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"Não conseguimos controlar as más linguas dos outros, mas uma vida decente nos capacita a desprezá-las." Cato, o Velho (234 AC - 149 AC)


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Presente da Nina

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Domingo, Setembro 20

QUANDO EU ESTOU AQUI...


...EU VIVO ESSE MOMENTO LINDO!



Eu confesso: eu já cantarolei várias músicas da platinada Vanusa, me lembro da Martinha e fui testemunha da amizade do Erasmo com o Roberto. Tudo bem que é uma vaga lembrança, mas brasileiro é assim mesmo.

O fato é que, Alzheimer à parte, o único que foi intitulado e continua merecendo algum respeito é mesmo o Rei Roberto. Afinal, foram tantas emoções... Que nem nos lembramos que depois da Mirian Rios ele nunca mais foi o mesmo.

Falando sério, longe de ser o último dos românticos, ele é mesmo um profeta. E os “netos já nos perguntam pelas baleias”, da “fumaça que arde nos olhos de quem pode ver”, e dos “abusos da ciência que procura a vida prolongar”.

É! O cara é mesmo terrível! Sonhou que todo mundo vivia preocupado tentando encontrar uma saída... E não é que é assim mesmo?

Mas, convenhamos, ainda está longe de vivermos em uma sociedade onde se pode “gozar a vida sem frescuras”. Nem aqui, nem além do horizonte.

É, Rei, também olho os jornais e estremeço. E hoje, ouço as canções que você fez pra mim e é difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe...

Hoje, como podem notar, me lembrei do Roberto...

Sou fumante. Não acho bonito, nem louvável, não faço apologias e nem me sinto enganada pelo marketing publicitário, como é o álibi de muitos viciados por aí. Mas, sou fumante.

Fumo porque um dia achei elegante, depois achei interessante, mais tarde desestressante e finalmente, indispensável. Aí já era tarde... Ninguém mais sentia saudade de Amélia e eu me senti livre...

O Rei, lá pelos idos de 1960 leu um aviso de “Proibido Fumar” e nem deu bola. Ele era o “cara” , uma brasa, mora? E, mesmo assim, nunca o copiei.

Em toda minha carreira autodestrutiva de consumidora de cigarros, nunca, jamais acendi um cigarro sentada em uma mesa de restaurante ou em algum ambiente onde minha fumaça pudesse incomodar alguém ao lado, fosse o sujeito, fumante ou não.

Considero ter sido uma boa cidadã. Nunca parei na contra-mão e jamais um “guarda malvado” tomou minha carteira. Também não cortei árvores ou pesquei baleias. Sempre fui uma garota, digamos assim, papo firme!

Pega daí que o Governador do meu Estado tinha meus pulmões como sua prioridade e eu nem sabia. Sabido, é claro, é que prioridade de político é sempre a última a ser realizada.

Então, ainda que tarde, o Serra ( desculpem -no pela alusão ao desmatamento) veio em meu socorro e resolveu dar-me incentivos para deixar esse hábito psicopata que possuo.
,
Tarde também para meus concidadãos Ribeirãopretanos, já que uma lei muito parecida já havia circulado por aqui. E, lei, justa ou não, é mesmo “lei” para o povo da Califórnia brasileira.

Mas, o ex-fumante governador resolveu que o fumante não deve apenas ser posto pra fora, ou ter um lugar só dele. É preciso baní-lo da sociedade, marginaliza-lo, expô-la a chuva e ao sol ( aqui, de 40 graus, na sombra).

Constrangimento é o remédio rápido, eficaz e eleitoreiro que o ilustríssimo representante do meu Estado escolheu para, na mesma canetada, agradecer-me por anos de exercício de cidadania e salvar a mim e, a população, de meus instintos assassinos.

Mas lembra o Rei? “É preciso saber viver”. Mesmo com essas condições.

“E vejam só a história que agora eu vou contar”: Saí com minha família pra almoçar. E com um calor de 40 graus nem as marquises dos restaurantes conferiam a sombra e a dignidade que merecemos.

Depois de muito rodar, percebi que as senhas distribuídas como espera de uma mesa, iriam me fadar a vários minutos sem fumar. Ops, mas, é proibido fumar!

Na fila, na varanda, na marquise, enfim... Desisti. Foi quando o shopping me pareceu uma solução “fast food” conveniente. Bendita idéia!

Descobri que o restaurante mais famoso por essas bandas, o PINGUIM, tem uma área reservada para seus clientes. Uma varanda confortavelmente à sombra dela mesma, com cinzeiros e seu famosíssimo chopp.

Lá, póóóde! Com Chopp, póóóde.... Como assim? Expliquem!!

Porque eu “já não sei mais o que é certo. Procuro andar direito e ter os pés no chão. Mas certas coisas sempre me chamam atenção”.

