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Quinta-feira, Novembro 27
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O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil e o CNPJ, 04.426.883/0001-57.
* Imagem retirada do vídeo exibido pelo programa Mais Você de Ana Maria Braga e capturada por um morador próximo ao desabamento que formou a imagem de uma cruz na vegetação que resistiu ao deslocamento de uma casa morro abaixo! IMPRESSIONANTE! O QUE SERÁ QUE ISSO SIGNIFICA???
- posted by Mara
Segunda-feira, Novembro 24
O MENINO QUE ACHOU...
..QUE PODIA MUDAR O MUNDO!
Odeio. Simplesmente odeio esse tema. Mas, o dito cujo tem invadido minha vida e meus pensamentos de forma avassaladora nesse último ano. É impossível ignorá-lo, tanto quanto ignorar os estragos que ele provoca.
Desconheço qualquer outro marco cotidiano das fases da vida que implique tantos efeitos colaterais quanto esse. Falo dos exames de aprovação para ingresso nas universidades brasileiras: o famigerado Vestibular.
Ironicamente, na anatomia, o aparelho vestibular é o órgão sensorial que detecta as sensações relacionadas com o equilíbrio. Na sociedade brasileira, o nome vestibular é atribuído ao mais eficiente e notório sistema de desequilíbrio familiar. Quem passou por isso, sabe bem!
Somos uma família de acadêmicos. Aposto e acredito no ensino superior e em tudo que está relacionado a ele. Entretanto, nada é tão contrário a essas minhas crenças quanto essa ridícula forma de seleção.
Sou formada por quatro universidades, pós-graduada em outras duas e ainda sigo nessa trajetória. Mas, não dou individualmente crédito a nenhuma delas quando avalio minha capacidade profissional ou os resultados de meu desempenho.
Passados vinte e tantos anos desde minha primeira formatura, entretanto, o vestibular continua aí, firme e forte, crendo e fazendo crer que quem o supera está apto a ingressar naquilo que, não é, mas deveria ser o detentor da capacidade profissional.
Em outras palavras, tudo que começa errado, tende a terminar errado. Salvo se no meio do caminho estiver alguém determinado a fazer a diferença, apesar de tudo.
Meu filho lê e escreve desde os precoces quatro anos de vida, fala espanhol e inglês fluentemente, é técnico graduado em computação, tem excelente redação, é prático em edição e criação de edição de vídeo e vinhetas, adora ler, é cidadão extremado e boa praça.
Além disso, fato relevante para quase todo mundo, têm ocupado o primeiro lugar em notas das salas de aulas que freqüenta e, em algumas vezes, do colégio todo. É desinibido, desenvolto e com ótima oratória.
Não se enganem: os elogios acima não foram formulados por mim, mãe orgulhosa. São um resumo das avaliações feitas ao longo dos anos pelos principais mestres e, também leigos palpiteiros, que ele conheceu ao longo de seus 17 anos.
Ontem, esse menino prodígio que poderia ser o filho de qualquer um, competiu com milhares de outros diferentes prodígios por uma vaga em uma renomada faculdade paulista.
Todos os atributos que ele possui, nem o fato de ter uma mãe psicóloga o livraram de ser mais uma vítima desse sistema ridículo. O que vi foi, literalmente, de partir o coração de qualquer ser humano, mãe ou não.
O sofrimento ansioso, o nervosismo, a auto-cobrança e o frenético desenrolar dos minutos antes da prova, uniu-se aos últimos dez meses de trabalho intenso, dedicação cega e castradora e provocou um desmoronamento de todo o equilíbrio que ele havia estabelecido em sua personalidade.
Foi assim que ele seguiu para o lugar da prova e como ele se manteve até as dezoito horas do dia de ontem, após quatro longas e exaustivas horas de pressão vigiada e constante.
Saiu de lá da mesmíssima maneira, exceto pelo pessimismo e o sentimento de derrota ao constatar que a prova exigiu muito além do que ele esperava.
No final, de gabarito na mão, constatou: sessenta e nove, das noventa questões que respondeu, estavam rigorosamente certas. O que significa que é possível que esteja garantido para a próxima fase.
