Respeitável Público, o show vai começar: trapezistas, palhaços, a mulher barbada e a gorda, o homem mais forte e o contorcionista. O corajoso domador de leões, os malabaristas, o atirador de facas e, claro, o público!
Tanto riso e tanta alegria e ninguém percebe que entre eles e a multidão existe um sem número de psicopatas. É! Psicopatas, sociopatas, transgressores de conduta.
Seja qual for o nome que dermos, ele estará lá sutilmente camuflado por seu alter ego alternativo e fascinante. Vigiando e estudando suas vítimas. Antecipando seu prazer em subestimá-las e usá-las a seu favor.
Nem todos psicopatas são encantadores, e o contrário também é verdadeiro. Mas, em comum, se utilizam de seus dotes pessoais para sobreviver socialmente. E conscientemente.
Enganam-se quem acredita que irá ver a expressão feroz do Antony Hopkins ou as unhas sujas de sangue do maníaco do parque quando, por ventura, cruzar com um psicopata.
A psicopatia é o mais dissimulado e perigoso desvio mental já registrado na humanidade. Não reconhece um psicopata quem, por hábito, costuma resumir todo e qualquer comportamento na linha limítrofe do bem e do mau.
Esses indivíduos sabem como ninguém misturar esses conceitos e embotar a mente de quem convive com eles. Letícia Sabatella e sua personagem Yvone na novela das oito são a exemplificação mais feliz do que quero dizer.
Mas, não são necessário exemplos cinematográficos ou televisivos. Quem não conhece alguém que utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho? Que é tão treinado e habilitado a mentir que o faz olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada?
Ah! Difícil apontar alguém? Tudo bem. Porque eles são hábeis em não se deixarem flagrar nesse quesito. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente.
Normalmente o psicopata diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância. É um bom sujeito pra se ter ao lado quando ninguém mais está. Vai dizer o que queremos ouvir para obter o que ele precisa.
Você estará sendo usado! Através desse encanto, essa flor de formosura, coisifica e descarta você antes que você possa agradecê-lo por sua disposição em te ouvir.
Pode ser, felizmente, que você não seja exatamente o alvo desse indivíduo. Mas, isso não elimina os sinais que ele emite de seu comportamento doentio, caso você queira enxergá-los. Ë preciso estar atento, porém.
Psicopatas de casam e constituem família apenas quando compreendem que essa atitude irá favorecê-los de alguma maneira. A razão é simples: não possuem nenhuma inclinação ou sensibilidade por nada e mantém-se normalmente indiferente aos sentimentos alheios. Mas, havendo interesse próprio, podem dissimular esses sentimentos socialmente desejáveis.
Não. Isso não os constrange. São portadores de grande insensibilidade falta-lhes o juízo e consciência morais, bem como noção de ética. A ausência desses sentimentos altruístas, unidos à falta senso de moral, impede-o de reconhecer a dor que provoca nos outros e por isso, usa as pessoas como peões, objetos que pode pôr e dispor conforme lhe convêm.
É muito hábil com as palavras e convence as pessoas mais vulneráveis a entrarem no “jogo” dele. Controlam todos os relacionamentos, impedindo que familiares e amigos confraternizem paralelamente, sem a sua presença. Para tal recorrem as esquemas, intrigas e claro, ao seu charme para se fingir amigo.
Usam os filhos, companheiros, amigos, sócios e até a suas próprias mazelas, como títeres, em função dos seus próprios interesses. Suas histórias de vida, geralmente tristes, servem como condimento para seu plano de sedução.
Não aprendem com as punições, porque não as atribui responsabilidade própria. Ao contrário, as desafia. Enfrenta as piores consequencias como quem vai ao supermercado em dia de liquidação relâmpago: de modo desafiador e oportunista.
Daí que se prestarnos a atenção, veremos que a bela Letícia Sabatella e sua personagem Yvone, veio pra nos dizer que nem sempre psicopatas comem carne humana. Muitas vezes, uma bela perna de carneiro regada a confraternizações políticas, podem provocar mais assassinatos em massa do que teremos tempo pra divulgar.
Assim, andando na corda bamba, expondo as imperfeições e exageros, exaltando as habilidades, arriscando-se entre os leões e desviando do fio das facas pontiagudas, estará o psicopata. Simpático como um palhaço, sincronizado como uma baliarina...
E a nós, restarão as arquibancadas...ou o ingresso de volta!
- posted by Mara
Terça-feira, Agosto 25
SÃO SÓ DOIS LADOS...
...DA MESMA VIAGEM!
Parece natural que depois de certo tempo de vida questionemos algumas coisas que foram pouco a pouco perdendo a importância, a “graça”, que tinham. Coisas como a noite de natal, o último capítulo da novela, o oitavo campeonato conquistado pelo vôlei feminino. Ah! Impossível deixar de falar do almoço de domingo.
