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"Não conseguimos controlar as más linguas dos outros, mas uma vida decente nos capacita a desprezá-las." Cato, o Velho (234 AC - 149 AC)


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Terça-feira, Outubro 28

RECICLANDO...



Que a-do-ro os textos do Nelson Moraes todo mundo sabe. Que eu, vez ou outra, colo seus textos por aqui: também ( até ele!). Mas que ele tem a propriedade de me safar de assumir a autoria de coisas que eu adoraria ter escrito e cujo conteúdo poderia despertar a ira de muitos, isso eu só posso afirmar depois de publicado o texto abaixo: Divirtam-se!

Inspirada ode à falta de inspiração blogal


Todo blogueiro cata assunto
Como quem caça um cachalote
Mas se não aparece o mote
Se o tema não chega junto
Ele pega o que for o hype:
McCain encoxando o Obama
Lula não negando a fama
Qualquer merda desse naipe

Claro que aí ele pressente:
Foi muito óbvia a escolha
Isso sai todo dia na Folha
Tem que correr mais à frente
Um assunto com mais viço
A monetização blogal?
Não, há que ser original
Toda a internet falou disso

O condenado então recorre
Aos posts de antigamente
O perigo é haver gente
(e desse medo ele morre)
Um porrilhão de visitantes
No veredito sumário:
“Pensa que leitor é otário?
Já li esta bosta antes"

Às piadinhas então ele passa
Como válvula de escape
Sátira, paródia, stand-up
Mas nhé: quem acha graça?
“Esqueci como postar”
Trocando consoante por vogal,
Num trocadilho abissal,
Resolve então... poetar (!)

Aí sua musa errática
Sopra uma ode pertinente
À inspiração ausente
A essa pobreza temática
Só que a musa meia-sola
Derrotista na refrega
É quem logo os pontos entrega:
“Ó: poesia também não rola”

Todo blogueiro cata assunto
Como quem caça urubu no ar
Mas se o tema não chega junto

Seus neurônios já insanos
Acham que só resta anunciar
Que seu blog fez seis anos.


* E olha que isso não acontece apenas de seis em seis anos, infelizmente!


- posted by Mara


Segunda-feira, Outubro 27

SEGUNDA-FEIRA...


* Foto: Ludmylla praticando "como irritar seu papai"!


Enfim a segunda-feira. Muitos podem achar absurdo, mas adoro “segundas”. E, acreditem, nada tem a ver com o pós domingo, ou com qualquer rejeição ao Faustão ou Fantástico.

Tudo bem. Não é o único gosto duvidoso que tenho. Também gosto de mudar de casa, passar roupa e acordar quase de madrugada. Sem falar do meu grande apreço por espinafre e macarrão do tipo Miojo.

“Segunda”, apesar de cronologicamente não ser a primeira, pra mim tem efeito renovador. É como se eu tivesse outra chance de rever todos os desacertos e reativar projetos que não foi possível concluir na semana anterior.

Essa segunda-feira, entretanto, começou acenando uma espécie de sensação de vazio. É como se um grande nada se anunciasse depois da profunda agitação das últimas semanas.

Vejamos: O seqüestro de Santo Andre terminou. A menina Eloá infelizmente morreu. Todos os órgãos foram doados e devidamente transplantados. A amiga Nayara teve alta e a mãe já nem fala mais da tal indenização.

Além disso, o pai de Eloá continua foragido e Lindemberg terá que esperar a morosidade da justiça para pagar pela atrocidade que cometeu.

O Kassab esbanjou vitória em SP. Gabeira bateu na trave e perdeu no Rio. O Zé Bob descobriu que a Donatella está viva, e o Corinthians... Ah! O Timão voltou pra primeira divisão.

Aqui em casa, o Maxi continua com fortes razões pra rejeitar filhota Ludmylla, mas já começa a ceder.

Ou seja, nenhuma novidade hoje e nenhum prognóstico de mudanças para as próximas semanas, quiçá, meses.

Daí que resta aos noticiários ficarem repetindo o reconhecimento dos candidatos derrotados e a alegria inadvertida dos ganhadores. Ao menos, onde houve segundo turno os repórteres podem discursar sobre a sujeira deixada pelos militantes.

É. Fica mesmo a sensação de que se fechou mais um ciclo. E, por mais que não queiramos tragédias e eleições (alguns julgam que são sinônimos), é preciso admitir: essas coisas preenchem as lacunas deixadas pela rotina do dia-a- dia.

Sendo assim, vou testar meu novo brinquedinho: um e-reader. Ganhei de um amigo recém chegado da Europa. Vou me preparar para aceitar o desafio de acreditar que a tecnologia poderá substituir os velhos e bons livros.

Confesso que minha resistência é enorme. Mas “cavalo dado” não se olha os dentes. Nesse caso, livro dado não se questiona a utilidade.