Isso mesmo! Próxima fase. O sofrimento tem continuidade com data marcada. Não sem antes, um novo processo se iniciar em outra das universidades escolhida por ele.
Como mãe, como pessoa, acadêmica e brasileira me sinto aviltada por esse “direito”que o Estado pensa ter em destruir emocionalmente meu filho apenas para dar à ele o que, constitucionalmente, ele já possui: direito a educação de qualidade.
Sinto e, ele também, como se todos esses anos de estudo e empenho em sua formação pessoal e estudantil tivessem sido anulados, zerados, para que renascessem de forma arbitrária e, em detrimento de outros, a partir da data de ontem.
Saímos para jantar, jogamos conversa fora, rimos muito e nos lembramos, em família, da primeira vez que fui chamada à escola para responder por um ato indisciplinar dele.
Vale dizer que ele cursava o “jardim- pré” e tinha, portanto cinco anos. A professora se indignou porque ao mandá-lo preencher duas páginas de pontilhados com o número um, teve como resposta um solene: “porque, se eu já sei escrever os números até o infinito?”
Recordando isso, descobri: Tê-lo convencido de que ele deveria obedecer a professora porque deveria respeitar as regras, foi o início de meu erro em sua educação, cuja repercussão, mostrou evidente no dia de ontem!
Parabéns meu filho! Você mostrou a eles que pode ser o que eles querem, mesmo sem concordar ou pensar como eles. Ingresse na universidade que escolheu e depois vá mudar o mundo. Seus filhos, e os filhos de outros, te agradecerão!
- posted by Mara
Sábado, Novembro 22
NADA É TÃO FEIO...
POR CASUALIDADE!
"Qualquer idéia poderosa é de todo fascinante e de todo inútil até resolvermos usá-la."
A frase acima não me pertence, infelizmente. Foi extraída de um dos romances do ficcionista Richard Bach, autor que permeou e ilustrou muito da minha vivência adolescente.
Confesso que, na época, eu não saberia como aplicá-la já que até então minha vida era regida por outro princípio muito mais enraizado: “é dando que se recebe”. E isso, pra mim, se aplicava também às idéias.
O tempo e o ingresso no mundo científico, trataram de afastar dogmas religiosos castradores e o efeito de frases feitas de meu universo.
Mas, sempre fica alguma coisa. O ranço de hábitos e lemas que não se dissolvem nem mesmo sob a solvente convivência com seres humanos defeituosos e sem caráter.
Sendo assim, é justo utilizar um frase conhecida de um princípio jurídico eficaz: “tudo que vc disser poderá e será usado contra você”.
Esse aprendizado, hoje, me obriga a acrescentar com liberdade poética adendos à frase de Richard Bach:
"Qualquer idéia poderosa é de todo fascinante e de todo inútil até resolvermos usá-la. Mas, se for mesmo boa, antes de ofertá-la, tente ser mais criterioso na escolha desse alguém, ou use-a com parcimonia "
Aliás, o direito e as leis costumam, em alguns casos, serem mais esclarecedores e contundentes do que as tentativas de explicações psicológicas. Creio que é porque a linha de pensamento que os rege sejam menos complacentes com as aberrações do comportamento humano.
O pressuposto da apropriação indébita, por exemplo, diz: inicialmente o agente recebe a posse ou detenção lícita da coisa, mesmo sem ter ainda o propósito de cometer um crime. No momento subseqüente, quando ele teria que restituir (devolver) a coisa, ele se nega a fazê-lo, ou passa a agir em relação à coisa como se fosse dono.
Explicar as coisas assim não parece mais profissional e sério do que simplesmente dizer que alguém se utilizou de sua inocência para tomar de você a autoria e os méritos de algo que foi você quem idealizou e realizou?
Além disso, a lei determina também que seja em caso fortuito, por força da natureza ou achada, a apropriação indébita estará sempre passiva da pena de o autor ter que devolver a “coisa” tomada ilicitamente.
Não sou jurista ou qualquer coisa que o valha. Tampouco moro em um país onde as leis básicas são cumpridas e levadas a sério. Mas quem passou a adolescência lendo Richard Bach não tem o perfil de quem se conformaria com isso.