Deve haver algum hormônio responsável por essa descarga de emoções e que vai, paulatinamente, esmorecendo na medida em que nos tornamos mais velhos. Ou, quem sabe, é a glândula lacrimal que engrossa e enche de névoa o prisma colorido do nosso olhar.
O fato é que, seja como for, é muito triste descobrir que o Papai Noel de nossa infância era na verdade aquele velho barrigudo e ébrio que morava no bairro. Que a novela vai ser reprisada no “Vale a pena ver de novo” e que nem só de vôlei se faz uma olimpíada. E que bastam 3 minutos pra preparar um miojo a bolonhesa.
Infelizmente, desequilíbrio de hormônios pode mudar o humor, causar ondas de frio e calor, engordar e até determinar o fim da vida reprodutora, mas, não é o responsável pelo desencanto. Pelo menos até que o Fantástico prove o contrário.
Não é depressão, banzo, desgosto ou tristeza. Antes fosse. Afinal, para amenizar esses sintomas, me diplomei e me pós graduei. Conheço um pouco do caminho.
É desencanto mesmo. Ao pé da letra: falta de canto, de sonorização, de ruído emocional, se é que me entendem. É chegar ao melhor da vida e descobrir que foi feliz e que se estava tão ocupado em descobrir a felicidade que nem percebeu que já a tinha encontrado.
Nasci de sete meses. E se é verdade que somos modelo para tudo que criamos, meus projetos atuais correm o sério risco de parirem prematuramente também o fruto que gestou. Sete meses depois e sinto as contrações urgentes que indiciam que algo será expelido.
Tenho sentido com mais freqüência o peso de ter assumido esse filho sem linhagem e de características tão diferentes das minhas. Começo a sentir os pés inchados e cansados, as olheiras, das noites mal dormidas e meu corpo começa a se curvar diante da descrença generalizada.
Perdoem-me as metáforas. É um efeito colateral dessa gestação. É, literalmente, politicamente incorreto me queixar das ânsias de vômito matinais, da deselegância evidente, das crises de choro sem motivos. Afinal, escolhemos gestar. E esse “dom” concedido não nos permite a maledicência. Fui avisada!
Não foi fácil desde o começo. Começamos errado, eu e meus planos. Movidos pela emoção, pelas melhores intenções e pela fé no futuro e na bondade. Fomos descriminados, rechaçados, humilhados e sistematicamente questionados em nossa ética.
Dificuldade e sacrifício: a fórmula certa pra quem não resiste a um desafio. Ingenuidade e fidelidade: combinação perfeita para cegar-se diante das evidências que prenunciavam a pior das tempestades.
Com o tempo, as ondas foram se acalmando, o espaço-tempo entre o trovão e raio aumentando lentamente e a ventania deu finalmente uma trégua. Contudo, curiosamente, o mundo ainda parecia rodar enquanto eu tentava manter meus pés firmes no chão.
Em muitos momentos também foi divertido. Foi glamoroso e até compensador. Mas, em seguida o tempo voltava a fechar e voltada a perder a referência. Esquecer quem sou, de onde vim e pra onde eu pretendia ir quando tudo começou, foi o prenúncio do caos definitivo.
Acabou a graça. Tudo deixou de ser real. O velho ébrio do bairro morreu. O galã e a mocinha se casaram e se separaram (tudo junto) na primeira semana logo após o final da novela. A medalha de “ouro” enferrujou.
Estamos em repouso, eu e meus projetos de vida. Repouso absoluto e monitorado pela saúde pública. Descobri que não posso abandoná-los por que seria abandono de incapaz. Não posso compartilhá-los porque não há quem os queira sob tutela.
São embrionários e inúteis. Não disseram a que vieram e nem se fizeram necessário. Não nasceram, portanto não podem morrer.
Serão abortados. Prematura e covardemente.
Aos que acreditaram: desculpe! Aos que duvidaram: parabéns! Aos que nem sequer souberam deles: que triste! Aos que fingiram que os apoiava, deixo a frase que mamãe sempre me dizia quando tentava promover o perdão que eu me negava:
“- Não há mal que não se acabe, nem bem que não tenha fim.”
E se não ajudar, segue a frase daquele que morreu sem conseguir me fazer aprender sua generosidade:
- “Perdoe, eles não sabem o que fazem!”
Oxalá Ele perdoe, porque eu...
- posted by Mara
Sexta-feira, Agosto 7
“PORQUE DOEM MEUS OLHOS?”