Depois conto se me adaptei a não sentir mais o cheiro de páginas manuseadas, do fim da contínua busca da caneta-marcador que sempre desaparece, ou viver finalmente sem ter que negar quando me pedirem um livro emprestado.

No mais, é segunda-feira. Assim, uma semana inteirinha se inicia e, abre outra vez, inúmeras possibilidades e novas revelações.

Ao Rio de Janeiro, meus pêsames pela oportunidade perdida de fazer valer o desejo de mudança.

À SP, minha profunda admiração e respeito pela soberana decisão de não se deixar levar pelo oportunismo e futilidades políticas.

Uma boa e linda semana a todos que passarem por aqui!


Deixo aqui a frase de Alexandre Garcia logo após o término da eleição:

"O DEM pode dizer aos partidos que mais fizeram prefeituras: Vocês têm seis, mas nós temos São Paulo!"



- posted by Mara


Quarta-feira, Outubro 22

A ORIGEM DOS ESPÉCIMES


DO PÓ, AO PÓ!


“Fico pasma diante do desperdício de tempo e do mau emprego das habilidades humanas”

Foi assim que eu iniciei esse post, mas, logo a seguir, me dei conta de que a frase era inapropriada. Não se pode desperdiçar habilidades que não se possui, nem tampouco lamentar por um tempo que na maioria das vezes é mesmo inútil.

Então, concluo, isso só pode ser ignorância. Desse ponto, então, recorri ao meu velho escudeiro, a Wikipédia, para me auxiliar na definição daquilo que quero dizer e, claro, levar a culpa por qualquer identificação que essa definição possa causar a terceiros.

Segundo a Wikipédia, ignorância pode ser uma falta de conhecimento, sabedoria e instrução sobre determinado tema, ou mesmo crença em falsidades; Ou ainda de uma forma não coloquial pode significar uma forma rude de tratar as pessoas e/ou coisas. O ignorante estabelece critérios que desclassifiquem o conselho alheio e em prol da sua falta de conhecimento, busca estabelecer ideias falsas sobre si mesmo e o mundo que o cerca de forma errônea,que desagrade aqueles que o cercam.”

Ok. Definida dessa maneira, a ignorância fica mais fácil de ser usada para justificar algumas barbaridades que lemos por aí.

Agora, convenhamos, transformar ignorância em senso comum dá trabalho e despende muita energia. E daí, minha frase inicial não fica assim tão sem sentido.

Engana-se quem pensa que a ignorância, tal como foi definida acima, é fruto de um arroubo intempestivo e inconseqüente. O ignorante, não só se gaba de sê-lo, como alardeia e recusa-se a se modificar.

É comum, também, que o ignorante seja habilidoso em, pelo menos, uma coisa: transformar aquilo que é um estado natural numa poderosa arma para o exercício de sua perversidade.

Quer ver piorar? É só encontrar um desses ignorantes que perigosamente tenha adquirido algum tipo de destaque entre seus iguais, alguém com acesso aos meios de comunicação em massa.

Como será que esses “fazedores de opinião” se municiam dos elementos que utilizam para praticar seu esporte preferido, o escárnio? Pode conferir: esses indivíduos são, contraditoriamente, verdadeiros caçadores de informações.

Buscam e armazenam incessantemente tudo que puderem recolher em situações sociais das quais eles não abrem mão: jantares, reuniões de diretoria, entrevistas na mídia, discursos de posse, homenagens etc.

Sem a menor condição de fundamentar suas próprias opiniões mediante análise e observação crítica, só lhe resta preencher as lacunas com os resultados de suas fantasias pessoais e pendengas emocionais.

Repararam no contraditório da coisa? Isso confunde e enfraquece os argumentos de quem confronta o ignorante, já que ao mesmo tempo em que se recusa ou não consegue desenvolver seu próprio raciocínio analítico, o sujeito não pode ser acusado de não ser criativo e inábil.

Uma das principais qualidades do ignorante é sua incrível habilidade de absorver passivamente tudo que ouve ou lhe é remotamente familiar, repeti-las como se fossem ele mesmo o autor e legitimar a si mesmo e a tal opinião.

É horrível admitir, mas o ignorante é inteligente. E é nesse ponto polêmico que definir o ignorante fica ainda mais fascinante. Inteligência ou a falta dela, nada tem a ver com falta de conhecimento e o inescrupuloso uso dessa deficiência.

Debater com o ignorante é uma das tarefas inglória, apesar de irresistível. Quando uma idéia advém de alguém inteligente e conhecedor, ele as defende com propriedade já que ele mesmo as colocou ali. Cabe-nos apenas concordar ou não.

As do ignorante, na maioria das vezes fantasiosas e maldosas, é o resultado de uma mente dependente e insegura, e resultam de uma associação confusa de idéias contraditórias e infundadas.