Minha mãe seria ainda mais simplista. Diria: “Cuidado! Tem muita gente que adora fazer bonito com o chapéu do outro! Mas, minha sábia mamãe nasceu e cresceu bem antes do surgimento da internet e, claro, da blogosfera. Sorte dela!
Por outro lado, existe um meio de sermos minimamente recompensados pelas perdas decorrentes de fatos assim. Basta pensar e nos contentarmos em saber que o que existe, tenha ou não tenha reconhecimento de autoria, surgiu de uma privilegiada e bem intencionada idéia: a nossa!
Ao “apropriador” indébito, fica o mérito de ser esperto, malandro e safado o suficiente para se safar da perspicácia alheia que o desmascararia, já que é fácil concluir que se foi preciso usar as idéia de outros é porque o dito cujo é incompetente para tê-la sozinho.
E, convenhamos, apropriar-se, vangloriar-se e utilizar-se de idéias alheias como se fossem suas na maior cara de pau é, no mínimo, um forte indício de mau caratismo, mas, antes, de inabilidade pessoal.
Assim, bem ou mal, é sempre compensador saber que o que fazemos está dando frutos. Melhor ainda, é perceber que se os frutos são podres, e são, é porque nem mesmo competência para dar continuidade de maneira satisfatória, esses indivíduos foram capazes.
Daí vale à máxima: “Quando tudo está bem, as aves e borboletas sobrevoam. Quando apodrecem, corvos e urubus pousam e se fartam!”
Então, sejam benvindas as BORBOLETAS!
- posted by Mara
Quarta-feira, Novembro 19
AH! NO PALCO DA ILUSÃO, O VERDADEIRO ENCONTRO!
Nessa madrugada recebi um e-mail emitido lá da Patagônia Argentina. A remetente, em um primeiro momento, era apenas um nome. Minha memória, tão eficiente quanto cachecol na praia, me impedia de ligar o nome à pessoa.
Não fez a menor diferença. Nas poucas palavras expressas em igual número de linhas, típicas dos e-mails argentinos, estava contida carga suficiente para marear meus olhos e me derrubar em lágrimas emocionadas.
Vi-me, diante do tal e-mail, abarrotada de um turbilhão de emoções. Meus olhos buscaram o anexo que em resposta me presenteou com as duas mais lindas fotos que já vi. A mensagem inequívoca delas resumia tudo e justificava a economia de detalhes escritos.
Serei eu também bastante sucinta e apenas transcreverei, na íntegra, o que recebi:
E o anexo:
E há quem acredite que mesquinharias e sandices virtuais possam ser importantes pra mim! Meu interesse e minha realização pessoal são infinitamente maiores que a pequenez da virtualidade.
Aqui é a felicidade é real, palpável e permanente! Obrigada meu Deus!
- posted by Mara
Segunda-feira, Novembro 17
ME CANSEI DE LERO-LERO..
...QUERO MAIS SAÚDE!
Começamos mais uma semana. E tem gente que já a começa cansado, desmotivado ou até mesmo, aborrecido porque se sabe que aí vem um repeteco de outras tantas semanas já vividas.
Outros, mais otimistas, começam mal, mas, já vislumbram a possibilidade de mudança com o passar dos dias. E tem também, é claro, aqueles que não se abalam com esses detalhes, mas mesmo assim, abominam a tal segunda-feira.
Como já disse antes, faz parte de minhas excentricidades amar a segunda- feira e por isso, foge da minha compreensão quem não vê nela a infinita possibilidade de reconstrução de dias futuros mais promissores.
A busca dessa compreensão talvez me leve a uma explicação lógica, mas muito pertinente: a culpa é da rotina. A rotina é que torna qualquer calendário maçante se não for devidamente intercalada com atividades novas e estimulantes.
Minha rotina essa semana, por exemplo, será inusitada. Não, não é uma contradição. Escolhi essa semana, como a semana do “SMS” – Semana da Minha Saúde. Algo como tirar o atraso de toda e qualquer pendência salutar que os compromissos trataram de protelar até aqui.
Aliás, comecei bem cedo. Nas primeiras horas dessa manhã, me submeti á uma mamografia (que foi bem mais confortável do que eu me lembrava). Na seqüência, fechei um pacote de dez sessões de drenagem linfática com direito a outras de relaxamento.