..."PORQUE VOCÊ NUNCA OS USOU!"*
Imaginem um Boeing 777, lotado de passageiros contaminados pela gripe suína, com seus pulmões debilitados e falidos, depois de uma forte turbulência, metendo-se violentamente contra o peito de concreto da Estátua da Liberdade...
Imaginou? Agora, imagine o Cristo Redentor a quilômetros de distância fechando seus braços e juntando suas mãos para aplaudir satisfeito o ato corajoso do piloto e das centenas de “voluntários mártires”.
Aproveite o surto criativo dos parágrafos anteriores e crie uma imagem mental do farto material que a imprensa mundial, fanáticos religiosos, ignorantes e ingênuos cidadãos sobreviventes teriam para contar aos seus netos.
Eu tinha jurado que não ia falar disso. Muitas vertentes de minha formação profissional conflituam com qualquer posicionamento meu sobre o tema. Entretanto, declarada ou não, minha opinião assim como a de milhares de brasileiros, começa hoje a perder seu valor de mercado.
Sendo assim, o que é mais uma cancela em um caminho já restrito sem maiores critérios? Posso arriscar e ter a sorte de escapar ilesa de qualquer sanção pública de repúdio, de censura ou criminal.
Quatro temas atuais têm-me inconformado, indignado e, sobretudo, colocado a prova meu mais rígido princípio de vida: O de que, custe o que custar, temos a obrigação de nos mantermos a salvo de toda e qualquer forma de domínio arbitrário.
Todas as três têm em comum o caráter pandêmico. São mundiais, apavorantes, cerceiam nossas vidas, provocam pânico e cria ambiente propício para o crescimento lícito do oportunismo político.
E o mais importante: As vítimas, nós, ou somos desavisados ou completamente inertes e vulneráveis. Tornamos-nos a dieta que a sustenta e desenvolve.
A gripe suína, a lei anti fumo, o novo acordo ortográfico e os freqüentes acidentes aéreos são as pandemias do século. Coadunam livremente contra nossa liberdade e o direito de construirmos nosso próprio destino.
Primeiro veio o acordo ortográfico. Ignore tudo que aprendeu por longos oito anos de “ensino fundamental” obrigatório e colabore com a unificação da escrita! Era pra ser um acordo? Bom, meu Word não concordou!
A gripe suína valida a máxima chantagista e covarde: manda quem pode, obedece quem tem juízo! Coloque a máscara, lave as mãos, não abrace, não beije, não freqüente lugares públicos, não viaje, não respire!
Viajar de avião virou uma roleta russa. Não importa o modelo, o roteiro, o país ou o preço, estamos fadados a padecer do silêncio consensual que não nos dá a dimensão dos riscos que corremos. Não se abrem conosco, mas vandalizam nossas bagagens, radiografam nossa anatomia e inalam nossas intimidades em busca de possíveis segredos nocivos.
E hoje, finalmente, o tão esperado dia! A lei anti fumo. Paulista? Não! Pandêmica! Autoridade, literalmente de dentro pra fora! Fora! Não se enquadra? Não concorda? Fora!
E os não fumantes, letrados pelo acordo ortográfico, passageiros aéreos classe A (H1N1), riem e comemoram a liberdade alheia tolhida e humilhada. Respiram aliviados o ar, agora livre de impurezas e límpido.
Vejamos o lado bom: a indústria farmacêutica cresce, os intelectuais sofrem uma seleção natural, a saúde pública não responde mais pelo não controle de doenças relativas aos pulmões.
E o melhor: Os ambientes fechados estarão finalmente livres do ar contaminado de quem fumava tão somente para provocar câncer alheio. Acabou a diversão, criatura nefasto! Agora quem quiser que cultive seu câncer em sua própria casa.
Dessa forma, em breve, poderemos medir a população mundial com um critério único, universal: os Sãos e os insalubres!
E quando, acaso, se misturem a bordo de um avião, poderemos contar com a sorte de que os que se contaminarem por inevitável contato, morram em uma “inexplicável turbulência” ou queda misteriosa.
O fato é que estamos voando mais alto do que nunca, enfrentando mudanças nunca antes experimentadas, capazes de sacudir violentamente a segurança que supúnhamos possuir. E, mesmo assim, continuamos pretensiosamente nos isentando da responsabilidade.
O outro é que nos contamina! Devemos, portanto, evitar o próximo. Não importa a distância da viagem que ainda teremos que percorrer, a determinação é:
Suspendam a respiração, não fumem, tenham seus pertences bem acondicionados e sob vigilância constante e, sobretudo, mantenham os cintos afivelados até que tenham finalmente estacionado. Afinal, a maioria dos cemitérios é ao ar livre!
O Ministério da Saúde adverte: Ser dono de sua própria vida pode ser prejudicial à saúde... da Matrix!