falo a verdade.

Se o parágrafo acima lhe soou estranho, ou você “não deu sorte no amor” ou é jovem demais. Quem é jovem demais e julga as fases acima como antiquadas, deveria se interessar em pesquisar a respeito.

No mínimo, descobririam as respostas para muitas das cruéis e incompreensíveis situações amorosas que os envolvem. No máximo, conseguiriam razões para, como eu, defenderem a idéia de que o dia de hoje, Dia dos Namorados, seja abolido.

Sinceramente, não encontro em nenhuma das justificativas para ainda se comemorar o dia de hoje especificamente sob o título que recebe. Não existe um evento, uma história, nem sequer um exemplo, além do comércio que poderia, hoje, sustentar tal data.

Mas, como tradições são difíceis de serem abolidas, sugiro uma substituição. Assim, não rasuro os preceitos do capitalismo, do qual sou conseqüência. E, mesmo correndo o risco de ser duramente criticada pelos românticos de plantão, em seu lugar eu proponho o “Dia do Fico”.

Ta. Eu sei que o nome não é original. Mas fica valendo a máxima de que na vida, nada se cria, tudo se copia! Além disso, posso até estabelecer uma conexão lógica entre o histórico dia, com o propósito de reativá-lo no dia de hoje:

Pra começar, o “Dia do Fico” original foi factual e nunca ninguém precisou gastar dinheiro para comemorá-lo sucessivamente anos a fio. Foi pautado por ato de grande valor histórico e embora tenha várias versões, a oficial nunca foi muito debatida.

Mas as razões pra minha proposta não estão apenas nesse fato. O “Dia do Fico”, a meu ver, representa muito melhor a atualidade dos relacionamentos. Mas, não sejamos rasos. Não tem a ver apenas com o “ficar” da moçada, mas com a essência da data protagonizada por Pedro II.

Vejamos: Em 1822, o então príncipe regente D. Pedro foi contra as ordens das Cortes Portuguesas que exigiam sua volta, ficando no Brasil. Tudo começou quando Portugal demonstrou intenção de controlar o Brasil. Uma das exigências era seu retorno imediato a Portugal.

Os liberais radicais, em resposta, organizaram uma movimentação e reuniram oito mil assinaturas a favor da permanência do príncipe. Assim, numa ação grupal, eles influenciaram D. Pedro a ficar

Foi então que ele declarou para o público: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Diga ao povo que fico".

A partir daí, D. Pedro entrou em conflito direto com os interesses portugueses. Este episódio, como todos sabem, prenunciou a declaração de independência.

Baseados nessa breve aula de história avaliem a atitude rebelde do Pedro, a postura autoritária e controladora da sua “mãe-pátria” – Portugal, e o movimento ostensivo e numeroso de seus “colegas”, e neguem que não soa familiar?

Sem falar, é claro, no desejo incontestável de liberdade que o ato revela. O ‘ficar’ de D. Pedro, foi ou não foi definitivo para esclarecer de uma vez por todas que o menino havia crescido e que ninguém mais iria ditar-lhe regras banais sobre fidelidade, compromisso e dever?

Tenho pra mim que o difundido “ficar” atual não é, senão, uma réplica do comportamento filial que propiciou a formação dessa jovem nação “independente” chamada Brasil.

Isso é pura memória cultural. Demoramos um pouco, mas finalmente adaptamos atos grandiosos e aplicamos em nosso dia a dia. Namorados, hoje, são os casados de ontem. E para eles, já existe a inúmeras versões de bodas... prata, ouro, bronze..etc.

Então? Não faz sentido? Sendo assim, os “ficantes” não merecem ter um dia dedicado a eles? Além disso, é uma grande sacada comercial: “ficar” implica em não ter apenas um namorado, pega daí...

Assim, chega de véspera de dia de São Pedro! Basta de São Valentim, ou qualquer outro casamenteiro imposto pela igreja da Idade Média. Novos Tempos! Sejamos fiéis a nossa própria história e origem e desejo de liberdade!

Concluindo: se é para o bem de todos, e a felicidade geral da nação: FELIZ DIZ DO FICO!

* CORREÇÃO: A LEITORA VIVIANA CANORO, DEIXOU UMA IMPORTANTE OBSERVAÇÃO CORRIGINDO UM GRAVÍSSIMO ERRO MEU. NO POST: " ESTOY PAGANDO " de 02/06 EU ATRIBUÍ A OUTRA ATRIZ, O PERSONAGEM DA SENSACIONAL ATRIZ KATIUSCIA CANORO DO ZORRA TOTAL FICA AQUI A CORREÇÃO E MINHAS SINCERAS DESCULPAS PELA CONFUSÃO! VIVIANE, OBRIGADA!