Amanhã, logo cedo, visito meu Otorrinolaringologista que é quem me encaminha para um exame de controle que faço de um pequeno bócio desenvolvido em minha tireóide. O exame é desagradabilíssimo – uma punção – mas, constatar que o “bichinho” continua quietinho e inofensivo, não tem preço.
Na quarta, é dia de ultrasonografia mamária e vaginal e proveito pra levar a lâmina com o material colhido por meu ginecologista na consulta da semana passada. Lá, eles farão o bom e velho, Papanicolau.
Na quinta, quem terá a honra da minha presença será meu dentista. Uma bela revisão geral e minuciosa limpeza farão com que eu me sinta mais segura para seguir sorrindo por vários meses.
Sexta-feira, finalmente, é o retorno em meu ginecologista, já devidamente municiada de todos os resultados laboratoriais, inclusive o de sangue, colesterol, diabetes e etc..
Pois é, com merecimento, descansarei no sétimo dia. Já que sábado tenho retorno em meu ortopedista – aquele que cuida de meu famigerado joelhinho.
O que espero com isso? Começar (adoro essa palavra) 2009, segura de que fiz minha parte e que se algo deteriorar ou adoecer é porque tinha mesmo que acontecer e não por descaso ou descuido.
E o que espero com esse post hipocondríaco? Alertar, ou melhor, lembrar as mulheres que me lêem dessa rotina tão necessária e que jamais pode ser negligenciada. Quem sabe com uma overdose dela, não retiro do esquecimento delas, aquele examezinho negligenciado.
Vele lembrar que tenho outra rotina, também não muito apreciada em unanimidade: tenho uma periodicidade de atleta na prática de exercícios físicos. Adoro alimentar-me balanceadamente e sou paranóica com o aspecto da minha pele e cabelo.
Assim, se sua saúde não é importante pra você, espere até perder pra ver o quanto lhe fará falta. E nem vem com esse papo de saúde pública, convenio médico, ou “tenho uma saúde de ferro”, porque é preciso estabelecer prioridades.
Além disso, canja de galinha e precaução sempre faz bem a saúde.
Viram só? Quando Nada Mais é Notícia, aqui é possível encontrar utilidade pública.
Uma semana radiante e cheia de saúde pra todos!
- posted by Mara
Quinta-feira, Novembro 13
ERA UMA VEZ...
(Baseado em fatos reais)
Eis que um dia, num evento social, a Incompetência conheceu a Baixa-estima. Foi amor a primeira vista! Quase como cumprindo uma maldição nunca mais puderam se separar.
Essa união gerou muitos filhos. Uns, mais discretos, outros, exibicionistas. Mas, o mais barulhento deles era o que também mais chamava a atenção. Uma pequena criatura de olhos verdes que crescia muito mais forte e rapidamente que os outros: a inveja!
A Inveja, apesar do nome supostamente feminino, era hermafrodita. Reunia em si, todas as características maternas e paternas e ao longo de seu crescimento foi agregando à sua personalidade, muitas das “qualidades” de seus outros irmãos.
Os gêmeos Egoísmo e Egocentrismo, por exemplo, apesar de inseparáveis entre si, reconheciam na irmã Inveja muito deles mesmos e por isso jamais a deixavam só. Já a Cobiça e a Mediocridade, que se digladiavam o tempo todo, revezavam-se na companhia da irmã famosa.
É! A inveja acreditava-se famosa! Ninguém a impediria, afinal. Ela jamais se conformaria em ser apenas mais uma. Cresceu apreendendo e exercitando com seus irmãos tudo que podia, justamente para esse fim: fazer-se notar. Justificar sua existência.
A Inveja, ao contrário do que se imagina, conquistou muitos amigos e simpatizantes. Quem poderia resistir àquela personalidade marcante e tão comunicativa?
Na adolescência, teve também muitos casos e flertes sem, contudo, envolver-se profundamente com nenhum. Mas, com todos aprendeu algo valioso. Ia, assim, compondo seu próprio eu.