O ignorante elabora os argumentos para defender as idéias que constrói a partir da adaptação que faz das idéias alheias, antes mesmo de tê-las. Ele sabe que será debatido e, no fundo, anseia e adora isso. É o “ibope” que almeja.

Desse ponto, já podemos discorrer sobre o “filho” do ignorante: o mentiroso. Segundo Olavo Carvalho: “ É assim que milhares de mentiras tolas, vindas de uma multidão de pequenos fofoqueiros e desinformantes, se condensam num sistema de cretinices respeitáveis, oficiais, cuja contestação se expõe a repulsa e ao desprezo geral”.

“Seria realmente o cúmulo da genialidade retórica, destruir um edifício de fatos e documentos mediante um simples aceno ortográfico. O sujeito acha que conseguiu isso. Só falta chamar a mãe para contemplar o filhinho em seu momento de triunfo. A vaidade da ignorância é um abismo de miséria humana. Reforçaria Olavo.

Dizem que o pior dos mentirosos não é aquele que mente compulsivamente e sempre. Dizem também que é aquele que mente tão bem que consegue enganar até a si mesmo.

Olavo Carvalho, entretanto, o define melhor: “O pior mentiroso é aquele que, em prol da mentira, destrói tão completamente a sua própria inteligência que se torna incapaz de perceber a verdade até mesmo quando ele próprio, por desatenção ou inabilidade, a proclama diante de todos.

Mas, seria necessário um novo post para falar desse atraente e magnético espécime humano- o mentiroso, então, fica pra um próximo.

A meu ver, para o ignorante a mentira, ou a distorção maldosa da verdade é irresistível e inevitável. Além disso, em sua “ignorância” o sujeito, com o tempo, nem consegue mais ver o ridículo esboço de si mesmo que se tornou.



- posted by Mara


Segunda-feira, Outubro 20

E AGORA?


QUEM PODERÁ NOS SALVAR?


Ah! A curiosidade humana! Esta aí para quem quiser ver ou se sentir minimamente interessado em entendê-la. Ou seja, com uma pequena dose de curiosidade e busca, encontraremos muitas definições sob essa condição inerente ao ser humano.

À parte os tratados metafísicos e filosóficos sobre a curiosidade, há uma característica nela que qualquer leigo pode atestar: a distância e a projeção. Quanto mais longe ao objeto de curiosidade maior a distância do indivíduo de si mesmo e de seu local de origem.

Essa é, é claro, uma descrição simplista do que Hiedegger discursou exaustivamente, mas serve, por exemplo, para que possamos entender a chamada curiosidade informativa.

Serve também, para entender o fenômeno que assombrou o país e a mim, nesses últimos dias. Explica o que levou a imprensa e milhares de pessoas suspenderem suas rotinas em atenção aos acontecimentos em Santo Andre-SP.

Sentir-se atualizado é o que diminui a distância entre o que está acontecendo e o que virá a acontecer. Coloca-nos no entremeio do suposto alívio causado pela antecipação. Contraditoriamente, antecipa também, todo sofrimento que ainda há de vir.

Complexo, não é? Sim e por isso é tão humano. Ou seja, não basta que estejamos informados e atualizados, mas é urgente que “todas” as informações, verdadeiras ou não, estejam relacionadas e disponíveis pra nós.

A partir daí já começa o incrível mecanismo que nos mantém “ligados” constantemente ao fato curioso enquanto o mesmo existir. E é a partir daí também que surgem alguns desdobramentos menos nobres, mas, não menos humanos: o sensacionalismo.

O sensacionalismo alimenta-se do enredo, dos elementos surpresas, e principalmente da dramatização. Quanto mais bem relatada, quanto melhor a técnica no emprego desses recursos, maior será a necessidade de sabermos a seqüência que a desenrolará.

Um bom prólogo, um enredo emocional e /ou social, suspense, negociações e por fim, o desfecho, são os elementos chaves pra termos ao alcance um bom livro, uma novela, ou um seqüestro.

Nesse momento é que temos a real dimensão dos rumos que a imprensa sensacionalista tem dado ás nossas vidas. Um bom livro pode demorar semanas para ser consumido em massa e apreciado, o mesmo ocorre com a novela ou filme. Já a notícia...

Autores de livros e novelas podem dar-se ao luxo de esperarem a aprovação e o interesse público para mudarem ou seqüenciarem os rumos de suas tramas. Copiando a arte, a notícia também. Em ambos os casos, a mídia tem um papel decisivo.

A notícia, por sua vez, é a própria mídia. E soberana, ela usa e abusa do privilégio de ser ela mesma a estratégia de marketing que garantirá seu sucesso. E, todos sabem que o sucesso tem a propriedade de mudar a essência do que quer que seja.