Tô reclamando não. Só estou me sentindo idiota. Tanta chuva, tanto calor, tanto olhar de repugnância e bastava apenas que eu cedesse aos apelos do cartão postal da cidade, e aderisse ao vício inofensivo do chopp para que eu pudesse provocar câncer em alguém legalmente?

É! Eles alegam que possuem uma liminar. Esse raríssimo documento deve ser também para isentá-los de punição por servir suas porções gordurosas, para o serviço lento e pro comércio de souvenirs cheinho de indefectíveis pinguins. O chopp é Antarctica! Mas, tudo isso lá desce redondo, acredite! E

Eu gostei! Apesar da minha estranheza e desse texto ultrapassado. Gostei muito.

Assim Salve, Salve profeta tupiniquim Roberto Carlos.

Afinal, que “culpa tenho eu, me diga amigo meu. Se tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda”?



- posted by Mara


Terça-feira, Setembro 15

UM CASO DE AMOR....


...QUE NÃO DEU CERTO!


Sei que já falei sobre isso. E, tornar-se repetitiva, é um forte sintoma de que se não tomarmos uma rápida providência seremos enxotados pelos pragmáticos da vida, que sucumbimos ao alemão mais perverso que existe: o Alzheimer.

Existe uma centena de expressões para redefinir o tema: “murro em ponta de faca”, “nadar contra corrente”, “agora, Inês é morta”, “desgraça pouca é bobagem”, “em rio que tem piranha, jacaré nada de costas”, e por aí vai.

O fato é que nada é mais contundente do que o momento em que sentimos que já era. Já foi o irrecuperável desejo de seguir em frente.

Reconheço que desistir é dar aos outros a sensação de vitória. O gostinho do “consegui”. Mas, depois de avaliar o prêmio com toda honestidade que minha auto-estima permite, concluo que não o quero.

Filha de pai alcoólatra e criada na periferia, como sabem, julguei estar preparada pra tudo. Na periferia não só da vida e das oportunidades, mas contraditoriamente da força arrasadora da maldade.

Meu pai, graças a Deus, morreu antes de eu conhecer a covardia de sua violência. Minha mãe, diplomou-se em resignação e dignidade, ocultando as ocorrências feias da vida.

Fui poupada da fome, da humilhação e das carências de qualquer ordem. Meus uniformes existenciais estavam sempre limpos e passados, combinando com minhas unhas cortadas e cabelos bem penteados.

Minha mãe me estragou. Anulou todas as chances de sobrevivência que eu pudesse ter no mundo cão que se seguiria. A sorte, é claro, se incumbiu de maquiar os detalhes que ela não controlava.

Solitariamente, briguei pra sair do bairro, da escola pública, das filas dos postos de saúde, das roupas herdadas das primas abastadas. Ainda não se falava de cotas e eu conquistei a minha nas universidades superando o descrédito de tudo e de todos.

Tive bons amigos na rua, professores e médicos amorosos, atenciosos e mal pagos, primas que a simplicidade impedia de me sobrepujar e, por fim, reconhecimento de uma inteligência premiada pelo direito á educação graduada.

Depois de tudo isso, conheci o mais doce, reto e honesto ser humano que cruzou meu caminho. Dele, recebi incentivo, fé, admiração, conforto e meu filho. Sem vícios e sem maldade acabou por compor ainda mais o mundo cor-de-rosa que insistia formar-se em minha trajetória.

Conhecer os lados da via dupla da vida nos dá a falsa sensação de que somos maiores do que realmente somos. Que ao optarmos por uma, estaremos nos desvencilhando automaticamente da outra. Ledo engano.

Ao contrário, nos torna vulneráveis e desprevenidos. Esquecemos que estar do “lado de fora” não nos protege dos estilhaços de uma realidade dura e caçadora.
Crescida, encontrei muita gente má. Leio noticiários, assisto eventualmente as telenovelas e sou fã de carteirinha de filmes de terror. Trabalhei em escritórios, imobiliárias, bancos e hospitais.

Incursionei pelos meios televisivos, pelo “high society” e pela benemerência corporativa e, cliniquei por 18 anos como psicóloga. Acreditem, conheço muita gente má!

Mas, por sorte (outra vez ela!), todos esses vermes sociais eram personagens de uma vida paralela que eu observava através das lentes coloridas que, eu nem sabia, mas meus olhos possuíam. A distância entre mim e eles era suficiente pra eu me acreditar segura.

De repente, arrancaram-me os olhos, meteram suas mãos imundas em minhas vísceras e provocaram a necrose de meu coração com um simples conviver.

Estou em ruínas. Dilacerada por não compreender as razões que os fizeram me eleger como alvo. Ridicularizada por minha inocência e pela invalidez de minha sensibilidade. Humilhada por minha credulidade e inexperiência.

Foi preciso um ser ignóbil, pequeno, rastejante e sem caráter cruzar covarde e camufladamente meu caminho pra me mostrar que não é preciso ter significância pra ter proporcional periculosidade.