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Segunda-feira, Junho 9

E, QUEM VOOU...


NO PENSAMENTO FICOU...


Se há uma coisa que admiro no povo argentino é aquele ar blasé destinado a quase tudo que não é unanimidade. Por outro lado, mistura-se a ele um surpreendente e exagerado enaltecimento as conquistas alheias.

Parece, mas não há contradição nisso. Os argentinos sabem produzir heróis. É quase uma obsessão. O interessante é que em cada história grandiosa é fincada a bandeira de louvor a um único ser humano em especial.

Mas, não se enganem. Não estou falando dos grandes personagens da história Argentina como Borges, Eva Perón, Gardel, Che Guevara, Quino, Fangio ou Piazzola. E, me poupem das críticas: não tenho grande simpatia por Maradona. (que, aliás, considero um anti-herói).

Falo do dia a dia. Das pessoas comuns que com pequenos feitos recebem dos argentinos, reconhecimento e admiração. Um relato feliz de uma conquista individual geralmente é o suficiente pra prender a atenção deles e de quebra, ganhar sua admiração.

Se você é um profissional bem sucedido, se já fez ou ainda faz algum movimento notório e, com ele, escreve sua própria história de maneira singular, e deseja sentir-se recompensado por isso, eleja já um interlocutor argentino para te ouvir.

Garanto que no final da história o farão sentir-se um ser especial, diferenciado e altamente recompensado em seus esforços. Não importa o quanto seu feito tenha sido subestimado antes por você ou por quem quer que seja.

Na ótica de um argentino, se você tentou e superou as dificuldades esforçando-se, já é merecedor. Confesso, não há melhor lugar no mundo para restaurar um ego fragilizado ou para buscar motivação para seguir empreendendo lutas, até então, inglórias.

Pensem em qualquer grande personalidade do Brasil. Pensou? Tirando o nosso presidente, qual outro personagem é lembrado numa definição súbita, em primeira instancia, por um passado humilde? Poucos. Não é?

É claro que temos muitos, cuja origem popular e humilde, é também fator relevante na análise do que realizaram. Mas, a maioria não possui essa conexão como elemento marcante em sua biografia.

Na argentina, ao contrário, vencer a pobreza ou o ostracismo de se pertencer ao senso estatístico da simplicidade existencial e realizar algo relevante, é um passaporte para o sucesso.

Esse sucesso, na pior das hipóteses, é alcançado na comunidade em que se está inserido. Na melhor, o dono dessa capacidade, ganhar ares de herói nacional. Se vacilar, terá um busto ou monumento em sua homenagem.

Desse ponto em diante, não há mais volta. Mereceu monumento, virou nome de rua ou fez parte de algum registro documental, já será considerado orgulho nacional. Lá, orgulho nacional é ponto turístico e ponto turístico é orgulhosamente disseminado através das gerações.

A verdade é que muitos brasileiros valorosos, se tivessem nascido argentinos, teriam sido reconhecidos com mais justiça pela contribuição dada. Mas, é verdade também, que esse reconhecimento poderia vir a ser responsável por uma multidão de heróis.

Isso talvez explique porque nós, Brasileiros, temos tantos ídolos e tão poucos heróis. Nosso excesso de “talentos” provoca um nivelamento baixo que resulta em poucos capazes ou motivados a se aprimorarem em seus feitos até torná-los heróicos.

Assim, nossos famosos serão eternamente famosos, mas poucos virarão bustos ou seus túmulos, pontos turísticos. São tão facilmente substituídos por copiadores de suas “fórmulas” de sucesso que, ao morrerem, suas biografias são marcadas pelo adjetivo de “ultrapassado”.

Essa semana é uma semana muito importante em minha cidade. A semana que reúne mais intelectual e literatos brasileiros por metro quadrado do que platéia capaz de compreender a importância deles. É a semana da anual Feira do Livro.

Nomes como: Adélia Prado, Célia Sakurai, Zuenir Ventura, Márcia Tiburi, Cláudia Reiken, Marina Colassanti e Nélida Piñon, além de Domingos Meirelles e José Hamilton Ribeiro, passaram e passarão pelos auditórios da cidade.