Mas, apesar de todo esse blá blá blá, no início de tudo está quem? Os seres humanos e sua inerente curiosidade, diria Aristóteles.

É esse ser humano que faz e que consome a notícia. É ele quem julga e que com isso, justifica sua audiência. É quem se isenta e se distancia daquilo que se aproxima, alegando sensibilizar-se.

A indústria noticiosa está cancerosa. E nós somos as metástases que a trará a tona toda vez que um desfecho, feliz ou infeliz, parecer tê-la extirpado.

O caso Eloá não termina com a decisão consciente dos pais da menina em doar seus órgãos. Nem mesmo a condenação máxima do acusado ou a recuperação total da outra refém colocará fim ao martírio do processo dolorido de vermos, ao vivo, famílias serem consumidas por essa enfermidade espetaculosa.

Hoje o questionamento é: houve erros? Nossa polícia não está preparada para identificar e atuar frente á essas características humanas?

Eu, em minha humilde opinião, afirmo: não! Pelo simples fato de serem eles também, seres humanos. E, portanto, dotados da mesma fraqueza e inabilidade em lidar com suas deficiências.

Nem todo preparo ou antecedentes, poderia preparar alguém para viver o inesperado. Não é uma novela ou livro, com seus capítulos pré-escritos e submetidos ao julgo de apreciadores.

É vida real. Vida real transformada em novela, roteirizada e manipulada por uma mídia inescrupulosa e covarde que para tirar de si o peso da cumplicidade no desfecho do caso, trata de escrever os próximos capítulos com base no julgamento do que não pode ser mais corrigido.

Sinto-me responsável e isso explica o mal estar e a insistência em discursar mais uma vez sobre o tema. Colocando-o longe de mim, descrevendo-o como um post eu o transformo em curiosidade e apago as cicatrizes que vão tomando o lugar das feridas que, sei em breve se abrirão novamente.

Ainda quero notícias sobre os Nardoni, sobre os moradores de Araguaia e do atual assassinato do empresário Arthur Sendas. E essa minha curiosidade é o que alimentará e dará sustentação para meses e meses de especulação e exploração dos casos.

Mas, ao questionarmos a qualificação da polícia brasileira em lidar com casos como esse, quem, em nome de Deus, poderá nos salvar? Quem irá nos redimir ou nos proteger da incompreensão e desalento que a condição de humanos nos impõe?

De minha parte, preciso muito mais saber dos rumos que a justiça dará ao causador disso tudo, do que descobrir o que poderia ter sido feito para evitar o fato.

O ajuste nessa mesma justiça, aliás, é a solução exata para se evitar novas ocorrências e não, essa ou aquela atitude que, convenhamos, agora não adianta mais ser criticada.



- posted by Mara


Sábado, Outubro 18

O TRISTE LADO...


..DA LIBERDADE RECUPERADA!


ACABOU! E não há nada a ser acrescentado! Apesar da atuação impecável da polícia especializada nada, absolutamente nada, pode deter a força do absurdo ou retroceder o tempo-espaço de uma tragédia!

* PESSOAS,

Obrigada pela presença ontem. Infelizmente o caso descrito no post anterior terminou tragicamente.

Uso esse espaço para me retratar e dizer que Ana Maria Braga foi até sutil e inofensiva diante do comportamento de Sonia Abrão na Rede TV.

Aliás, o debate entre o funkeiro e o pastor evangélico mencionado no post anterior foi transmitido também por essa emissora no programa da Luciana Gimenez.

Enfim... o lixo televisivo tem até endereço fixo!

Um bom final de semana a todos!





- posted by Mara


Quinta-feira, Outubro 16

TUDO POR UM CLICK...


..DO CONTROLE REMOTO!


Definitivamente não há limites para a estupidez humana. A cada dia percebe-se que os seres humanos estão empenhados em mostrar ostensivamente que não pode ser enquadrado nesse ou naquele perfil de comportamento.

Basta que se acompanhe, ainda que desinteressadamente, as campanhas políticas para se comprovar isso. Acusações e ataques pessoais, com ou sem fundamento, com permissão e apoio do governo federal têm sido uma freqüente demonstração do descaso atual dela ética de convivência social entre humanos.

Assisti essa semana num programa de televisão bastante popular, um debate inútil, sem censura e aviltante entre um, pasmem, funkeiro e um pastor evangélico. Não foi necessário assistir até o final para saber que aquilo terminaria uma baixaria sem limites.

Enquanto escrevo esse post, quase todas as emissoras de TV do Brasil mantêm suas equipes há 62 horas em frente a um conjunto habitacional em Santo Andre- SP. Lá um homem de 23 anos, mantém refém uma namorada de quinze anos, em seu próprio apartamento.

A parte o horror da situação descrita, algumas coisas desse episódio merecem um destaque especial: Na Rede Globo, Ana Maria Braga, visivelmente indignada, assume a prepotente conclusão de que esta sendo assistida pelo seqüestrador.