Chego ao ponto de justificá-lo. Se outros, tão mais dignos, reconhecidos pela sociedade, valorizados por sua existência política e social, são capazes de atos destrutivos porque logo ele, que possui o tamanho do cumprimento de suas inseparáveis bermudas, não o faria?

A diferença é que sua pequenez não lhe permite a vergonha e o medo de ser descoberto. É que seus pactos e enlace políticos permeabilizaram a crosta emporcalhada que reveste sua cara.

Sem medos, não há limite. Sem ética não há vergonha. Sem reflexo, é fácil seguir vampirizando, alimentando-se da carniça e do sangue igualmente contaminado de seus súditos hipnotizados.

Não sou a única e não serei a última vítima. Assim como, não será ele o único e último dos canalhas. Esse indivíduo é apenas um cromossomo jurássico congelado nesse iceberg, cuja ponta fria e mortal é composta por gente muita mais letal e bem posicionada.

Gente, nem de todo boa nem má. Apenas que faz vista grossa, que morre de medo. Gente que vendeu sua alma pela vaidade de se manter acima dos demais e agora paga o preço de estar presos em seus castelos úmidos e cercados de fossos defensivos repletos de crocodilos.

Quem me dera um Alzheimer temporário que apagasse de mim as lembranças e as marcas de minha participação nessa história sórdida. Que me permitisse perdoar a mim mesma por ter ajudado essas mesmas pessoas a subir cada degrau dessa torre.

Ao contrário, não há uma só noite em que as chibatadas de minha consciência permitam um sono tranqüilo ou um despertar esperançoso. Não há sorriso, e-mails de apoio, mensagens de solidariedade ou voto de confiança que me devolvam a paz que anseio.

Ontem, me sentei ao fundo de um teatro repleto querendo ser invisível, protegida pela não importância conferida aos coadjuvantes e senti que todos os olhos, de todas as nucas voltavam-se pra mim.

No auge desse pensamento persecutório e megalomaníaco, descobri que o preço da liberdade não é a eterna vigilância, como aprendi academicamente. O preço da liberdade é a ignorância!

Pra onde, afinal, olhava a Estátua da Liberdade quando os aviões pilotados por bestas humanas, repletas de ódio e rancor, passaram velozmente diante de seu nariz para romperem-se nos seus dois maiores símbolos de auto-estima elevada?

Olhava fixamente para o horizonte, com os braços erguidos, posando para as câmeras que turistas ensaiaram para desviar sua atenção!

Bem feito! Perdeu o posto de “referência” e virou adorno municipal.


- posted by Mara


Domingo, Setembro 13

ESCREVEU, NÃO LEU...


.... A VÍTIMA PODE SER VOCÊ!


“No dia a dia das empresas de comunicação, o jornalista pode exercer várias funções. Ele cuida da produção de relatos em torno de informações geradas por fontes variadas e até da direção do aparato denominado hoje em dia de “produção de conteúdo” para diversos veículos, impressos ou audiovisuais.

... É o profissional especializado na coleta, interpretação, redação, edição e publicação de notícias e também na elaboração de textos opinativos. Nas redações, o profissional é denominado de noticiarista, repórter, redator, editor, diagramador, produtor, editorialista, articulista etc.

... Para que isso ocorra, o jornalista precisa estar habilitado para dominar as técnicas de identificação, apuração e pesquisa, entrevistas, redação e edição dos fatos e assuntos gerados pelo interesse público ou de um público consumidor específico.

... Para que todas essas etapas cumpram a finalidade maior, o jornalista tem o dever de tratar as informações como um bem que pertence à sociedade e, portanto, revesti-la da maior veracidade possível.

... Isto é, jornalista está proibido de mentir. Pois, se mentir, coloca em risco a própria credibilidade e a do jornal para o qual trabalha.

...A internet contribuiu, porém, para o surgimento de uma nova forma de produção informativa, denominada por alguns de jornalismo colaborativo.

...Qualquer indivíduo que porte um celular, por exemplo, uma câmera ou qualquer aparato digital, pode gravar fatos e transportá-los para a net na forma de relato, ou encaminhar para a redação de um jornal.

... O jornalismo colaborativo, porém, não dispõe, pelo menos até agora, dos recursos técnicos e éticos , geralmente, para a produção intensiva noticiosa como ocorre no jornalismo profissional.

... A tarefa do jornalista não é simples. Ele precisar estar capacitado para compreender a complexidade do mundo social, a qual deve ser traduzida numa linguagem simples, num texto que seja claro e legível para qualquer pessoa que saiba ler e escrever.

... E um texto que carregue um profundo compromisso com a verdade dos fatos e assuntos pautados numa redação”.


Marcel J. Cheida é jornalista e professor na Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas.

Faltou nessa aula?

Ninguém pode dizer que o “papai” não ensinou.

Aprenda dentro de casa:


- posted by Mara




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