A Mentira, talvez, tenha sido seu mais ruidoso e constante companheiro. Um amor perigoso, eu diria. Usavam-se mutuamente. Sem falar que a Mentira, sempre comprometida, e quando descoberta em sua companhia, o escândalo era inevitável e constrangedor para ambos.
Além disso, a Inveja era muito ocupada. Sobreviver, para ela, significava estar sempre atenta a tudo que acontecia a sua volta e que estivesse inevitavelmente, além de seu alcance.
Fazia parte de seu exaustivo trabalho, também, buscar elementos que diminuíssem a dimensão daquilo que observava. Para isso, é claro, teria que usar a si mesma como parâmetro, o que tornava a tarefa relativamente fácil apesar de sempre angustiante.
A Inveja, entretanto, adorava esse trabalho. Era muito bom perceber que poderia, apenas com seus comentários ácidos, justificar sua incapacidade de ser igual ao que admirava secretamente.
Disso se alimentava a Inveja, que foi crescendo e crescendo e tornou-se rapidamente numa enorme e esperta criatura.
Dissimulada, infiltrava-se nos mais diversos ambientes usando de falsa docilidade, apenas para usurpar as qualidades que poderiam gerar mais alimento pra sua alma perturbada.
Até que um dia, a Inveja percebeu que até poderia tomar para si aquilo que os outros possuíam, mas, por mais que fizesse ou falasse, jamais teria o que mais desejava: o status de ser o legítimo dono.
Foi daí que se tornou amarga e maledicente. Nada parecia agradá-la. Por mais bonito, exitoso ou importante que fosse o assunto ou o acontecimento, a Inveja sempre encontrava uma maneira de apresentá-lo de forma negativa.
Sua estratégia, entretanto, nem sempre funcionava. Nem sempre passava despercebida.
Exposta, a Inveja tornou-se a cada dia mais vulnerável a seus inimigos: a Indiferença e a Insignificância. Inimigos que ela sempre temeu e os mais letais à sua idéia de imortalidade.
Ela sabia, por exemplo, que o ataque desses adversários poderia atrair outro ainda mais fatal: o Ridículo. Sabia que a vítima do Ridículo era, quase sempre, a última a se dar conta de que ele a havia dominado.
Mas, a Inveja era forte e resistia. Fez aliados importantes: entre eles, a Maldade e o Sarcasmo. Investiu em oratória, municiou-se de frases de efeito e de uma incrível capacidade de se camuflar.
Ninguém sabe ao certo o que ela pretende, já que nunca chegou a lugar algum. E, quando chegou, mostrou-se bastante insatisfeita e infeliz.
Por sorte, tudo isso secou seu ventre, tornou-a estéril e livrou-nos de seus frutos.
Mas, há quem diga que isso é apenas um detalhe. Que os minutos de atenção que atrai no exercício de sua função já lhe bastam.
Dizem também que se gaba de manter sua família sempre unida e de ser responsável direta pela longa e resistente vida de sua mãe, a Incompetência.
- posted by Mara
Segunda-feira, Novembro 10
TOMA LÁ, DÁ CÁ...
SEM PEDIR ANTES?
Penso que sou uma boa patroa se olharmos sob o ponto de vista de quem já estive à meu serviço. Geralmente não dou ordens diretas, não confiro sistematicamente os resultados, pago muito acima do piso e respeito as necessidades pessoais de cada uma.
Não me envolvo com seus problemas pessoais e familiares, mas já fiz cargo de muitos enterros, nascimentos, dívidas e embates judiciais nos quais elas se envolveram.
No total, tive apenas quatro empregadas desde que me casei há vinte anos. Entre esses quatro câmbios, dois deles foram motivados porque elas engravidaram, um porque eu me mudei de cidade e outro, porque a moça tornou-se responsável pelos cuidados dos pais que adoeceram.
Nos intervalos, as anteriores sempre se apresentavam prontamente para reassumir o cargo que deixaram. Dessa forma, tenho produzido ao longo dos anos, um rodízio que evidencia que trabalhar em minha casa não deve ser tão ruim assim.
Entretanto, uma convivência tão longa com cada uma delas, nos deu oportunidades de conhecermos os piores e as melhores qualidades mutuamente. Fez-nos cúmplices e vítimas dessa intimidade forçada.