Jornalistas de destaque também: Caco Barcelos e Maurício Kubrusly e artistas musicais de peso: Luiz Melodia, Milton Nascimento e os Jobins, Demônios da Garoa, Zeca Baleiro e Fernanda Takai. Arnaldo Antunes, Guilherme Arantes, Renato Teixeira, entre outros pousarão por aqui.

O que isso tem a ver com a Argentina ou Buenos Aires? Nada. Ou quase tudo, já que o post seqüencial que eu tinha preparado sobre a visita da minha equipe a capital Argentina, tinha o título de “Buenos Aires, uma feira de cultura permanente”.

Nesse post eu pretendia traçar um paralelo entre as feiras livres, (aquelas onde se vendem frutas e legumes), tão populares quanto necessárias, com as ofertas culturais nas ruas de Buenos Aires.

A idéia era apresentar minha conclusão de que cultura lá é tão farta e popular quanto o comércio de legumes nas cidades brasileiras. Parece alucinação textual, mas não é. As semelhanças são tantas que até o escandaloso fato de que famílias inteiras se alimentam dos restos atirados por feirantes, têm um paralelo na oferta cultural portenha.

Mas, esse post eu ainda publicarei. Hoje, eu não poderia perder a oportunidade de dizer que orgulhosamente a 8 Feira do Livro da minha cidade está batendo o recorde de público, é grátis, central e o que é melhor: os talentosos convidados, em sua maioria, nunca fizeram parte de revistas, jornais ou blogs sensacionalistas.

É um verdadeiro reality show de conhecimento, cultura e enaltecimento dos verdadeiros talentos brasileiros.

Então: Salve, Salve os nossos verdadeiros heróis nacionais.



- posted by Mara


Quinta-feira, Junho 5

ÀS FORMIGAS...


...AS MIGALHAS!


Passei alguns minutos dessa manhã observando uma formiga carregar uma enorme migalha de pão em direção a fresta da porta da rua de minha casa. Observei que muitas outras andavam ao lado dela sem, no entanto, carregar coisa alguma.

Notei que não parecia ser um grande esforço carregar um volume tão grande, mas ela caminhava mais lentamente que as outras e, vez ou outra, se desequilibrava para os lados. As outras, ao contrário, andavam agitadas e desordenadamente.

Fico pensando qual é a função do peso extra que algumas vezes elegemos carregar. Pensei também naqueles que ocupam o entorno dessa nossa opção. Deve haver um mistério qualquer por trás dessa estrutura.

Minha amiga formiga (posso chamá-la assim depois que o período de observação nos tornou íntimas) estava muito determinada, mas, também muito longe de seu objetivo. As outras nada faziam para ajudá-la. Ela, por sua vez, não parecia contar com isso.

A organização que as movia era tão coerente que em dado momento deixei de observá-las completamente segura que nada as deteria e que chegariam onde desejavam. Pensei novamente na finalidade das outras estarem ali “escoltando” a voluntária formiga.

Voluntária? Será que ela havia escolhido carregar, sozinha, tal fardo? Ou a tarefa teria lhe sido imposta por questões alheias a sua vontade? Nunca saberei. Mas gostaria!

Gostaria saber o que aconteceria se, num rompante, ela largasse a migalha gigante e seguisse pra onde bem entendesse. Será que as outras tomariam para si a função ou iriam atrás dela tentar convencê-la a cumprir seu destino?

Quando desviei os olhos e me sentei para escrever sobre o enorme esforço desprendido por uma criatura tão pequena, meu cãozinho alegremente correu até mim, alegre, crendo que eu proporia uma brincadeira qualquer.

Ao fazê-lo, atropelou o pelotão de formigas que marchava obstinadamente. Foi um verdadeiro holocausto. As que sobreviveram saíram atordoadas e capengas, aparentemente sem rumo. O saldo foi de muitos mortos e feridos.

Busquei desesperadamente a migalha de pão e a encontrei sobre a minha amiguinha, esmagando-a com seu peso desproporcional. Abaixei-me, retirei a migalha e vi que ela ainda se mexia.

Estimulei-a com a ponta dos dedos e pra minha satisfação ela se levantou. A princípio, cambaleante, mas, em seguida, corria em círculos e percebi que ela buscava o fardo perdido.

Coloquei-o próximo a ela que, sem titubear, tratou de carregá-la outra vez. Dessa vez, sem a companhia de sua escolta.

Confesso que não senti compaixão. Nem mesmo me solidarizei com o esforço desprendido por ela. Pensei apenas, na estupidez do gesto mecânico de seguir sempre em frente, apesar dos pesares.