Não bastasse essa certeza da apresentadora, ela não se cansa de fazer intervenções do tipo “negociação” com o tal rapaz. Ora, se ele a estiver vendo, temo pela reação do mesmo frente à tão explícita e, mal preparada, demonstração de julgamento da Ana.

Se ele não a estiver vendo, como suponho, fica a dúvida concedida sob o direito que a imprensa não especializada teria de transformar tudo que vê num grande espetáculo apelativo em busca do melhor ângulo e de maior audiência.

Especialistas são consultados, opinam e especulam sob o que, a meu ver, são suposições tão inválidas quanto os apelos da apresentadora. A polícia, por sua vez, mantém todos à distância, priva a imprensa (inclusive a formal) de informações, gerando ainda mais curiosidade mórbida sobre o fato.

Fui chamada e recusei três convites de emissoras locais para dissertar sobre o assunto. Claro que tenho minha opinião, mas sem conhecer os fatos, sem estar perto o suficiente para entender melhor a situação qualquer declaração seria leviandade.

É fato que arroubos apaixonados têm se tornado comum e eventos catastróficos com essa alegação, geralmente, terminam muito mal. Mas, não é possível generalizar.

Tampouco julgar ou buscar motivações e justificativas em literatura ou registros antecedentes. Quem nunca pensou ou fez ameaças diante de uma vontade contrariada? Quem nunca pensou em algum ato insano diante do desejo de recuperar algo que parece definitivamente perdido?

Entretanto, o rapaz tem uma arma e munição. Quantos de nós, independente de classe social, temos acesso a esse tipo de artefato? Quantos que, tendo acesso e familiaridade com uma arma, hesitariam usá-la caso se sentisse pressionado? Alguém realmente violento libertaria três pessoas e esperaria três dias para negociar nada por nada?

Tenho minha teoria. Mas, é totalmente intuitiva e absolutamente desprovida de embasamento profissional.

Para mim nenhum dos dois, seqüestrada e seqüestrador, esperava essa proporção na exacerbação da demonstração do conflituoso relacionamento que mantém. Ele, faria uma demonstração de força e poder e, ela interpretaria como uma prova de amor. Ambos reiniciariam, então, do ponto onde haviam rompido.

Junte-se a essa fórmula explosiva e perigosa, a presença massiva da imprensa, da força policial e da repercussão imediata do caso e pronto: temos o registro do caso mais longo de seqüestro no Brasil.

Espera-se que as estatísticas não se confirmem e tudo termine de maneira positiva. Que essa moça seja logo libertada e o rapaz pague por seu ato tresloucado. Daí é só esperar para ver a garota transformar-se na mais nova celebridade nacional. Se duvidar, no final, terão que distribuir senhas para as emissoras do lado de fora.

Desde que atiraram aquela garotinha pela janela, tenho sentido medo do Brasil. O caso abriu precedentes na mídia para a divulgação ininterrupta de casos semelhantes. Quantos seqüestros, com alegações amorosas, teremos depois desse?

Sou contra a censura, obviamente. E sempre recriminei qualquer tipo de crivo crítico a programações televisivas. Acredito no poder individual de avaliação. Mas, convenhamos, estamos passando do limite.

Não vejo nada de útil ou de entretenimento ver um funkeiro questionar a moral da mulher de um pastor evangélico. Meus princípios também não aprovam que Deus seja mencionado entre frases de impropérios e exclamações vulgares. Seja por “representantes” oficiais religiosos ou compositores de ritmos polêmicos.

Também não gosto de ver uma senhora de formação na área de psicologia, embora cunhada pela política, descer tão baixo ao defender sua candidatura. Menos ainda de ver um prefeito eleito pelo povo, fazer o mesmo, ainda que em resposta.

Mas, me incomoda muito também, ver alguém que sempre admirei, que mostrou com coragem pela TV sua luta contra um câncer de pele, que merece o espaço que ocupa por tempo e qualidade de serviço prestado, como Ana Maria Braga, submeter-se a tal exigência midiática.

Talvez seja mesmo o caso de prestarmos atenção no baixo ibope da novela “Negócio da China”. As novelas não conseguem mais superar a vida real e surpreender o público.

Talvez esteja mesmo na hora de começar o próximo Big Brother Brasil. Lá, ao menos, podemos ver o ser humano cruamente em sua essência, mas com grandes chances de se moldarem frente a uma eficiente direção e interesse midiático.

Que venha logo o Reality Show maestrado. Assim, ao menos, podemos dormir tranqüilos sabendo que o pior que poderá acontecer é um paredão. E o melhor, é alguém tornar-se celebridade por manter-se refém. Só que por livre e espontânea vontade.



- posted by Mara


Segunda-feira, Outubro 13

A CERTEZA NA FRENTE...