Não vejo nenhum problema, por exemplo, em convidar minha empregada a sentar-se na mesa num almoço de família. Não me importo nem mesmo que ela faça uns “saquezinhos” eventuais em minha dispensa para abastecer a dela, sem antes me consultar.
Ok. Eu admito: Sou uma péssima patroa. Faço concessões onde a maioria é “noiado” e, extremamente implicante em coisas que nem mesmo eu entendo porque me irritam tanto.
Um exemplo? Odeio perder o controle sob o que acontece em meu lar. Descobrir, com atrasos, que objetos foram quebrados, que o leite acabou no momento em que desejo bebê-lo, que uma roupa está manchada no instante em que vou vesti-la.
Coisas ainda menores causam estragos ainda mais significativos em meu bom humor: ausência de papel higiênico nos banheiros, ralos aberto e material de limpeza esquecido ao alcance dos focinhos dos (agora no plural) meus cachorros.
Mas, não dou a mínima pra ausências justificadas, para pausas no meio da tarde pra assistir a Sônia Abrão, ou alguns minutos de conversa jogada fora com a empregada da casa ao lado. Celulares também não tem sido um problema.
Hoje, entretanto, me preparo para uma verdadeira batalha interna. Todos os itens listados acima na categoria “isso me irrita” aconteceram no final de semana e, um-a-um foram amenizados até que abri meu freezer agora pela manhã.
Na semana passada meu filho esteve na Feira de Automóveis e lá conheceu e foi presenteado com um sorvete do tipo “cornetto”, dois de seus grandes ídolos do futebol brasileiro.
Ambos autografaram respectivamente as embalagens dos sorvetes. Nem preciso dizer que a guloseima tornou-se uma relíquia.
Trazê-los por trezentos quilômetros sem que derretessem foi uma façanha que merecia um post. A idéia adolescente do meu filho era exibir o tal regalo para os amigos e depois, obviamente, consumi-los.
Pois bem, ao procurar os ditos-cujos, quem disse que os achei?
Sumiram, escafederam, desapareceram sem deixar sequer uma pista. Nada. Nem mesmo uma manchinha de chocolate ou um pedacinho da embalagem.
Ah! A embalagem... O presente precioso do meu (agora, revoltado e a beira da violência) filho.
Pergunto: quantas pessoas tomariam esse tipo de liberdade até mesmo dentro de sua própria casa? Como assim tomam algo que está guardado sem antes consultar se pertence a alguém?
Eu não tenho esse tipo de comportamento nem mesmo na casa de minha mãe. Caçula de sete filhas e tendo morado em república por quase toda minha vida adulta, acostumei-me a ver etiquetas com nomes em quase tudo que precisava ser gelado.
Além disso, não se trata de um molho ou de um pacote de bolacha que geralmente costumamos armazenar. Isso sem falar que os tais sorvetes estavam bem ao lado de dois enormes e desfrutáveis potes de sorvetes de outros sabores – estes- intocados por elas.
Vou voltar pra universidade. Vou tentar entender o mecanismo que move a mente dessas pessoas. Minhas empregadas sempre recusam quando as convido para sentar-se conosco e se acham íntimas para saborearem um exclusivo sorvete sem antes consultarem...
Não. Vou fazer uma oração já que imagino que muita gente vai classificar minha indignação como mesquinharia e maldade. Vou rezar até me transformar numa pessoa melhor. Dessas que perdoam o imperdoável.
Sei lá como isso vai terminar. Mas, conhecendo-as imagino que se sentirão ofendidas ao serem repreendidas por terem comido um “simples sorvetinho que estava ali e ninguém queria", numa casa onde se pode comprar muitos outros.
Nem preciso dizer que se tivessem me consultado eu teria comprado outros e ainda teriam a opção de escolherem o sabor.
Ontem no fantástico, Ney Latorraca disse que ficava indignado com quem maltrata empregados domésticos. Eu concordei com ele e o achei o máximo.
Hoje, penso em escrever pra ele e perguntar se o que estou sentindo também não causaria indignação.
Existe algum movimento, manifesto ou não, que dê razão e solidariedade há patrões que são maltratados por seus empregados?
OS: Será que coisas assim são comuns lá em Pato Branco?