Pensei também no que deveria aprender com ela. Aprender a antítese do que a chamamos de determinação. Aprender sobre os grilhões que nos mantém sempre na mesma linha, com o mesmo rumo, com a mesma ridícula dedicação.

Frustrei-me com a tal formiga. Ela me tolheu o prazer de comemorar a vida que ela readquiriu. De festejar a sorte de ter sido poupada de um destino cruel. Ela, em detrimento de meu júbilo, tinha a idéia fixa de seguir seu caminho e sua tarefa ingrata.

Só agora escrevendo esse texto é que me dei conta que há outra e, menos dura, interpretação: Ela foi salva justamente por seu pesado fardo. A migalha serviu-lhe de couraça contra as patas assassinas do meu cachorrinho.

Talvez, então, houvesse algum sinal de gratidão no gesto de seguir carregando-a. “Algo como: se fui salva por isso, por isso seguirei vivendo.” Talvez... talvez...

Sinceramente? Não acredito. Acredito mais que seja a resposta àquela oração, aquele pedido que nunca deveria ter sido feito, pela hipótese de ser atendido.

Alguns de vocês certamente dirão: “A migalha servirá de alimento para milhares de centenas de outras formiguinhas”. Não deixa de ser verdade. Órfãs, anciãs, trabalhadoras aposentadas e até as guerreiras de um passado heróico iriam se beneficiar do nobre gesto de minha amiga.

Até a rainha irá, em segredo, reconhecer o gesto. Mas, duvido que confesse temendo perder, por comparação, a admiração de seus súditos.

Mas, se eu a vir de novo esmago-a com meus pés. Ando meio farta das desigualdades na distribuição dos valores cristãos. Sinto-me desacreditada na benção de saber-me escolhida e de nada me valer tal eleição.

Se eu estivesse naquele formigueiro quando minha amiga o alcançasse eu, certamente, lhe prepararia uma festa, chamaria a todos para enaltecermos o gesto abnegado e grandioso da “enviada”. Mas, é claro que nada disso deve ter acontecido.

Talvez, nesse momento, ela esteja relatando seus feitos á uma multidão de formigas, enquanto estas devoram o alimento recuperado por ela.

Quem sabe, em meio a esse relato, ela se lembre de alguém que a observou, ajudou a se levantar, carregou seu fardo por alguns momentos e que, “absurdamente”, só desejava que ela estivesse viva e feliz.

Imagino os risos. Imagino-me virando chacota entre as formigas. “Aquela mulher idiota, dirão, achava mesmo que te ajudando com seu fardo de fazia um favor?” Ao que ela responderia:

- “Pois é! Agora terei que seguir para sempre nessa minha vidinha medíocre, repetindo gestos como aquele, se quiser ser reconhecida entre vocês. Se quiser manter meu status. Maldita seja!”

Moral da história: Fazer o bem sem olhar a quem, pode ser um passaporte recíproco de desilusão.

Mas, querem saber? Acho que nesse caso, a formiga levou a pior, mesmo com o aparente clima festivo do formigueiro.



- posted by Mara


Segunda-feira, Junho 2

“ESTOY PAGAAAANNDO!”


PARTE 1


Mi Buenos Aires querida. Aff...nada mais brega e desatualizado que essa frase cunhada pelos sempre otimistas de plantão. Buenos Aires continua linda, mas, querida? Sei não... Penso que isso requer um pouco mais de dissertação.

Estivemos eu e minha equipe na capital Argentina para mais uma aventura do nosso programa. Era pra ser uma aventura intermediária, dessas, que vem após uma grande e, antecede uma maior ainda. Mas, tornou-se uma aventura única.

Os trâmites necessários para uma viagem internacional relativamente curta como essa, não nos prepara para os revezes que podem surgir. Daí que quebrar a cara aqui e acolá, em meio à êxitos, é até vantajoso.

Nosso Programa pretende mostrar o anti-turismo e para isso, antagonicamente, utilizamos vias turísticas ao fazê-lo. Complicado? Pois é. Nossos patrocinadores também acharam de início.

Mas, na verdade é bem simples. Juntamos tudo o que é atrativo turístico nas cidades que visitamos e, desnudamos. Mostramos como é possível ser turista e sentir-se em casa. Melhor, como se comportar e ser tratado como “da família” estando fora de casa.