...A HISTÓRIA NA MÃO!!


Em junho desse ano, o “Quando nada mais é notícia” completou um ano de existência. É um bebê, portanto. Ainda tem dificuldades reais de conciliar todas as suas necessidades ás dos outros da mesma espécie.

Como todo bebê, precisa ser alimentado, acarinhado, higienizado e mantido sob proteção constante para prevenir acidentes e armadilhas inesperadas do mundo o qual faz parte.

Não tenho sido uma mãe muito zelosa, confesso. Mas, creio que isso fez com ele tenha aprendido a ser independente e muito hábil em esquivar-se dos perigos mais óbvios. Tem garantido também, sua sobrevivência.

Á parte essas analogias piegas, é mesmo muito interessante observar que o desenvolvimento do blog (mesmo despretensioso como esse) é bastante semelhante à de uma criança pequena.

Minha “netinha” Ludmylla, por exemplo, tem nos dado um trabalho inimaginável. Ou melhor, é verdade que era bem previsível, mas nenhuma dificuldade, imaginada ou avisada, alcançaria o concreto desafio que tem sido educá-la.

Como experiente psicóloga e “mãe” de yorks há tanto tempo, é óbvio que tenho muitas teorias. Além disso, a internet e as livrarias estão abarrotadas de “experts” dispostos a minimizar as dúvidas sobre como criar um animalzinho.

Entretanto, sei que como amantes dos animais de forma incondicional, nos tornamos donos muito permissivos e condescendentes. Mas, o principal é que o Maxi nos acostumou muito mal.

Maxi é e sempre foi, um cãozinho diferente. Nunca roeu os móveis ou chinelos; jamais fez xixi em local que não fosse permitido e foi totalmente convencido por nós de que não é um cachorro e sim o nosso “bebê”.

Escolhe as roupas que quer vestir, sabe dizer exatamente o que deseja, é afável e festivo com as visitas e muito, muito mesmo, eficiente em conquistar fãs.

Daí que, por essas características e pelo amor que sentimos por ele, resolvemos multiplicá-lo buscando, é claro, uma fêmea que tivesse comportamento semelhante e que esse, fosse resultado da educação dada por donos igualmente amorosos.

Os resultados todos já sabem. Dez novos serezinhos para decidirmos o destino. É muita responsabilidade. Esperávamos, mas não imaginávamos que seria tão numerosa.

Escolher a Ludmylla entre tantas fofuras foi a tarefa mais difícil que já tive. Não tínhamos um critério predefinido. Era filha do Maxi? Então já era muito credenciada! Ocorre que os outros nove também eram.

Daí que escolhi a que mais interagia conosco em nossas visitas durante a amamentação. Não é a menor, nem a mais bonita, com padrão de raça mais definida, nada. É apenas a que nos olhava como quem olha pra própria família.

Esquecemos, entretanto, o principal: Ao levarmos para casa, não nos lembramos de consultar o “rei” absoluto do nosso lar: Maximillian – o pai. E foi aí justamente, que começou nosso calvário.

Maxi, como dono absoluto de seu espaço, rejeita a bichinha ostensivamente. Mal suporta a existência dela.

Não é de sua natureza ser agressivo, mas a evita, rosna em sinal de alerta e até simula um ataque quando ela se aproxima de qualquer coisa que lhe pertence, ou seja, de quase tudo que existe em casa.

Ela, com a inteligência e sedução herdada do pai, faz um ar blasé e simplesmente ignora a rejeição, peitando-o insistentemente e tentando ser aceita. Chega a dar dó – de ambos.

Ela por ter que se humilhar e ele por ter que ceder no que jamais imaginou ter que dividir.

Contada assim, a história do Maxi e sua filhinha se confunde com a história desse blog.

Também o blog, tentou vencer a resistência dos “cachorros” mais velhos e centralizadores da blogosfera. Também quis ser aceito, agregar, compartilhar, encontrar um lar, enfim, fazer parte de algo.

Como o Maxi, os que chegaram antes também não entenderam que não perderiam o amor já conquistado apenas porque outros elementos se acercavam. Também rosnaram, intimidaram, acuaram e simularam morder diante da simples aproximação do que consideravam exclusivamente deles.

Como a “topetuda” Ludmylla, o “QNEN” também tentou provar que não era um inimigo, e sim, fruto do que acreditava ser um grande e divertido êxito.

Ludmylla tem apenas dois meses e dia-a-dia vem conquistando seu espaço. Como é uma novidade, ainda reúne em torno dela, olhares e gracejos de estranhos. Já adquiriu fãs fiéis, madrinhas e até protetores de plantão.

Maxi segue desconfiado. Às vezes, doce e articulado, outras, agressivo e arisco. Mas, concretamente, ambos já descobriram que terão que ocupar espaços diferentes e desfrutar de afagos alternados.