- posted by Mara
Quinta-feira, Novembro 6
EIS O HOMEM!
* pato ou cisne?
Algum tempo atrás escrevi um post admitindo que invejava o povo e o cinema americano pela franca exaltação que faziam de seu patriotismo ao aclamar, na vida real e na ficção, seus presidentes.
Enfim, a grama do vizinho costuma mesmo ser sempre mais verde. Mas, nem em minhas mais ensandecidas elucubrações eu esperava assistir o que tem sido televisionado nos últimos dias.
O primeiro presidente negro dos EUA é aclamado ruidosamente nos quatro cantos do mundo! Só não se decidem a ordem dos fatores: o que é mais importante? Um negro se tornar presidente ou um homem carismático e competente que, por acaso é negro, tornar-se presidente?
Bom, parece que, nisso também, a ordem dos fatores não altera o produto. Será? Obama é negro e, isso, parece ser difícil ignorar. Mas é também democrata, advindo de família de classe média alta, estudou em excelentes escolas e político por natureza.
Simplesmente amo ver a esperança ser a ordem do dia para quem antes nada tinha. Adoro ver o desejo do povo sendo democrática e ostensivamente valorizado. Gosto muito também de demonstrações de patriotismo, ainda que na pátria alheia.
Mas, há algo de exagerado nisso tudo. Será que apenas eu sinto certa apreensão, apesar de não ter desejado o contrário, com a eleição de Barack Obama?
Sabe quando tentamos sucessivos dias conseguir a passagem aérea na data e horário perfeito para aquela viagem desejadíssima e no momento seguinte somos acometidos pelo medo irracional de voar?
Sabe aquela sensação meio angustiante, meio orgulhoso de conquistar uma coisa que queríamos tanto e, por tanto tempo, que já nem sabemos mais se será tão bom assim? “Cuidado com o que se pede em oração, é possível que sejamos atendidos!”, diria a cidadã comum e branca, minha mãe!
Pois é. Li e ouvi por aí diversas manifestações de gozo absoluto pela conquista do tal negro democrata. Mas, confesso nenhuma das argumentações me convenceu completamente.
Ser negro, democrata, meio americano- meio queniano, jovem, eloqüente, brilhante, católico, enfim, nada disso me parece suficiente ou isoladamente determinante para provocar tamanha comoção.
Ok. Como diria seu concorrente: “Hoje ele é o meu presidente”. Presidente dos Estados Unidos da América. Mas, comemora-se no Quênia, no Iraque, no Brasil, e até na lavanderia daqui de casa: minha empregada está incontidamente feliz.
Espero que essa nuvenzinha que nubla minha vontade de comemorar com a massa, seja apenas minha eterna mania de contestar a unanimidade. Desejo ardentemente que minha intolerância ao fato do adjetivo “negro” vir insistentemente associado à palavra "presidente", seja apenas isso: intolerância contra qualquer tipo de racismo, às avessas ou não.
Mas, a história esta aí e não me deixa mentir além do que ela própria já o faz. Líderes de grandes massas, via de regra, viram mártires ou ditadores. A massa quase sempre idolatra aquilo que mais tarde tende a destruir sob o argumento de que ninguém pode ter tanto poder.
Resta saber: quem, dessa vez, lavará as mãos, quem julgará, quem será perdoado e, por fim, quem será salvo? Ou ainda: quanto tempo isso levará?
Para mim, o século começa agora. Todos os livros de história editados antes dessa data tornaram-se obsoletos. Começa a Era Obama.
E eu, não sei por que, estou com medo. Mas, não deve ser nada importante já que, guardadas as proporções, a última vez que me senti assim, o Brasil elegia o primeiro presidente metalúrgico da história.
Do povo, para o povo e pelo povo! É. Não deve ser nada...
* adendo: adorei ouvir o Obama inflar o peito e plagiar meu filho ao dizer: "Não sou negro. Sou marrom!" ( é plágio sim! Tá registrado em algum post anterior)
- posted by Mara
Segunda-feira, Novembro 3
É PRUDENTE SER SEMPRE BOM E HUMILDE COM TODOS.
PORQUE AS COISAS...
...MUDAM AO LONGO DO TEMPO!
- posted by Mara
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