Não é uma tarefa fácil já que muito deste propósito vêm sendo boicotado ao longo das décadas, pelo turismo meramente comercial e negligente. O pior é constatar que é um processo recíproco, internacional. “Chumbo trocado”, como se diz.

Mas, nesse caso, o chumbo trocado dói e muito. Sobretudo pra quem aprecia a diversidade cultural, a natureza das coisas e das pessoas e o aprendizado que deles advém.

Viajamos em vôo regular (pela primeira vez não estávamos num vôo fretado para esse fim) e já nesse momento é possível observar claramente essas trocas de “gentileza” entre os países.

A meu ver, existe um excesso de facilidades no trânsito aéreo. Não. Não se trata de querer complicações e sim de estabelecer um filtro natural que estimule comportamentos adequados.

O que vimos no aeroporto deve ter sido o laboratório utilizado por Samantha Schmütz para compor seu personagem Lady Kate no Zorra Total. Nas filas aeroportuárias, nossa moeda fortalecida só falta gritar em castelhano: “Estoy pagaaaaando!”

Tudo bem. Porque do outro lado do balcão, sempre há alguém pra responder em bom e claro português: “E daí? O que eu tenho com isso?” E assim voam os minutos até que alguém realmente interessado em você possa te orientar quanto aos seus direitos e deveres num vôo internacional.

Mas tudo bem, mesmo! Porque pagando bem ou não, ao pisar em solo Argentino não será difícil encontrar quem queira receber (e pode até ser em Real) de Brasileiros esnobes e esbanjadores.

Aliás, nessas horas é que o Brasileiro tem mesmo certeza que sabe falar espanhol desde criancinha. É curioso como nas casas de câmbio todo mundo se entende. Estar lá é como carimbar seu passaporte com o visto de entrada.

Como diriam meus amigos argentinos: “Atrás de um Brasileiro esnobe, sempre há um Argentino pior ainda”. E assim seguimos fingindo que a única barreira que existe entre nós é o idioma.

Nesse processo de ida, vale ressaltar que propus a minha equipe e, fui atendida, que deixaríamos no aeroporto brasileiro alguns excessos que, de antemão sabíamos, não seriam bem-vindos entre os portenhos.

Temas como futebol (e o “rei” dele), as relações diplomáticas entre nossos presidentes (a deles é uma mulher, e linda!) e principalmente: não mencionaríamos o fato de 09 entre 10 brasileiros acharem que Evita cantou mesmo Don’t cry for mi Argentina.

Piadinhas à parte, o mar (ops! quer dizer: o Rio da Prata), está mesmo pra peixe. O câmbio tem nos favorecido tanto que até os moradores de rua pedem em Reais. Mas, Buenos Aires continua linda.

Tão linda que para os paulistanos nem é difícil sentir-se em casa. Trânsito caótico, gente nervosa, sujeira nas ruas e centenas de pessoas fazendo passeata. E não era a Parada gay, não. E sim, trabalhadores rurais lutando contra a indiferença e os desmandos do poder público.

Ainda se pode caminhar a pé na noite portenha. Se o frio (aquele que sempre vem pra cá depois) não tiver chegado mais cedo. Foi o caso. Aliás, nem sei de onde veio a tal onda polar que nos abateu, já que os aeroportos do Chile e do Sul Argentino estavam fechados por conta do vulcão Chaitén.

O fato é que nossa aventura começou fria, esquentou entremeios e, quase congelou em seus últimos dias. Mas, nosso sangue quente e latino não nos impediu de desfrutar de tudo que a capital Argentina pode nos proporcionar.

E cá entre nós? Todo tempo do mundo é insuficiente para percorrer as centenas de recantos, monumentos, teatros e museus espalhados pela cidade. Cada esquina conta uma história, cada pedra tem seu passado de glória e o povo Argentino faz tudo para mantê-los intactos e conseguem!

E tudo isso está ali, pertinho, fácil e praticamente de graça. Mas, os detalhes desse maravilhoso e intenso mergulho cultural, eu vou contando aos poucos, em série, para não desmerecer nenhum importante detalhe.

Antes de encerrar, porém, vale dizer que se a grana for curta pra contratar um guia, basta que você tome um taxi (que, aliás, é bem barato) e o motorista, tenha a idade que tiver, saberá te dizer muito mais do que qualquer folheto turístico que sua agência te forneceu. Não é texto decorado não. É autoconhecimento!

Assim, no fim das contas, Buenos Aires vale muito à pena pagar pra ver!

* continua...


- posted by Mara




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