Compartem apenas o local de fazer xixi. (curioso, não é?) Mas, até nisso as analogias aqui se justificam. No fim das contas, as cacas e dejetos, sempre saem ou acabam no mesmo lugar. (desculpem, não resisti!)

O que espero? Que tanto minha família canina (que amo além do limite), como minha família virtual possam se freqüentar com assiduidade. Que possam desfrutar das delícias da convivência pacífica e harmoniosa.

Espero que ambos, o blog e a família Maxi, sobrevivam às dificuldades e interferências internas e externas. Que “vivam” por muitos e muitos anos já que, em comum de verdade, têm a propriedade de fazer de mim, um ser humano melhor.

Sei que será possível porque se existe uma coisa que distancia essas duas histórias, é o fato de que Maxi, o cachorro mais velho da casa, é também o mais bem amado, racional educado e seguro de sua própria capacidade.

Maxi acabará cedendo á sua natureza amorosa e pacífica e aceitará, por fim, que por mais jovem, inteligente e atraente que seja sua cria, ela não representa nenhum perigo ao seu território. Ele é seguro e autêntico.

Já a Ludmylla... bom, essa a gente espera que conquiste seu direito de ser admirada e querida sem ter que aprender a rosnar e morder.



- posted by Mara


Quinta-feira, Outubro 9

PASSANDO A LIMPO!



Já estou a alguns anos nessa estrada. Ora uma rota cheia de expectativa e vida, ora desanimadora e realista. Muitos fizeram esse mesmo percurso, mudando apenas a ênfase num ou noutro estado de espírito.

Somos parceiros até de quem jamais conheceremos. O que estamos buscando? Onde achamos que iremos chegar? E, se há ausência de respostas, porque insistimos em seguir?

Viver tem muitas definições. Mas, na prática, é apenas estar respirando e mantendo a máquina biológica que move os músculos fundamentais que alimentam esse processo. Podemos apostar também, se quisermos, no divino e psíquico.

Mas, não importa qual seja a fundamentação, sempre estaremos caminhando para o dia que cessar o fluxo vital que nos mantém. Então porque, raios, somos tão diferentes? Porque escolhemos maneiras tão distintas de nos conduzir?

Já conheci gente demais. Gente de todo tipo. Já convivi com a escória, com aristocratas, analfabetos, agricultores e executivos. Gente de poder e gente subestimada. Gente que é gente, que tenta ser gente e aqueles que nem sabem bem o que é isso.

Muitos nasceram em meus braços, tantos outros morreram. E, em ambos os casos, sofreram. Já vi gente crescer e morrer lentamente e, outros, tão depressa que mal deu tempo de assimilar.

Nessa estrada, alguns estavam tão próximos que deixamos apenas uma pegada. Outros, tão alheios, que não distinguíamos os rastros. Houve alguns, inclusive, que nem deixaram marcas. Da mesma maneira, outros, abriram crateras por onde passaram.

Desses todos, uns eu me lembro bem. De outros tenho uma vaga lembrança. Mas, a maioria, perdeu-se na inabilidade de meu olhar mais atento. Tenho muita saudade deles e lamento não tê-los priorizado em lugar de alguns.

Hoje acordei saudosista. Das gêmeas, minhas colegas de infância, com quem eu brincava de “vendinha” com dinheiro feito de folha de bananeira. Do meu passarinho cardíaco que por não saber voar me fez companhia.

Lembrei até das bonecas de papel que eu vestia e desvestia até a roupa rasgar. Desejei ter minhas meias de lurex, minha melissinha e meus discos de vinil que contavam e cantavam fábulas.

Por onde andará aquele garotinho de cabelos cacheados e olhos verdes que se dizia meu namorado e lanchava ao meu lado no recreio na escola pública que estudávamos?

A escola eu sei onde está. Estive lá para votar no domingo de eleição. O quadro negro, o ventilador do teto e até as janelas quadriculadas estão exatamente do mesmo jeito. Mas, a porta da sala de aula, agora, me pareceu mais ampla.

Como meu avô me chamaria agora que não sou mais tão magrela? Será que continuo parecendo com minha avó quando ela era adolescente? Só ele saberia dizer e, ele partiu com as memórias que jamais teremos.

Porque será que deixei de querer ser astronauta? Terá a lua perdido seu encanto? Ou meu encanto perdeu-se no mundo da lua? Nossa! E a lua? Tive uma cachorrinha chamada lua.

Lua, cachorrinha, casou-se com o São Jorge, um vira-lata. Mais tarde, ambos morreram numa carnificina produzida por um humano da casa ao lado. Por sorte, ele também já morreu.

E eu continuo seguindo. Na estrada para chegar sei lá onde. Tudo que sei é que, ao chegar, saberei. Mas, talvez seja tarde demais pra decidir se caminhei bem ou se precisaria voltar.

Então, enquanto isso vou dando um passo de cada vez. Errando aqui e acolá, acertando, resvalando, vacilando e acumulando.

Já conheci gente demais. E, talvez por isso, eu não esteja sozinha na sensação de que caminhei esse tempo todo, sozinha!

*adaptação do texto escrito em janeiro de 1984, por uma adolescente chamada Mara que inspirou e se transformou na mulher que agora a transcreve!



- posted by Mara


Segunda-feira, Outubro 6

O BALANÇO SOLITÁRIO...


...DO TEMPO


É engraçado perceber que em determinado momento da vida, a passagem do tempo passa a ser relevante. E olha que nem estou falando do tempo contado em anos ou marcos. Refiro-me a momentos, segundos.

Incrível como, antes, o dia era longo e na distância entre os carnavais era possível reconstruir nossos planos, centenas de vezes. Hoje, entendo que a vida muda num instante.

No último final de semana, a pendência entre mim e o tal dono da cachorrinha que cruzou com o meu parece ter se resolvido. Uma dificuldade obstétrica amoleceu o coração do tal homem e a satisfação que eu tanto queria, veio finalmente. Contra vontade, mas veio.

A cidade onde vivo, elegeu a primeira mulher de sua história política, derrubando dragões da tradição política local.

Uma surpresa mandou para o segundo turno minha expectativa de eleger novamente o prefeito da minha cidade natal. Lá vou eu novamente percorrer trezentos quilômetros para votar.

Quatro de meus amigos comporão a câmara municipal e Fernando Gabeira foi acusado de moralista e, comparado ao Lacerda. (juro que ouvi isso). Pode? Não sei, mas que falaram, falaram.

E, por aqui, atingimos a marca de 50.000 acessos.

O que esses fatos têm em comum? O tempo e sua incrível capacidade de transformação. Nada, absolutamente nada do que foi, será igual novamente. E bastaram apenas algumas horas pra produzir tal metamorfose.

Os fatos relacionados acima produzem conseqüências que também serão temporárias, mas os segundos que os determinaram ficarão para sempre gravados na memória de quem os vivenciou.

Tenho certeza que o tal Marcelo que até a semana passada, negava a mim e às veterinárias, informações sobre os filhotes do meu cachorro, jamais esquecerá que essa intransigência quase lhe custou a vida de seu próprio animal.

Da mesma maneira, o destino administrativo de muitas cidades foi decidido num show de democracia que desafiou até a apelativa interferência do Presidente da República. Além disso, ficou provado que popularidade é mais importante que proposta política.

E os cinqüenta mil acessos do “Quando nada mais é notícia”? Tempo é tempo e até o trema dos “50” já está em desuso. Isso prova que nem tudo está sujeito a mudanças. Meu Word se recusa a acompanhar o progresso.

Mas, “acesso” é um bom tema, você não acha? Sei que se alguns de nós voltarmos no tempo iremos constatar que muitos amigos e inimigos se configuraram a partir dessa simples palavrinha.

Por definição, “acesso” pode querer dizer: entrada, chegada, aproximação, elevação, convivência, ímpeto, abalo, estremecimento, estímulo, incentivo, ingresso, aprovação, contratação, nomeação, ingresso, admissão, porta, início, arrebatamento, ataque, agressão, investida, assalto, ofensa e afronta.

Já imaginou 50 mil disso tudo? Já? Então, agora imagine o que isso significa pra quem tem muito mais acumulado ao longo de vários anos percorridos justamente visando aumentar essa contagem...

É! Vida dura! Justifica até alguns meios, embora não os torne mais coerentes ou dignos.

Mas, recapitulemos: Algumas pessoas, em sua chegada na chamada blogosfera, por ímpeto permitem a aproximação de gente cujo caráter não permite uma convivência pacífica.

Sofrem inúmeros abalos no estímulo motivador que tiveram no ingresso nesse mundinho virtual. Passam a precisar cada vez mais de aprovação e ignoram os riscos.

Daí começa os ataques, as agressões. São tomados de
assalto por investidas cada vez mais covardes. São alvos de ofensas, afrontas e uns chegam até fiscalizar a entrada alheia.

Mas, o que pra uns, serve de incentivo, para outros, esse arrebatamento serve apenas pra provar que o tempo passou.

Por aqui é assim. O tempo passou e apesar disso e para frustração de muitos, tudo está igual como era antes.

Entretanto, tem uma coisa que eu ainda não entendi: Em que parte da história política de São Paulo eu cochilei e que muitos eleitores usaram para dar condições a Marta Suplicy de disputar o segundo turno?

Quem mandou desligar a TV toda vez que eu via o Lula pedindo votos para prefeitos do PT! Bem feito! Vou ter que assistir tudo novamente!



- posted by Mara




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